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quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Dias is That Damn Good #187 – "Quem Matou a WCW?!"

Boas Pessoal!



Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn Good", a coluna com mais história na nossa CWO ;)

Se há coisa que, enquanto fã de Pro Wrestling, procuro fazer é obter o máximo de conhecimento e saber a respeito da indústria e seus praticantes. Neste sentido, acreditem quando vos digo que perco horas e horas a fio, não só a ver os shows semanais e ppvs das mais diversas promotoras, mas também a visionar os dvds, os documentários e as shoot-interviews, assim como a ouvir os mais variados podcasts e a ler os mais diversos blogues. Desta forma, se há algo que posso testemunhar de comum entre todos estes programas e que os liga, é o facto de haver sempre, ou quase sempre, uma pergunta que se continua a fazer, com mais frequência que as restantes, que é, invariavelmente, a questão do encerramento da WCW e do responsável ou responsáveis por esse acontecimento.

Normalmente, respondendo a esta problemática, surgem sempre quatro grandes nomes...o de Vince McMahon, o de Eric Bischoff, o de Vince Russo e o da AOL. Ora, será, desta forma, na procura de reflectir sobre o papel que cada um dos actores anteriormente mencionados desenvolveu e que responsabilidade teve no encerramento da WCW que irei focar o presente texto...tentanto, ainda, numa conclusão, apresentar e nomear aquele que acredito ter sido o verdadeiro responsável pela morte da companhia.

Não percam, portanto, as próximas linhas...



  • Vince McMahon

Nos finais dos anos 70 e no decorrer dos anos 80 Vince McMahon comprou um sem número de guerras. Na tentativa de dotar a sua WWE de uma exposição à escala global e de a tornar numa main stream da indústria, o, ainda jovem, empresário sufocou e garroteou, quase por completo, as várias promotoras que, à época, estavam distribuídas pelos mais diversos territórios, sendo que cada uma delas dominava aquele em que actuava. Consequentemente, Vince McMahon foi adquirindo promotora a promotora e conquistando território a território, até haver quase só a WWE e a Jim Crockett Promotions. Ao que parecia, a guerra teria terminado por ali. Na mesma altura, a WWE crescia a olhos vistos e a modalidade, acompanhando-a, entrava num boom incrível, alcançando um mediatismo e um sem número de fãs e seguidores até então nunca antes registado. Por seu turno, a Jim Crockett Promotions, depois de 3 ou 4 anos ao melhor nível, tentou dar um salto dimensional (fazer algo semelhante à WWE), no entanto, devido a problemas de viabilidade financeira, esse salto falhou e a companhia enfrentou problemas de tal forma graves, que teve de ser vendida. E é aqui que se inicia ou se reínicia a guerra entre promotoras, pois a Jim Crockett Promotions, que passaria a chamar-se World Championship Wrestling (WCW), foi adquirida por Ted Turner o dono da gigantesca cadeia de televisões TBS e CNN. Por má gestão, os primeiros anos da WCW não foram de grande relevância e a companhia nem alternativa conseguia ser relativamente à WWE, contudo, quando em meados de 1993 a empresa tornou Eric Bischoff seu Vice-Presidente, tudo iria mudar. A WCW iniciava uma guerra total com a WWE, recrutando todos os grandes nomes da empresa de Vince McMahon e apresentando um produto bastante mais inovador, refrescante e apelativo. A WWE foi-se abaixo e a WCW estava no topo. Ora, essa situação obrigou Vince McMahon a mudar, a preparar-se e a entrar, mais uma vez, numa guerra...assim foi, a WWE lançou a Attitude Era e, de uma maneira ou de outra, deu a volta por cima, superou a sua rival e, num golpe de misericórdia, adquiriu-a a um preço ridiculamente insignificante. Vince McMahon fez o que qualquer um, na sua posição faria, defendeu-se. Se depois esteve bem ao adquirir a sua única rival, acredito que a grande maioria, na sua posição, tivesse feito o mesmo...mas a história e a actualidade vieram comprovar que foi um erro, um erro para a qualidade do produto, um erro para os wrestlers, um erro para a WWE e, acima de tudo, um erro para o business e seus fãs.

