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quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Dias is That Damn Good #194 – "Let's Go Cena ou Cena Sucks"

Boas Pessoal!



Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn Good", o espaço com mais história na nossa CWO ;)

John Cena está no topo há 10 anos e desde então que se assume como o único grande drawer de todo o business, de toda a indústria. Ninguém como ele consegue vender tanto merchandising, encher arenas e obter ratings elevados. Cena é indiscutivelmente o primeiro nome da modalidade e o lutador/personalidade, no que concerne ao mundo do pro wrestling, que mais buzz, paixões e ódios suscita...

No entanto, porque não há ninguém inimputável, porque é impossível agradar a todos, porque 10 anos no topo desgastam a imagem de qualquer um e porque as preferências e subjectividades têm um real efeito no pro wrestling, entre outras causas e razões, coloca-se muitas vezes a questão da justiça das metas que John Cena conseguiu alcançar e dos records que atingiu. Neste sentido, aquilo que escolhi abordar como tema central do texto que agora vos escrevo recai, precisamente, nesta questão...será John Cena "overrated" ou merece tudo quanto conquistou e realizou ao longo da sua carreia?! "Let's Go Cena" ou "Cena Sucks"?!

Não percam, portanto, as próximas linhas...



John Cena fez o seu debut no roster principal da WWE no Verão de 2002, quando o período pós-Monday Night Wars se tinha iniciado há pouco mais de um ano. Por essa razão, o clima e ambiente em redor da modalidade era, ainda, de uma enorme efervescência e de grande entusiasmo, tendo esse contexto beneficiado e facilitado, muito provavelmente, a sua consolidação e afirmação enquanto pro wrestler. Por outro lado, recordo que há época eram inúmeras as estrelas de topo na companhia de Vince McMahon (Steve Austin, The Rock, Triple H, Kurt Angle, Undertaker, Shawn Michaels, Chris Jericho, entre muitos outros) e essa situação revelava-se, claramente, numa condicionante e/ou barreira no que respeita ao aparecimento de novos talentos e estrelas. Em todo o caso, a verdade é que a WWE nunca desistiu de tentar criar novas caras e superstars e Cena aproveitou a oportunidade que lhe foi dada como poucos. Neste sentido, se de início se estreou com um gimmick diferente do habitual (rapper) contra Kurt Angle e mais tarde, já como heel, foi conquistando o seu espaço, a verdade é que apenas quando adaptou o seu personagem a um estilo "american hero", muito semelhante ao desempenhado por Hulk Hogan nos anos 80 mas mais moderno, conseguiu prender realmente os fãs e fazer ver à WWE o potencial que nele residia. A sua posterior confirmação como maior nome do business e grande cara da WWE (seu top drawer) aconteceu como consequencia da credibilidade e qualidade das diversas rivalidades e combates que travou primeiro com JBL, depois com Eric Bischoff, Chris Jericho e Kurt Angle, seguidamente com Triple H e Edge, depois Shawn Michaels, Batista e Randy Orton...e, mais recentemente, CM Punk, The Rock e Daniel Bryan.

O "Superman", como muitos lhe chamam, rivalizou com todos os grandes nomes da indústria e venceu-os, tendo ao longo do seu percurso desenvolvido bastante as suas ring-skills e aperfeiçoado as já excelentes mic-skills. Por outro lado, o booking de que foi alvo serviu, também, de forma complementar e fundamental à sua afirmação. O facto de ter sido sempre "construído" como alguém que nunca desiste, um tipo que no fim consegue sempre sair por cima, aquele que dá a volta às situações mais adversas imagináveis e que, ainda assim, se rege por códigos de conduta e valores morais dos mais elevados, transformaram-o, tal como havia acontecido com Hogan, no grande exemplo e na imagem modelo que a sociedade norte-americana (com maior ou menor hipocrisia) adora relevar e idolatrar. Consequentemente, por se tratar de alguém extremamente carismático, não é de estranhar que o seu personagem conseguisse cativar milhões de pessoas. Dessa forma, compreende-se que Cena tenha conseguido alcançar junto das plateias, dos telespectadores e dos fãs da modalidade uma aura e idolatração como muito poucos o conseguiram. Por outro prisma, verificamos, também, que o John sempre se comportou como o trabalhador que qualquer patrão gostaria de ter ao seu serviço, nunca levantando "grandes ondas", sendo sempre o primeiro a dar o exemplo e a estar disponível para participar de todo o tipo de eventos que a WWE lhe exigia. Ora, esta situação obviamente gera na administração da companhia uma enorme segurança e confiança no trabalho de Cena, confiança essa que permite à promotora apostar sem quaisquer reservas quase todas as suas fichas naquele que, de há 10 anos para cá, se constituiu no seu único e incontornável grande "cavalo".



Contudo, e porque uma moeda terá sempre duas faces, o desgaste a que a imagem de John foi submetida ao longo dos anos e a imutabilidade e/ou completa estagnação do seu gimmick e personagem, têm provocado, cada vez com mais e maior repercussões, enormes danos à posição que ele ocupa na WWE e, sobretudo, ao modo como os fãs o olham. No mesmo sentido, podemos dizer que Cena tem um mov set bastante curto, que vende mal algumas lesões e que os seus come backs retiram algum credibilidade aos seus adversários. No entanto, a este respeito, devemos perguntar-nos sempre de quem é a responsabilidade, se de Cena, se do booking. Da mesma forma que, quando nos sentimos aborrecidos ou irritados pelas situações repetitivas e enfadonhas que o envolvem, devemos questionar-nos se elas são responsabilidade dele ou do booking a que está sujeito. A verdade é que Cena desempenha um papel fundamental na WWE e enquanto ele for o único a conseguir os maiores números em vendas e ratings, a empresa irá continuar a explorá-lo exaustivamente. Podemos questionar-nos se esse é o caminho mais correcto a seguir, mas devemos fazer um esforço por compreender que, infelizmente, a companhia não tem conseguido criar novos talentos à sua altura e que, por essa razão, não se pode arriscar a perder a sua maior fonte de atracção e rendimentos. Por consequência, como julgo ser perceptível, John surge como uma "vítima" desta situação. Como "vítima" de um contexto muito injusto para si e tudo quanto dá e já deu à modalidade e aos próprios fãs.

Não estou a dizer tudo isto por ser um fã de Cena, porque não o sou. Tal como nunca fui fã de Steve Austin ou de The Rock (as minhas preferências sempre se centraram em bad guys como os membros dos Kliq, especialmente em Triple H, e outros super heels como Ric Flair ou Roddy Piper), mas respeito o seu trabalho, admiro as suas qualidades e reconheço a sua importância fundamental para a modalidade e indústria. Depois, a verdade é que só com muita má vontade é que não distinguimos os excelentes combates e performances já proporcionados por John Cena e que não o reconhecemos como grande wrestler que é. De qualquer modo, também compreendo que vos continue a irritar o booking que atribuem a Cena, porque a mim também me aborrece. No entanto, tenho esperança que uma reciclagem do seu gimmick e personagem e um heel turn estejam cada vez mais próximos...e essa situação alterará tudo. Digo-o, porque o John já está com 37 anos, já apresenta diversas mazelas e sequelas físicas e, por outro lado, parece-me que, finalmente, a WWE está a conseguir construir alguém para o substituir (pelo menos quero acreditar que as coisas com Roman Reigns vão dar certo). Até lá não espero de John Cena grandes alterações ou transformações, muito menos ser surpreendido...mas, como já referi, apesar de não ser seu fã, continuarei a respeitar a sua entrega, a admirar as suas qualidades e a reconhecer a importância que tem para a WWE e para o próprio business. Por isso, a meu ver, não optaria pelo lema "Cena Sucks", mas também estou longe da palavra de ordem "Let's Go Cena"...na verdade, estou mais inclinado e na expectativa para um "Let's Go Bad Cena" =P


E para vocês, é "Let's Go Cena" ou "Cena Sucks"?!

Um Abraço,
Dias Ferreira



PS: Não se esqueçam de indicar assuntos e temas que gostariam que eu abordasse.

