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quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Dias is That Damn Good #185 – "Bocas Ordinárias (A Administração Dixie Carter)"

Boas Pessoal!



Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn Good", um dos espaços com mais história na nossa CWO ;)

Há uns anos, quando escrevia com regularidade na nossa comunidade de wrestling online, recorri a uma ideia e formato de texto (a que dei o nome de "Bocas Rápidas") em que abordava de um modo bastante resumido as mais diversas situações e acontecimentos de relevo a respeito da modalidade, mas também as promotoras, os seus wrestlers e as suas opções estratégicas e de negócio. Agora, aquilo que me preparo para vos apresentar, é uma pequena variação dessa mesma ideia e formato, mas com um enfoque muito superior na crítica severa e intransigente aos assuntos e notícias que me têm tirado do sério...daí que tenha optado pelo nome "Bocas Ordinárias".

Ora, como é a TNA e, mais concretamente, a administração de Dixie Carter que têm estado na ordem do dia, com os mais variados anúncios e "surpresas", será, compreensivelmente, sobre eles que, ao longo do presente espaço, me irei debruçar.

Não percam, portanto, as próximas linhas...



As Gravações do TNA Thurday Night iMPACT Wrestling

Se há coisa que prejudica e corrói a TNA, por dentro, é a forma como a promotora realiza e produz o seu programa semanal. Já sabemos que tentaram levá-lo para a "estrada" e financeiramente não foi comportável, mas isso até se compreende e desculpa, agora, passar a fazer gravações de quase todos os shows?! Por favor. Não é viável?! Claro que é, basta que para isso comecem a cobrar, pelo menos, uns 5 dólares de bilhete por cada iMPACT (para quem não sabe, assistir ao iMPACT é gratuíto). Transmitir o iMPACT em directo acarreta mais custos e investimento mas, por outro lado, trás mais e maiores ratings, torna as assistências e as plateias bastante mais vivas e interessadas (e, por isso, de maior qualidade) e, por último, dá ao programa e aos próprios wrestlers a possibilidade de proporcionar um show de qualidade muito superior (algo que as quatro horas de gravações e os segmentos soltos nunca permitirão). Continuar com as gravações do iMPACT Wrestling, mais que impedir o desenvolvimento e crescimento da promotora, é o caminho para ir morrendo aos bocados...e é bom que a Dixie Carter e quem a aconselha coloquem isso na cabeça o quanto antes.

Os Eventos Especiais e PPVs Gravados

Uma das coisas que mais comixão me tem feito na TNA, foi a opção da Administração de Dixie Carter em passar a fazer gravações dos eventos especiais e de alguns PPVs. Se pensarmos que, no pro wrestling, os diversos eventos valem mais consoante a sua actualidade e o facto de serem transmitidos em directo, compreendemos que, qualquer promotora, deve fazer um esforço por enquadrá-los na programação das suas storylines e, também, por transmiti-los em directo. Ora, para nosso espanto, Dixie Carter e os seus comparsas, não pensam assim...eles acham que faz sentido gravar eventos especiais onde os combates não têm qualquer ligação às main storylines da companhia e onde muitos dos wrestlers que neles competem nem sequer estão contratualmente ligados à empresa. Mais que isso, Dixie e os seus colegas, acreditam que é rentável gravar PPVs ao invés de os transmitir em directo, esquecendo-se que perdem, dessa forma, uma quantidade substâncial de compradores e, por consequência, dos buy rates. Os PPV's existem para expor o climax das rivalidades e storylines que decorrem nos shows semanais e os eventos especiais, quanto muito, devem acontecer como episódios especiais do show semanal...não compreender isso, não perceber que se está a perder dinheiro e teimar no mesmo erro, já não é apenas incompetência, é também burrice.

O Regresso do Ringue Hexagonal

Outra situação com a qual sempre embirrei e que me tira do sério ainda mais, agora, é a utilização do 6-Sided Ring. O Pro Wrestling nasceu nos EUA e trata, acima de tudo, de lutadores que contam a história de um combate encenado, com os seus corpos e os "instrumentos" que os rodeiam, dentro de um ringue (sendo que o ringue é também ele uma "ferramenta" fundamental dessa mesma história e encenação). Deste modo, alguma razão deve haver para que, desde a sua criação, todas as promotoras e companhias tenham optado pelo ringue quadrangular, alguma razão deve haver para que os wrestlers prefiram o ringue tradicional e critiquem o 6-sided ring. É clássico ringue quadrangular o que melhor se adapta às necessidades que os wrestlers têm nos combates de que participam, é o ringue clássico, quadrangular, que permite retirar o máximo proveito da psicologia de ringue, dos corners e dos turnbuckles...o ringue hexagonal existe apenas no México, mas o estilo lá praticado é completamente diferente, na Lucha-Libre é a spotfest que importa e pouco mais, será que é isso que a TNA quer para o seu produto?! Quererá a TNA perder de vez os verdadeiros combates de wrestling e os grandes ring workers em detrimento de spot monkeys saltitantes?! Enfim. Depois há ainda o caso da produção e filmagem, que perderá, considerávelmente, qualidade uma vez que o ringue hexagonal é maior e impede a captura de todos os ângulos e imagens que uma produção de wrestling de topo requer e exige. São, portanto, na minha opinião, entraves suficientemente importantes para invalidar uma ideia cujos seus defensores apenas validam pelo factor estético da diferença. Por outro lado, a forma como toda a situação foi tratada, deixando-a ao critério dos fãs (e no que respeita à TNA, ao pequeno núcleo duro de seguidores e simpatizantes) diz muito sobre a forma como a administração de Dixie Carter trata dos seus assuntos...com total negligência e falta de competência.



O TNA Bound For Glory 2014 no Japão

Esta estupidez e erro, então, são de bradar aos céus. Então a Dixie decide fazer o maior dos PPVs da companhia no Japão, onde as plateias têm uma resposta completamente diferente das ocidentais, com o fuso horário bastante diferente do norte-americano, numa arena com lotação para apenas duas mil pessoas (metade das que estiveram no Slammiversary) e, ainda por cima, no mesmo dia e na mesma cidade que a maior promotora japonesa realiza um dos seus ppvs?! É que isto já não é apenas estupidez, burrice e incompetência, isto é revelador de uma glossal falta de inteligência. A Dixie, definitivamente, não é só de wrestling que nada percebe, também de nos negócios é uma completa leiga. A realizar o Bound For Glory fora dos EUA, só havia um país a poder recebê-lo, o país onde a TNA tem mais fãs e seguidores, o país onde a TNA sempre conseguiu as suas melhores assistências e tem dos melhores números e buy rates...a Inglaterra. Há coisas tão óbvias e tão básicas que me deixam perplexo como não se entendem.

A Falta de Estratégia na TNA

A falta de estratégia por parte de quem dirige a TNA é outro fenómeno gritante. A companhia passa a vida a mudar de rumo, a traçar novos planos apenas para os largar alguns meses mais tarde...e assim, não há empresa, nem negócio e/ou produto que se safe. Não se pode, nem é admissível, que continuem a mudar os planos do dia para a noite...a TNA tem, de forma rápida e urgente, de traçar uma estratégia e um plano e apostar nele de forma séria e consequente. As coisas necessitam de tempo para dar frutos e resultados e é necessário pensar a médio-longo prazo...quem espera resultados imediatos, a curto-prazo, e continua a mudar o foco constantemente, não vai conseguir, de certeza, nada de bom, nada de produtivo, acima de tudo, nada de rentável.

