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quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Dias is That Damn Good #182 – "O Estranho Caso de Damien Sandow"

Boas Pessoal!



Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn Good", umas das colunas com mais história na nossa CWO ;)

Ao longo dos anos, conseguimos identificar uma série de wrestlers como, na nossa opinião, não estando a ser utilizados da melhor forma ou, pelo menos, não estando a ser explorado todo o seu potencial. Comumente, chamamos-lhes lutadores "underrated". Se esta situação é, na grande maioria dos casos, encarada com naturalidade até porque sempre se verificou e irá continuar a verificar (todos temos as nossas opções e os bookers e promotores não fogem à regra), a verdade é que há casos tão gritantes de uma sub-rentabilização de determinados talentos que se torna incompreensível e inaceitável a má utilização e o péssimo booking de que os mesmos são alvo.

O caso Damien Sandow é, a meu ver, uma dessas situações, um exemplo de como a companhia negligenciou um dos seus talentos com maior qualidade e potencial. Neste sentido, e fazendo jus ao subtítulo do presente texto, aquilo que, hoje, me leva a escrever-vos é, precisamente, o modo e maneira como a WWE tem vindo a tratar Sandow, complementando a análise deste "problema" com uma reflexão, também, centrada na forma como se foi desenvolvendo o seu personagem e posição no card da empresa.

Não percam, portanto, as próximas linhas...



Quando falamos de lutadores mal aproveitados ou os classificamos de "underrated" significa, acima de tudo, que lhes reconhecemos qualidade, capacidade e potencial para desenvolver um trabalho de maior importância que aquele que estão a desempenhar. Significa, ainda e também, que compreendemos a sua utilidade para a promotora a que pertencem como sendo de uma relevância substancialmente superior àquela que a própria promotora lhe reconhece. São exemplos deste "fenómeno" aqueles wrestlers que andam perdidos no low card das companhias, servindo como jobbers ou participando, tão só e apenas, de pequenos segmentos de humor cuja importância mais não é que a de responder à necessidade de aliviar um pouco a seriedade e densidade de alguns programas, shows e ppv's. Mas podem, e devem, ser considerados exemplos desta situação também aqueles lutadores que embora tratados de uma forma séria e credível se encontram completamente estagnados no mid card das promotoras e aos quais reconhecemos valor para algo mais. Contudo, e assumindo um papel fundamental em toda esta discussão, importa também denotar quais são as características essenciais a um wrestler para que tenha futuro e potencial para chegar ao topo. Da mesma forma, é fundamental saber se aquilo que nos leva a gostar mais ou menos de um lutador e a sentir que ele está a ser bem ou mal rentabilizado corresponde a essas mesmas características indispensáveis a qualquer um que sonhe tornar-se num main eventer ou "top dog" da modalidade.

Neste sentido e balizando esses mesmas características para facilitar a nossa análise e reflexão, julgo ser aceite por todos que a questão da imagem, do carisma, do gimmick/personagem, das mic skills e in-ring skills e da capacidade para se proteger das lesões são os factores fulcrais em todo este processo. No entanto, não é de somenos importância a questão da lealdade e confiança que se assegura junto da companhia a que se pertence. Neste caso, posso até dar um exemplo recente bastante prático e fácil de compreender...quem esteve atento ao circuito independente nos últimos anos conhece, certamente, a equipa Kings of Wrestling formada por Chris Hero (Kassius Ohno na WWE) e Claudio Castagnoli (Antonio Cesaro na WWE) e também sabe que o primeiro era o lutador mais talentoso e com maior potencial da tag team. Contudo, e tendo ambos chegado à WWE praticamente na mesma altura, verificamos que o sucesso de um é inversamente proporcional ao sucesso do outro...e isso aconteceu por uma questão de confiança. Como se sabe, o Antonio Cesaro foi sempre fazendo aquilo que a empresa lhe pedia e a verdade é que tem a sua carreira completamente lançada. Por sua vez, o Chris Hero desleixou-se, recebeu vários avisos para tratar da sua imagem (corpo e forma física) e nunca lhes deu ouvidos...acabou por ver o seu contrato terminado.



