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quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Dias is That Damn Good #198 – "Análise S.W.O.T. - Global Force Wrestling"

Boas Pessoal!



Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn Good", o espaço com mais história na nossa CWO ;)

Recentemente, Jeff Jarrett lançou um novo projecto/promotora de pro wrestling a que chamou de Global Force Wrestling (GFW). A respeito da mesma, sabemos que Hermie Sadler, a 25/7 Productions e David Broome (criador do The Biggest Loser) são seus parceiros estratégicos e, ainda, que a recém-criada companhia já estabeleceu outras parcerias com diferentes empresas da indústria como a AAA (do México), a IGF e a NJPW (do Japão), a Wrestling Professionals (da África do Sul), e outras pequenas organizações do circuíto europeu, com vista à troca de talentos e partilha de conhecimentos. Por outro lado, sabemos, também, que Jeff Jarrett anda em digressão pelos diversos países e territórios onde a modalidade é parte integrante da cultura dos seus habitantes, no sentido de promover o seu novo projecto e de encontrar novas talentos para constituir o seu roster/plantel. Por último, já é do conhecimento público que existem negociações em curso tendo em vista o estabelecimento de um acordo com uma estação de televisão que possa transmitir os conteúdos, programação e espectáculos da companhia.

Deste modo, por se tratar de um novo actor no terreno com alguma capacidade para "agitar as àguas", pela força de alguns dos seus parceiros e pelo eventual buzz e interesse que toda esta situação está a criar em redor do business, e a sugestão do visitante/seguidor do Wrestling Notícias e da coluna "Dias is That Damn Good" King of Kings, será este tema e assunto o central da análise S.W.O.T. que agora vos apresento.

Não percam, portanto, as próximas linhas...



Pontos Fortes e Oportunidades:

A Notoriedade de Jeff Jarrett e dos seus Parceiros

- Apesar de se ter afirmado sempre como um main eventer de 2ª linha e nunca como um top guy, a verdade é que Jeff Jarrett conseguiu destacar-se com distinção nas suas passagens pela WWE e WCW. Por outro lado, quando iniciou o processo que daria origem à criação da TNA e se manteve na gestão da mesma durante um largo período (quer como wrestler, quer como administrador), Jarrett acumulou a todo o prestígio, visibilidade e mediatismo que trazia das anteriores promotoras onde tinha trabalhado, todas as experiências, conhecimentos e capacidades que a construção e gestão de uma companhia de pro wrestling acarretam. Situação essa que, certamente, lhe permitiu estar em permanente contacto com diversas personalidades e organizações no sentido de estabelecer acordos comerciais e parcerias que ajudassem no financiamento, dinamização e disseminação da TNA. Agora, que inicia um novo projecto, as parcerias já assinadas e acordadas são um reflexo do que acabei de referir. No mesmo sentido, estes novos parceiros, sobretudo no que concerne à 25/7 Productions e a David Broome, podem desempenhar um papel importantíssimo no estabelecimento e consolidação da GFW e, especialmente, constituirem-se como actores-chave no processo de negociação de um acordo de televisão para a companhia. Por outro lado, as relações que Jeff estabeleceu, ao longo dos anos, com os mais diversos wrestlers e personalidades do business colocam-o numa posição até certo ponto confortável no sentido de atrair e convencer alguns nomes a integrar a sua nova Global Force Wrestling.

A Possibilidade de Realizar um Acordo com uma Estação de TV

- Para o bem e para o mal, a verdade é que o pro wrestling evoluiu para um estádio de desenvolvimento onde a televisão desempenha uma função fundamental. Sem ela a capacidade de divulgar as promotoras, os seus produtos, os seus conteúdos e os seus wrestlers torna-se quase impossível ou, pelo menos, uma tarefa hercúlea. É a televisão e os programas/shows que passam na mesma que dão a conhecer as companhias e tudo quanto as envolve, é a televisão que permite aos telespectadores acompanhar os desenvolvimentos e storylines decorrentes da programação de qualquer empresa do ramo e aumentar o seu número de seguidores. Em último caso, é, também, a televisão que permite a obtenção de patrocínios relevantes e, por consequência, verdadeiramente capazes de proporcionar um indispensável retorno financeiro. Portanto, sem um acordo de televisão que exponha e dissemine a GFW, o crescimento e própria sustentabilidade do projecto podem estar em causa. E é por isso que se torna extremamente importante que as faladas negociações entre Jeff Jarrett e algumas estações de televisão para a criação de um programa da GFW cheguem a bom porto. De qualquer modo, as informações que nos têm chegado através dos dirt sheets são positivas e permitem-nos encarar com optimismo esta situação...não se sabendo, contudo, se a GFW irá partir, prontamente, para um programa clássico ao estilo do RAW, SmackDown e iMPACT Wrestling, ou se, primeiramente, prosseguirá pela via da realização de um reality show ao estilo WWE Tough Enough. Em qualquer dos casos, o importante é que se verifiquem desenvolvimentos no sentido de garantir um acordo de tv e, ao que tudo indica, o actual contexto é favorável a que ele se estabeleça.

A Capacidade e Dimensão do Projecto

- Ora bem, pelas duas grandes razões (pontos fortes e oportunidades) que referi anteriormente, facilmente compreendemos que estamos perante um projecto com consideráveis capacidades e dimensão. Capacidades que advêm do prestígio de Jeff Jarrett e dos seus novos parceiros, assim como do potencial investimento e financiamento que ambos podem conseguir avolumar. E dimensão porque todas essas capacidades acrescidas de um programa de televisão e dos acordos estabelecidos com outras promotoras de dimensão mundial para a partilha de talentos, permitirão construir e estruturar uma organização com alicerces bastante superiores aos que suportam grande parte das companhias em solo norte-americano (à excepção da WWE e da TNA). Consequentemente, o contexto que está na base da criação da Global Force Wrestling e que envolve todo o processo da sua institucionalização permitirá, por outro lado, exercer uma atracção muito maior sobre os múltiplos wrestlers e personalidades do business e competir, à partida, com armas bastante mais apetrechadas se comparadas com aquelas que as promotoras indy utilizam.



Pontes Fracos e Ameaças:

O Monopólio da WWE e a Forte Concorrência da TNA

- O primeiro grande entrave que qualquer promotora de pro wrestling, nova ou existente, enfrenta prende-se, de facto, com o monopólio instituído pela WWE. A capacidade e dimensão da empresa de Vince McMahon não permite sequer a existência de uma concorrência séria e essa situação reflecte-se, especialmente, na disputa contratual pelos mais diversos wrestlers e agentes da modalidade, assim como pelos diferentes patrocínios, acordos comerciais e de televisão, e na requisição de arenas/pavilhões. Consequentemente, este contexto cria, naturalmente, algum pessimismo, sobretudo, nas cadeias de televisão que sabem não ser possível, à partida, competir com os números e ratings de uma super WWE. Por outro lado, e ainda que a GFW tenha fortes possibilidades de se consolidar, rapidamente, como a terceira grande companhia do ramo em solo norte-americano, a verdade é que terá de enfrentar uma feroz concorrência por parte da TNA. Como sabemos, ambas as companhias já não podem ser categorizadas como indy promotions, mas ainda estão a meio-caminho no que se refere a um estatuto de main stream. Por consequência, elas irão disputar os mesmos mercados, as mesmas arenas e pavilhões, os mesmos wrestlers e workers, os mesmos patrocínios e acordos comerciais, etc. E, neste ponto, a TNA, por já levar 12 anos de existência, por já ter conseguido consolidar uma base de fãs e seguidores, por já ter construído de alguma forma o seu público, por já se encontrar estruturada e institucionalizada e por já ter o seu plantel/roster formado, compreensivelmente, leva uma boa vantagem num possível confronto directo com a recém-criada GFW.

Os Wrestlers e Freelancers Disponíveis

- Outra tarefa que não se adivinha nada fácil está relacionada com a formação de um primeiro plantel/roster. Como sabemos, os wrestlers da WWE têm uma clausula de exclusividade nos seus contratos e o mesmo sucede com os lutadores de maior renome e visibilidade ligados contratualmente à TNA. Deste modo, restará à GFW uma prospecção exaustiva pelo circuito independente (a juntar aos acordos internacionais de partilha de talentos que assinou) como alternativa para fazer face à necessidade de formar o seu core e núcleo duro de talentos. Ora, esta situação, obrigará a um esforço muito maior e redobrado por parte de Jeff Jarrett e da sua equipa, uma vez que a notoriedade e estádio de desenvolvimento dos wrestlers do circuito independente se revela ainda bastante precária e, qualquer um dos eles, precisa, fortemente, de aprender a trabalhar para a televisão e plateias mais exigentes, assim como de evoluir rapidamente nas suas mais diversas capacidades. Por outro lado, há algumas lendas e personalidades históricas da modalidade que, presentemente, não possuem qualquer vínculo contratual (como Mick Foley, Jim Ross, Vince Russo, entre muitos outros), possibilitando, portanto, uma vez que haja acordo, a sua participação e contributo no lançamento do novo projecto. Mas o desafio, sobretudo, de constituir um roster com visibilidade e notoriedade suficientes para captar a atenção de um núcleo aceitável de seguidores prevê-se algo complicado.