Conclusões

Estes são, de facto, os cinco aspectos que mais me escandalizam e tiram do sério quando falamos da TNA. E eles são, também, a prova viva de que quem está a gerir a companhia não tem a menor capacidade, competência e conhecimento para o fazer. O problema só se resolve de duas formas...ou a Dixie Carter reconhece que realmente não percebe nada de wrestling e do mundo dos negócios afecto a esta indústria e se rodeia de gente sabedora que a possa ajudar...ou terá de aparecer alguém realmente interessado na companhia e na modalidade que queira investir, adquirir a TNA e dar à empresa o rumo de que ele precisa urgentemente. Como não acredito que a administração da Dixie Carter seja "reciclável", ficarei à espera que alguém, de alguma forma, possa comprar a companhia e dotá-la do que ela necessita. Por último, é preciso não esquecer que a margem de erro na TNA é muito pequena...a WWE é enorme e pode errar a seu belo prazer, até porque não tem quem lhe faça concorrência...mas a TNA é pequena e vive mergulhada em problemas de viabilidade financeiro-económica. Quem me dera que a TNA atinasse e encontrasse o caminho do crescimento, do desenvolvimento e do sucesso, como fã de wrestling há 20 anos, não poderia desejar outra coisa.

E vocês, quais os aspectos que mais vos irritam na gestão da TNA?!


Um Abraço!

Dias Ferreira

Dias is That Damn Good #184 – "Análise SWOT - O Fim da WCW"

Boas Pessoal!



Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn Good", um dos espaços mais antigos da nossa CWO ;)

Há uns anos atrás, quando era um membro em regime "full-time" da comunidade de wrestling nacional e estava à frente do XBooker, escrevi uma série de textos em que aplicava o modelo da Análise SWOT às mais diversas situações que as promotoras e a própria modalidade, naquele momento, enfrentavam. Para quem não sabe, o termo SWOT significa Strenghts, Weaknesses, Opportunities and Threats...ou seja, trata acima de tudo de uma análise aos pontos fortes, aos pontos fracos, às oportunidades e às ameaças que decorrem de determinada situação e/ou acontecimento.

Ora, aquilo que hoje me proponho abordar será, através de uma Análise SWOT, toda a situação que envolveu o final da WCW e as consequências, quer para o produto, quer para a indústria do Pro Wrestling, que daí advieram.

Não percam, portanto, as próximas linhas...



Comece-mos, primeiro, por aqueles que identifico como sendo os principais Pontos Fortes e Oportunidades geradas com a aquisição da WCW por parte de Vince McMahon...

Pontos Fortes e Oportunidades:

  • Storyline de Enorme Potencial

Se pensarmos naquilo que foi a história dos anos 90, no que toca ao Pro Wrestling, não podemos deixar de nos referir às Monday Night Wars e ao conflito entre a WWE e a WCW como o acontecimento mais relevante e de maior importância no que a esta indústria diz respeito. O embate entre as duas promotoras de maior dimensão trouxe grandes benefícios, quer para os fãs, quer para os wrestlers, quer para o produto apresentado, quer, acima de tudo, para o próprio business. De facto, os conteúdos tornaram-se cada vez mais reais e credíveis, respondendo aos anseios de uma sociedade que tinha mudado e evoluído, procurando, consequentemente, novas formas de entretenimento mais modernas e adequadas à época e momento que se vivia. Ora, neste contexto, o kayfabe foi perdendo alguma da sua relevância e a concorrência entre as duas grandes companhias traduzia-se, também, na tensão latente entre as administrações e lutadores de ambos os lados da barricada...e essa situação passou claramente para o produto e programação que eram apresentados aos fãs. Desta forma, tudo aquilo que acontecia na realidade, de uma maneira ou de outra, acabava por se tornar num conteúdo de elevado potencial a explorar nos RAWs e nos Nitros. Neste sentido, percebemos que aquando da aquisição da WCW por parte de Vince McMahon, as sementes para a construção de uma storyline memorável estavam definitivamente lançadas. De facto, a possibilidade de trazer para a programação toda a rivalidade entre os intervenientes das Monday Night Wars e colocá-la num só show e ppv's era algo tremendo e conseguiria agarrar à televisão e modalidade, não apenas os seus fãs e mais fiéis seguidores, mas também uma larga camada de espectadores e telespectadores casuais que, certamente, quereriam saber como terminaria todo o processo que levou ao encerramento da WCW. Por outro lado, penso que também todos gostariam de saber como seriam recebidos de volta os grandes talentos como Hulk Hogan, Kevin Nash e Scott Hall (fundadores da nWo) e quais as reácções de Vince McMahon e Eric Bischoff nos segmentos em que se enfrentariam e trocariam palavras. Portanto, esta situação constituiu um ponto bastante forte e uma oportunidade única para criar, talvez, a storyline das storylines. Haveria, pelo menos, materia para 2 anos ao mais alto nível, com elevados níveis de interesse e ratings que bateriam records...isto, se as coisas fossem realmente bem feitas, o que, como sabemos, não aconteceu.

  • Dream Matches:

Outra situação que a aquisição da WCW permitia seria a inclusão no roster da WWE de wrestlers de enormíssima qualidade e de uma elevadíssima popularidade. O star power da companhia de Vince McMahon poderia crescer significativamente e este teria às suas ordens o melhor plantel algum vez existente na história da modalidade. Ora, como consequência dessa situação, nada menos seria de esquerar que a construção de storylines, rivalidades e combates lendários...entre estrelas da modalidade que, pelas suas carreiras e pertença a uma ou outra promotora, nunca tinham cruzado os seus caminhos. E é aqui, neste ponto, que entram os Dream Matches...aqueles combates que até à derrocada da WCW ninguém acreditava poderem vir a acontecer, mas que, uma vez possíveis, pagariam tudo o que pudessem para os poder ver. Não nos podemos esquecer que o Pro Wrestling também vive muito de momentos especias, de acontecimentos épicos e, neste sentido, os Dream Matches assumem esse mesmo papel e função. Como sabemos, de realmente épico, apenas assistimos ao The Rock vs. Hulk Hogan, no entanto, essa foi uma contingência do booking e das más decisões que se tomaram...porque, uma coisa é certa, a capacidade e potencial, na altura, para construir uma série de Dream Matches e momentos épicos e inesquecíveis, era tremenda.



Passemos, agora, aos Pontos Fracos e Ameaças fundamentais que se criaram com o fim da WCW...

Pontos Fracos e Ameaças:

  • A Ausência de Concorrência:

Se houve acontecimento marcante que teve na sua génese o fim das Monday Night Wars e o encerramento da WCW, foi a total aniquilação da concorrência. Uns meses antes, tinha fechado a ECW, pelo que restavam apenas 3 ou 4 territórios independentes que, com o passar do tempo, também encerrariam ou tornar-se-iam territórios de desenvolvimento da WWE. Deixando de existir um alternativa à empresa de Vince McMahon aqueles que mais sofreram com essa situação, de forma directa, foram os próprios wrestlers e restantes workers para quem um falhanço na única main stream que restava resultaria, inevitavelmente, na penuria em que se encontrava o circuito independente norte-americano (à data) ou na emigração (aparecendo o México e o Japão como países preferênciais). Por outro lado, o facto de não haver concorrência relaxou o processo criativo na WWE e, uma vez que não precisavam mais preocupar-se com um produto concorrente, estagnaram quase por completo. Neste caso, quem mais sofreu, de forma indirecta, acabaram por ser os fãs, uma vez que o produto perdeu qualidade e interesse de uma forma bastante substâncial. No entanto, e embora tenha havido algum recrudescimento no business (com o crescimento da TNA e o desenvolvimento da ROH), a verdade é que até hoje ainda não apareceu (e acredito que a aparecer será preciso esperar-mos muito tempo) uma promotora que se constituísse numa verdadeira alternativa à WWE...até porque do ponto de vista dimensional e organizacional, da capacidade financeira e da popularidade estão todas a léguas...infelizmente.