Voltando ao tema central do presente texto...importa relembrar que Damien Sandow foi treinado por Killer Kowalski (o mesmo que treinou Triple H) e se há coisa que os alunos de Kowalski evidenciam de uma forma claríssima é a sua psicologia de ringue. De facto, os wrestlers treinados pelo velho Killer têm uma compreensão muito própria e especial dos combates em que estão inseridos, conseguindo transportar para os mesmos não só o seu próprio personagem, mas também as rivalidades e storylines de que tomam parte. Conseguem, ainda, envolver com a sua expressividade facial e corporal as plateias de uma forma bastante emocional e sabem, como poucos, ler e interpretar o que o público quer e aquilo que mexe com os fãs. Ora, no que toca a Damien Sandow, também ele conseguiu "herdar" todos estes ensinamentos e conhecimentos e incorpora-los nas suas ring-skills, parecendo-me óbvio que o demonstra de forma clara nos seus combates. Para além disso, é um lutador que se protege muito bem, que raramente se lesiona, e que nunca vi "botchar", sabendo, ainda, "vender" muito bem os seus adversários. Por outro lado, a imagem e porte físico de Damien correspondem claramente aos padrões clássicos da WWE e esse é um ponto que joga a seu favor. Tal como também está a seu favor, o facto de ser alguém que apresenta uma excelente capacidade comunicacional (e, por isso, umas óptimas mic skills), um carisma bastante natural e, acima de tudo, uma enorme aptência para gerar reacções nas plateias...podem adorá-lo ou odiá-lo, mas não se lhe conseguem ficar indiferente e essa é uma qualidade indispensável a qualquer "top guy". Por último, chegamos àqueles que são, na minha opinião, os seus maiores pontos fracos, sendo que, muito provavelmente, nenhum é de responsabilidade própria...o gimmick e o booking de que tem sido alvo.

Recordo que Damien Sandow regressou à WWE com um novo nome e personagem, completamente distintos daqueles que havia interpretado na sua primeira passagem pela companhia. Fez o seu debut como "The Intellectual Savior of Masses", um gimmick que, apesar do seu curto potencial, tinha tudo para gerar o "heat" necessário a um jovem heel que se estava a lançar. Sandow percorreu o seu caminho, primeiro com uma "winning streak", depois com combates mais sólidos e alguns segmentos de maior relevância, consolidou o seu estatuto e posição no card...mais tarde haveria de conquistar o Money in The Bank Ladder Match e atingir um momento fulcral para o definitivo lançamento (rumo ao topo). O ponto mais alto foi quando fez o "cash in" em John Cena num Monday Night RAW e a verdade é que para além das condições estarem reunidas para que ele conquistasse o título (seria algo inesperado e refrescante naquela altura) à época Sandow estava extremamente over. Infelizmente a WWE decidiu-se por outro caminho e rumo...John Cena apesar de muito combalido conseguiu reter o título e descredibilizar um jovem talento em ascendência clara e, a partir daí, foi sempre a descer. Ao invés de catalizar o bom momento de que Damien gozava para lhe alterar o gimmick para algo mais sério e intenso, algo com mais potencial...a booking deixou-o cair por completo. Desde então, Sandow não tem mais um personagem, limita-se a imitar algumas vedetas, a participar de alguns segmentos de humor e a servir de jobber da companhia. Ora, se isto não foi uma péssima decisão, então, realmente, não devo "petiscar" mesmo nada da coisa. Certo é que Damien Sandow vai fazer 32 anos neste Verão e está a chegar o momento para que lhe atribuam um "push" verdadeiramente consistente e coerente, está a chegar a altura de confiarem e acreditarem nele porque não o fazer é um erro tremento e um desperdício de talento como há muito não se via.

E vocês, o que pensam de Damien Sandow e da forma como a WWE o está a utilizar?!

Um Abraço,
Dias Ferreira


Dias is That Damn Good #181 – "Estereótipos e Controvérsia"

Boas Pessoal!



Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn Good", uma das colunas com mais história na nossa CWO ;)

No Pro Wrestling, para além do atleticismo e da capacidade atlética dos seus intervenientes, entre outras, a questão dos Gimmicks/Personagens, das Storylines e das Rivalidades sempre assumiram um papel chave e preponderante. De facto, são estas características que, em grande medida, nos aproximam ou afastam de determinado wrestler, são elas que nos fazem querer ver o confronto entre dois ou mais lutadores, em última análise, são elas que devem moldar os combates e, por consequência, todo o espectáculo que enquadra a própria modalidade. Neste sentido, podemos dizer que as temáticas que estão na génese de qualquer gimmick, storyline e/ou rivalidade assumem determinante e fundamental importância.