  • Eric Bischoff

Eric Bischoff foi um génio, um visionário a quem muito devemos e podemos agradecer o facto da modalidade se ter tornado num fenómeno à escala mundial e ter atingido máximos históricos no que aos números, simpatizantes, seguidores e fãs diz respeito. Eric revolucionou e transformou a indústria por completo, tornando-a num business muito mais profissional, moderno, inovador e criativo e, também, por isso, bastante mais interessante e apelativo. A sua estratégia agressiva para com o mercado e a WWE, permitiu o desenvolvimento de storylines, rivalidades e momentos inesquecíveis, épicos e conseguiu transformar uma WCW, constantemente envolta de problemas e adormecida, numa main stream completamente dominadora, que arrasava a sua concorrência. No entanto, nem tudo são rosas e, como é normal, Bischoff também cometeu inúmeros erros...desde logo, na forma como elaborou os mais variados contratos das grandes estrelas e talentos da empresa e pelo modo como não conseguiu adaptar os produtos e conteúdos da WCW à resposta dada pela WWE com a Attitude Era. Contudo, julgo que não pode ser responsabilizado por uma série de acontecimento de fundamental importância no desfecho do processo que levou ao encerramento da WCW. É preciso recordar que a meio do ano de 1999, quando Eric Bischoff foi destituído da vice-presidencia da companhia e demitido, a empresa ainda apresentava números e lucros bastante elevados, encontrando-se, também, apesar de tudo, muito próxima daqueles que eram apresentados pela WWE. Quando, mais tarde, foi convidado a regressar à WCW e o aceitou, agora numa posição meramente ligada ao processo criativo, teve de partilhar as suas funções com Vince Russo, o que tinha tudo para não dar certo, uma vez que ambos tinham uma visão e estratégia para a modalidade completamente distinta. Na altura, a companhia já se encontrava bastante desgastada e inundada de problemas, sendo muito dificil ou praticamente impossível dar um contributo maior que aquele que Bischoff deu. Num último acto, quando se sabia que a detendora da WCW queria vender a companhia, Eric ainda procurou, com parceiros, a aquisição da empresa e fê-lo saber junto dos seus donos, tendo apresentado uma proposta com valores substancialemnte superiores áqueles pelos quais a promotora viria a ser vendida. Contudo, o facto da AOL Time Warner se recusar a manter os shows da WCW na programação dos seus canais deitou por terra todo e qualquer acordo com Eric Bischoff, o que se compreende, afinal de contas, qual era o valor da WCW sem a possibilidade de transmitir os seus eventos e shows num mercado televisivo de grande dimensão?! Podemos, portanto, dizer que apesar dos erros cometidos, a responsabilidade de Eric Bischoff no desmantelamento da WCW é bastante diminuta e que, em última análise, ele foi o único que ainda a tentou lutar pela sua subsistência, comprar e salvar.



  • Vince Russo

Vince Russo foi o génio por detrás da Attitude Era e, por consequência, pela revolução no produto da WWE e pela resposta dada à ofensiva da WCW. Foi ele quem, em conjunto com Vince McMahon e o seu colega Ed Ferrara, construíram os momentos mais memoráveis da Attitude Era, bem como os personagens, gimmicks, angles, segmentos, rivalidades e storylines que decorreram em grande parte da mesma. O seu produto, fortemente marcado pelo crash tv, pelas conotações sexuais e por uma maior abordagem de temas polémicos e fraturantes da sociedade norte-americana, foi revolucionário e, por isso, também ele tem uma forte responsabilidade no crescimento e desenvolvimento da modalidade, no substancial aumento de qualidade do business e, consequentemente, no período de maior fertilidade e entusiamo vivido em redor da indústria. Vince Russo chegou à WCW a meio de 1999, como o próprio reconhece, em completo burn out, para susbstituir Eric Bischoff. Nesta altura, se por um lado as expectativas eram tremendas em redor da sua contratação e o produto ainda tinha capacidade e qualidade para dar a volta à expiral negativa em que a WCW tinha mergulhado, por outro, não só o desgaste que Russo e Ferrara traziam de longos anos na WWE como todos os problemas no seio da companhia (originados, sobretudo, a partir da fusão entre a AOL e a Time Warner), impediram que se tivesse desenvolvido um trabalho de sucesso. Desta forma, Vince Russo enfrentou diversos problemas no backstage, proporcionados especialmente pelos maus hábitos de "politicagem" que se tinham desenvolvido no interior da empresa, pela total ausência de liderança e de uma voz de comando a quem assacar responsabilidades e ordens, e acabou por se incompatibilizar com as duas maiores estrelas da WCW, Hulk Hogan e Goldberg. Consequentemente, com o seu percurso abalado, viria a ser afastado da companhia, não que, sem antes, apesar de tudo, o ratings do WCW Nitro e do WCW Thunder tenham crescido à volta de um ponto. Mais tarde, e como já foi referido, voltaria com Eric Bischoff, mas nessa altura, já nada havia a fazer, esperando-se, apenas, saber quem seria o futuro dono da WCW e que novo rumo e futuro este lhe iria dar. Desta forma, conseguimos compreender que, apesar de esgotado e de ter criado alguns problemas de backstage evitáveis, Vince Russo nunca teve uma real oportunidade de alterar o rumo dos acontecimentos e que, apesar de tudo, ainda tentou...talvez se ao nível das suas estruturas as coisas se tivessem acertado e quem dirigisse apostasse numa estratégia de médio/longo prazo as coisas podiam ter dado certo, afinal de contas, com Russo ao leme, em poucos mais de 3/4 meses, os ratings acabaram por subir de forma algo considerável.