  • A Monopolização da Indústria:

Um outro fenómeno que ocorreu com o "fechar de portas" da WCW, foi a monopolização quase por completo da indústria e do business por parte da WWE. De facto, com o final das Monday Night Wars e a vitória esclarecedora da empresa de Vince McMahon (isto para não falar na super-estrutura com que a companhia ficou), tornou-se bastante claro que seria impossível a qualquer cadeia de televisão que apostasse numa promotora da modalidade querer que ela pudesse tornar-se competitiva num curto-médio prazo. Por esta razão, entre outras, as cadeias de televisão não quiseram arriscar e, elas próprias, fechando o mercado televisivo, criaram diversas dificuldades às pequenas promotoras independentes que procuravam dar os primeiros passos e ganhar uma maior visibilidade (neste aspecto, o exemplo da TNA é sintomático). Mas esta monopolização do business assumiu e ainda hoje assume aspectos bem mais perversos como o clima e ambiente de muito menor vigor, apoio e aceitação que se vive em redor da mesma. Por outro lado, não esqueçamos que há bem pouco tempo a WWE ameaçou retirar de todas as suas "tours" as arenas que aceitassem realizar eventos da TNA. O monopólio, seja qual for a área em que se edifica, tende a ter destas coisas, tende a sufocar e a colocar um garrote em todas as organizações que possam constituir-se uma ameaça à sua completa dominação...ora, isto é mau para o business, é mau para os fãs e é péssimo para os wrestlers e restantes workers da indústria.


Conclusões:

Quando procuramos chegar a uma conclusão a respeito deste assunto, acredito que, se por um lado podemos avaliar os pontos fracos e as ameaças como uma consequência perfeitamente natural de um processo onde as alternativas e concorrência são eliminadas e tudo se centra num grande monopólio...por outro prisma, não devemos avaliar os pontos fortes e as oportunidades que a queda da WCW gerou apenas pela forma como ela foi gerida ou aproveitada pela WWE, até porque como ficou demonstrado, os pontos fortes e as oportunidades poderiam ter dado origem a algo tremendo. Contudo, eu gosto de pensar a longo prazo e, quando assim é, colocamos sempre em cima da mesa qual a opção que nos permite, no futuro, retirar mais e maior rentabilidade, mais e maior benefícios. E, neste caso em concreto, não acredito que a "riqueza" criada com um bom aproveitamento dos pontos fortes e das oportunidades que a compra da WCW gerou fosse suficientemente duradora. O monopólio e a ausência de alternativa e/ou concorrência sufocou e abafa o negócio, quase o matou e vai destruindo a cada ano que passa mais um bocado. Assim sendo, por mais que eu gostasse de ter assistido à storyline das storylines (que também acabou por não se verificar) e por mais que quisesse ter visto uma série de Dream Matches (que também não se tornaram realidade), não trocaria uma indústria competitiva, com pelo menos uma promotora que fosse uma verdadeira alternativa à WWE, por esses meus desejos.


E vocês, quais pensam ter sido os principais pontos fortes e fracos originados pelo fim da WCW?! De que forma pensam que essa situação influênciou a modalidade e a indústria?!


Um Abraço!

Dias Ferreira

Dias is That Damn Good #183 – "Make Your Own Wrestling Company"

 Boas Pessoal!



Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn Good", um dos espaços com maior história na CWO ;)

Acredito que todos, ou quase todos, os fãs de wrestling já se perguntaram sobre como seria a sua promotora se tivessem possibilidade de a criar. Pois, bem, a proposta que, hoje, vos faço, passa pela edificação e construção da vossa própria companhia de Pro Wrestling.

Em seguida, deixarei, como exemplo, aquilo que, na minha opinião e dando largas à minha imaginação, gostaria que fosse a minha empresa. Quanto a vocês, espero que critiquem as minhas opções e que, sendo criativos e inovadores, apresentam as vossas propostas para a criação da vossa própria promotora.

Não percam, portanto, as próximas linhas...



Promotora:

    - World Wrestling Association (WWA)

World Wrestling Association (WWA), não só porque o nome fica no ouvido e é fácil de pronunciar, mas também porque dá uma dimensão mais séria e organizacional da própria modalidade...afinal de contas, para todos os efeitos, falar-se-ia sempre da Associação Mundial de Wrestling.

Escola:

  • WWA Academy

Funcionaria como um centro de treinos e de desenvolvimento de novos talentos e wrestlers, com vista à sua posterior integração no plantel principal da companhia. Por outro lado, procurar-se-ia, também, uma série de acordos com polos universitários no sentido de garantir estágios e até emprego a jovens licenciados nas mais diversas áreas de utilidade à empresa como o marketing e publicidade, a gestão, a informática, a produção, etc...contemplando, desta forma, também o importante papel de responsabilidade social que, na minha opinião, qualquer companhia deve exercer.

Indústria:

  • Professional Wrestling
  • Sports Entertainment

Show:

  • WWA Tuesday Night Rampage

A escolha do nome Rampage explica-se pela necessidade de encontrar uma expressão que fosse forte e ficassse no ouvido, mas também que se identificasse com o próprio conteúdo do programa (excitação, tumulto, revolta, acção, etc). A terça-feira aparece como dia para a transmissão do show semanal para conseguir explorar o espaço livre entre as transmissões do WWE Monday Night RAW, do TNA Thursday Night iMPACT Wrestling e do WWE Friday Night SmackDown. Por último, o programa deveria iniciar-se em finais de Novembro, inícios de Dezembro para dar tempo ao build up e promoção do PPV WWA Wrestlemadness.

PPV's:

A opção por 6 PPVs explica-se, sobretudo, pela necessidade de dar o tempo suficiente para que, nos shows semanais (WWA Tuesday Night Rampage), se fizesse um build up e promoção consistente e coerente dos mesmos. Da mesma forma e, sabendo de ante mão, que o modelo PPV actual está muito desgastado, a realização de apenas 6 ppv's por ano, parece-me, permitir a sua rentabilização ao máximo.

  • Janeiro – WWA Wrestlemadness

Seria o primeiro PPV do ano e o mais importante para a promotora. Aconteceria todos os anos em Janeiro e funcionaria para a WWA como a Wrestlemania funciona para a WWE. O seu nome (Wrestlemadness) pretende exprimir, acima de tudo, o momento maior de loucura, paixão e obsessão em redor da companhia e da modalidade.

  • Março – WWA Retaliation

Sendo o segundo PPV do ano, funcionaria, acima de tudo, para concluir as feuds, rivalidades e storylines ainda decorrentes do ppv anterior...o nome Retaliation compreende-se neste mesmo sentido, no de vingar e de acertar as contas dos acontecimentos ocorridos no WWA Wrestlemadness.

  • Maio – WWA Uprising

Constituir-se-ia, acima de tudo, como um ppv de transição...concluidas as rivalidades no WWA Retaliation, o WWA Uprising serviria, em grande medida, para consolidar as novas rivalidades e combates que se tinham originado. Por outro lado, seria, também, um pré-build up do WWE SummerBrawl.

  • Julho – WWA SummerBrawl

Tornar-se-ia o PPV do Verão e, por isso, teria de conter sempre um card forte. Serviria, portanto, não só para concluir as rivalidades e histórias que o WWA Uprising tinha consolidado, mas também para abrir caminho a um novo ciclo de feuds e storylines.

  • Setembro – WWA Battlefield

O WWA Battlefield seria o único ppv temático da WWA e consistiria, em grande medida, em 3 combates. O embate pelo WWA World Heavyweight Championship, o confronto pelo WWA Women's Championship e o Battlefield Match (uma espécie de Royal Rumble disputada dentro de um Hell in a Cell, onde os wrestlers seriam eliminados por pinfall e/ou submission)...tal como na Royal Rumble, o vencedor do Battlefield Match assegurava um lugar no main event do WWA Wrestlemadness e a consequente oportunidade de lutar pelo título principal da companhia. A escolha do nome Battlefield explica-se pelo seu próprio significado e pelo facto de retratar aquilo em que este gimmick match realmente consiste, num campo de batalha.

  • Novembro – WWA Collision

Sendo o último ppv do ano, o WWA Collision, serviria, acima de tudo, para consolidar, preparar e alanvacar as rivalidades rumo ao WWA Wrestlemadness...daí que o seu nome seja Collision, no sentido de lançar esse grande embate, essa enorme colisão que culminaria no maior dos ppvs da empresa.