Dito isto, aquilo que vos proponho ao longo do presente texto será, portanto, uma reflexão e abordagem sobre os assuntos e matérias que, de uma maneira ou de outra, poderiam refrescar o produto que as diversas promotoras de Pro Wrestling, hoje, nos oferecem. Procurarei, ainda, de forma mais superficial, enquadrar nesta mesma análise os temas que na actualidade e num passado recente estão na génese das mais diversas feuds, personagens e histórias.

Não percam, por isso, as próximas linhas...



Como referi, na introdução ao presente texto, não basta aos wrestlers serem capazes de montar um combate repleto de acrobacias e grandes spots para que ele seja realmente bom, da mesma forma que essa situação nunca chegará para convencer os fãs e espectadores de ocasião a querer ver o embate entre ambos. É o personagem que desempenham e a história que os envolve que, de uma maneira ou de outra, desperta o interesse do público e os leva a querer comprar bilhetes e/ou PPVs para poder assistir a determinado combate. Do mesmo modo que, é a forma como se desenvolve a história da rivalidade entre os lutadores que condiciona e limita (ou pelo menos deveria ser assim) a construção desse mesmo combate. Relembro que o Pro Wrestling não trata de proporcionar uma luta verdadeira entre reais adversários, trata sim de montar um espectáculo encenado onde os wrestlers contam uma história com o seu corpo dentro do ringue (ou fora dele, se for esse o caso). Desta forma, compreende-se que, para além do carisma, das mic skills e da capacidade atlética de cada um, a personagem escolhida pelo lutador e as histórias em que este se vê envolvido assumirão um papel determinante na reacção que este, por sua vez, conseguirá gerar nas plateias, no público, nos espectadores, nos fãs. E o maior ou menor poder de atracção de um combate reflectirá, sempre, este paradigma.

Por outro lado, a história da modalidade mostra-nos que as temáticas presentes nas diversas storylines e rivalidades (o mesmo vale para os gimmicks) dotam as mesmas de mais e maior impacto consoante for o seu grau de realismo e actualidade no que respeita ao ambiente e sociedade em que se vive. Ora, com isto, o que realmente pretendo dizer é que se os gimmicks escolhidos para moldar determinado wrestler não reflectem um estereótipo característico da época e sociedade em que vivemos, muito dificilmente esse mesmo lutador conseguirá gerar fortes reacções nos fãs e retirar grande proveito do personagem que interpreta. O mesmo serve para as Storylines e Rivalidades...se estas não tocarem em temas polémicos, controversos e fracturantes da sociedade em que se vive, o seu potencial será sempre, irremediavelmente, menor. Para melhor compreender-mos esta situação, basta verificar-mos que o produto que era tido por genial nos anos 70 já não se adequava aos anos 80 e que, por sua vez, o modelo implementado nos anos 80 deixou de fazer sentido nos anos 90. Mais concretamente, percebemos que os gimmicks e histórias cartoonizadas da WWE dos anos 80 não conseguiram colher grande apoio e entusiamo nos anos 90, daí que a empresa tenha sentido necessidade de mudar e adoptar a famosa Attitude Era. Na WCW sucedeu exactamente o mesmo, teve de haver uma actualização de conteúdos, deixando de parte as rivalidades e histórias que tanto sucesso tiveram nos anos 80, para que a promotora conseguisse voltar a crescer e a atingir o desejado sucesso.