Dias is That Damn Good #193 – "WWE Fans vs. TNA Fans"

Boas Pessoal!



Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn Good", o espaço com mais história na nossa CWO ;)

O Pro Wrestling e o "mundo" que o rodeia está repleto de rivalidades, confrontos e despiques aos mais diversos níveis. Desde a competição entre promotoras, aos conflitos entre wrestlers e outros agentes da modalidade, passando pelas intrigas e ódios de estimação dos dirt sheets para com determinadas personalidades, até ao próprio extremar de posições entre fãs na defesa dos conteúdos e produtos com que mais se identificam...são de facto, multiplas e diversificadas as discussões e debates gerados em volta de uma indústria que apaixona milhões de pessoas mundo fora.

Uma dessas discussões e grandes rivalidades, com carácter bastante actual e posições bastante extremadas, é, claramente, o despique e confronto que opõe geralmente os fãs da WWE aos fãs da TNA e vice-versa. Assim, fazendo jus ao sub-título do presente espaço, aquilo que me proponho abordar e sobre o qual reflectir ao longo do texto que agora vos escrevo será, precisamente, uma análise a essa mesma animosidade e troca de opiniões entre os "WWE Fans" e os "TNA Fans".

Não percam, por isso, as próximas linhas...



Como já tive oportunidade de referir por diversas ocasiões, o Pro Wrestling, mais do que um desporto ou modalidade de combate, é uma forma de entretenimento. É um espectáculo que junta as multiplas capacidades atléticas do ser humano e as coordena de forma a que, através de uma encenação, se possam recriar os mais diversos combates, confrontos, rivalidades e histórias. O Pro Wrestling é "Sports Entertainment" na globalidade do seu conteúdo. Deste modo, e como acontece com qualquer outra forma de entretenimento, a avaliação que os espectadores, telespectadores, seguidores e adeptos fazem sobre a modalidade terá sempre um cariz bastante próprio e pessoal, resultará sempre de preferências e gostos e, por essa razão, será sempre algo subjectivo. Torna-se, portanto, compreensível que encontremos pessoas que gostam mais do estilo X e outras que apreciem mais o estilo Y. Consequentemente, é fácil perceber que, relativamente ao pro wrestling, existam inúmeros fãs que se sentem mais identificados com o produto e conteúdos apresentados pela WWE e que outros tantos prefiram ou se revejam mais na alternativa apresentada pela TNA. Tudo isto é, perfeitamente, normal, natural e até saudável.

Por outro lado, quando a tolerância é reduzida e não se compreende e/ou aceita o que acabei de referir no parágrafo anterior, há uma tendência para valorizar aquilo de que mais gostamos em detrimento do que nos agrada menos. Há uma inclinação para começar a deitar a baixo e desprestigiar o que não vai de encontro às nossas expectativas. Verifica-se, acima de tudo, uma enorme incapacidade de aceitar a diferença, quer seja ela de opiniões, de opções e/ou meramente de preferências. E é, normalmente, neste ponto que começam os problemas e desavenças. Situações que, posteriormente, levam a um extremar de posições e a uma argumentação que, para além de pouco respeitosa, em nada ajuda ao esclarecimento e à realização de debates e discussões sérias em redor dos mais diversos temas e assuntos que envolvem a modalidade. Ora a discussão incessante entre os WWE Fans e os TNA Fans é um óptimo exemplo deste último caso que acabei de referir. É uma excelente demonstração de como o extremar de posições leva, muitas vezes, a acusações completamente ridículas e sem qualquer sentido ou fundamento.



Quantas vezes não vemos adeptos da TNA acusar a WWE de se limitar a oferecer conteúdos para crianças?! Quantas vezes não nos deparamos com insinuações por parte dos fãs da TNA no sentido de desvalorizar e desprestigiar intelectualmente os seguidores da WWE?! Quantas vezes não foram acusados os seguidores da WWE pelos adeptos da TNA de serem completos marks?! Quantas vezes não encontramos os fãs da TNA a acusar a WWE de não ser uma empresa de pro wrestling e de não produzir pro wrestling?! Da mesma forma, por quantas vezes nos deparámos com fãs da WWE a denegrir e deitar a baixo tudo quanto é produzido pela TNA?! Quantas vezes não encontramos adeptos da WWE a desvalorizar quase por completo os talentos da TNA?! Quantas vezes os seguidores da WWE não acusaram, também os fãs da TNA de marks?! E quantas vezes, ambos os adeptos, não acusam uma e outra promotora de copiar gimmicks, rivalidades e storylines?! Enfim...como já tive oportunidade de dizer, um sem número de acusações e troca de insultos sem qualquer sentido ou razão que o justifique.

Pergunto, por exemplo, se o simples facto dos programas da WWE estarem limitados por um pg rating faz com que os seus conteúdos sejam apenas do interesse das crianças?! Parece-me óbvio que não. Questiono se não é de uma enorme intolerância e até arrogância tentar desvalorizar quem gosta de uma programação e conteúdos diferentes?! Julgo não haver dúvidas que sim. Fará sentido a troca de acusações a respeito de uns serem marks e outros não?! Claro que não, todos somos marks, ou não seriamos adeptos de pro wrestling, ou não vibraríamos com combates encenados e/ou, inclusive, não seriamos fãs do wrestler com o gimmick X ou Y. Que sentido faz denegrir e deitar a baixo todos os conteúdos apresentados sem realçar ou diferenciar o que de melhor e de menos bem se fez?! Também me parece que nenhum. E relativamente às acusações de copiar ou imitar angles e storylines, que razão ou causa justificam essa situação?! Se pensarmos que no pro wrestling praticamente nada se faz de novo e é apenas recriado ou melhorado, não encontramos qualquer razão ou causa que o justifique. Neste ponto, reparemos numa série de exemplos bastante simples...a WCW sob o comando de Eric Bischoff levou a melhor sobre a WWE quando começou a imitar a sua programação e produção e quando adaptou uma storyline da NJPW que viria a dar origem à nWo. Por sua vez, a WWE de Vince McMahon só conseguiu dar a volta à situação e recuperar a hegemonia na indústria, quando copiou a receita da WCW ao oferecer conteúdos mais realistas, polémicos e controversos. Portanto, como podem ver, ninguém neste business se pode arrogar no direito de acusar outro alguém ou outra entidade de o copiar ou imitar no que quer que seja, pois a modalidade sempre se desenvolveu e evoluiu através da reciclagem, modernização e adaptação de angles e conceitos universais.

Por outro lado, não quero dizer com isto e/ou com tudo o que escrevi atrás, que não seja de salutar a existência de fãs da WWE e da TNA a defender as promotoras de que mais gostam e os conteúdos e programas que mais apreciam...agora isso não deve, nem pode invalidar, que haja respeito pela diferença até porque, acima de tudo, somos fãs de pro wrestling e é a modalidade no seu todo que nos apaixona.

E vocês, o que pensam da rivalidade entre os WWE Fans e os TNA Fans?!

Um Abraço,
Dias Ferreira



PS: Não se esqueçam de indicar assuntos e temas que gostariam que eu abordasse.

Dias is That Damn Good #192 – "A Comunidade de Wrestling Online Nacional"

Boas Pessoal!



Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn Good", o espaço com mais história na nossa CWO ;)

A Comunidade de Wrestling Online (CWO) nacional é o espaço mais dinâmico, participado e produtor de conteúdos afectos ao pro wrestling no nosso país. Este é um espaço aberto à participação de todos, uma plataforma de eleição para os fãs e adeptos da modalidade portugueses, onde podem comentar, discutir e debater os mais variados assuntos e temas, encontrar artigos e reflexões acerca dos mais diversos fenómenos relacionados com a indústria e visualizar os seus múltiplos videos de programas, shows, ppvs e dvds. A CWO nacional é o nosso espaço, o local onde partilhamos informação e conhecimentos e onde vamos beber o saber de todos os que nela participam.