Títulos:

  • WWA World Heavyweight Championship > Seria o título a disputar pelos main eventers da companhia e, por isso, o mais importante.
  • WWA Television Championship > Seria um título intermédio, de transição, e serviria, acima de tudo, para a estruturação do roster nas suas mais variadas divisões...neste caso, o mid card e o upper card.
  • WWA World Tag Team Championship > Tornar-se-ia no título a disputar e a conquistar na divisão de equipas da promotora.
  • WWA Cruiserweight Championship > Assumiria, sobretudo, a função de objectivo maior a conquistar pelos wrestlers mais pequenos, mais leves, que fazem mais acrobacias, etc. Teria, portanto, um papel muito semelhante aos antigos WCW e WWE Cruiserweight Championship.
  • WWA Women's Championship > Como o próprio nome indica, seria o título a disputar na divisão feminina da empresa pelas suas lutadoras.

Booking e Storylines:

  • General Manager/Figura de Autoridade

Existiria, certamente, um...mas o seu envolvimento e personagem, assim como o seu estatuto heel ou babyface, estariam sempre dependentes do desenvolvimento das mais diversas storylines e da importância que uma figura de autoridade poderia desempenhar nas mesmas.

  • Na Mesa de Comentários

A clássica dupla de play-by-play e color announcer, que não só ajudasse a construir e a contar a história dos combates, mas que fizesse o mesmo em relação aos próprios wrestlers, rivalidades e storylines.

  • No Main Event

A minha opção passaria por escolher dois wrestlers jovens, com uma elevada margem de progressão e evidente potencial, que seguissem dois caminhos opostos...

O primeiro, à sua volta, criaria uma pequena stable (com mais dois elementos) e, enquanto heel, consolidar-se-ia como o maior e mais importante nome da companhia (no fundo, assumiria um papel muito semelhante aos que Ric Flair e Triple H desempenharam nos Four Horseman e Evolution, respectivamente). O objectivo passaria por lhe entregar o título e um "reinado" de 1 ano, durante o qual só obteria vitórias. Para alimentar este "reinado" e "winning streak", entraria em rivalidades e combates com os melhores (e mais populares) wrestlers que o circuito independente tem para oferecer...assim como com as lendas, ainda capacitadas, que o orçamento da companhia pudesse suportar.

O segundo, seria lançado como um "bad ass" babyface-tweener...um wrestler que também obteria uma "winning streak" de um ano, ao longo da qual iria ganhando um crescente apoio do público e popularidade, ao mesmo tempo que consolidava a sua credibilidade e estatuto (receberia algo muito semelhante a uma mistura do push de Steve Austin na WWE e de Goldberg na WCW). Venceria o Battlefield Match no WWA Battlefield e, dessa forma, assegurava um lugar no main event do WWA Wrestlemadness, no qual iria competir frente ao lutador do "primeiro" caso.

Desta forma, no WWA Wrestlemadness, encontrar-se-iam, pela primeira vez, dois wrestlers imbatíveis, com percursos completamente opostos (mas que se tocavam no facto de nunca terem sido derrotados) e cujo build up do seu combate se iniciou praticamente um ano antes de acontecer.

  • No Mid Card

Aqui não existiria uma storyline de fundo, mas sim o confronto entre diferentes wrestlers com as mais diversas personagens e gimmicks, tendo em vista a própria consolidação e desenvolvimento destes talentos do "meio da tabela"...entre alguns desses gimmicks poderemos realçar, por exemplo:

O aperecimento de um lutador com a personagem do famoso playboy, aquele tipo que consegue ser bom a fazer as mais variadas coisas, mas que é altamente convencido, arrogante e irritante e que "saca" uma data de raparigas. Contudo, este personagem não seria igual aos clássicos "playboys" apresentados ao longo da história da modalidade...ele teria de ser, claramente, mais sério e credível, mas também mais intenso e rancoroso, vingativo e perverso. É o típico gimmick que permite a criação de feuds e rivalidades que tenham por base o facto de se ter metido com a namorada/mulher alheia...ou ainda, o típico personagem que permitem explorar um "angle" em que o machismo e a violência doméstica apareçam como temas centrais.

Ou, o lançamento de um outro personagem que, tocando num tema fracturante da sociedade e polémico (criando, certamente, imenso "buzz") assumiria o papel de um wrestler homossexual estigmatizado e a lutar para que os seus direitos, oportunidades e dignidade fossem tratadas com o respeito que qualquer ser humano merece. Trata-se de um personagem com potencial para abordar as mais diversas histórias como, por exemplo, o facto de ser perseguido e hostilizado pelos restantes colegas de profissão (wrestlers neste caso)...ou a possibilidade de ser constantemente alvo do preconceito homofóbico de uma figura de autoridade (um general manager ou director) que o ameaça, persegue e impede de progredir na carreira...entre muitas outras situações.

  • Na Divisão de Equipas

Aqui, apostaria, sobretudo, num "angle" que envolvesse a criação de duas grandes tag teams antagónicas. Mais uma vez, escolhendo um tema bastante controverso e que, apesar de tudo, ainda vai corroendo vastos sectores da sociedade, procuraria explorar dois grupos, facções e/ou equipas que fossem a antítese uma da outa e que se degladiassem entre si, tendo por base o racismo (contra os negros) e o combate ao mesmo. Desta forma, apareceriam duas tag teams com as seguintes características:

Uma primeira (com 3 elementos), recriaria, acima de tudo, aqueles tipos brutos, completamente conservadores, quase lunáticos e altamente preconceituosos. Muito à imagem e semelhança dos chamados "Rednecks" e poderia ser, esse mesmo, o nome da equipa (The Rednecks). Ora esta equipa de sulistas, adepta do Klu Klux Klan faria o seu debut atacando um wrestler local negro (algo que repetiriam ao longo das semanas e programas seguintes), argumentando que queriam um WWA branca, "limpa", sem negros.

Por sua vez, apareceria uma outra equipa, formada por wrestlers negros que se lhes oporia. Tudo começaria com um dos 3 membros que comporiam esta tag team a ser completamente assaltado e brutalizado no seu debut...no entanto, na semana seguinte, enquanto os "Rednecks" emboscavam um outro wrestler local negro, esse mesmo elemento que tinha sido assaltado na semana anterior, apareceria na plateia, cativando a sua atenção e permitindo a fuga do wrestler local...uma semana mais tarde, a situação repetia-se, mas agora o wrestler negro apareceria no screen afirmando que iria vingar-se e destruir um por um. Na semana seguinte, em 3 segmentos de backstage diferentes, cada um dos elementos dos "Rednecks" apareceriam inanimados e completamente ensanguentados. Ora, no programa seguinte, enquanto o wrestler (negro), no ringue, se vangloriava de ter completado a sua vingança, os "Redneck" apareceriam no stage e cercavam-o...aparecendo nesta altura, para fazer o save, os restantes 2 elementos do grupo "negro" que, se iriam assumir como "The Panthers" (numa clara alusão aos Black Panthers).

Ora, com estes gimmicks bem definidos e a história lançada, dava para fazer uma programação de mais uns quantos meses, sendo que as variações poderiam ser imensas. Desde logo, poderiamos assistir a um face turn dos "Rednecks" que deixariam de ser racistas e passariam a ser uma daquelas minorias que se vê altamente satirizadas e desrespeitadas...por outro lado, os "Panthers" fazendo um heel turn, poderiam deixar de lado a questão do combate contra o racismo e pela dignidade, começando a centrar a sua actuação na causa da supremacia negra...entre muitas outras histórias que se poderiam criar. O importante passa mesmo por criar gimmicks com elevado potencial e que dão uma margem de manobra bastante elevada quanto à sua utilização. Pelo meio, como é óbvio, estaria a disputa pelo WWA World Tag Team Championship.