A Visão que Jeff Jarrett tem da Modalidade

- Por último, a visão que conhecemos a Jeff Jarrett sobre a modalidade pode constituir, na minha opinião, um ponto fraco ou, pelo menos, uma ameaça à qualidade do novo projecto. É óbvio que esta situação congrega uma questão de estilos e de preferências, sendo por isso subjectiva, mas a julgar por aquilo que foi a irregularidade do storytelling e do planeamento na TNA enquanto Jeff foi o seu principal responsável, não deixa antever, a meu ver, algo de muito positivo a este respeito. Como sabemos Jeff foi muito influenciado pelo estilo praticado na ex-promotora do seu pai Jerry e, por isso, a sua concepção do business revela muitas características desse southern wrestling style. Por outro lado, nunca conseguiu, na TNA, montar uma estratégia que permitisse a criação de grandes estrelas da própria companhia e manter as suas storylines "limpas" e fáceis de acompanhar, recorrendo de uma forma exagerada aos heel e face turns, ás interrupções e interferências em combates, a finishers completamente carentes de lógica e, sobretudo, a algumas ideias altamente ridículas proporcionadas por uma vontade desmesurada de marcar a diferença, sem compreender onde ela deveria verdadeiramente materializar-se. Portanto, neste capítulo, se Jeff Jarrett não conseguir reunir à sua volta um conjunto de pessoas realmente capazes e conhecedoras da modalidade, dos seus conteúdos e de uma forma de produção moderna, temo que, enquanto centro único de decisão, as coisas possam não vir a correr pelo melhor...pelo menos, no que toca às expectativas que, pessoalmente, tenho a respeito da Global Force Wrestling.



Conclusões:

No actual contexto em que a modalidade vive e a indústria e business se encontram, será, certamente, positiva a possibilidade de aparecer, em força, um novo player com capacidade para agitar as coisas. No entanto, e porque a criação deste novo projecto é ainda bastante recente e o mesmo se encontra em desenvolvimento numa fase bastante embrionária, a falta de informação e conhecimento a respeito da Global Force Wrestling é uma realidade inquestionável. Contudo, conhecendo a pessoa por detrás do projecto, os seus parceiros e os acordos já assinados com outras companhias do ramo, podemos especular um pouco acerca dos desafios que a mesma terá de enfrentar e quais as grandes oportunidades e ameaças que se lhe colocam. Neste sentido, sabemos que a notoriedade de Jeff Jarrett e dos seus parceiros, assim como a possibilidade de chegar a acordo com uma estação de televisão que transmita os multiplos conteúdos da promotora e a possível capacidade e dimensão do projecto constituem-se, muito provavelmente, como os seus pontos mais fortes. Por outro lado e a contrastar com o que acabei de referir, somos obrigados a reconhecer que as limitações e condicionamentos provocados pelo monopólio da WWE, assim como pela forte e feroz concorrência que será oferecida pela TNA, a dificuldade de formar, de entre os wrestlers e freelancers disponíveis, um roster credível e com alguma notoriedade e, por último, a visão um pouco sulista e algo anárquica de Jeff, surgem como as grandes ameaças à GFW e seus principais pontos fracos.


E vocês, o que pensam do novo projecto de Jeff Jarrett?!

Um Abraço,
Dias Ferreira



PS: Não se esqueçam de indicar assuntos e temas que gostariam de ver ser aqui abordados.

Dias is That Damn Good #197 – "The Kliq Legacy"

Boas Pessoal!



Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn Good", o espaço com mais história na nossa CWO ;)

O clima e ambiente que gira em redor dos atletas e praticantes de pro wrestling é, normalmente, marcado pela intriga, pela inveja e por uma competitividade feroz. Diz, inclusive, um ditado popular que, nesta indústria, se podem fazer grandes amigos ou obter elevado sucesso e rendimentos. Mas, ao longo da história, houve pequenas excepções no que a esta situação diz respeito. Excepções essas em que um pequeno grupo de wrestlers movido por um forte sentimento de amizade e por uma visão comum acerca do business acabariam por deixar a sua marca e revolucionar por completo os conteúdos e concepções da modalidade. A maior de entre todas as excepções ficaria conhecida pelo nome "The Kliq".

Neste sentido, o tema sobre o qual me debruçarei ao longo do presente espaço versará, precisamente, no grupo de backstage que referir anteriormente. Centrar-se-á na sua formação, na importância que os seus membros tiveram para o pro wrestling e no legado que os The Kliq deixaram para as gerações vindouras e própria indústria.

Não percam, por isso, as próximas linhas...



Como tive oportunidade de descrever na introdução a este texto, a carreira de um wrestler profissional constrói-se através de um caminho bastante irregular, cheio de rasteiras e de grandes limitações e condicionalismos. No pro wrestling o lançamento com sucesso de um novo talento obrigará, sempre, à atribuição de um "spot" que outro lutador, consequentemente, perderá. No mesmo sentido, a consolidação, desenvolvimento e afirmação de um pro wrestler obrigará a que outros seus colegas lhe abram e facilitem o caminho, em detrimento próprio, através do seu "job". Por esta razão, compreensivelmente, acabam por se gerar algumas animosidades entre lutadores na disputa pela melhor posição e "spot" no card das promotoras em que trabalham. Sendo, fácil, portanto, perceber que o ambiente que se vive no backstage é, geralmente, de uma enorme politicagem e loby, falsidade, intriga, inveja e competitividade. Ora, foi, então, em grande medida, no sentido de se protegerem desta situação que um conjunto de jovens wrestlers, já com grande influência e estatuto na WWE dos primeiros anos da década de 90, se juntaram e formaram um pequeno grupo de elite no backstage da companhia de Vince McMahon. Esse grupo era formado por Shawn Michaels, Kevin Nash, Scott Hall, Triple H e Sean Waltman e ficaria conhecido, mais tarde, por "The Kliq". A uní-los tinham, acima de tudo, o facto de serem os melhores amigos na vida real (amizade essa que se foi fortalecendo e reforçando à medida que faziam mais viagens juntos) e de partilharem uma visão comum acerca dos caminhos que a modalidade e indústria necessitavam percorrer para evoluir e retomar o sucesso que tinha alcançado nos anos 80.

Constituído por três main eventers e dois upper carders, devido ao seu posicionamento e forma de actuar, o grupo rapidamente facilitou o desenvolvimento e ascensão dos membros que o integravam e ganhou uma influência de grande relevância junto do processo e rumo criativo que à época se desenrolava na empresa e do próprio Vince McMahon. Escusado será dizer, contudo, que as ideias e planos que o grupo levava a Vince McMahon ajudavam a que os seus membros ocupassem as posições de maior importância na companhia, em detrimento dos demais, e essa situação não caiu bem no seio dos restantes colegas que começaram a olha-los de forma hostil. Foi aliás, no seguimento desta situação que Lex Luger os apelidou de "The Kliq". E esta hostilidade ainda se agravou mais aquando do "Curtain Call – Madison Square Garden Incident", onde o grupo violou, pela primeira vez, de uma forma hostensiva o tão credível e respeitado kayfabe. Para os menos atentos e mais jovens, recordo que este episódio marcou a despedida de Kevin Nash e Scott Hall da WWE rumo à WCW e o incidente deu-se quando, no meio do ringue, Scott Hall e Triple H se juntaram a Shawn Michaels e Kevin Nash (tendo o último acabado de ser vencido pelo HBK) e se abraçaram, desrespeitando a regra nuclear da altura que impedia os babyfaces e os heels de passarem uma imagem que não fosse de tremenda animosidade entre ambos. A partir deste momento, o grupo dividir-se-ia, mas ao contrário do que se poderia pensar, nunca deixou de manter os seus laços de profunda amizade e admiração e, inclusive, de os reforçar.