Disto isto, importa, contudo, compreender a evolução registada pela nossa CWO. Importa perceber de onde vimos, que caminhos traçámos e onde nos encontramos actualmente. Importa saber qual o papel que a CWO desempenhou na disseminação da modalidade no nosso país e qual o relevo da sua função nos dias que correm. Importa, ainda, descortinar qual a sua verdadeira função e verificar se ela tem correspondido a todo o potencial que se lhe reconhece. Importa, por último, reflectir sobre o papel desempenhado por todos os actores que dela participam, sejam eles blogues, escritores e produtores de conteúdos, seguidores que comentam e participam de discussões ou meros visitantes.

Neste sentido, é uma análise à nossa CWO que vos proponho fazer ao longo do presente texto. Não percam, por isso, as próximas linhas...



Devo confessar que apesar de assistir aos programas da WWE (e durante alguns anos aos da WCW) desde tenra idade, só descobri a nossa CWO por volta do ano 2006. À época, acabado de entrar na universidade, já levava uns bons anos enquanto fã e seguidor da modalidade, assim como de visitante e seguidor assíduo de alguns dirt sheets internacionais (especialmente os de maior renome). Contudo, não tinha qualquer conhecimento da existência de um espaço nacional onde os adeptos portugueses partilhavam as suas mais variadas considerações e publicavam os mais diversos conteúdos multimédia. Vivia-se, talvez, o período em solo nacional durante o qual o pro wrestling gozou de maior visibilidade e número de seguidores pois, passados largos anos (desde as transmissões na RTP1), a SIC Radical tinha começado a transmitir os RAWs e SmackDowns, da mesma forma que na Eurosport passava o TNA iMPACT. Quando descobri a CWO nacional, deparei-me com 4 grandes blogues (Galáxia Wrestling, Wrestling Notícias, XBooker e, ainda, o blogue do Salvador, futuro membro do projecto Wrestling Portugal) e um outro (Wrestling Fever) que tinha acabado de ser criado, estando, por essa razão, a dar os seus primeiros passos. No Galáxia Wrestling (à data o mais popular) escreviam bloggers como o Marcão e o Talionis (que impressionavam, acima de tudo, pelo conhecimento demonstrado e pela qualidade das reflexões que publicavam) e onde uma blogger com apelido Rute publicava os videos de todos os programas, ppvs e dvds afectos à modalidade. E neste ponto, queria abrir um parêntese para realçar e reforçar a importância que a Rute teve na nossa CWO, pois durante alguns anos os videos que ela religiosamente carregava e publicava foram o conteúdo mais escasso e mais procurado pela comunidade de wrestling online, inclusive, a nível internacional. Num outro blogue, o Wrestling Notícias, eram os nomes de Gandhy (seu administrador à época), Deadman e Wolve (actual administrador do blogue) que mais se destacavam. No mesmo sentido, devo realçar os papéis de Pedro "Axe" Machado enquanto administrador do XBooker e de Fundertaker enquanto seu redactor vocacionado para o "mundo" do puroresu. Por último, na plataforma sapo, tinhamos o blogue do Salvador que contava com muitos seguidores e visitantes.

Ora, foi neste contexto que decidi, também, participar da nossa CWO e contribuir com aquilo que lhe poderia emprestar. Nesse sentido, já em 2007, criei um blogue chamado Wrestling Spam e após alguns meses fui convidado a integrar o XBooker (blogue do qual, tempos mais tarde, me tornaria administrador). Como já havia referido, o ambiente em redor da modalidade no nosso país, nesta altura, era bastante entusiástico, sendo muitos os fãs (desde crianças a adolescentes, passando por outros já mais maduros) que procuravam comentar, dar a sua opinião, debater e discutir, escrever e publicar os seus textos e reflexões, etc. Vivia-se um ambiente bastante saudável e propício ao aparecimento e criação de diversos blogues...os redactores e membros/administradores de cada um procuravam inovador e ser criativos no sentido de apresentar os conteúdos mais variados e interessantes possíveis, tentavam escalpelizar a indústria ao máximo e dissiminá-la o mais possível, apresentavam multiplos top's, entrevistas, jogos, textos, biografias, etc. Era uma época de criação, de inovação, de originalidade e de profundo empenho por parte daqueles que participavam activamente na nossa CWO (chegaram a abrir-se concursos de cronistas, votações para premiar os melhores blogues, cronistas e biografos, etc). E este esforço não era em vão, os inúmeros seguidores e visitantes respeitavam-o e premiavam-o com os seus comentários (sempre críticos, quer no bom, quer no mau sentido), com as suas visitas ao blogue e a própria divulgação do mesmo. É um facto que nem tudo era um mar de rosas...havia certamente conteúdos menos bons e anónimos que demonstravam ódios de estimação por alguns jovens bloggers ainda "verdes", da mesma forma que outros criavam algumas intrigas e brigas idiotas (e aqui reconheço, talvez por falta de maturidade, deixando-me levar, acabei por tomar parte de um ou outro episódio perfeitamente escusado)...mas, a maior dificuldade que se encontrava estava precisamente naquilo que a constante evolução da tecnologia e das redes sociais hoje facilitam tremendamente...o acesso aos conteúdos multimédia. Na altura, recordo-me, não era nada fácil assistir a um RAW, SmackDown ou PPV por stream (elas estavam sempre a ir a baixo ou a parar), tinhamos de esperar longos períodos até que alguém conseguisse fazer download dos shows e depois os carregasse no sapo (porque consumia menos tráfego), enfim, um sem número de condicionalismos e limitações com as quais, quem começou a participar de à pouco tempo para cá na CWO, não teve, nem tem de lidar.




No entanto, e como não poderia deixar de ser, o esmorecimento do clima de euforia que se vivia em redor do pro wrestling, o esfriamento e desencanto de alguns fãs e seguidores, a própria estagnação e algum desinteresse do produto apresentado pela WWE e TNA, entre muitos outros factores, reflectiram-se negativamente na CWO Nacional. Consequentemente, muitos dos cronistas que dinamizavam a blogosfera foram abandonando, os blogues deixavam de produzir conteúdos e foram fechando ou fundindo-se no sentido de sobreviver, os visitantes e seguidores diminuíram consideralvelmente, assim como os comentários e a participação em debates e discussões...desenvolvimentos que tiveram como resultado final a sobrevivência de, apenas, dois das dezenas de blogues que há época se encontravam em actividade, o Wrestling Notícias e o Wrestling PT (resultante das fusões do Galáxia Wrestling, Wrestling Fever, Universo Wrestling e do blogue do Salvador). O próprio XBooker (do qual, recordo, era administrador) fundiu-se com o Wrestling Notícias e eu, por diversas ocasiões, vejo-me obrigado a ausentar-se e a deixar de poder dar o meu contributo pela falta de tempo livre que as novas obrigações e responsabilidades que o mercado de trabalho e a vida pós-universitária me exigem (como eu, muitos outros devem ter-se deparado com as mesmas limitações). Por consequência, também a nossa CWO estagnou e é um facto que nada do que hoje nos é apresentado como conteúdo diverge daquilo que já era feito por volta de 2007/2008. O fim de uma competição saudável entre blogues tem destes efeitos, deixou de haver aquele esforço por aumentar as visitas, deixou de haver uma verdadeira preocupação em diferenciar os conteúdos e inovar, deixaram de se publicar espaços e colunas originais que facilmente distinguiam uns blogues dos outros, etc. E toda esta situação, todo este contexto, acaba, evidentemente, por se reflectir, também, na forma mais fria, afastada e desinteressada com que os visitantes e seguidores destes mesmos blogues se manifestam e/ou participam dos mesmos. Deixem-me esclarecer, contudo, que isto não é uma crítica aos administradores (que claramente dão o seu melhor e muito fazem com os recursos que estão à sua disposição), é antes a constatação de factos, da realidade e de um contexto onde, apesar de termos à nossa disposição os melhores meios alguma vez existentes, nos faltam pessoas genuinamente interessadas em participar e ter voz na CWO.