  • Na Divisão Cruiserweight

Não sei se conhecem, se recordam e/ou se estão familiarizados com um angle que a TNA criou há uns anos atrás com as "Paparazzi Protuctions". Ora este angle consistia em pegar em lutadores jovens, da X-Division, como Jay Lethal, Chris Sabin, Alex Shelley, Shark Boy, entre outros, e coloca-los a interpretar personagens como Steve Austin, Ric Flair, Randy Savage, etc. Na minha opinião aquilo poderia ter sido tremendamente interessante se aproveitado e rantabilizado da melhor forma.

Ora, o que eu faria, para lançar esta cruiserweight division passaria muito por algo semelhante. Podem dizer que isto seria anular os wrestlers envolvidos, mas trata-se precisamente do contrário...qualquer um que procure recriar e emitar grandes lendas, as suas "cactch phrases", os seus movimentos, "entrances" e "taunts" consegue desde logo despertar para si uma enorme atenção e o objectivo seria mesmo esse...ainda que depois, quando o angle estivesse completamente esgotado, esses lutadores viessem a assumir as suas prórpias personagens e gimmicks.

Mas pensem bem na possibilidade de recriar os "dream matches" que nunca aconteceram ou de, inclusive, satirizar as grandes lendas, entre muitas outras situações. Na minha opinião seria não só uma homenagem a todos essas lendas, mas também uma enorme "vénia" ao entertenimento ver jovens wrestlers a assumir as personagens de Hulk Hogan, de The Rock, de Steve Austin, de Triple H, de Goldberg, de Shawn Michaels, de Sting, de Scott Hall e Kevin Nash, de Ric Flair...até de John Cena, entre outros. Seria, certamente, uma situação que despertaria um enorme interesse e entusiasmo dos fãs e a sua constante atenção.

  • Na Divisão Feminina

Aqui a história centrar-se-ia em duas lutadoras amigas, heel, que acreditavam ser a únicas com qualidade e direito a poder lutar e ter combates nos mais variados eventos da companhia. Pretendiam, portanto, não só ter e controlar toda a divisão feminina só para elas, como ser as suas únicas integrantes e impedir qualquer uma de lhe poder aderir.

Desta forma, durante algumas semanas, cada vez que uma lutadora independente procurava fazer o seu debut, seria assaltada, violentada e brutalizada ao ponto de desistir, logo naquele momento, de entrar para a WWA. E isto continuava a acontecer até que uma lutadora realmente resistia e ripostava, criando-se uma rivalidade entre ela e as outras duas que terminaria no WWA Wrestlemadness com a vitória da babyface (uma vez o que o show seria criado e iria para o ar em finais de Novembro, inícios de Dezembro, havia o tempo suficiente para construir todo este angle, interessante, por forma a estar tudo pronto em Janeiro aquando da realização do maior ppv da promotora). Mais tarde, certamente, outras lutadoras seriam adicionadas à divisão, com novas feuds e rivalidades, mas esta seria, na minha opinião, a melhor forma de lançar a divisão de equipas e a luta pelo WWA Women's Championship.

E vocês, o que pensam da minha promotora e do seu booking?! Que criticas lhe apontam?! O que fariam diferente?! Como seria a vossa promotora?!

Um Abraço!
Dias Ferreira

Dias is That Damn Good #182 – "O Estranho Caso de Damien Sandow"

Boas Pessoal!



Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn Good", umas das colunas com mais história na nossa CWO ;)

Ao longo dos anos, conseguimos identificar uma série de wrestlers como, na nossa opinião, não estando a ser utilizados da melhor forma ou, pelo menos, não estando a ser explorado todo o seu potencial. Comumente, chamamos-lhes lutadores "underrated". Se esta situação é, na grande maioria dos casos, encarada com naturalidade até porque sempre se verificou e irá continuar a verificar (todos temos as nossas opções e os bookers e promotores não fogem à regra), a verdade é que há casos tão gritantes de uma sub-rentabilização de determinados talentos que se torna incompreensível e inaceitável a má utilização e o péssimo booking de que os mesmos são alvo.

O caso Damien Sandow é, a meu ver, uma dessas situações, um exemplo de como a companhia negligenciou um dos seus talentos com maior qualidade e potencial. Neste sentido, e fazendo jus ao subtítulo do presente texto, aquilo que, hoje, me leva a escrever-vos é, precisamente, o modo e maneira como a WWE tem vindo a tratar Sandow, complementando a análise deste "problema" com uma reflexão, também, centrada na forma como se foi desenvolvendo o seu personagem e posição no card da empresa.

Não percam, portanto, as próximas linhas...



Quando falamos de lutadores mal aproveitados ou os classificamos de "underrated" significa, acima de tudo, que lhes reconhecemos qualidade, capacidade e potencial para desenvolver um trabalho de maior importância que aquele que estão a desempenhar. Significa, ainda e também, que compreendemos a sua utilidade para a promotora a que pertencem como sendo de uma relevância substancialmente superior àquela que a própria promotora lhe reconhece. São exemplos deste "fenómeno" aqueles wrestlers que andam perdidos no low card das companhias, servindo como jobbers ou participando, tão só e apenas, de pequenos segmentos de humor cuja importância mais não é que a de responder à necessidade de aliviar um pouco a seriedade e densidade de alguns programas, shows e ppv's. Mas podem, e devem, ser considerados exemplos desta situação também aqueles lutadores que embora tratados de uma forma séria e credível se encontram completamente estagnados no mid card das promotoras e aos quais reconhecemos valor para algo mais. Contudo, e assumindo um papel fundamental em toda esta discussão, importa também denotar quais são as características essenciais a um wrestler para que tenha futuro e potencial para chegar ao topo. Da mesma forma, é fundamental saber se aquilo que nos leva a gostar mais ou menos de um lutador e a sentir que ele está a ser bem ou mal rentabilizado corresponde a essas mesmas características indispensáveis a qualquer um que sonhe tornar-se num main eventer ou "top dog" da modalidade.

Neste sentido e balizando esses mesmas características para facilitar a nossa análise e reflexão, julgo ser aceite por todos que a questão da imagem, do carisma, do gimmick/personagem, das mic skills e in-ring skills e da capacidade para se proteger das lesões são os factores fulcrais em todo este processo. No entanto, não é de somenos importância a questão da lealdade e confiança que se assegura junto da companhia a que se pertence. Neste caso, posso até dar um exemplo recente bastante prático e fácil de compreender...quem esteve atento ao circuito independente nos últimos anos conhece, certamente, a equipa Kings of Wrestling formada por Chris Hero (Kassius Ohno na WWE) e Claudio Castagnoli (Antonio Cesaro na WWE) e também sabe que o primeiro era o lutador mais talentoso e com maior potencial da tag team. Contudo, e tendo ambos chegado à WWE praticamente na mesma altura, verificamos que o sucesso de um é inversamente proporcional ao sucesso do outro...e isso aconteceu por uma questão de confiança. Como se sabe, o Antonio Cesaro foi sempre fazendo aquilo que a empresa lhe pedia e a verdade é que tem a sua carreira completamente lançada. Por sua vez, o Chris Hero desleixou-se, recebeu vários avisos para tratar da sua imagem (corpo e forma física) e nunca lhes deu ouvidos...acabou por ver o seu contrato terminado.