Kevin Nash e Scott Hall fariam o seu debut na WCW como "The Outsiders" e, juntamente com Hulk Hogan, fundariam a stable e storyline mais extraordinária e de maior relevância na história da modalidade, os nWo. Inovadora, criativa, completamente diferente do que tinha sido feito até então, moderna e com um carácter bastante real, os nWo revolucionariam o Pro Wrestling e transformariam a WCW na maior de todas as promotoras da indústria, dando um impulso decisivo para a evolução do business e para o alargamento gigantesco da base de fãs e seguidores da modalidade a que se assistiu durante as Monday Night Wars. Por seu turno, Shawn Michaels e Triple H estariam na génese da resposta que a WWE deu à nova programação e conteúdos da sua rival com a Attitude Era, formando os D-Generation-X. Os DX, como ficariam conhecidos, pela sua irreverência, pela falta de filtros, pela loucura e imprevisibilidade, pela sua originalidade e genialidade e, acima de tudo, pelas várias polémicas que causaram (sobretudo devido às conotações sexuais), foram, também eles, extremamente importantes na revolução que a indústria viveu durante a segunda metade dos anos 90 e, especialmente, um trunfo da WWE na rivalidade com a WCW. Sean Waltman ou X-Pac, como preferirem, foi claramente o membro do grupo que menor visibilidade e mediatismo alcançou, no entanto, a sua qualidade e opções de carreira permitiram que pertencesse tanto a uma stable como a outra, merecendo, também por essa razão, um lugar de destaque junto dos seus amigos. Vivia-se, portanto, uma nova época de ouro para a indústria, o número de fãs e seguidores tinha aumentado como nunca antes se vira, os conteúdos e produções tinham a melhor qualidade de sempre e os shows de ambas as promotoras atingiam números e ratings até então inimagináveis...vivia-se um período em que os membros do grupo "The Kliq" dominavam a WWE e a WCW, uma época em que os "The Kliq" dominavam o mundo do pro wrestling na melhor fase da sua história.

O resto da história é bem conhecido de todos...Shawn Michaels (líder do grupo aquando da sua formação) retirar-se-ia forçosamente em 1998 devido a uma grave lesão nas costas e até 2002, aquando do seu regresso aos ringues, teve algumas aparições esporádicas enquanto figura de autoridade. Após 2002, voltou a recuperar grande parte do estatuto que detinha anteriormente, participando de storylines, rivalidades e combates de grande nível, reformando mais uma vez os DX com Triple H e proporcionando espectáculos inigualáveis nas sucessivas Wrestlemanias de que participou. Retirar-se-ia, definitivamente, dos ringues em 2010 (ano em que foi introduzido no Hall of Fame da WWE), continuando, contudo, a desempenhar um papel influente no backstage e rumo criativo da companhia e a fazer aparições esporádicas na sua programação. Kevin Nash, por seu turno, após o encerramento da WCW, voltaria à WWE com os nWo e, posteriormente, envolver-se-ia numa rivalidade com Triple H, antes de voltar a abandonar a companhia e entrar para a TNA. Na TNA desempenhou um papel importante, sobretudo na elevação de alguns jovens talentos da X-Division e na credibilização de Samoa Joe, ao mesmo tempo que conseguiu, com o seu nome e visibilidade, atrair mais algum mediatismo para a promotora. Regressaria, contudo, uma última vez à WWE antes de se retirar, para uma nova rivalidade com o amigo de longa data Triple H. Já Scott Hall que tinha abandonado a WCW ainda antes da mesma encerrar, teve umas esporádicas aparições na ECW e mais tarde viria a juntar-se a Kevin Nash e Hulk Hogan para re-formar os nWo na WWE. A sua vida, contudo, foi sempre envolta de grandes polémicas e os problemas com o alcoolismo precipitaram o declínio prematuro da sua carreira. Desta forma, após algumas passagens pela TNA e do longo e humilhante arrastamento pelo circuito indy, Scott Hall bateu no fundo do poço...de um lugar de onde só bem recentemente saiu com a ajuda do DDP Yoga e de onde todos queremos acreditar conseguirá manter-se afastado ao mesmo tempo que ajuda o seu filho Cody a dar os primeiros passos na modalidade. Foi, ainda, introduzido na última edição do WWE Hall Of Fame. Triple H, por sua vez, agarrou com unhas e dentes o spot deixado vago por Shawn Michaels na liderança dos DX e lançou a sua carreira de forma considerável...venceu múltiplos títulos mundiais, esteve nas storylines mais preponderantes da modalidade, casou com Stephanie e entrou para a família McMahon, estabeleceu-se como a cara da companhia após os abandonos de Steve Austin e The Rock, e, actualmente, é o COO da empresa, acumulando diversas responsabilidades administrativas com os papeis de autoridade e wrestler ocasional na programação da WWE. Como executivo, a sua realização mais importante e vistosa até ao momento prende-se com a criação e construção do WWE Performence Center. Por último, Sean Waltman por viver uma vida algo semelhante à de Scott Hall (embora excedendo-se muito menos), também acabou por viver um declínio na sua carreira algo prematuro, com várias passagens pela TNA e pelo circuito independente até se ter retirado e assumido um papel de agente e treinador na WWE.

O legado que o grupo "The Kliq" nos deixa é, portanto, o de uma amizade que resistiu às transformações e dificuldades a que a carreira de um pro wrestler estão sujeitas. O exemplo de um grupo de elite com wrestlers do mais alto nível e qualidade que, unido, conseguiu proteger-se e ajudar os seus membros a atingir os patamares mais elevados da modalidade. A história de um grupo de personalidades que desencadeou e participou directamente na revolução da modalidade e indústria e a levou para níveis jamais imagináveis. O retrato de carreiras que, perto do seu final, se reencontram no Hall Of Fame e no respeito que toda a indústria e seus agentes demonstram e reconhecem pelo grupo mais influente e preponderante alguma vez constituído na história da modalidade.


E vocês, o que têm a dizer sobre o legado deixado pelo grupo "The Kliq"?!


Um Abraço,
Dias Ferreira



PS: Não se esqueçam de indicar assuntos e temas que gostariam de ver ser aqui abordados.

Dias is That Damn Good #196 – "Quem Foi Enterrado por Triple H?!"

Boas Pessoal!



Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn Good", o espaço com mais história na nossa CWO ;)

O clima e ambiente que gira em redor do Pro Wrestling é, geralmente, contaminado por diversas ideias, boatos e tentativas de reescrever a verdade e a história. Para tal, contribuem em grande medida os dirt sheets e os seus administradores/redactores...pessoas como Dave Meltzer que, por uma razão ou por outra, quando tomam alguém de ponta não se inibem ou coíbem de a tentar arrasar de todas as formas possíveis e imaginárias. Consequentemente, e por se tratarem de plataformas de grande visibilidade e com elevado número de seguidores/leitores, uma mensagem cuja veracidade e justeza podem estar completamente comprometidas desde o início são tidas por verdades absolutas e grande parte dos fãs difunde-as e faz a sua reprodução sem questionar ou reflectir acerca do seu conteúdo.

Um desses casos, talvez até aquele que mais vezes os fãs replicam e repetem, está relacionado com a ideia que se criou de que Paul Levesque (Triple H) costuma "enterrar", em benefício próprio, os wrestlers e talentos com potencial para o ultrapassar. Como tal, e no seguimento do que referi anteriormente, aquilo que me proponho abordar ao longo do presente texto prende-se com a carreira de Triple H. Com a sua ascensão ao topo e os wrestlers que o ajudaram nessa caminhada. Com a forma como por lá consolidou e solidificou a sua posição e permitiu/facilitou ou condicionou/limitou o aparecimento de novas estrelas. Tudo no sentido de conseguir encontrar uma resposta à questão "Quem foi enterrado por Triple H?!

Não percam, por isso, as próximas linhas...



Paul Levesque iniciou-se desde muito cedo no mundo do pro wrestling, tendo entrado para a escola/academia do lendário Killer Kowalski com apenas 23 anos. Dois anos mais tarde, depois de ter aprendido as noções mais básicas e fundamentais sobre a modalidade, ingressaria na WCW. Importa, contudo, recordar que Levesque era desde os seus 14 anos praticante de bodybuilding tendo vencido diversos prémios na área, situação essa que lhe conferia uma imagem e corpo/ferramenta de grande potencial e altamente habilitada para a prática de pro wrestling. Se a estes factos juntarmos a extraordinária capacidade atlética que demonstrava para alguém com a sua altura e tamanho, e a assimilação do que de melhor o velho Killer tinha para ensinar aos seus alunos (psicologia de ringue, credibilidade dos movimentos e a enorme capacidade para ler e se adaptar ao estilo dos adversários) compreendemos que estávamos perante um jovem com um futuro bastante promissor à sua frente. Já na WCW faria o seu debut como Terra Rysing e ficaria conhecido, sobretudo, pela rivalidade com Alex Wright, por ter feito equipa com Steven Reagal (William Regal) e pelo seu finisher move inovador de grande impacto, o pedigree. Seria, posteriormente, contactado por Vince McMahon que lhe prometera um "spot" de maior importância na WWE, companhia para onde se mudaria em 1995. Já na WWE, reforçaria o personagem/gimmick que vinha desenvolvendo na WCW e rapidamente ascenderia ao upper card da promotora. Por outro lado, depois de travar conhecimentos com Shawn Michaels, Kevin Nash, Scott Hall e Sean Waltman, tornar-se-ia no melhor amigo deste pequeno grupo de elite (com preponderante influência no backstage) que, para todos os efeitos, ficaria conhecido por "The Kliq". E foi precisamente este relacionamento que esteve na origem do pior período que Levesque alguma vez atravessou ao longo da sua carreira, pois como todos devem estar recordados, quando na última participação de Kevin Nash e Scott Hall num evento da WWE, o grupo reuniu-se no ringue para se despedir, violando o kayfabe (até então levado muito a sério) e provocando aquele que para a história ficaria conhecido por "Curtain Call – The Madison Square Garden Incident". Com Kevin Nash e Scott Hall a abandonarem a companhia para ingressarem na WCW e com o estatuto detido por Shawn Michaels, o heat e punições recaíram todas sobre o elo mais fraco, Paul Lavesque (que serviria de jobber durante um ano e perderia o push que lhe estava prometido com a vitória do King of The Ring de 1996, que acabaria por ser vencido por Steve Austin).