É, então, acima de tudo, por essa razão que vos escrevo, é por causa desta situação que escolhi a CWO Nacional como tema central da reflexão que agora vos apresento. E é por considerar este assunto importante que sinto o dever de o abordar. Neste sentido, deixem-me que vos desafie enquanto seguidores e visitantes dos mais diversos blogues e da nossa CWO a ser mais interventivos, a participar mais, a tomar parte de discussões e de debates, a ler mais e fazer mais comentários, a ser mais críticos...desafio-vos a procurar, também, expor os vossos textos e reflexões, a dar a vossa opinião sobre aquilo que mais gostam e/ou mais irrita no pro wrestling, a colocar as vossas questões e a fazer a vossas sugestões...a criarem, se for necessário, os vossos próprios blogues ou plataformas que vos permitam ter uma voz mais activa na CWO nacional. Desafio-vos a ser criativos, originais, inovadores e a ajudarem a nossa comunidade a recuperar a dinamização e excitação com que vivia outrora. Mas, se o fizerem, quando o fizerem, não o façam por obrigação...façam-o quando tiveram algo novo e interessante para apresentar, façam-o com prazer e entusiasmo, façam-o enquanto fãs que compreensivelmente têm uma visão muito própria e, por isso, diferente dos demais. Mas façam-o.


E vocês, o que pensam da CWO Nacional?! Estão dispostos a ser mais interventivos e a aumentar a vossa participação?! Querem ou não ter voz na nossa CWO?! Vão ou não responder ao desafio que vos lancei?!


Um Abraço,
Dias Ferreira


PS: Não se esqueçam de indicar temas e assuntos que gostariam de me ver abordar!


Dias is That Damn Good #191 – "O Que Nos Dizem os Ratings?!"

Boas Pessoal!



Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn Good", o espaço com mais história na nossa CWO ;)

O Pro Wrestling, ao longo da sua história, foi uma indústria que em muito beneficiou do mercado televisivo para se consolidar como fenómeno de massas à escala global. Foi, aliás, a revolução no sistema tele-cabo que proporcionou o gigantesco boom a que se assistiu nos anos 80 e que, já nos anos 90 com os shows ao vivo e em directo, permitiu ultrapassar todas as barreiras possíveis e imagináveis. Consequentemente, os números e ratings obtidos pelos programas das maiores promotoras da modalidade em prime-time (maiores que quaisquer outros shows transmitidos à mesma hora), transformaram o próprio business num dos mais rentáveis para as cadeias de televisão que os transmitiam...conquistando, dessa forma, inúmeros patrocínios e uma preponderância inquestionável ao nível dos conteúdos que qualquer estação de televisão gostaria de poder oferecer aos seus telespectadores.

A realidade actual é, contudo, outra. Os conteúdos e produtos mudaram, os públicos-alvo também, assim como a própria sociedade e as expectativas que a mesma tem no que se refere à produção televisiva. Ora, como não poderia deixar de ser, essa situação afectou o Pro Wrestling e a importância que o mesmo representa, enquanto conteúdo, para as diferentes cadeias e estações de televisão. Neste sentido, os ratings ajudam-nos a compreender um pouco as diferenças que encontramos, sobretudo, dos anos 90 para os dias que correm e permitem-nos, ainda, perceber qual a posição e importância emanada pela modalidade na sociedade global da alta tecnologia e das redes sociais em que vivemos. E esta será a temática do texto que hoje vos escrevo, onde procurarei, através da análise dos ratings, fazer uma pequena reflexão sobre as indicações que os mesmos nos têm vindo a dar.

Não percam, por isso, as próximas linhas...



Os anos 80 têm um significado especial para o Pro Wrestling pois foi no decorrer destes que a modalidade e a indústria conheceram a sua primeira gigantesca explosão. Esta foi a década de Hulk Hogan, Randy Savage, Roddy Piper, Ultimate Warrior e Jake Roberts, entre muitos outros, na WWE e de Ric Flair com os Four Horsemen, Dusty Rhodes, Road Warriors, Magnum TA, Lex Luger e Sting, e outros, na NWA/WCW. Mas foram, acima de tudo, os anos em que os serviços de televisão por cabo revolucionaram por completo o mercado televisivo norte-americano. E esta revolução teve como grandes precursores a TBS de Ted Turner (que transmitia os eventos da Jim Crocket Promotions – NWA) e a USA Network (que, por sua vez, transmitia os espectáculos da WWE). Pela primeira vez na história dos EUA, duas estações de televisão conseguiam cobrir por completo o território do país e levar a casa dos seus habitantes e telespectadores os seus conteúdos. Ora, foi desta forma que o Pro Wrestling (que até então tinha, apenas, uma dimensão regional e estatal) passou a ter uma dimensão, visibilidade e mediatismo nacionais, tornando-se num fenómeno de popularidade em pouco tempo e conquistando milhões de adeptos e seguidores. Por consequência, os wrestlers que, agora, apareciam nas televisões de todos os norte-americanos tornaram-se cada vez mais famosos, as arenas começaram a ficar lotadas e o merschandising vendia-se a um ritmo record. Assistia-mos, então, ao primeiro grande boom da modalidade e ao reconhecimento da fundamental importância que a televisão passava a deter no desenvolvimento das promotoras e da indústria.

Já nos anos 90, depois de um período em que o ambiente e entusiasmo em redor do Pro Wrestling havia esmorecido, a televisão viria a dar, de novo, provas da preponderância que havia conquistado no seio do business. Situação essa que se verificou quando, em 1993, a WWE criou o WWE Monday Night RAW, um dos primeiros talk-shows, com registo semanal e gravado ao vivo. Mais tarde, seria a vez da WCW apresentar um programa no mesmos moldes, o WCW Monday Nitro. Ora, este fenómeno originou toda uma nova situação, desde logo pela regularidade da programação, mas também, e sobretudo, porque a partir daquele momento, os conteúdos das duas maiores promotoras da modalidade passariam a competir em prime-time uns com os outros, mas também com os restantes conteúdos apresentados pelas mais diversas estações de televisão. E neste ponto, os ratings e a capacidade de aglomerar patrocínios e verbas, passaram a ter capital importância no desenvolvimento de todo este processo. Consequentemente, a partir desta altura, as companhias de Pro Wrestling tiveram de se aplicar e dar o seu melhor no que concerne aos seus conteúdos e produtos, pois só assim conseguiriam conquistar e agarrar os fãs, competir uma com a outra e, mais importante que tudo o resto, fazer frente à restante programação e conteúdos oferecidos pelos distintos canais televisivos. Foi, portanto, este o contexto que nos levou aos maior desenvolvimento jamais assistido na modalidade e à obtenção de números e ratings que nunca se julgaram ser possíveis de alcançar. Foi este o estádio que nos trouxe à modernização e realismo da nWo na WCW e ao anarquismo e super-entretenimento da Attitude Era na WWE.



A actualidade, no entanto, vive-se num contexto completamente diferente. O encerramento da WCW e a sua aquisição por Vince McMahon destruiu quase por completo a concorrência e, no que ao pro wrestling diz respeito, instaurou um poderoso monopólio da WWE. Sem concorrência directa, a empresa tem facilitado, deixou de inovar e de apresentar conteúdos verdadeiramente criativos e interessantes, contribuíndo em grande medida para a estagnação do business e para a perda gradual de adeptos e seguidores a que se vem assistindo ao longo da última década. Consequentemente, os números baixaram e os ratings caíram consideravelmente, situação que retirou e retira ao Pro Wrestling enquanto conteúdo a importância fundamental que outrora detinha. No mesmo sentido, todo um novo conjunto de programas e formas de entretenimento foram conquistando o seu espaço e, concorrendo com a WWE, têm-lhe vindo a ganhar terreno. Neste ponto, é a UFC, enquanto grande promotora de Mixex Martial Arts, quem mais estragos tem produzido, aglomerando uma vasta legião de fãs por todo o mundo e expandindo a sua indústria de uma forma exponencial. A UFC ganhou muito terreno à WWE e os seus ratings têm obtido valores consideravelmente elevados, situação que se compreende pelo facto de, enquanto desporto e modalidade de combate puro e duro, os seus combates e confrontos serem reais. Ora, como me parece óbvio, quando se deixa de apostar na inovação e na criatividade no que às storylines diz respeito e se passa a exercer o foco nos combates e em rivalidades à volta dos títulos, não se pode querer ao mesmo tempo ser capaz de competir com uma companhia que produz o mesmo tipo de conteúdo mas com um carácter verdadeiro e real.