Voltando ao tema central do presente texto...importa relembrar que Damien Sandow foi treinado por Killer Kowalski (o mesmo que treinou Triple H) e se há coisa que os alunos de Kowalski evidenciam de uma forma claríssima é a sua psicologia de ringue. De facto, os wrestlers treinados pelo velho Killer têm uma compreensão muito própria e especial dos combates em que estão inseridos, conseguindo transportar para os mesmos não só o seu próprio personagem, mas também as rivalidades e storylines de que tomam parte. Conseguem, ainda, envolver com a sua expressividade facial e corporal as plateias de uma forma bastante emocional e sabem, como poucos, ler e interpretar o que o público quer e aquilo que mexe com os fãs. Ora, no que toca a Damien Sandow, também ele conseguiu "herdar" todos estes ensinamentos e conhecimentos e incorpora-los nas suas ring-skills, parecendo-me óbvio que o demonstra de forma clara nos seus combates. Para além disso, é um lutador que se protege muito bem, que raramente se lesiona, e que nunca vi "botchar", sabendo, ainda, "vender" muito bem os seus adversários. Por outro lado, a imagem e porte físico de Damien correspondem claramente aos padrões clássicos da WWE e esse é um ponto que joga a seu favor. Tal como também está a seu favor, o facto de ser alguém que apresenta uma excelente capacidade comunicacional (e, por isso, umas óptimas mic skills), um carisma bastante natural e, acima de tudo, uma enorme aptência para gerar reacções nas plateias...podem adorá-lo ou odiá-lo, mas não se lhe conseguem ficar indiferente e essa é uma qualidade indispensável a qualquer "top guy". Por último, chegamos àqueles que são, na minha opinião, os seus maiores pontos fracos, sendo que, muito provavelmente, nenhum é de responsabilidade própria...o gimmick e o booking de que tem sido alvo.

Recordo que Damien Sandow regressou à WWE com um novo nome e personagem, completamente distintos daqueles que havia interpretado na sua primeira passagem pela companhia. Fez o seu debut como "The Intellectual Savior of Masses", um gimmick que, apesar do seu curto potencial, tinha tudo para gerar o "heat" necessário a um jovem heel que se estava a lançar. Sandow percorreu o seu caminho, primeiro com uma "winning streak", depois com combates mais sólidos e alguns segmentos de maior relevância, consolidou o seu estatuto e posição no card...mais tarde haveria de conquistar o Money in The Bank Ladder Match e atingir um momento fulcral para o definitivo lançamento (rumo ao topo). O ponto mais alto foi quando fez o "cash in" em John Cena num Monday Night RAW e a verdade é que para além das condições estarem reunidas para que ele conquistasse o título (seria algo inesperado e refrescante naquela altura) à época Sandow estava extremamente over. Infelizmente a WWE decidiu-se por outro caminho e rumo...John Cena apesar de muito combalido conseguiu reter o título e descredibilizar um jovem talento em ascendência clara e, a partir daí, foi sempre a descer. Ao invés de catalizar o bom momento de que Damien gozava para lhe alterar o gimmick para algo mais sério e intenso, algo com mais potencial...a booking deixou-o cair por completo. Desde então, Sandow não tem mais um personagem, limita-se a imitar algumas vedetas, a participar de alguns segmentos de humor e a servir de jobber da companhia. Ora, se isto não foi uma péssima decisão, então, realmente, não devo "petiscar" mesmo nada da coisa. Certo é que Damien Sandow vai fazer 32 anos neste Verão e está a chegar o momento para que lhe atribuam um "push" verdadeiramente consistente e coerente, está a chegar a altura de confiarem e acreditarem nele porque não o fazer é um erro tremento e um desperdício de talento como há muito não se via.

E vocês, o que pensam de Damien Sandow e da forma como a WWE o está a utilizar?!

Um Abraço,
Dias Ferreira


Dias is That Damn Good #181 – "Estereótipos e Controvérsia"

Boas Pessoal!



Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn Good", uma das colunas com mais história na nossa CWO ;)

No Pro Wrestling, para além do atleticismo e da capacidade atlética dos seus intervenientes, entre outras, a questão dos Gimmicks/Personagens, das Storylines e das Rivalidades sempre assumiram um papel chave e preponderante. De facto, são estas características que, em grande medida, nos aproximam ou afastam de determinado wrestler, são elas que nos fazem querer ver o confronto entre dois ou mais lutadores, em última análise, são elas que devem moldar os combates e, por consequência, todo o espectáculo que enquadra a própria modalidade. Neste sentido, podemos dizer que as temáticas que estão na génese de qualquer gimmick, storyline e/ou rivalidade assumem determinante e fundamental importância.

Dito isto, aquilo que vos proponho ao longo do presente texto será, portanto, uma reflexão e abordagem sobre os assuntos e matérias que, de uma maneira ou de outra, poderiam refrescar o produto que as diversas promotoras de Pro Wrestling, hoje, nos oferecem. Procurarei, ainda, de forma mais superficial, enquadrar nesta mesma análise os temas que na actualidade e num passado recente estão na génese das mais diversas feuds, personagens e histórias.

Não percam, por isso, as próximas linhas...



Como referi, na introdução ao presente texto, não basta aos wrestlers serem capazes de montar um combate repleto de acrobacias e grandes spots para que ele seja realmente bom, da mesma forma que essa situação nunca chegará para convencer os fãs e espectadores de ocasião a querer ver o embate entre ambos. É o personagem que desempenham e a história que os envolve que, de uma maneira ou de outra, desperta o interesse do público e os leva a querer comprar bilhetes e/ou PPVs para poder assistir a determinado combate. Do mesmo modo que, é a forma como se desenvolve a história da rivalidade entre os lutadores que condiciona e limita (ou pelo menos deveria ser assim) a construção desse mesmo combate. Relembro que o Pro Wrestling não trata de proporcionar uma luta verdadeira entre reais adversários, trata sim de montar um espectáculo encenado onde os wrestlers contam uma história com o seu corpo dentro do ringue (ou fora dele, se for esse o caso). Desta forma, compreende-se que, para além do carisma, das mic skills e da capacidade atlética de cada um, a personagem escolhida pelo lutador e as histórias em que este se vê envolvido assumirão um papel determinante na reacção que este, por sua vez, conseguirá gerar nas plateias, no público, nos espectadores, nos fãs. E o maior ou menor poder de atracção de um combate reflectirá, sempre, este paradigma.

Por outro lado, a história da modalidade mostra-nos que as temáticas presentes nas diversas storylines e rivalidades (o mesmo vale para os gimmicks) dotam as mesmas de mais e maior impacto consoante for o seu grau de realismo e actualidade no que respeita ao ambiente e sociedade em que se vive. Ora, com isto, o que realmente pretendo dizer é que se os gimmicks escolhidos para moldar determinado wrestler não reflectem um estereótipo característico da época e sociedade em que vivemos, muito dificilmente esse mesmo lutador conseguirá gerar fortes reacções nos fãs e retirar grande proveito do personagem que interpreta. O mesmo serve para as Storylines e Rivalidades...se estas não tocarem em temas polémicos, controversos e fracturantes da sociedade em que se vive, o seu potencial será sempre, irremediavelmente, menor. Para melhor compreender-mos esta situação, basta verificar-mos que o produto que era tido por genial nos anos 70 já não se adequava aos anos 80 e que, por sua vez, o modelo implementado nos anos 80 deixou de fazer sentido nos anos 90. Mais concretamente, percebemos que os gimmicks e histórias cartoonizadas da WWE dos anos 80 não conseguiram colher grande apoio e entusiamo nos anos 90, daí que a empresa tenha sentido necessidade de mudar e adoptar a famosa Attitude Era. Na WCW sucedeu exactamente o mesmo, teve de haver uma actualização de conteúdos, deixando de parte as rivalidades e histórias que tanto sucesso tiveram nos anos 80, para que a promotora conseguisse voltar a crescer e a atingir o desejado sucesso.