Já em 1997, depois de ter completado o seu castigo e aguentado humilhações após humilhações, voltaria a cair nas boas graças da WWE e, juntamente com o seu melhor amigo, Shawn Michaels, formariam uma stable que viria a revolucionar a modalidade e a dar um contributo decisivo para o lançamento e triunfo da Attitude Era, os D-Generation-X. Ao lado de HBK, Triple H (como passaria a ser conhecido a partir de então) recuperou a sua credibilidade e, aos poucos, foi ganhando espaço e tempo de antena para mostrar todas as suas qualidades in-ring, mas também e sobretudo, ao nível da interpretação e das suas mic skills. Assim, quando Shawn foi forçado a retirar-se (devido a uma grave lesão nas costas), Triple H assumiu, naturalmente, a liderança dos DX e reformou o grupo, acrescentando-lhe outro dos seus melhores amigos X-Pac (Sean Waltman) e os New Age Outlaws (Road Dogg e Billy Gunn). Durante este período rivalizou, acima de tudo, com The Rock (líder dos Nation of Domination), Goldust, Owen Hart e Kane, tendo consumado a sua consolidação e credibilização enquanto grande nome a chegar ao main event da companhia. Posteriormente, seguir-se-ia uma feud com Mankind (Mick Foley) que seria decisiva para a sua consolidação enquanto main eventer e que lhe permitiria conquistar, pela primeira vez, o título principal da WWE. Seguidamente enfrentou Steve Austin e, mais tarde, novamente, The Rock, até que se iniciou uma rivalidade com Vince McMahon que culminaria com a sua sabotagem ao casamento de Stephanie McMahon com quem, na storyline, se havia casado. Dava-se, então, início aquela que ficou conhecida por McMahon-Helmsley Era cuja realidade haveria de copiar a ficção e juntar Paul Levesque à filha de Vince. E foi a partir deste ponto que tudo na carreira de Triple H passou a ser colocado em causa pelos dirt sheets e pelos lutadores que, pelas mais diversas razões, não conseguiam atingir o sucesso a que julgavam estar destinados. Seja como for, Paul Levesque deixou de ser visto por uma boa parte dos fãs e seguidores da modalidade como um tipo que trabalhava mais que qualquer outro e que merecia estar no topo ao lado de Steve Austin e The Rock, para ser alguém que tudo quanto conseguia era resultado da sua relação com a família McMahon. Triple H, para os dirt sheets e aqueles que por eles se deixam influenciar, deixou de ser o melhor top heel da companhia e um dos melhores de sempre (como até então afirmavam), para se tornar no wrestler mais "overrated" de todos os tempos.



Em seguida, também, todos aqueles que eram vencidos por Triple H no decorrer das rivalidades de que este tomava parte, passaram a ser vistos como os tipos enterrados por Paul Levesque. De repente, todo e qualquer wrestler que enfrentava HHH era um poço de virtudes (mesmo que antes pensassem o contrário), e ao serem derrotados eram completamente "underrated", eram totalmente "enterrados". Enfim, uma ideia sem qualquer lógica, sem razão de ser e sem qualquer justificação. De qualquer modo, Paul Levesque foi prosseguindo a sua carreira e as suas performence e qualidades foram-se encarregando de desmentir os detratores. Rivalizaria mais vezes com Steve Austin, The Rock e Mankind, depois com Kurt Angle e Stephanie McMahon com a qual, na storyline, se divorciaria após regressar de uma longa lesão. Seguir-se-iam confrontos com Chris Jericho e, sobretudo, com o regressado Shawn Michaels (naquela que foi, a meu ver, a melhor rivalidade na história da modalidade). Depois enfrentaria Kevin Nash, Rob Van Damn e, novamente, Kane. Até que, já em 2003, em conjunto com Ric Flair, formaria os Evolution, uma espécie de Four Horsemen do século XXI, tendo chamado para perto de si o jovem Randy Orton e o novato Batista. Nos Evolution Triple H tornou-se no maior nome da WWE, a sua principal cara e o wrestler mais influente e preponderante de toda a indústria. Derrotou tudo e todos, desde Booker T, a Scott Steiner, Goldberg, novamente Shawn Michaels, Chris Benoit, inclusive Randy Orton (que abandonaria o grupo) e culminando em Batista (que, por sua vez, também abandonaria a stable). Depois de um período de ausência, regressaria e combateria o seu manager Ric Flair, seguindo-se uma rivalidade com a nova estrela em ascensão, John Cena. Posteriormente, juntar-se-ia a Shawn Michaels para reformar os DX e enfrentar os McMahons. Iniciariam depois uma rivalidade com os Rated RKO (Edge e Randy Orton) no decorrer da qual se viria a lesionar, vendo-se obrigado a mais uma longa ausência. Quando regressou venceu Booker T e iniciou uma longa rivalidade com Vince McMahon. Seguidamente conquistaria o título e enfrentaria lutadores como Umaga, Jeff Hardy, Vladimir Koslov, Edge, Randy Orton, John Cena e novamente Randy Orton. Nesta última rivalidade, Stephanie McMahon reaparecia na história e o casal assumia na storyline aquilo que aos olhos de todos já era sabido. Depois, envolveu-se novamente com Shawn Michaels em mais uma reformação dos DX até à reforma de HBK, após a qual Triple H passou a assumir, também, na storyline o cargo de COO da WWE e, a partir de então, a combater apenas num regime part-time. Em todo o caso, enquanto COO teria duas grandes feus com Undertaker, uma como CM Punk, outra com Kevin Nash e, ainda, uma outra com Brock Lesner. Posteriormente, faria um heel turn (ao cabo de 7 longos anos enquanto babyface) e com Stephanie fundariam a stable "The Authority". Seguir-se-ia um confronto com Big Show, uma enorme rivalidade com Daniel Bryan e, mais recentemente, reformaria por pouco tempo os Evolution afim de combater os The Shield. Actualmente, desenvolve uma feud com Roman Reigns e John Cena. Paralelamente, foi acumulando cada vez mais cargos administrativos e influência na promotora, sendo o principal responsável pela criação e construção do enorme e extremamente elogiado "WWE Performence Center".

Triple H é um génio da indústria e durante toda a sua carreira foi um exímio estudande da modalidade...fez de tudo, derrotou todos, participou dos momentos chave e de transformação do pro wrestling da era moderna, foi uma peça fundamental no triunfo da WWE sobre a WCW e, quando os grandes nomes foram abandonando, ele ficou e está, agora, ao leme da maior promotora de todo o business. Muitos poderão perguntar, enterrou alguém Triple H em benefício próprio?! Parece-me óbvio que não, nem Vince McMahon, se não fosse o melhor para a WWE tinha apostado nele. É preciso compreender que qualquer wrestler tem de vencer um outro wrestler para se manter no topo,mas não foi isso que aconteceu com Steve Austin, com The Rock, com Shawn Michaels, com Undertaker e, agora, com John Cena?! Isso significa que os estão a "enterrar" ou que, na verdade, os outros, feliz ou infelizmente, não têm a mesma capacidade para se aguentar no topo?! Pode-se colocar também a questão da influência que teve o seu casamento com Stephanie McMahon, e realmente deve ter tido alguma, especialmente porque passa a ser visto pela administração como alguém em quem se pode confiar, alguém que vai ficar a tomar conta do negócio e que, por isso, nada fará contra o mesmo. Depois, pergunto, quem realmente foi enterrado por Triple H?! Kane que se recusou por diversas ocasiões a ser WWE Champion?! Rob Van Damn que apesar das suas qualidades nunca teve o que era necessário para ser um top guy?! Randy Orton a quem tanto elevou, ajudou e impediu que fosse demitido?! Scott Steiner e Goldberg, wrestlers já consagrados e que quando chegaram à WWE apresentavam alguma veterania e, por essa razão, teriam um "prazo de validade" muito menor?! Pergunto, por exemplo, qual o lutador de topo que "enterrou" menos tipos que Triple H?! Foi Steve Austin?! Terá sido The Rock?! Ou Shawn Michaels?! Ou Undertaker?! Ou ainda John Cena?! Nenhum deles. Posso perguntar, por outro lado, quem elevou e/ou pushou mais jovens wrestlers que Triple H?! E, mais uma vez, a resposta é ninguém. Os exemplos dos seus pushes são muitos, desde Randy Orton, passando por Shelton Benjamin (o único que não conseguiu agarrar o push), por Batista (completamente construído pelo heat de Triple H), John Cena e mais recentemente Daniel Bryan e os prórprios The Shield. Enfim, que não concordemos com o rumo que a WWE dá aos seus talentos e personagens é uma coisa, dizer que o Triple H é o pior entre os piores, que enterra em beneficio próprio, que é overrated e que não eleva ou elevou ninguém, apenas porque se leu isso num dirt sheet manhoso, parece-me completamente errado, injusto e falso.