E, de facto, é isso que a WWE necessita compreender. Precisa perceber que é nas pequenas grandes coisas que tornam o pro wrestling diferente dos desportos de combate (o sports entertainment das grandes histórias e rivalidades) que a companhia pode fazer a diferença, marcar a sua posição e voltar a conquistar terreno e seguidores. Por outro lado, os ratings também nos mostram que é necessário olhar os novos conteúdos apresentados pelos mais diversos canais de televisão e verificar quais aqueles que mais telespectadores "prendem", quais aqueles que a sociedade global em que vivemos privilegia, quais aqueles em que grande parte da população mais se revê. Só isso permitirá fazer uma reciclagem do produto no sentido de substituir o obsoleto pelo novo e refrescante. É um facto que temos, sobretudo nos últimos tempos, assistido a um rejuvenescimento das caras que a WWE semanalmente nos apresenta e que esses novos talentos conseguem diferenciar-se mais facilmente, apresentam características e personalidades bem distintas e que a sua qualidade e potencial são superiores. Contudo, pergunto-me que grande história (que não trate exclusivamente de wrestling) está a ser contada nos RAWs e SmackDowns?! Que angles permitem diferenciar os vários RAWs e SmackDowns produzidos pela WWE?! O que tem acontecido nos diferentes programas e shows que os tenha tornado dignos de registo e memoráveis?! À pergunta o que aconteceu no RAW ou SmackDown de há três semanas, alguém consegue responder?! Alguma coisa ficou na memória por ter valido realmente a pena assistir?! Enfim, um conjunto de questões que devem preocupar a WWE e às quais a companhia necessita responder urgentemente no sentido de melhorar e de se aperfeiçoar....no sentido de dar a volta à actual situação e colocar o pro wrestling, como antes, numa posição de relevo e de fundamental importância para os canais de televisão. Só dessa forma a indústria e o business poderão voltar a crescer, a aumentar o seu número de fãs e seguidores e, acima de tudo, a constituir uma alternativa credível aos restantes conteúdos e programação televisiva.


E a vocês, o que vos dizem os ratings?! Qual julgam ser a sua verdadeira importância?!


Um Abraço,
Dias Ferreira


PS: Não se esqueçam de indicar mais temas e assuntos que gostariam de ver ser abordados nesta coluna.


Dias is That Damn Good #190 – "Dave Meltzer e os Dirt Sheets"

Boas Pessoal!



Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn Good", o espaço com mais história na nossa CWO ;)

Com a explosão do Pro Wrestling enquanto indústria e negócio de entretenimento e a sua transformação num fenómeno de massas à escala global, o aparecimento de diversos jornais, revistas e blogues, cujo tema se centra nos mais variados aspectos da modalidade, deu-se de forma bastante natural e quase incontrolável. Por consequência, muitos daqueles que estavam à frente das administrações e/ou redacções desses mesmos "dirt sheets" de maior repercussão (de entre os quais podemos destacar, claramente, Dave Meltzer), ganharam alguma visibilidade e notoriedade, passando as sua palavras e escritos a exercer uma clara influência perante muitos fãs, inúmeros wrestlers e, inclusive, alguns promotores.

Neste sentido, se a existência deste tipo de "órgãos de comunicação" afectos ao Pro Wrestling são de salutar e assumem um papel importante na difusão do próprio business, por outro lado, o modo completamente desregulamentado como funcionam e o facto de não terem de prestar contas e/ou provas do que afirmam a ninguém, leva muitas vezes à criação de situações e ambientes menos positivos e pouco esclarecedores em redor da modalidade. A este respeito colocam-se então várias questões: Qual o papel e influência dos "Dirt Sheets"?! Quais as responsabilidades dos "Dirt Sheets" para com o Pro Wrestling e os seus actores?! Que alterações ao nível dos conteúdos e produto são forçadas pelos "Dirt Sheets?! De que forma os "Dirt Sheets" moldam e transformam o pensamento e relacionamento dos fãs para com a indústria?! Enfim...um vasto conjunto de interrogações às quais, ao longo do presente texto, procurarei dar resposta.

Não percam, portanto, as próximas linhas...



Como acontece com qualquer fenómeno de massas ou actividade que exerça um grande fascínio sobre uma vasta quantidade de gentes, os "órgãos de comunicação" que se criam em seu redor nascem não só pelo entusiasmo que esses eventos geram nos seus adeptos e seguidores, e pela necessidade que os mesmos sentem de dar a conhecer as suas reflexões e comentários, mas, também, pela exigência de manter informadas as pessoas que os assistem e que procuram de forma incessante mais e maior conhecimento acerca de algo que, de facto, as maravilha. Por outro lado, se é verdade que estes "órgão de comunicação" apenas nascem devido à dimensão e mediatismo que determinados fenómenos atingem, não é menos verossímel que eles dão uma contribuição fundamental para que as actividades em que se focam possam atingir públicos maiores e mais amplos. Ora, neste caso, o Pro Wrestling não foge à regra. Enquanto indústria de Sports Entertainment e business que cresceu exponencialmente ao longo dos anos até atingir uma dimensão global, a modalidade também deu origem ao aparecimento dos seus próprios órgãos de comunicação que, por sua vez, muito contribuíram para o seu desenvolvimento e disseminação. Neste sentido, os "Dirt Sheets" (nome utilizado no vocabulário do Pro Wrestling para classificar os seus órgãos de comunicação) passaram a desempenhar um papel e função importantíssimos para a modalidade, informando de uma forma mais regular e menos encapotada os seus seguidores, espectadores e adeptos, e divulgando os mais diversos eventos, programas e ppvs das suas promotoras. Por consequência, os "Dirt Sheets" pelo seu alcance, proximidade e facilidade de acesso junto dos fãs, começaram a deter uma tremenda influência na indústria, especialmente, no seio de grande parte dos seus adeptos e seguidores mas, também, junto de muitos wrestlers, todos eles, claramente, condicionados pelo tipo de informações e reflexões neles contidos.

Por outro lado, as novas tecnologias, a internet e as redes sociais favoreceram a abertura deste tipo de actividade a qualquer pessoa, deixando de importar o conhecimento ou formação que a mesma possui e o modo mais ou menos profissional com que expõe os seus conteúdos. Deste modo, a generalização dos "Dirt Sheets" levou a uma desregulamentação total da sua actividade. Aos jornalistas, embora muitos não o cumpram, ainda se faz uma exigência e pressão no sentido de respeitarem o seu código deontológico, no entanto, com a disseminação de "dirt sheets" que se verificou, tornou-se impossível condicionar ou limitar quaisquer conteúdos apresentados, ficando o maior ou menor respeito para com as promotoras e seus workers ao critério do maior ou menor bom senso da parte de quem escreve e publica. Neste sentido, a indústria deparou-se com um sem número de novos problemas e desafios causados pelos "dirt sheets" com fenómenos como os spoilers, as fugas de informação, os ataques cerrados a determinados wrestlers, wokers e/ou promotores, o incitamento a guerras entre determinadas personalidades do business, o doutrinamento de uma visão única acerca do que é e deve ser o Pro Wrestling, entre muitos outros. Problemas e desafios esses que obrigaram as promotoras a alterar substancialmente os seus conteúdos e produto e que tornaram bastante mais difícil a criação e construção de um espectáculo que vá de encontro às expectativas dos fãs. E, neste ponto, os "Dirt Sheet" desempenham um papel bastante nefasto e perverso ao substituir as suas verdadeiras funções e responsabilidades de informar e divulgar a modalidade, pela fabricação de informação e a tentativa de gerar buzz e controvérsia a todo o custo, apenas para aumentar as vendas, os números de seguidores e visitas e os patrocínios, deturpando a real vocação da sua actividade e transformando-a num negócio onde apenas o "lucro" importa...e aqui, infelizmente, não são diferentes de nenhum outro órgão de comunicação associado aos mais variados desportos, dos quais os jornais desportivos portugueses são um excelente exemplo na forma como mentem e inventam com o propósito de aumentar as vendas.