Hoje, contudo, ao olharmos para os wrestlers e storylines das duas maiores promotoras da modalidade, percebemos que há uma grande negligência no que respeita a esta situação. De facto, os conteúdos e temáticas escolhidos, salvo raras excepções, na formação de gimmicks e rivalidades estão de tal forma desfazados da sociedade em que vivemos e dos valores que ela advoga, que a estagnação e o retrocesso (relativamente ao ambiente que envolve a modalidade) têm vindo a dominar flagrantemente o produto dos últimos 10 anos. É muito raro encontrar storylines que não se centrem apenas no wrestling em si e que não negligenciem as problemáticas do mundo que nos rodeia...os confrontos são quase todos originados pela disputa de títulos ou resultantes de vinganças decorrentes dos embates na luta pelos mesmos, tornando-se tremendamente repetitivos e enfadonhos...impendindo, consequentemente, que os fãs os vejam como algo novo e que têm obrigatoriamente de assistir. Recentemente, numa entrevista, Christopher Daniels dizia que não compreendia como a TNA podia ter optado pelos "Broman's" ao invés da equipa que ele formava com Kazarian, uma vez que ele e o seu parceiro eram muito melhores wrestlers. Ora, estas palavras de Daniels denotam uma outra realidade, a de que são os próprios wrestlers da nova geração (da geração pós-Monday Night Wars) que não compreendem o fenómeno que tenho vindo a abordar ao longo do texto. A TNA optou pelos "Broman's" e fê-lo muito bem...de facto, no ringue, não são tão bons como os "Bad Influence", no entanto, eles retratam um estereótipo da sociedade actual, eles têm um gimmick na qual os fãs e jovens de hoje se revêm e, por mais estúpidos e/ou odiosos que possam parecer, como heels desempenham o seu papel com enorme brilhantismo...já para não dizer que as suas in-ring skills não são nada más. E eu, mesmo não conhecendo os números, aposto que os "Broman's" conseguem bons ratings para a TNA, certamente, melhores ratings que aqueles que os "Bad Influence" alguma vez conseguiram.

Ainda assim, parece que o único estereótipo e controvérsia que as promotoras nunca deixaram de lado e de procurar explorar, foi o do trabalhador a quem o patrão faz constantemente a vida negra e que se vê recorrentemente ameaçado pelo mesmo. E a verdade é que esta é uma controversia/polémica que será sempre actual e comum a qualquer sociedade, uma situação que dará proveitos mesmo quando utilizada 1, 2 e 3 vezes...veja-se o caso de Daniel Bryan, como exemplo, se não foi semelhante ao de John Cena e anteriormente ao de Steve Austin. Certo é que, em ambas as situações, o sucesso foi sempre tremendo. Mas, na minha opinião, não chega, é muito curto. É necessário estudar bem a sociedade global em que vivemos e descortinar quais os seus grandes problemas, quais os seus temas mais fracturantes, quais as matérias que criam maior polémica e controvérsia...até porque, como diz Eric Bischoff no seu livro, "Controversy Creates Cash", mas também "Buzz", pavilhões lotados, toneladas de vendas de merschandising e um ambiente em redor da modalidade muito mais entusiástico e saudável. E mesmo que não consigam encontrar algo de verdadeiramente inovador, existe sempre a possibilidade de nos agarrar-mos aos velhos esterótipos e preconceitos universais, aqueles que dificilmente não estarão presentes e marcados nas mais diversas sociedades...o racismo (especialmente contra os negros), a homossexualidade, a violência doméstico-relacional machista, as minorias étcnicas, aos grupos mais satirizados de determinada região/estado (como os Rednecks do Texas), entre muitos outros. Mas é bom que entendam esta situação rápido e que façam algo para mudar o actual rumo dos acontecimentos porque o produto está chato e enfadonho como tudo e, acima de tudo, porque o "business" está num "coma" profundo.


E vocês, quais os temas facturantes (estereótipos e controversias) que gostariam de ver tratados nos gimmicks, feuds e storylines?!


Um Abraço!
Dias Ferreira



Dias is That Damn Good #180 – "TNA Crossroad"

Boas Pessoal!


Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn Good" uma das colunas com maior história na nossa CWO ;)

Desde a sua criação em 2002, na ressaca da aquisição da WCW por parte da WWE de Vince McMahon, que a TNA se viu numa enorme encruzilhada, estando a jovem companhia obrigada a tomar decisões críticas, que sempre colocavam em causa a sua própria viabilidade, de forma quase sistemática.

Foi, portanto, neste ambiente de constante sufoco que a empresa de Orlando cresceu, ganhou o seu público e se consolidou. Ora, também por isso, aquilo que é a sua estrutura, organização, produto, gestão de recursos humanos, booking e maneira de estar na modalidade reflecte essa situação.

Assim, o que me proponho abordar ao longo do presente texto serão os pontos críticos e oportunidades que a empresa de Dixie Carter enfretou num passado recente, como também os grandes desafios que hoje se lhe colocam e que serão determinantes, mais uma vez, para a própria existência da companhia no futuro próximo.