E vocês, também são da opinião que Triple H enterra telantos em benefício próprio?! Quem foi enterrado por Triple H?! Quem foi elevado por Triple H?! Quem enterrou menos wrestlers que Triple H?! Quem elevou mais lutadores que Triple H?!


Um Abraço,
Dias Ferreira



PS: Não se esqueçam de indicar outros temas e assuntos que gostariam de ver ser tratados no "Dias is That Damn Good".

Dias is That Damn Good #195 – "TNA, Uma Nova ECW"

Boas Pessoal!



Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn Good", o espaço com mais história na nossa CWO ;)

A TNA desde a sua génese tem passado por diversas fases e transformações, sendo que as suas estratégias e políticas são, geralmente, bastante inconstantes e alvo de sucessivas alterações. Por consequência, sem um rumo claramente definido e consubstanciado por uma verdadeira aposta de longo prazo, a companhia vê-se de forma recorrente "atolada" em problemas de viabilidade económico-financeira e obrigada a lidar com a instabilidade que essa situação cria na gestão dos seus wrestlers, programas, ppvs e diversos eventos. Ora, ao que parece, depois de ter passado, mais uma vez, por uma dessas fases que acabei de referir, a empresa de Dixie Carter está, novamente, a reorganizar-se e a apontar baterias para o novo plano e estratégia.

No mesmo sentido e em consonância com este novo caminho delineado, personalidades tornadas célebres pelas suas passagens na histórica ECW (como Bully Ray, Tommy Dreamer, Tazz e Al Snow) têm vindo a ganhar, cada vez mais, peso, importância e preponderância no rumo criativo e administração da promotora. Situação evidenciada, acima de tudo, se tivermos em linha de conta a produção e conteúdos apresentados pela TNA nos seus mais recentes programas e eventos e no modo como esta se parece ver a si própria. Neste sentido, aquilo que me proponho abordar ao longo do presente texto versará neste novo plano e estratégia alinhavados pela TNA. Mas, também, nas transformações que dele advêm e suas possíveis consequências, quer positivas, quer negativas.

Não percam, por isso, as próximas linhas...



Quando a TNA foi criada, em 2002, por Jerry Jarrett e Jeff Jarrett, apesar das dificuldades e limitações que representavam um mercado altamente monopolizado pela WWE, ainda o clima e ambiente em redor da modalidade era extremamente efervescente e entusiástico. Por estas razões, e porque não havia uma verdadeira alternativa à promotora de Vince McMahon, a companhia de Orlando, com maior ou menor acerto, foi conseguindo conquistar o seu espaço, consolidar-se e desenvolver-se. Contudo, e como já tive oportunidade de referir na introdução a este texto, a falta de capacidade para preparar uma estratégia de longo prazo e para apostar numa política de opções e decisões complementares à mesma, não permitiu à TNA retirar todos os proveitos e resultados esperados e necessários para estabelizá-la aos mais diversos níveis. Consequentemente, a viabilidade economico-financeira da promotora é uma problemática que está sempre na ordem do dia e, ela própria, obriga a que, de tempos a tempos, se dêem avanços e recuos, se verifique um reagrupar de forças e uma reorganização estrutural. Aconteceu assim com o processo que gradualmente levou Dixie Carter ao topo da empresa e, também, aquando das chegadas de Hulk Hogan e Eric Bischoff. Ora, ao que tudo indica, e penso não restarem grandes dúvidas a este respeito, é o reagrupar e reorganizar do período pós-Hogan e Bischoff que se vive, actualmente, na TNA.

No entanto, ultrapassar com sucesso o anterior momento que a companhia de Dixie Carter vivia não se adivinha uma tarefa fácil. Nós podemos criticar as más opções que foram tomadas e questionar inúmeras oportunidades perdidas durante esse período em que Hogan e Bischoff tinham preponderância no rumo da companhia, mas nunca podemos esquecer que jamais a TNA havia sido tão grande como nessa época, nunca a empresa teve uma organização e estrutura de "main stream" como nessa altura e nunca, como nesse tempo, a TNA conseguiu levar tantos fãs aos seus espectáculos, eventos e arenas. Ainda a este respeito, recordo que nunca como neste período a promotora apresentou uma produção tão moderna e de elevado nível de qualidade. E é, de facto, uma pena que a má administração financeira que se fez nessa época tenha deitado tudo a perder. Tal como é uma lástima, reconheço, que com tanto star power, com tantas personalidades de enorme visibilidade e mediatismo, com storylines de elevado potencial e com talentos de grande qualidade, a TNA não tenha conseguido, de certa forma, rejuvenescer o seu plantel em posições chave através da criação de, pelo menos, um top drawer.



A administração de Dixie Carter tomou, todavia, a sua decisão...a companhia, primeiramente, deu uns passos atrás, reagrupou-se, cortou nas despesas, passou a gravar vários iMPACT's e PPVs de seguida, deu oportunidade a alguns jovens wrestlers, fez regressar o six-sided ring e ficou com um aspecto e dimensão mais "caseiros". Seguidamente, reforçou o poder criativo de algumas personalidades com peso e história na TNA e com um passado célebre na ECW, e decidiu-se por fazer as novas gravações em pavilhões e arenas um pouco mais pequenas. Por consequência, o modelo de produção e os próprios conteúdos apresentados pela empresa sofreram uma profunda alteração. Parece, aliás, que o modo e forma como a companhia se vê e se concebe a si própria se modificou substancialmente. A produção passou a ter uma concepção bastante mais restrita e limitada, mais indy, sem o ecrã tintantron e a clássica pirotecnia, as promos, os videos e as entrevistas de backstage parecem filmadas com uma camera caseira e o ambiente tornou-se bastante mais apertado e claustrofóbico. Por outro lado, ao nível dos conteúdos, reforçou-se a importância da X-Division como factor diferenciador da empresa e deu-se um novo "gás" às divisões de equipas e feminina...fizeram-se regressar alguns nomes fortes da modalidade como Devon, Matt Hardy e Rhino e, acima de tudo, os combates e desenvolvimentos dentro do ringue viram o seu peso e importância serem fortalecidos. Por último, no que respeita exclusivamente às construções de combates e storylines, parece-me que a influência dos "ECW Guys" se tem evidenciado tremendamente...para o compreendermos, julgo que basta estarmos atentos ao tipo de rivalidades que se têm travado, ao facto dos embates se realizarem quase todos sem desqualificações e com muitas "armas" pelo meio, ao tipo de promos e, especialmente, á forma como os wrestlers e restantes talentos interagem com o público e/ou vice-versa.

Podemos concluir, portanto, que a TNA assumiu uma espécie de padrão/modelo bastante semelhante ao que preconizava a extinta ECW. E é neste ponto que a promotora e, sobretudo, quem a gere me deixa desiludido. Eu compreendo as dificuldades pelas quais a TNA passa e percebo que não é fácil dar a volta à situação, reconheço o esforço que os wrestlers, agentes, bookers, produtores e writers têm feito e todo o seu empenho é de salutar...mas é possível melhorar e crescer sem se cometerem erros tão grandes quanto a apresentação de uma replica moderna da ex-promotora de Paul Heyman. E vocês perguntam, mas é um erro assim tão grande porquê?! Vejamos então um pouco da história da ECW...uma pequena empresa de extreme pro wrestling com um núcleo de fãs e seguidores fanáticos mas bastante restrito, envolvida constantemente em problemas financeiros e contraindo sucessivamente dívidas aos seus empregados, lutadores e fornecedores, produtora de espectáculos na sua generalidade selvagens, sem um pingo de psicologia de ringue e onde o efeito surpresa de um acontecimento hardcore e a genialidade da utilização de uma "arma" perdia qualquer relevância de tão generalizada que estava essa prática, uma companhia onde os riscos corridos pelos talentos eram gigantescos e a possibilidade de terminarem prematuramente as suas carreiras tinha uma percentagem elevadíssima e, por essa razão, à mínima oportunidade escapavam para a WWE ou WCW, etc. Confesso que nunca gostei da ECW embora reconheça a importância que teve na criação de um hardcore style mais moderno e inovador e no lançamento de algumas estrelas de grande valor...agora, tudo o que disse, anteriormente, são, a meu ver, razões mais do que suficientes para encarar com pessimismo qualquer tipo de aproximação da TNA àquilo que constituiu a ECW. A TNA precisa reagrupar e reorganizar-se?! Sim. Necessitava dar um passos atrás para poder dar dois passos em frente?! De acordo. Precisava de uma nova estratégia e plano?! Claramente. O caminho que está a seguir é o mais correcto?! Temo e tenho quase a certeza que não...a não ser que a TNA queira ser apenas mais uma indy e tenha deixado de ambicionar constituir-se numa verdadeira "main stream" que, com o tempo, poderia tornar-se concorrente da WWE...a não ser que a TNA tenha deixado de lutar por um verdadeiro spot em prime-time.