Assim, e como não poderia deixar de acontecer, alguns "dirt sheets" e seus administradores e/ou redactores foram ganhando uma maior visibilidade, face aos números de seguidores que ao longo dos tempos conseguiram "amealhar". Neste sentido, o Wrestling Observer e o Pro Wrestling Illustrated são, de longe, aqueles que mais mediatismo e crescimento conseguiram averbar, sendo que o administrador do primeiro, Dave Meltzer, conseguiu para si um claro destaque em relação aos demais. Porém, se por um lado o Pro Wrestling Illustrated desempenha o seu papel e função enquanto órgão de comunicação afecto ao Pro Wrestling de uma maneira bastante correcta para com a indústria e os seus simpatizantes (produzindo um conteúdo que, em grande medida, vai de encontro aos adeptos "smark" e "mark"), por outro lado, o Wrestling Observer de Dave Meltzer, como grande "smart" que arroga ser, assume uma postura completamente diferente, para pior (na minha opinião). Meltzer e o seu "dirt sheet" são o "Guru" dos chamados "smarks", apresentando como conteúdos uma visão e interpretação da modalidade e do sports entertainment que deixa muito a desejar e que, por vezes, não encontra qualquer explicação para as "teses" que defende. Como já devem ter percebido (e não tenho qualquer problema em reconhecê-lo) sou um grande crítico de Meltzer e do seu trabalho. Ora, isso acontece, em grande medida, não só pelo facto de Meltzer ser alguém que gosta de demonstrar conhecimentos e ligações ao mundo do pro wrestling que, de facto, não tem ou que, mesmo tendo, têm muito menor relevância, mas também por ser um daqueles pseudo-jornalistas que gostam de fabricar noticias e de criar alguma controvérsia com situações mesquinhas, apenas para aumentar a sua visibilidade e notoriedade. Por outro lado, e como já tive oportunidade de referir é alguém cuja visão acerca da modalidade me levante sérias reservas. Tomemos por exemplo as suas classificações para melhor wrestler, melhor promotora, melhores combates, etc. Como é possível que ele muito raramente escolha para o prémio de melhor wrestler aquele que está mais over, que vende mais merschandising e que enche mais arenas?! Como é possível que alguma promotora possa ser classificada de melhor que a WWE quando, na verdade, no que ao sports entertainment diz respeito, ainda que a companhia de Vince McMahon apresente um produto algo enfadonho e repetitivo, nenhuma outra lhe consegue fazer cócegas?! Como é aceitável que, grande parte das vezes, escolha para melhores combates muitos dos que ocorrem no circuito independente, onde a psicologia de ringue é praticamente inexistente e cujo draw do próprio match é altamente residual?! Enfim, pequenos exemplos que demonstram como Meltzer não compreende, verdadeiramente, o que é o Pro Wrestling e o Sports Entertainment...que não percebe que estamos perante um espectáculo de entretenimento onde o atleticismo tem fundamental preponderância, mas não num desporto de combate, com lutas reais e títulos obtidos pela superioridade físico-atlética dos competidores. E o pior é que este tipo influencia muitos adeptos e, infelizmente, muitos wrestlers da nova geração (como os Generation Me/Young Buks, Christopher Daniels e Kazarian, Davey Richars e Eddie Edwards, Jay Lethal, entre muitos outros) e alguns promotores (como, especialmente, Dixie Carter).

Conclusões

Tal como acontece com os restantes órgãos de comunicação afectos a determinado fenómeno, foi o crescimento e dimensão global do Pro Wrestling enquanto enquanto actividade de massas que proporcionou a criação e aparecimento dos seus próprios órgãos de comunicação, conhecidos por "Dirt Sheets". Por outro lado, os "Dirt Sheets" foram fundamentais para o desenvolvimento e ulterior crescimento da modalidade, através da constante e regular informação que passava aos fãs e seguidores do business e, também, pela proximidade e facilidade de acesso junto dos mesmos. Em contrapartida, a generalização e disseminação dos "dirt sheets" permitiu que qualquer um pudesse expor as suas opiniões e fazer-se ouvir "mundo fora", contribuindo para uma completa desregulamentação desta actividade cujo maior ou menor profissionalismo e maior ou menor respeito para com a própria indústria e seus trabalhadores ficou ao critério de cada um e do seu bom senso ou falta dele. Esta situação não só criou constrangimentos às promotoras que se viram obrigadas a alterar os seus conteúdos e produto, para fazer face aos novos problemas e desafios causados pelos "Dirt Sheets". Mas transformou, também, em grande medida, muitos dos órgãos de comunicação afectos ao pro wrestling numa espécie de negócio onde tudo é permitido (desde a fabricação de notícias ao fomento de intrigas) desde que assegure mais vendas, seguidores, visitas, patrocínios e lucro...por substituição ao verdadeiro papel de promoção da modalidade e prestação de informação e esclarecimentos pelo qual qualquer órgão de comunicação deste meio se deveria reger. Por último, e tirando proveito desta situação, alguns "dirt sheets" e seus administradores e/ou redactores conseguiram alcançar alguma visibilidade e notoriedade, de entre os quais podemos destacar mais claramente o Wrestling Observer de Dave Meltzer. Personalidade essa cuja visão sobre a modalidade deixa muito a desejar e cujas teses são, maioritariamente, inexplicáveis e injustificáveis...desde logo, por exemplo, se pegarmos na forma como classifica os melhores wrestlers, as melhores promotoras e/ou os melhores combates. Situação essa que se torna ainda mais perversa quando influencia uma vasta quantidade de seguidores e adeptos da modalidade, muitos wrestlers e, até, alguns promotores. Por contraponto ao "trabalho" desenvolvido por Dave Meltzer, temos o Pro Wrestling Illustrated que, não só faz uma análise e interpretação correcta do que é verdadeiramente o pro wrestling e em que consiste o sports entertainment, como procura, informando e esclarecendo, produzir conteúdos que vão de encontro às aspirações dos mais diversos fãs, sejam eles "smarks" ou "marks"...sem que, no entanto, deixe de respeitar, sempre, a modalidade e os seus praticantes.


E VOCÊS, O QUE PENSAM DE DAVE MELTZER E DOS DIRT SHEETS?!

Um Abraço!
Dias Ferreira



PS: Não se esqueçam de indicar assuntos e temas que gostariam de ver ser abordados no espaço "Dias is That Damn Good".

Dias is That Damn Good #189 – "Qual a Importância dos Títulos no Pro Wrestling?!"

 Boas Pessoal!


 Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn Good", o espaço com mais história na nossa CWO ;)

Em qualquer desporto os títulos assumem o papel fundamental de classificar aqueles que os possuem como sendo os melhores naquilo que fazem. Nos desportos de combate, essa mesma situação não foge à regra, os títulos qualificam aqueles que produzem um melhor desempenho nas mais diversas categorias das mais variadas modalidades. Mas quando chegamos a uma indústria como o Pro Wrestling, cujo conteúdo se centra no "Sports Entertainment", o caso muda de figura...

Qual a credibilidade de um título num processo de resultados combinados?! Qual a importância de um título num business de entretenimento?! O que têm a ganhar os wrestlers que possuem os títulos?! Que papel e/ou funções desempenham verdadeiramente os títulos?! Um sem número de questões às quais, ao longo do presente texto, procurarei dar resposta.

Não percam, portanto, as próximas linhas...