Não percam, por isso, as próximas linhas...


A história da TNA, como disse anteriormente, foi feita de constantes sobressaltos desde a sua génese. A companhia nasceu num período em que a WWE tinha monopolizado quase por completo o mercado norte-americano, com as aquisições da ECW e da WCW, deixando um espaço bastante condicionado às restantes promotoras que resistiam e àquelas que procuravam dar os seus primeiros passos...Faltava, ao mesmo tempo, coragem e vontade de assumir riscos às grandes cadeias de televisão para apostar num produto que muito dificilmente conseguiria competir com a gigante de Vince McMahon. A escolha de Jeff Jarrett e seu pai (na altura donos da empresa) para fazer face a este domínio da WWE no mercado televisivo, passou então pela transmissão dos seus eventos/shows em PPV num registo semanal. O clima e ambiente em redor do Pro Wrestling, numa altura em que se vivia o fim das Monday Night Wars e o rescaldo da Attitude Era, ainda era extremamente favorável à modalidade e, por isso, apesar de todos os riscos que o lançamento de uma nova promotora acarretavam, a oportunidade de se constituir em algo diferente daquilo que era apresentado pela WWE e, ao mesmo tempo, assumir-se como uma alternativa, afigurava-se tremenda. A TNA enfrentou, nesta altura, diversos problemas de viabilidade financeira e, certamente, essa situação influenciou de sobremaneira a escolha do roster que a constituiu no seu início (um sem número de jovens wrestlers, sem grande experiência e/ou visibilidade)...mas terá aguçado também a imaginação e a compreensão de que seria necessário apresentar algo diferente para poder sobreviver.

Neste ponto, a companhia com maior ou menor acerto, esteve bem...conseguiu, de certa forma, crescer e solidificar-se (tornou-se maior que qualquer outra indy e atingiu uma dimensão global), embora nunca tenha assegurado um desejável sossego do ponto de vista do garrote financeiro, que a sufocava, e do mercado televisivo, que teimava em não se lhe abrir. Contudo, também nesta fase e período a TNA desperdiçou um sem número de oportunidades para criar um roster com verdadeiro star power e capaz de mediatizar os seus shows e produto. Porque se é um facto que Jeff Jarrett teve primeiramente diversas dificuldades em encontrar talentos, não é menos verdade que nos primeiros meses e anos de existência da promotora, passaram pelas suas fileiras lutadores de enorme qualidade e com uma visibilidade bastante considerável. A WWE nunca conseguiria manter no seu roster tantos talentos quantos continham os planteis da ECW e da WCW, nem evitar pequenas guerras e intrigas que levassem outros tantos wrestlers a incompatibilizar-se com a companhia. Como disse, a TNA teve aqui uma grande oportunidade de agarrar o que de bom a WWE não aproveitara e não o conseguiu fazer...pelo menos de forma consequente. Relembro que nos primeiros anos da empresa de Orlando passaram pelas suas fileiras tipos como Scott Hall, Kevin Nash, Diamond Dallas Page, "Macho Man" Randy Savage, "Mr. Perfect" Curt Hennig, os New Age Outlaws, Sting, Scott Steiner, Raven, Rick Steiner, os Duddley Boys (ou Team 3D), "X-Pac" Sean Waltman e o próprio Jeff Jarrett, entre muitos outros. Portanto, o booking da empresa e a forma como esta não soube tirar partido de todos estes grandes nomes da modalidade, também colocam sobre a sua responsabilidade o facto de não terem, neste período em concreto, sabido dar um verdadeiro salto qualitativo, mediático e dimensional. Este período exigiu da TNA uma decisão crítica quanto àquilo que ela quereria vir a ser e a verdade é que mesmo tendo sobrevivido e continuado a crescer, não tomou a melhor decisão e deitou por terra uma excelente oportunidade para, nesse momento, reescrever a história da modalidade.