E para vocês, a TNA está ou não a ficar cada vez mais parecida com a ECW?! Deve ser esse o seu caminho?!

Um Abraço,
Dias Ferreira



PS: Não se esqueçam de indicar assuntos e temas que gostariam que eu abordasse.

Dias is That Damn Good #194 – "Let's Go Cena ou Cena Sucks"

Boas Pessoal!



Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn Good", o espaço com mais história na nossa CWO ;)

John Cena está no topo há 10 anos e desde então que se assume como o único grande drawer de todo o business, de toda a indústria. Ninguém como ele consegue vender tanto merchandising, encher arenas e obter ratings elevados. Cena é indiscutivelmente o primeiro nome da modalidade e o lutador/personalidade, no que concerne ao mundo do pro wrestling, que mais buzz, paixões e ódios suscita...

No entanto, porque não há ninguém inimputável, porque é impossível agradar a todos, porque 10 anos no topo desgastam a imagem de qualquer um e porque as preferências e subjectividades têm um real efeito no pro wrestling, entre outras causas e razões, coloca-se muitas vezes a questão da justiça das metas que John Cena conseguiu alcançar e dos records que atingiu. Neste sentido, aquilo que escolhi abordar como tema central do texto que agora vos escrevo recai, precisamente, nesta questão...será John Cena "overrated" ou merece tudo quanto conquistou e realizou ao longo da sua carreia?! "Let's Go Cena" ou "Cena Sucks"?!

Não percam, portanto, as próximas linhas...



John Cena fez o seu debut no roster principal da WWE no Verão de 2002, quando o período pós-Monday Night Wars se tinha iniciado há pouco mais de um ano. Por essa razão, o clima e ambiente em redor da modalidade era, ainda, de uma enorme efervescência e de grande entusiasmo, tendo esse contexto beneficiado e facilitado, muito provavelmente, a sua consolidação e afirmação enquanto pro wrestler. Por outro lado, recordo que há época eram inúmeras as estrelas de topo na companhia de Vince McMahon (Steve Austin, The Rock, Triple H, Kurt Angle, Undertaker, Shawn Michaels, Chris Jericho, entre muitos outros) e essa situação revelava-se, claramente, numa condicionante e/ou barreira no que respeita ao aparecimento de novos talentos e estrelas. Em todo o caso, a verdade é que a WWE nunca desistiu de tentar criar novas caras e superstars e Cena aproveitou a oportunidade que lhe foi dada como poucos. Neste sentido, se de início se estreou com um gimmick diferente do habitual (rapper) contra Kurt Angle e mais tarde, já como heel, foi conquistando o seu espaço, a verdade é que apenas quando adaptou o seu personagem a um estilo "american hero", muito semelhante ao desempenhado por Hulk Hogan nos anos 80 mas mais moderno, conseguiu prender realmente os fãs e fazer ver à WWE o potencial que nele residia. A sua posterior confirmação como maior nome do business e grande cara da WWE (seu top drawer) aconteceu como consequencia da credibilidade e qualidade das diversas rivalidades e combates que travou primeiro com JBL, depois com Eric Bischoff, Chris Jericho e Kurt Angle, seguidamente com Triple H e Edge, depois Shawn Michaels, Batista e Randy Orton...e, mais recentemente, CM Punk, The Rock e Daniel Bryan.

O "Superman", como muitos lhe chamam, rivalizou com todos os grandes nomes da indústria e venceu-os, tendo ao longo do seu percurso desenvolvido bastante as suas ring-skills e aperfeiçoado as já excelentes mic-skills. Por outro lado, o booking de que foi alvo serviu, também, de forma complementar e fundamental à sua afirmação. O facto de ter sido sempre "construído" como alguém que nunca desiste, um tipo que no fim consegue sempre sair por cima, aquele que dá a volta às situações mais adversas imagináveis e que, ainda assim, se rege por códigos de conduta e valores morais dos mais elevados, transformaram-o, tal como havia acontecido com Hogan, no grande exemplo e na imagem modelo que a sociedade norte-americana (com maior ou menor hipocrisia) adora relevar e idolatrar. Consequentemente, por se tratar de alguém extremamente carismático, não é de estranhar que o seu personagem conseguisse cativar milhões de pessoas. Dessa forma, compreende-se que Cena tenha conseguido alcançar junto das plateias, dos telespectadores e dos fãs da modalidade uma aura e idolatração como muito poucos o conseguiram. Por outro prisma, verificamos, também, que o John sempre se comportou como o trabalhador que qualquer patrão gostaria de ter ao seu serviço, nunca levantando "grandes ondas", sendo sempre o primeiro a dar o exemplo e a estar disponível para participar de todo o tipo de eventos que a WWE lhe exigia. Ora, esta situação obviamente gera na administração da companhia uma enorme segurança e confiança no trabalho de Cena, confiança essa que permite à promotora apostar sem quaisquer reservas quase todas as suas fichas naquele que, de há 10 anos para cá, se constituiu no seu único e incontornável grande "cavalo".



Contudo, e porque uma moeda terá sempre duas faces, o desgaste a que a imagem de John foi submetida ao longo dos anos e a imutabilidade e/ou completa estagnação do seu gimmick e personagem, têm provocado, cada vez com mais e maior repercussões, enormes danos à posição que ele ocupa na WWE e, sobretudo, ao modo como os fãs o olham. No mesmo sentido, podemos dizer que Cena tem um mov set bastante curto, que vende mal algumas lesões e que os seus come backs retiram algum credibilidade aos seus adversários. No entanto, a este respeito, devemos perguntar-nos sempre de quem é a responsabilidade, se de Cena, se do booking. Da mesma forma que, quando nos sentimos aborrecidos ou irritados pelas situações repetitivas e enfadonhas que o envolvem, devemos questionar-nos se elas são responsabilidade dele ou do booking a que está sujeito. A verdade é que Cena desempenha um papel fundamental na WWE e enquanto ele for o único a conseguir os maiores números em vendas e ratings, a empresa irá continuar a explorá-lo exaustivamente. Podemos questionar-nos se esse é o caminho mais correcto a seguir, mas devemos fazer um esforço por compreender que, infelizmente, a companhia não tem conseguido criar novos talentos à sua altura e que, por essa razão, não se pode arriscar a perder a sua maior fonte de atracção e rendimentos. Por consequência, como julgo ser perceptível, John surge como uma "vítima" desta situação. Como "vítima" de um contexto muito injusto para si e tudo quanto dá e já deu à modalidade e aos próprios fãs.

Não estou a dizer tudo isto por ser um fã de Cena, porque não o sou. Tal como nunca fui fã de Steve Austin ou de The Rock (as minhas preferências sempre se centraram em bad guys como os membros dos Kliq, especialmente em Triple H, e outros super heels como Ric Flair ou Roddy Piper), mas respeito o seu trabalho, admiro as suas qualidades e reconheço a sua importância fundamental para a modalidade e indústria. Depois, a verdade é que só com muita má vontade é que não distinguimos os excelentes combates e performances já proporcionados por John Cena e que não o reconhecemos como grande wrestler que é. De qualquer modo, também compreendo que vos continue a irritar o booking que atribuem a Cena, porque a mim também me aborrece. No entanto, tenho esperança que uma reciclagem do seu gimmick e personagem e um heel turn estejam cada vez mais próximos...e essa situação alterará tudo. Digo-o, porque o John já está com 37 anos, já apresenta diversas mazelas e sequelas físicas e, por outro lado, parece-me que, finalmente, a WWE está a conseguir construir alguém para o substituir (pelo menos quero acreditar que as coisas com Roman Reigns vão dar certo). Até lá não espero de John Cena grandes alterações ou transformações, muito menos ser surpreendido...mas, como já referi, apesar de não ser seu fã, continuarei a respeitar a sua entrega, a admirar as suas qualidades e a reconhecer a importância que tem para a WWE e para o próprio business. Por isso, a meu ver, não optaria pelo lema "Cena Sucks", mas também estou longe da palavra de ordem "Let's Go Cena"...na verdade, estou mais inclinado e na expectativa para um "Let's Go Bad Cena" =P


E para vocês, é "Let's Go Cena" ou "Cena Sucks"?!