No desporto em geral e nas suas mais variadas expressões e modalidades em particular, os títulos definem aqueles que se destacam como os seus melhores praticantes. Eles permitem que os adeptos e espectadores consigam compreender facilmente que o melhor entre os melhores é o campeão, o homem e/ou mulher que porta o título. Mas estes desportos tratam de uma competição bastante séria, credível, real e regulamentada e os títulos são os prémios entregues aos que apresentam uma performance do ponto de vista atlético-competitivo superior à dos demais. Nestas competições e modalidades desportivas, o entretenimento não tem qualquer influencia na forma como se desenrolam os acontecimentos, estejamos a falar de jogos, de corridas, de concursos e/ou de combates. Aqui, sabe-se, o melhor vence e recebe o título, ponto final. Por outro lado, quando falamos de Pro Wrestling e, por consequência, de "Sports Entertainment", sabemos, à priori, que os resultados são combinados, sabemos que os vencedores são escolhidos por quem dirige as promotoras da indústria e sabemos, ainda, que esses títulos estão nas mãos daqueles que, pelas mais variadas razões, em determinado momento, melhor representam os interessas das companhias. Neste sentido, procurar fazer uma analogia entre os portadores de títulos no pro wrestling e os detentores de títulos nas restantes modalidades é errado. E é errado porque não se podem fazer comparações entre variáveis tão distintas e com objectivos tão diferentes...o resultado seria sempre algo injusto, algo carente de seriedade e de credibilidade.

Dito isto, importa perceber, ainda, que os campeões no pro wrestling não serão, nunca, aqueles que melhor desempenho apresentam dentro dos ringues, mas sim aqueles que mais e melhor apoio recebem das plateias, aqueles que mais e melhores apupos geram no público, aqueles que mais merschandising vendem e arenas enchem, aqueles que mais seguidores e fãs possuem, em suma, aqueles que mais lucros dão a ganhar às empresas a que pertencem. No entanto, como é óbvio, a combinação perfeita, para definir o melhor dos campeões, passará pelos wrestlers que conseguem conjugar uma excelente in-ring performance às restantes vertentes. Por consequência e em contraste com o que acontece nos restantes desportos, no pro wrestling, os títulos não "fazem" ninguém, muito pelo contrário, é a actuação e performance dos lutadores que os possuem que, por sua vez, dará ou não credibilidade aos títulos. Desta forma, verificamos que quanto melhor for o wrestler (nas suas mais diversas características, qualidades e capacidades) e quanto melhor for o booking que o mesmo recebe por parte das equipas criativas, maior será a credibilidade e importância que o título que ele possui terá perante os adeptos, fãs e seguidores da modalidade. Este é um paradigma fundamental para compreender a utilização e funcionalidade dos títulos e, acima de tudo, para perceber o porquê de, nos mais variados momentos, os títulos estarem nas mãos do wrestler x ou y.



Pelas razões que mencionei anteriormente, também se torna perceptível que uma rivalidade ou confronto que decorra tendo por base, tão só e apenas, a disputa de um título, pouco interesse gerará em seu redor e poucas consequências práticas rentabilizará para os lutadores em causa e própria promotora. Porque disputar um título pelo próprio título é algo que se faz nos restantes desportos, onde o resultado é imprevisível e o vencedor tem mérito na obtenção do prémio final...ora no pro wrestling o importante é construir uma história em redor da disputa do título e, com ela, aglutinar o interesse e entusiasmo dos fãs. Só dessa forma a disputa do título será relevante e os lutadores intervenientes ganharão alguma coisa com o combate em si...mais, só dessa forma o título terá mais e maior significado. Esta é uma situação transversal a todos os campeões, a todas as disputas de títulos, a todos os títulos. Por outro lado, e sabendo que no pro wrestling os títulos assumem uma dupla-função e papel (a de, também, estratificarem as várias divisões dos planteis e rosters das mais variadas companhias) verificamos que em redor do título mundial estarão os main eventers, que em volta dos títulos de televisão, intercontinental e/ou dos EUA estarão os mid carders, que na disputa pelos tag team titles estará a divisão de equipas, que no embate pelo título feminino estarão as lutadoras e, em alguns casos, que haverá ainda títulos para uma divisão de wrestlers mais pequenos e leves. Ora esta situação e estratificação pelos títulos, ajuda-nos a perceber um pouco melhor o alinhamento dos combates e cards dos mais diversos eventos e, por consequência, a compreender um pouco melhor quais os títulos e wrestlers que, para determinada empresa, têm mais e maior importância. Saltando, contudo, à vista de todos que os títulos mais preponderantes e os wrestlers que os disputam estão sempre protegidos pelas melhores storylines e feuds que decorrem nessa mesma promotora.

Conclusões

Ao contrário do que acontece nos restantes desportos, e em particular nos de combate, no Pro Wrestling como modalidade de Sports Entertainment os títulos não são conquistados ou disputados num combate e/ou confronto verdadeiro e real, são, antes de mais, entregues aos wrestlers que, em determinado momento, melhor servem os interesses das promotoras a que pertencem, mediante um resultado combinado à priori. Consequentemente, os campeões portadores de títulos não são, geralmente, aqueles que melhor desempenho apresentam dentro do ringue, mas sim aqueles que mais fãs e seguidores possuem e que mais lucros permitem assegurar às suas empresas. Assim, os títulos ajudam a classificar e a qualificar o talento que, em determinado momento, se revela mais importante e fundamental para a promtora, mas a credibilidade do título em si só encontra significado na qualidade da performance do wrestler que o carrega. No mesmo sentido, a disputa e combate por um título será mais relevante consoante a qualidade e profundidade da construção da história e rivalidade que o envolve. Por outro lado, os títulos assumem uma dupla-função, tarefa e papel. Não só o de classificar o melhor talento da companhia no que ao Sports Entertainment diz respeito, mas também o de estratificar os planteis das mais variadas empresas no sentido de definir quais os seus main eventers e mid carders e quais as suas divisões (equipas, feminina, pesos-leves, etc.). Por fim, esta situação verifica-se na marcação dos mais variados cards, onde os wrestlers e disputas de títulos aparecerão numa ordem de gradual importância para as mais diversas companhias. Portanto, podemos concluir que os títulos no Pro Wrestling, mais do que o resultado de uma conquista, são, sobretudo, um prémio e o reconhecimento da importância que determinado wrestler tem quer para a promotora a que pertence, quer para os fãs e seguidores da modalidade, quer para a própria indústria e business.


E vocês, o que têm a dizer sobre a importância dos títulos no Pro Wrestling?!

Um Abraço!
Dias Ferreira


PS: Não se esqueçam de indicar assuntos, temas e matérias que gostariam ver ser tratadas neste espaço.

Dias is That Damn Good #188 – "O Main Stream Wrestling e o Indy Wrestling"

Boas Pessoal!


Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn Good", a coluna com mais história na nossa CWO ;)

No Pro Wrestling, normalmente, qualificam-se e classificam-se as mais variadas promotoras tendo por base a sua dimensão estrutural e organizacional, mas também, tendo em conta a quantidade dos seus seguidores e número de fãs. É neste sentido que as expressões "main stream" e "indy" surgem, respectivamente, como forma de caracterizar as promotoras de maior dimensão e visibilidade e aquelas cujo tamanho diminuto faz com que sejam seguidas por pequenos grupos de adeptos.

Contudo, esta distinção, actualmente, já não se faz, nem pode fazer, apenas no que respeita à dimensão das mais variadas companhias. Pois o produto apresentado pelas empresas começou, de há uns anos a esta parte, a assumir-se como uma peça fundamental deste puzzle, desta problemática. Deste modo, o "main stream wrestling" e o "indy wrestling" embora tenham como objectivo final o entretimento dos fãs e das plateias, denotam grandes diferenças entre si, especialmente, na forma como pretendem chegar ao público e entretê-lo.

Ora, será, então, nesta dicotomia entre "main streams" e "indy promotions" e entre "main stream wrestling" e "indy wrestling" que centrarei o tema do texto que agora vos escrevo, procurando não só enumerar as diferenças entre ambos, mas também descontruir a ideia que assume os dois conceitos como indispensáveis às companhias que os utilizam.

Não percam, portanto, as próximas linhas...