Certo é que essa fase de "boa graça" do wrestling passou e se entrou num período de menor entusiamo e de estagnação no que respeita à modalidade. A resposta estratégica da TNA a este mesmo estado de coisas passou por uma aposta forte na X-Division (algo semelhante à Cruiserweight Division), na divisão feminina e na divisão de equipas...solidificando o seu crescimento, também, com o recurso a 3 ou 4 grandes nomes oriundos da WWE e da antiga WCW. E foi assim que a companhia, finalmente, conseguiu chegar ao mercado televisivo, através de um acordo com a Spike TV, atingindo um dos objectivos fundamentais para qualquer promotora deste ramo. O programa, TNA iMPACT (mais tarde Impact Wrestling), começou por ter apenas 45 minutos de duração tendo sido, posteriormente, alargado para os clássicos 90 minutos. Nesta altura, reforçavam o plantel da empresa lutadores como Christian e, sobretudo, Kurt Angle (que viria a ser a atracção principal da TNA durante largos anos), aos quais se juntariam mais tarde Booker T e Mick Foley. Neste sentido, se é um facto que a mediatização da companhia e dos seus shows progrediam de forma bastante lenta (não apenas devido ao ambiente "frio" que o apoio à modalidade vivia mas, sobretudo, às péssimas opções de booking), não é menos verdade que se iniciou uma storyline com um potencial enorme para catapultar a companhia...os Main Event Mafia. A storyline que, relembro, consistia num grupo de super estrelas dentro da TNA (Kurt Angle, Sting, Kevin Nash, Booker T e Scott Steiner) que queriam tomar o controlo de tudo, encontrando a oposição dos jovens que estavam na empresa desde a sua criação (ou quase) e que a tinham ajudado a crescer (AJ Styles, Samoa Joe, Abyss, Beer Money Inc., entre outros). O facto é que, mais uma vez, por más opções de booking, esta storyline nunca atingiu todo o potencial que se lhe conhecia e pouco ou nada contribuiu para a afirmação dos jovens wrestlers que enfrentaram as lendas. Apesar de tudo, e mesmo participando de angles e/ou storylines sem grande consequência prática, a verdade é que AJ Styles, Samoa Joe, Abyss, James Storm e Bobby Roode (Beer Money Inc.) foram ganhando o seu espaço e ao poucos tornaram-se os primeiros main eventers com "selo" TNA...sem que, no entanto, qualquer deles conseguisse afirmar-se como um verdadeiro drawer.

Com as posteriores entradas de Hulk Hogan, Eric Bischoff e Ric Flair na empresa, viveu-se um período de grande crença e esperança num maior e mais rápido crescimento da mesma. E, de facto, a chegada destes nomes enormes da modalidade permitiam pensar que o potencial desenvolvimento da TNA e a sua capacidade de mediatização ficariam altamente inflamados. Certo é que, com eles, chegariam também Jeff Hardy (na altura oriundo de uma fase na WWE em que se estava a estabelecer como uma das maiores estrelas da companhia e, por isso, bastante over junto dos fãs), mas também, infelizmente, um chorrada de outros wrestlers conhecidos, embora algo acabados e com muito pouco para "emprestar" e/ou contribuir. E se numa fase inicial as coisas realmente acompanharam as expectativas (tendo, por exemplo, os ratings crescido dos 0.8 para os 1.3, em média e o iMPACT passado a ser transmitido em directo, assim como a "ir para a estrada"), a verdade é que, mais uma vez, as opções de booking acabariam por esgotar todo este "balão de oxigénio". E esgotaram o "balão de oxigénio", porque as decisões tomadas, no que toca às rivalidades e storylines, se revelaram de tal forma inconsequentes que, em poucos meses, tinham secado por completo o "gasóleo" de Hulk Hogan, Eric Bischoff, Ric Flair e Jeff Hardy. Exemplos desta situação são as utilizações exageradas de Hogan e Flair (que deviam ser uma atracção pontual e não full-time figures), os constantes face turn e heel turn de Jeff Hardy e a pouca inteligência na utilização de Eric Bischoff (authority figure, ou General Manager, heel do mais alto nível). Ainda assim, chegaria, depois, uma outra storyline brilhante e com tremendo potencial...os Aces and Eights. Centrada num grupo de motards fora da lei que pretendiam tomar conta do iMPACT e destruir a TNA, a história tinha tudo para dar certo, se ao entusiasmo gerado em redor do grupo e do prórprio facto de os seus membros esconderem misteriosamente as suas identidades, tivessem sido escolhidos jovens talentos de elevado potencial para lhes pertencer. Infelizmente, todos sabemos que assim não sucedeu...a TNA preferiu atribuir essa storyline e push a lutadores já feitos (com a exepção de 2 ou 3 jovens sem qualquer qualidade – como Wes Briscoe ou Garrett Bischoff) e perdeu a oportunidade de criar sementes portentosas para o futuro da companhia...o resultado foi o esperado, sem sangue novo, a história esgotou-se e retundou em nada.