Um Abraço,
Dias Ferreira



PS: Não se esqueçam de indicar assuntos e temas que gostariam que eu abordasse.

Dias is That Damn Good #193 – "WWE Fans vs. TNA Fans"

Boas Pessoal!



Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn Good", o espaço com mais história na nossa CWO ;)

O Pro Wrestling e o "mundo" que o rodeia está repleto de rivalidades, confrontos e despiques aos mais diversos níveis. Desde a competição entre promotoras, aos conflitos entre wrestlers e outros agentes da modalidade, passando pelas intrigas e ódios de estimação dos dirt sheets para com determinadas personalidades, até ao próprio extremar de posições entre fãs na defesa dos conteúdos e produtos com que mais se identificam...são de facto, multiplas e diversificadas as discussões e debates gerados em volta de uma indústria que apaixona milhões de pessoas mundo fora.

Uma dessas discussões e grandes rivalidades, com carácter bastante actual e posições bastante extremadas, é, claramente, o despique e confronto que opõe geralmente os fãs da WWE aos fãs da TNA e vice-versa. Assim, fazendo jus ao sub-título do presente espaço, aquilo que me proponho abordar e sobre o qual reflectir ao longo do texto que agora vos escrevo será, precisamente, uma análise a essa mesma animosidade e troca de opiniões entre os "WWE Fans" e os "TNA Fans".

Não percam, por isso, as próximas linhas...



Como já tive oportunidade de referir por diversas ocasiões, o Pro Wrestling, mais do que um desporto ou modalidade de combate, é uma forma de entretenimento. É um espectáculo que junta as multiplas capacidades atléticas do ser humano e as coordena de forma a que, através de uma encenação, se possam recriar os mais diversos combates, confrontos, rivalidades e histórias. O Pro Wrestling é "Sports Entertainment" na globalidade do seu conteúdo. Deste modo, e como acontece com qualquer outra forma de entretenimento, a avaliação que os espectadores, telespectadores, seguidores e adeptos fazem sobre a modalidade terá sempre um cariz bastante próprio e pessoal, resultará sempre de preferências e gostos e, por essa razão, será sempre algo subjectivo. Torna-se, portanto, compreensível que encontremos pessoas que gostam mais do estilo X e outras que apreciem mais o estilo Y. Consequentemente, é fácil perceber que, relativamente ao pro wrestling, existam inúmeros fãs que se sentem mais identificados com o produto e conteúdos apresentados pela WWE e que outros tantos prefiram ou se revejam mais na alternativa apresentada pela TNA. Tudo isto é, perfeitamente, normal, natural e até saudável.

Por outro lado, quando a tolerância é reduzida e não se compreende e/ou aceita o que acabei de referir no parágrafo anterior, há uma tendência para valorizar aquilo de que mais gostamos em detrimento do que nos agrada menos. Há uma inclinação para começar a deitar a baixo e desprestigiar o que não vai de encontro às nossas expectativas. Verifica-se, acima de tudo, uma enorme incapacidade de aceitar a diferença, quer seja ela de opiniões, de opções e/ou meramente de preferências. E é, normalmente, neste ponto que começam os problemas e desavenças. Situações que, posteriormente, levam a um extremar de posições e a uma argumentação que, para além de pouco respeitosa, em nada ajuda ao esclarecimento e à realização de debates e discussões sérias em redor dos mais diversos temas e assuntos que envolvem a modalidade. Ora a discussão incessante entre os WWE Fans e os TNA Fans é um óptimo exemplo deste último caso que acabei de referir. É uma excelente demonstração de como o extremar de posições leva, muitas vezes, a acusações completamente ridículas e sem qualquer sentido ou fundamento.



Quantas vezes não vemos adeptos da TNA acusar a WWE de se limitar a oferecer conteúdos para crianças?! Quantas vezes não nos deparamos com insinuações por parte dos fãs da TNA no sentido de desvalorizar e desprestigiar intelectualmente os seguidores da WWE?! Quantas vezes não foram acusados os seguidores da WWE pelos adeptos da TNA de serem completos marks?! Quantas vezes não encontramos os fãs da TNA a acusar a WWE de não ser uma empresa de pro wrestling e de não produzir pro wrestling?! Da mesma forma, por quantas vezes nos deparámos com fãs da WWE a denegrir e deitar a baixo tudo quanto é produzido pela TNA?! Quantas vezes não encontramos adeptos da WWE a desvalorizar quase por completo os talentos da TNA?! Quantas vezes os seguidores da WWE não acusaram, também os fãs da TNA de marks?! E quantas vezes, ambos os adeptos, não acusam uma e outra promotora de copiar gimmicks, rivalidades e storylines?! Enfim...como já tive oportunidade de dizer, um sem número de acusações e troca de insultos sem qualquer sentido ou razão que o justifique.

Pergunto, por exemplo, se o simples facto dos programas da WWE estarem limitados por um pg rating faz com que os seus conteúdos sejam apenas do interesse das crianças?! Parece-me óbvio que não. Questiono se não é de uma enorme intolerância e até arrogância tentar desvalorizar quem gosta de uma programação e conteúdos diferentes?! Julgo não haver dúvidas que sim. Fará sentido a troca de acusações a respeito de uns serem marks e outros não?! Claro que não, todos somos marks, ou não seriamos adeptos de pro wrestling, ou não vibraríamos com combates encenados e/ou, inclusive, não seriamos fãs do wrestler com o gimmick X ou Y. Que sentido faz denegrir e deitar a baixo todos os conteúdos apresentados sem realçar ou diferenciar o que de melhor e de menos bem se fez?! Também me parece que nenhum. E relativamente às acusações de copiar ou imitar angles e storylines, que razão ou causa justificam essa situação?! Se pensarmos que no pro wrestling praticamente nada se faz de novo e é apenas recriado ou melhorado, não encontramos qualquer razão ou causa que o justifique. Neste ponto, reparemos numa série de exemplos bastante simples...a WCW sob o comando de Eric Bischoff levou a melhor sobre a WWE quando começou a imitar a sua programação e produção e quando adaptou uma storyline da NJPW que viria a dar origem à nWo. Por sua vez, a WWE de Vince McMahon só conseguiu dar a volta à situação e recuperar a hegemonia na indústria, quando copiou a receita da WCW ao oferecer conteúdos mais realistas, polémicos e controversos. Portanto, como podem ver, ninguém neste business se pode arrogar no direito de acusar outro alguém ou outra entidade de o copiar ou imitar no que quer que seja, pois a modalidade sempre se desenvolveu e evoluiu através da reciclagem, modernização e adaptação de angles e conceitos universais.

Por outro lado, não quero dizer com isto e/ou com tudo o que escrevi atrás, que não seja de salutar a existência de fãs da WWE e da TNA a defender as promotoras de que mais gostam e os conteúdos e programas que mais apreciam...agora isso não deve, nem pode invalidar, que haja respeito pela diferença até porque, acima de tudo, somos fãs de pro wrestling e é a modalidade no seu todo que nos apaixona.

E vocês, o que pensam da rivalidade entre os WWE Fans e os TNA Fans?!

Um Abraço,
Dias Ferreira



PS: Não se esqueçam de indicar assuntos e temas que gostariam que eu abordasse.

Dias is That Damn Good #192 – "A Comunidade de Wrestling Online Nacional"

Boas Pessoal!



Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn Good", o espaço com mais história na nossa CWO ;)

A Comunidade de Wrestling Online (CWO) nacional é o espaço mais dinâmico, participado e produtor de conteúdos afectos ao pro wrestling no nosso país. Este é um espaço aberto à participação de todos, uma plataforma de eleição para os fãs e adeptos da modalidade portugueses, onde podem comentar, discutir e debater os mais variados assuntos e temas, encontrar artigos e reflexões acerca dos mais diversos fenómenos relacionados com a indústria e visualizar os seus múltiplos videos de programas, shows, ppvs e dvds. A CWO nacional é o nosso espaço, o local onde partilhamos informação e conhecimentos e onde vamos beber o saber de todos os que nela participam.

Disto isto, importa, contudo, compreender a evolução registada pela nossa CWO. Importa perceber de onde vimos, que caminhos traçámos e onde nos encontramos actualmente. Importa saber qual o papel que a CWO desempenhou na disseminação da modalidade no nosso país e qual o relevo da sua função nos dias que correm. Importa, ainda, descortinar qual a sua verdadeira função e verificar se ela tem correspondido a todo o potencial que se lhe reconhece. Importa, por último, reflectir sobre o papel desempenhado por todos os actores que dela participam, sejam eles blogues, escritores e produtores de conteúdos, seguidores que comentam e participam de discussões ou meros visitantes.

Neste sentido, é uma análise à nossa CWO que vos proponho fazer ao longo do presente texto. Não percam, por isso, as próximas linhas...