Como julgo ser do conhecimento geral, o Pro Wrestling não é uma modalidade ou desporto de combate puro e duro. É, antes de mais, uma forma de arte e de entretenimento onde os wrestlers (seus actores e peças fundamentais) encenam as mais variadas histórias, rivalidades e combates, dentro de um ringue ou fora dele, utilizando-se das ferramentas que a natureza lhes concedeu, os seus corpos. Mas é, ao mesmo tempo, uma prática e modalidade que exige dos seus praticantes uma capacidade atlética ao mais alto nível...e, talvez por isso, a melhor forma de o classificar seja através da expressão "Sports Entertainment". Neste sentido, compreende-se que é impossível na criação de um espectáculo deste género descuidar quer o aspecto físico e atlético, quer o aspecto que respeita à encenação e entretenimento que o constituem. Logo, indispensável a qualquer evento de Pro Wrestling são os combates, assim como a qualidade e o realismo dos mesmos. Por outro lado, é fundamental o desenvolvimento da história, da rivalidade e da construção do próprio combate. E o "Sports Entertainment" significa isso mesmo, representa a dicotomia entre a construção de uma série de acontecimentos e situações (que, mais do que levarem à marcação de um combate, têm por objectivo interessar e entusiasmar as pessoas a ver determinado confronto) que levam à realização de combates (que, por seu lado, devem ser o resultado da história e rivalidade que esteve na sua génese). Assim, e tendo por base as considerações que teci anteriormente, se tomar-mos os exemplos da WWE e da TNA como main streams e da ROH como indy, compreede-mos que o conceito de Pro Wrestling está sugeito a diferentes interpretações, mas verificamos, sobretudo, que essas interpretações serão mais distintas ainda entre promotoras main stream e promotoras indy. Por consequência, esta diferença agudiza-se e extrema-se naquilo que é a conceptualização de conteúdos e do produto que os diferentes tipos de companhias apresentam.

As empresas main stream do business (WWE e TNA) por estarem implementadas no mercado televisivo e de ppvs e por terem uma base de fãs e seguidores de maior dimensão e mais estável, acabam por ter uma posição mais facilitada na resolução desta problemática. De uma maneira ou de outra, com melhor ou menor qualidade, com maior ou menor grau de sucesso, compreendem e consequem aplicar o conceito de Pro Wrestling tal como o descrevi. De facto, quer a WWE, quer a TNA, preocupam-se em construir histórias, rivalidades e personagens, assim como segmentos e entrevistas, que ajudam a preparar e a construir os combates. Acima de tudo, utilizam-se e recorrem ao entretenimento como forma de influenciar o público e de fazer com que este queira ver determinado confronto ao ponto de estar disposto a pagar para que tal aconteça. Por outro lado, estas companhias main stream não colocam de parte o aspecto mais atlético e desportivo da equação...elas preocupam-se com a realização de combates que vão de encontro às expectativas dos fãs, preocupam-se com as capacidades in-ring dos intervenientes no sentido de poderem proporcionar o melhor dos espectáculos, mas também e sobretudo com a qualidade desses mesmos combates e dos momentos especiais, memoráveis, inesquecíveis e/ou épicos que deles possam decorrer. Ainda a este respeito, importa relembrar que os confrontos não são reais ou verdadeiros e que, por essa razão, se os wrestlers envolvidos, no decorrer dos combates, não interpretarem os sinais das plateias e tentarem envolve-las, se não derem vida às suas próprias personagens, e se não enquadrarem as storylines e feuds que os levaram a enfrentar-se, então esse pro wrestling match terá sempre uma qualidade muito menor que aquele que à partida se lhe podia reconhecer.


As promotoras indy, de entre as quais a ROH surge como figura de proa e se assume como o expoente máximo das mesmas, enfrentam outro tipo de problemas no que toca à resolução deste fenómeno. Ao contrário das main streams, o seu grupo de fãs e seguidores é algo diminuto e residual e, por outro lado, o seu mediatismo e visibilidade está fortemente constrangido e condicionado pelo facto de não terem a abertura do mercado televisivo e pelos elevados custos que acarreta entrar no mercado ppv (isto apesar da ROH, ao contrários das restantes indy promotions, já possuir um programa semanal de 50 minutos na pequena estação de televisão que a detém e de, há bem pouco tempo, se ter estreado no mercado ppv tradicional – anteriormente utilizava o formato ippv). Neste sentido, impõem-se às companhias indy obsctáculos como a necessidade de interessar e entusiasmar os fãs, sem que se verifiquem grandes possibilidades de dar a conhecer à priori os seus wrestlers e talentos e, acima de tudo, de educar as plateias e os telespectadores relativamente ao seu produto. Assim, o modo que estas indys encontraram para dar a volta à situação, passou por se diferenciarem grandemente das main streams no que respeita aos conteúdos e formatos que apresentam nos seus shows e espectáculos. Desta forma, e assumindo-se como companhias de Pro Wrestling que produzem única e exclusivamente Pro Wrestling, rejeitaram quase por completo a ideia de "Sports Entertainment" e começaram a dar uma substancial importância ao que acontecia in-ring, em detrimento do aspecto entretenimento. Ora, esta situação levou a que nos combates dos circuitos independentes, os wrestlers colocassem de parte itens fundamentais como os seus gimmicks e as histórias e rivalidades que deveriam ser a razão da realização desses mesmos matches. Como consequência dessa situação, os combates passaram a travar-se a alta velocidade e a estar repletos de spots em detrimento da psicologia de ringue e os próprios cards dos espectáculos passaram a ter confrontos marcados muitas vezes sem grandes razões ou causas que os justificassem, com a excepção da disputa de títulos. Adensaram-se, assim, as diferenças entre o main stream wrestling e o indy wrestling...entre aqueles que recorrem ao Sports Entertainment e aqueles que, de certa forma, o rejeitam.

Conclusões

Fazer uma distinção entre qual dos dois estilos e/ou modelos (se o main stream wrestling, se o indy wrestling) é mais interessante, mais apelativo, mais entusiasmante e tem melhor qualidade, será sempre uma questão subjectiva e ela estará sempre condicionada por aquilo que são as nossas preferências relativamente aos conteúdos a que gostamos de assistir. No entanto, se as main streams ao regerem-se pelas "leis" do sports entertainment e ao levarem a cabo a sua aplicação estão, na minha opinião, a respeitar o Pro Wrestling como ele deve ser compreendido e têm denotado um enorme sucesso com essa opção. Por outro lado, as indy promotions ao centrarem os seus conteúdos e produto num formato que penaliza substancialmente o entretenimento, não só negligenciam uma parte fundamental daquilo em que consiste o Pro Wrestling, como inviabilizam o aspecto que torna a modalidade e a indústria diferente dos restantes desportos de combate e isso só as penaliza a elas próprias (até porque, se alguém quiser ver apenas combates, preferirá sempre fazê-lo quando eles são reais e verdadeiros...preferirá sempre, por exemplo, os eventos de MMA). Mas o pior de tudo é o facto dos promotores de indy wrestling não compreenderem que arrogando-se de verdadeiros defensores do pro wrestling, estão de facto a negligenciá-lo e a amputá-lo e que isso, não só se revela prejudicial para os jovens wrestlers (que acabam por revelar mais dificuldades na adaptação ao produto das main streams, onde realmente podem fazer dinheiro e ter sucesso), para o business e indústria, mas, acima de tudo, para as próprias promotoras indy que ficam consignadas a um pequeno núcleo de seguidores, sem capacidade para aglutinar novos públicos e se vêem, por consequência, impossibilitadas de crescer e de fazer bons contratos com patrocinadores e grandes cadeias de televisão. E aqui, levanta-se a questão, qual a empresa que, no perfeito juízo da sua administração, não pretende crescer...


E vocês, o que pensam das diferenças entre o "main stream wrestling" e o "indy wrestling"?! Qual o estilo que preferem?!


Um Abraço!
Dias Ferreira


PS: Não se esqueçam de indicar temas e assuntos que gostassem que eu abordasse em próximas edições deste espaço.

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