O que se seguiu foi um quase cataclismo...as grandes estrelas e nomes mais apelativos abandonaram a companhia em catadupa, os problemas financeiros voltaram a estar na ordem do dia com maior predominância e o show semanal viu-se obrigado a regressar à iMPACT Zone. O momento, que perdura, é, portanto, de reorganização e de reestruturação da TNA. No entanto, apesar de tudo, a empresa continua a contar no seu roster com belíssimos talentos como Samoa Joe, James Storm, Bobby Roode, Bully Ray, Jeff Hardy, Abyss, Bobby Lashley, MVP, Kurt Angle, Mr. Anderson, Magnus, Austin Aries ou Gunner, entre outros. Por isso, como sempre, não lhe faltará matéria-primeira de qualidade para fazer um bom trabalho, apresentar um produto apelativo e reencontrar o caminho do crescimento e do sucesso...isto se, e apenas se, nos momentos chave as decisões críticas que tomar não forem, mais uma vez, simplesmente, aqueles que "desenrascam", mas sim as que permitam rentabilizar ao máximo os seus talentos, programas e ppvs. Porque é incrível como, ao longo dos seus 12 anos de existência, a TNA nunca tenha sabido e/ou conseguido criar uma estrela sua que se constituísse num verdadeiro drawer...pode-se dizer que a WWE tem outras "ferramentas" e capacidades, mas a verdade é que desde sempre se preocupou em criar as suas super-estrelas, aquelas que seriam a cara da companhia e recordo que, por exemplo, desde 2005 já tivemos Batista, John Cena, Jeff Hardy (por breves momentos), CM Punk e agora Daniel Bryan (futuramente, quase aposto, Roman Reigns). A companhia de Orlando nunca se preocupou com este aspecto...conseguiu superar esta situação com o "recrutamento" de Kurt Angle e, posteriormente, com a chegada de Hulk Hogan...mas bolas, já é hora de "criarem" um personagem/wrestler realmente grande e aglutinador...só isso fará a companhia crescer e retomar o caminho do sucesso.

E vocês, face à história da TNA e aos desafios que se lhe colocam, que caminho acreditam dever a promotora seguir nesta "crossroad"?!


Um Abraço!
Dias Ferreira

Dias is That Damn Good #179 – "A Afirmação de Reigns"

Boas Pessoal!



Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn Good", uma das colunas com mais história na nossa CWO ;)

Há muito que não vos escrevo, nem participo dos fóruns de discussão e/ou caixas de comentários do Wrestling Notícias...e se a minha disponibilidade já não é a de outros anos, também reconheço que prefiro utilizar o pouco tempo livre que me resta para abordar assuntos ou temas que realmente despertem o meu interesse e entusiasmo enquanto fã de Pro Wrestling....

Dias is That Damn Good #178 - "O Crash TV"

Boas Pessoal!


Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn Good", um dos espaços com maior história na CWO ;)

No Pro Wrestling, especialmente no que toca aos seus shows televisionados, como em qualquer outro programa de televisão, existe uma necessidade constante de manter interessado e intrigado aquilo que é o core dos seus seguidores, mas também de entusiasmar e agarrar os telespectadores ocasionais que, por mero acaso, tenham passado pelo canal no decorrer desses mesmos programas.....

Dias is That Damn Good #177 - "As Celebridades de Outras Indústrias e o Pro Wrestling"

Boas Pessoal!


Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn Good", um dos espaços com maior história na nossa CWO ;)

Ao longo dos vários anos de actividade do Pro Wrestling, foram diversos os exemplos de celebridades oriundas de outras indústrias/áreas que tomaram parte de promoções, storylines, rivalidades e angles relacionados com a modalidade. Esse envolvimento originou, salvo raras excepções, uma crescente mediatização e popularização do negócio e, acima de tudo, a conquista de novos públicos para a própria indústria.....

Dias is That Damn Good #176 - "A Problemática dos Draws"

Boas Pessoal!



Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn Good" ;)

É verdade, depois de vários meses de ausência, cá me encontro para vos trazer mais uma edição da minha coluna no Wrestling Notícias.....

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