Hoje, contudo, ao olharmos para os wrestlers e storylines das duas maiores promotoras da modalidade, percebemos que há uma grande negligência no que respeita a esta situação. De facto, os conteúdos e temáticas escolhidos, salvo raras excepções, na formação de gimmicks e rivalidades estão de tal forma desfazados da sociedade em que vivemos e dos valores que ela advoga, que a estagnação e o retrocesso (relativamente ao ambiente que envolve a modalidade) têm vindo a dominar flagrantemente o produto dos últimos 10 anos. É muito raro encontrar storylines que não se centrem apenas no wrestling em si e que não negligenciem as problemáticas do mundo que nos rodeia...os confrontos são quase todos originados pela disputa de títulos ou resultantes de vinganças decorrentes dos embates na luta pelos mesmos, tornando-se tremendamente repetitivos e enfadonhos...impendindo, consequentemente, que os fãs os vejam como algo novo e que têm obrigatoriamente de assistir. Recentemente, numa entrevista, Christopher Daniels dizia que não compreendia como a TNA podia ter optado pelos "Broman's" ao invés da equipa que ele formava com Kazarian, uma vez que ele e o seu parceiro eram muito melhores wrestlers. Ora, estas palavras de Daniels denotam uma outra realidade, a de que são os próprios wrestlers da nova geração (da geração pós-Monday Night Wars) que não compreendem o fenómeno que tenho vindo a abordar ao longo do texto. A TNA optou pelos "Broman's" e fê-lo muito bem...de facto, no ringue, não são tão bons como os "Bad Influence", no entanto, eles retratam um estereótipo da sociedade actual, eles têm um gimmick na qual os fãs e jovens de hoje se revêm e, por mais estúpidos e/ou odiosos que possam parecer, como heels desempenham o seu papel com enorme brilhantismo...já para não dizer que as suas in-ring skills não são nada más. E eu, mesmo não conhecendo os números, aposto que os "Broman's" conseguem bons ratings para a TNA, certamente, melhores ratings que aqueles que os "Bad Influence" alguma vez conseguiram.

Ainda assim, parece que o único estereótipo e controvérsia que as promotoras nunca deixaram de lado e de procurar explorar, foi o do trabalhador a quem o patrão faz constantemente a vida negra e que se vê recorrentemente ameaçado pelo mesmo. E a verdade é que esta é uma controversia/polémica que será sempre actual e comum a qualquer sociedade, uma situação que dará proveitos mesmo quando utilizada 1, 2 e 3 vezes...veja-se o caso de Daniel Bryan, como exemplo, se não foi semelhante ao de John Cena e anteriormente ao de Steve Austin. Certo é que, em ambas as situações, o sucesso foi sempre tremendo. Mas, na minha opinião, não chega, é muito curto. É necessário estudar bem a sociedade global em que vivemos e descortinar quais os seus grandes problemas, quais os seus temas mais fracturantes, quais as matérias que criam maior polémica e controvérsia...até porque, como diz Eric Bischoff no seu livro, "Controversy Creates Cash", mas também "Buzz", pavilhões lotados, toneladas de vendas de merschandising e um ambiente em redor da modalidade muito mais entusiástico e saudável. E mesmo que não consigam encontrar algo de verdadeiramente inovador, existe sempre a possibilidade de nos agarrar-mos aos velhos esterótipos e preconceitos universais, aqueles que dificilmente não estarão presentes e marcados nas mais diversas sociedades...o racismo (especialmente contra os negros), a homossexualidade, a violência doméstico-relacional machista, as minorias étcnicas, aos grupos mais satirizados de determinada região/estado (como os Rednecks do Texas), entre muitos outros. Mas é bom que entendam esta situação rápido e que façam algo para mudar o actual rumo dos acontecimentos porque o produto está chato e enfadonho como tudo e, acima de tudo, porque o "business" está num "coma" profundo.


E vocês, quais os temas facturantes (estereótipos e controversias) que gostariam de ver tratados nos gimmicks, feuds e storylines?!


Um Abraço!
Dias Ferreira



Dias is That Damn Good #180 – "TNA Crossroad"

Boas Pessoal!


Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn Good" uma das colunas com maior história na nossa CWO ;)

Desde a sua criação em 2002, na ressaca da aquisição da WCW por parte da WWE de Vince McMahon, que a TNA se viu numa enorme encruzilhada, estando a jovem companhia obrigada a tomar decisões críticas, que sempre colocavam em causa a sua própria viabilidade, de forma quase sistemática.

Foi, portanto, neste ambiente de constante sufoco que a empresa de Orlando cresceu, ganhou o seu público e se consolidou. Ora, também por isso, aquilo que é a sua estrutura, organização, produto, gestão de recursos humanos, booking e maneira de estar na modalidade reflecte essa situação.

Assim, o que me proponho abordar ao longo do presente texto serão os pontos críticos e oportunidades que a empresa de Dixie Carter enfretou num passado recente, como também os grandes desafios que hoje se lhe colocam e que serão determinantes, mais uma vez, para a própria existência da companhia no futuro próximo.

Não percam, por isso, as próximas linhas...


A história da TNA, como disse anteriormente, foi feita de constantes sobressaltos desde a sua génese. A companhia nasceu num período em que a WWE tinha monopolizado quase por completo o mercado norte-americano, com as aquisições da ECW e da WCW, deixando um espaço bastante condicionado às restantes promotoras que resistiam e àquelas que procuravam dar os seus primeiros passos...Faltava, ao mesmo tempo, coragem e vontade de assumir riscos às grandes cadeias de televisão para apostar num produto que muito dificilmente conseguiria competir com a gigante de Vince McMahon. A escolha de Jeff Jarrett e seu pai (na altura donos da empresa) para fazer face a este domínio da WWE no mercado televisivo, passou então pela transmissão dos seus eventos/shows em PPV num registo semanal. O clima e ambiente em redor do Pro Wrestling, numa altura em que se vivia o fim das Monday Night Wars e o rescaldo da Attitude Era, ainda era extremamente favorável à modalidade e, por isso, apesar de todos os riscos que o lançamento de uma nova promotora acarretavam, a oportunidade de se constituir em algo diferente daquilo que era apresentado pela WWE e, ao mesmo tempo, assumir-se como uma alternativa, afigurava-se tremenda. A TNA enfrentou, nesta altura, diversos problemas de viabilidade financeira e, certamente, essa situação influenciou de sobremaneira a escolha do roster que a constituiu no seu início (um sem número de jovens wrestlers, sem grande experiência e/ou visibilidade)...mas terá aguçado também a imaginação e a compreensão de que seria necessário apresentar algo diferente para poder sobreviver.

Neste ponto, a companhia com maior ou menor acerto, esteve bem...conseguiu, de certa forma, crescer e solidificar-se (tornou-se maior que qualquer outra indy e atingiu uma dimensão global), embora nunca tenha assegurado um desejável sossego do ponto de vista do garrote financeiro, que a sufocava, e do mercado televisivo, que teimava em não se lhe abrir. Contudo, também nesta fase e período a TNA desperdiçou um sem número de oportunidades para criar um roster com verdadeiro star power e capaz de mediatizar os seus shows e produto. Porque se é um facto que Jeff Jarrett teve primeiramente diversas dificuldades em encontrar talentos, não é menos verdade que nos primeiros meses e anos de existência da promotora, passaram pelas suas fileiras lutadores de enorme qualidade e com uma visibilidade bastante considerável. A WWE nunca conseguiria manter no seu roster tantos talentos quantos continham os planteis da ECW e da WCW, nem evitar pequenas guerras e intrigas que levassem outros tantos wrestlers a incompatibilizar-se com a companhia. Como disse, a TNA teve aqui uma grande oportunidade de agarrar o que de bom a WWE não aproveitara e não o conseguiu fazer...pelo menos de forma consequente. Relembro que nos primeiros anos da empresa de Orlando passaram pelas suas fileiras tipos como Scott Hall, Kevin Nash, Diamond Dallas Page, "Macho Man" Randy Savage, "Mr. Perfect" Curt Hennig, os New Age Outlaws, Sting, Scott Steiner, Raven, Rick Steiner, os Duddley Boys (ou Team 3D), "X-Pac" Sean Waltman e o próprio Jeff Jarrett, entre muitos outros. Portanto, o booking da empresa e a forma como esta não soube tirar partido de todos estes grandes nomes da modalidade, também colocam sobre a sua responsabilidade o facto de não terem, neste período em concreto, sabido dar um verdadeiro salto qualitativo, mediático e dimensional. Este período exigiu da TNA uma decisão crítica quanto àquilo que ela quereria vir a ser e a verdade é que mesmo tendo sobrevivido e continuado a crescer, não tomou a melhor decisão e deitou por terra uma excelente oportunidade para, nesse momento, reescrever a história da modalidade.