Devo confessar que apesar de assistir aos programas da WWE (e durante alguns anos aos da WCW) desde tenra idade, só descobri a nossa CWO por volta do ano 2006. À época, acabado de entrar na universidade, já levava uns bons anos enquanto fã e seguidor da modalidade, assim como de visitante e seguidor assíduo de alguns dirt sheets internacionais (especialmente os de maior renome). Contudo, não tinha qualquer conhecimento da existência de um espaço nacional onde os adeptos portugueses partilhavam as suas mais variadas considerações e publicavam os mais diversos conteúdos multimédia. Vivia-se, talvez, o período em solo nacional durante o qual o pro wrestling gozou de maior visibilidade e número de seguidores pois, passados largos anos (desde as transmissões na RTP1), a SIC Radical tinha começado a transmitir os RAWs e SmackDowns, da mesma forma que na Eurosport passava o TNA iMPACT. Quando descobri a CWO nacional, deparei-me com 4 grandes blogues (Galáxia Wrestling, Wrestling Notícias, XBooker e, ainda, o blogue do Salvador, futuro membro do projecto Wrestling Portugal) e um outro (Wrestling Fever) que tinha acabado de ser criado, estando, por essa razão, a dar os seus primeiros passos. No Galáxia Wrestling (à data o mais popular) escreviam bloggers como o Marcão e o Talionis (que impressionavam, acima de tudo, pelo conhecimento demonstrado e pela qualidade das reflexões que publicavam) e onde uma blogger com apelido Rute publicava os videos de todos os programas, ppvs e dvds afectos à modalidade. E neste ponto, queria abrir um parêntese para realçar e reforçar a importância que a Rute teve na nossa CWO, pois durante alguns anos os videos que ela religiosamente carregava e publicava foram o conteúdo mais escasso e mais procurado pela comunidade de wrestling online, inclusive, a nível internacional. Num outro blogue, o Wrestling Notícias, eram os nomes de Gandhy (seu administrador à época), Deadman e Wolve (actual administrador do blogue) que mais se destacavam. No mesmo sentido, devo realçar os papéis de Pedro "Axe" Machado enquanto administrador do XBooker e de Fundertaker enquanto seu redactor vocacionado para o "mundo" do puroresu. Por último, na plataforma sapo, tinhamos o blogue do Salvador que contava com muitos seguidores e visitantes.

Ora, foi neste contexto que decidi, também, participar da nossa CWO e contribuir com aquilo que lhe poderia emprestar. Nesse sentido, já em 2007, criei um blogue chamado Wrestling Spam e após alguns meses fui convidado a integrar o XBooker (blogue do qual, tempos mais tarde, me tornaria administrador). Como já havia referido, o ambiente em redor da modalidade no nosso país, nesta altura, era bastante entusiástico, sendo muitos os fãs (desde crianças a adolescentes, passando por outros já mais maduros) que procuravam comentar, dar a sua opinião, debater e discutir, escrever e publicar os seus textos e reflexões, etc. Vivia-se um ambiente bastante saudável e propício ao aparecimento e criação de diversos blogues...os redactores e membros/administradores de cada um procuravam inovador e ser criativos no sentido de apresentar os conteúdos mais variados e interessantes possíveis, tentavam escalpelizar a indústria ao máximo e dissiminá-la o mais possível, apresentavam multiplos top's, entrevistas, jogos, textos, biografias, etc. Era uma época de criação, de inovação, de originalidade e de profundo empenho por parte daqueles que participavam activamente na nossa CWO (chegaram a abrir-se concursos de cronistas, votações para premiar os melhores blogues, cronistas e biografos, etc). E este esforço não era em vão, os inúmeros seguidores e visitantes respeitavam-o e premiavam-o com os seus comentários (sempre críticos, quer no bom, quer no mau sentido), com as suas visitas ao blogue e a própria divulgação do mesmo. É um facto que nem tudo era um mar de rosas...havia certamente conteúdos menos bons e anónimos que demonstravam ódios de estimação por alguns jovens bloggers ainda "verdes", da mesma forma que outros criavam algumas intrigas e brigas idiotas (e aqui reconheço, talvez por falta de maturidade, deixando-me levar, acabei por tomar parte de um ou outro episódio perfeitamente escusado)...mas, a maior dificuldade que se encontrava estava precisamente naquilo que a constante evolução da tecnologia e das redes sociais hoje facilitam tremendamente...o acesso aos conteúdos multimédia. Na altura, recordo-me, não era nada fácil assistir a um RAW, SmackDown ou PPV por stream (elas estavam sempre a ir a baixo ou a parar), tinhamos de esperar longos períodos até que alguém conseguisse fazer download dos shows e depois os carregasse no sapo (porque consumia menos tráfego), enfim, um sem número de condicionalismos e limitações com as quais, quem começou a participar de à pouco tempo para cá na CWO, não teve, nem tem de lidar.




No entanto, e como não poderia deixar de ser, o esmorecimento do clima de euforia que se vivia em redor do pro wrestling, o esfriamento e desencanto de alguns fãs e seguidores, a própria estagnação e algum desinteresse do produto apresentado pela WWE e TNA, entre muitos outros factores, reflectiram-se negativamente na CWO Nacional. Consequentemente, muitos dos cronistas que dinamizavam a blogosfera foram abandonando, os blogues deixavam de produzir conteúdos e foram fechando ou fundindo-se no sentido de sobreviver, os visitantes e seguidores diminuíram consideralvelmente, assim como os comentários e a participação em debates e discussões...desenvolvimentos que tiveram como resultado final a sobrevivência de, apenas, dois das dezenas de blogues que há época se encontravam em actividade, o Wrestling Notícias e o Wrestling PT (resultante das fusões do Galáxia Wrestling, Wrestling Fever, Universo Wrestling e do blogue do Salvador). O próprio XBooker (do qual, recordo, era administrador) fundiu-se com o Wrestling Notícias e eu, por diversas ocasiões, vejo-me obrigado a ausentar-se e a deixar de poder dar o meu contributo pela falta de tempo livre que as novas obrigações e responsabilidades que o mercado de trabalho e a vida pós-universitária me exigem (como eu, muitos outros devem ter-se deparado com as mesmas limitações). Por consequência, também a nossa CWO estagnou e é um facto que nada do que hoje nos é apresentado como conteúdo diverge daquilo que já era feito por volta de 2007/2008. O fim de uma competição saudável entre blogues tem destes efeitos, deixou de haver aquele esforço por aumentar as visitas, deixou de haver uma verdadeira preocupação em diferenciar os conteúdos e inovar, deixaram de se publicar espaços e colunas originais que facilmente distinguiam uns blogues dos outros, etc. E toda esta situação, todo este contexto, acaba, evidentemente, por se reflectir, também, na forma mais fria, afastada e desinteressada com que os visitantes e seguidores destes mesmos blogues se manifestam e/ou participam dos mesmos. Deixem-me esclarecer, contudo, que isto não é uma crítica aos administradores (que claramente dão o seu melhor e muito fazem com os recursos que estão à sua disposição), é antes a constatação de factos, da realidade e de um contexto onde, apesar de termos à nossa disposição os melhores meios alguma vez existentes, nos faltam pessoas genuinamente interessadas em participar e ter voz na CWO.


É, então, acima de tudo, por essa razão que vos escrevo, é por causa desta situação que escolhi a CWO Nacional como tema central da reflexão que agora vos apresento. E é por considerar este assunto importante que sinto o dever de o abordar. Neste sentido, deixem-me que vos desafie enquanto seguidores e visitantes dos mais diversos blogues e da nossa CWO a ser mais interventivos, a participar mais, a tomar parte de discussões e de debates, a ler mais e fazer mais comentários, a ser mais críticos...desafio-vos a procurar, também, expor os vossos textos e reflexões, a dar a vossa opinião sobre aquilo que mais gostam e/ou mais irrita no pro wrestling, a colocar as vossas questões e a fazer a vossas sugestões...a criarem, se for necessário, os vossos próprios blogues ou plataformas que vos permitam ter uma voz mais activa na CWO nacional. Desafio-vos a ser criativos, originais, inovadores e a ajudarem a nossa comunidade a recuperar a dinamização e excitação com que vivia outrora. Mas, se o fizerem, quando o fizerem, não o façam por obrigação...façam-o quando tiveram algo novo e interessante para apresentar, façam-o com prazer e entusiasmo, façam-o enquanto fãs que compreensivelmente têm uma visão muito própria e, por isso, diferente dos demais. Mas façam-o.


E vocês, o que pensam da CWO Nacional?! Estão dispostos a ser mais interventivos e a aumentar a vossa participação?! Querem ou não ter voz na nossa CWO?! Vão ou não responder ao desafio que vos lancei?!


Um Abraço,
Dias Ferreira


PS: Não se esqueçam de indicar temas e assuntos que gostariam de me ver abordar!


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