Certo é que essa fase de "boa graça" do wrestling passou e se entrou num período de menor entusiamo e de estagnação no que respeita à modalidade. A resposta estratégica da TNA a este mesmo estado de coisas passou por uma aposta forte na X-Division (algo semelhante à Cruiserweight Division), na divisão feminina e na divisão de equipas...solidificando o seu crescimento, também, com o recurso a 3 ou 4 grandes nomes oriundos da WWE e da antiga WCW. E foi assim que a companhia, finalmente, conseguiu chegar ao mercado televisivo, através de um acordo com a Spike TV, atingindo um dos objectivos fundamentais para qualquer promotora deste ramo. O programa, TNA iMPACT (mais tarde Impact Wrestling), começou por ter apenas 45 minutos de duração tendo sido, posteriormente, alargado para os clássicos 90 minutos. Nesta altura, reforçavam o plantel da empresa lutadores como Christian e, sobretudo, Kurt Angle (que viria a ser a atracção principal da TNA durante largos anos), aos quais se juntariam mais tarde Booker T e Mick Foley. Neste sentido, se é um facto que a mediatização da companhia e dos seus shows progrediam de forma bastante lenta (não apenas devido ao ambiente "frio" que o apoio à modalidade vivia mas, sobretudo, às péssimas opções de booking), não é menos verdade que se iniciou uma storyline com um potencial enorme para catapultar a companhia...os Main Event Mafia. A storyline que, relembro, consistia num grupo de super estrelas dentro da TNA (Kurt Angle, Sting, Kevin Nash, Booker T e Scott Steiner) que queriam tomar o controlo de tudo, encontrando a oposição dos jovens que estavam na empresa desde a sua criação (ou quase) e que a tinham ajudado a crescer (AJ Styles, Samoa Joe, Abyss, Beer Money Inc., entre outros). O facto é que, mais uma vez, por más opções de booking, esta storyline nunca atingiu todo o potencial que se lhe conhecia e pouco ou nada contribuiu para a afirmação dos jovens wrestlers que enfrentaram as lendas. Apesar de tudo, e mesmo participando de angles e/ou storylines sem grande consequência prática, a verdade é que AJ Styles, Samoa Joe, Abyss, James Storm e Bobby Roode (Beer Money Inc.) foram ganhando o seu espaço e ao poucos tornaram-se os primeiros main eventers com "selo" TNA...sem que, no entanto, qualquer deles conseguisse afirmar-se como um verdadeiro drawer.

Com as posteriores entradas de Hulk Hogan, Eric Bischoff e Ric Flair na empresa, viveu-se um período de grande crença e esperança num maior e mais rápido crescimento da mesma. E, de facto, a chegada destes nomes enormes da modalidade permitiam pensar que o potencial desenvolvimento da TNA e a sua capacidade de mediatização ficariam altamente inflamados. Certo é que, com eles, chegariam também Jeff Hardy (na altura oriundo de uma fase na WWE em que se estava a estabelecer como uma das maiores estrelas da companhia e, por isso, bastante over junto dos fãs), mas também, infelizmente, um chorrada de outros wrestlers conhecidos, embora algo acabados e com muito pouco para "emprestar" e/ou contribuir. E se numa fase inicial as coisas realmente acompanharam as expectativas (tendo, por exemplo, os ratings crescido dos 0.8 para os 1.3, em média e o iMPACT passado a ser transmitido em directo, assim como a "ir para a estrada"), a verdade é que, mais uma vez, as opções de booking acabariam por esgotar todo este "balão de oxigénio". E esgotaram o "balão de oxigénio", porque as decisões tomadas, no que toca às rivalidades e storylines, se revelaram de tal forma inconsequentes que, em poucos meses, tinham secado por completo o "gasóleo" de Hulk Hogan, Eric Bischoff, Ric Flair e Jeff Hardy. Exemplos desta situação são as utilizações exageradas de Hogan e Flair (que deviam ser uma atracção pontual e não full-time figures), os constantes face turn e heel turn de Jeff Hardy e a pouca inteligência na utilização de Eric Bischoff (authority figure, ou General Manager, heel do mais alto nível). Ainda assim, chegaria, depois, uma outra storyline brilhante e com tremendo potencial...os Aces and Eights. Centrada num grupo de motards fora da lei que pretendiam tomar conta do iMPACT e destruir a TNA, a história tinha tudo para dar certo, se ao entusiasmo gerado em redor do grupo e do prórprio facto de os seus membros esconderem misteriosamente as suas identidades, tivessem sido escolhidos jovens talentos de elevado potencial para lhes pertencer. Infelizmente, todos sabemos que assim não sucedeu...a TNA preferiu atribuir essa storyline e push a lutadores já feitos (com a exepção de 2 ou 3 jovens sem qualquer qualidade – como Wes Briscoe ou Garrett Bischoff) e perdeu a oportunidade de criar sementes portentosas para o futuro da companhia...o resultado foi o esperado, sem sangue novo, a história esgotou-se e retundou em nada.

O que se seguiu foi um quase cataclismo...as grandes estrelas e nomes mais apelativos abandonaram a companhia em catadupa, os problemas financeiros voltaram a estar na ordem do dia com maior predominância e o show semanal viu-se obrigado a regressar à iMPACT Zone. O momento, que perdura, é, portanto, de reorganização e de reestruturação da TNA. No entanto, apesar de tudo, a empresa continua a contar no seu roster com belíssimos talentos como Samoa Joe, James Storm, Bobby Roode, Bully Ray, Jeff Hardy, Abyss, Bobby Lashley, MVP, Kurt Angle, Mr. Anderson, Magnus, Austin Aries ou Gunner, entre outros. Por isso, como sempre, não lhe faltará matéria-primeira de qualidade para fazer um bom trabalho, apresentar um produto apelativo e reencontrar o caminho do crescimento e do sucesso...isto se, e apenas se, nos momentos chave as decisões críticas que tomar não forem, mais uma vez, simplesmente, aqueles que "desenrascam", mas sim as que permitam rentabilizar ao máximo os seus talentos, programas e ppvs. Porque é incrível como, ao longo dos seus 12 anos de existência, a TNA nunca tenha sabido e/ou conseguido criar uma estrela sua que se constituísse num verdadeiro drawer...pode-se dizer que a WWE tem outras "ferramentas" e capacidades, mas a verdade é que desde sempre se preocupou em criar as suas super-estrelas, aquelas que seriam a cara da companhia e recordo que, por exemplo, desde 2005 já tivemos Batista, John Cena, Jeff Hardy (por breves momentos), CM Punk e agora Daniel Bryan (futuramente, quase aposto, Roman Reigns). A companhia de Orlando nunca se preocupou com este aspecto...conseguiu superar esta situação com o "recrutamento" de Kurt Angle e, posteriormente, com a chegada de Hulk Hogan...mas bolas, já é hora de "criarem" um personagem/wrestler realmente grande e aglutinador...só isso fará a companhia crescer e retomar o caminho do sucesso.

E vocês, face à história da TNA e aos desafios que se lhe colocam, que caminho acreditam dever a promotora seguir nesta "crossroad"?!


Um Abraço!
Dias Ferreira

Dias is That Damn Good #179 – "A Afirmação de Reigns"

Boas Pessoal!



Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn Good", uma das colunas com mais história na nossa CWO ;)

Há muito que não vos escrevo, nem participo dos fóruns de discussão e/ou caixas de comentários do Wrestling Notícias...e se a minha disponibilidade já não é a de outros anos, também reconheço que prefiro utilizar o pouco tempo livre que me resta para abordar assuntos ou temas que realmente despertem o meu interesse e entusiasmo enquanto fã de Pro Wrestling....

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