  • A AOL

Para quem não sabe, a AOL entrou neste processo, quando se iniciou a sua fusão com a Time Warner (detentora da WCW). Quando a unificação das suas empresas ficou celada, Ted Turner (o grande adepto e defensor do Pro Wrestling e, por consequência, da WCW) perdeu muito do seu poder e relevância, tendo-se afastado gradualmente. No mesmo sentido, os novos directores e executivos da AOL (agora AOL Time Warner) começaram a delinear as suas primeiras estratégias e planos, ficando desde a primeira hora claro que o wrestling não seria nunca uma prioridade para a companhia e que esta estaria interessada em desfazer-se dele. Ora, foi na sequência de todo este processo que Eric Bischoff entrou numa série de desentendimentos e discussões com os responsáveis da AOL, situação essa que lhe custou o cargo que desempenhava e o próprio emprego. Da mesma forma, foi a negligência da AOL para com a WCW que permitiu o clima de anarquia que se vivia nos processos de tomada de decisão e que, por sua vez, impossibilitaram Vince Russo de trilhar o caminho que tinha traçado para o ressurgimento em força da WCW. Quando já era público e sabido que a AOL iria vender a WCW, foram também os seus administrações que impediram que as negociações com Eric Bischoff e a Fusion chegassem a bom porto, negando-lhes a possibilidade de transmitir nos seus canais o WCW Nitro e o WCW Thunder. Por último, e tendo rejeitado uma proposta de Bischoff que rondava os 6,5 milhões de dólares, foi a AOL quem decidiu vender a WCW a Vince McMahon por um preço bastante abaixo da proposta de Bischoff e infinitamente inferior ao real valor da companhia (à volta de 2/3 milhões de dólares).

Conclusões

Na minha opinião, e pelo que pude explicar ao longo das linhas anteriores, de uma forma ou de outra, os quatro nomes envolvidos acabaram por ter influência no processo que levou ao fechar de portas da WCW. Contudo, também podemos concluir que as responsabilidades de Vince McMahon, Eric Bischoff e Vince Russo são bastante diminutas e que, muito dificilmente, podem ser constituídos como principais e verdadeiras causas e razão para o desfecho a que se assistiu. Por outro lado, acredito que o papel e a postura que a AOL adoptou, desde o início, para com a WCW, a negligência e desdem com que a tratou e o facto de se querer desfazer por completo de qualquer ligação à indústria do Pro Wrestling, assume-se como a razão fundamental para a queda da main stream, a sua venda a Vince McMahon e consequente encerramento.

E vocês, quem julgam ter "assassinado" a WCW?!


Um Abraço!

Dias Ferreira


PS - Se puderem, deixem indicações e sugestões de temas que gostariam que eu abordasse.

Dias is That Damn Good #186 – "A Geração NXT"

Boas Pessoal!



Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn Good", a coluna com mais história na nossa CWO ;)

No Pro Wrestling, como acontece nos mais variados quadrantes socio-profissionais da nossa sociedade, as gerações vêm e passam, criando diversas expectativas com o seu advento e deixando um legado para posteriormente avaliarmos.

Neste sentido, e porque é a geração NXT que, agora, começa a conquistar o seu espaço e a afirmar-se na WWE (a maior de todas as promotoras da indústria), será sobre ela que recairá a análise que me proponho realizar ao longo do texto que, agora, vos apresento.

Não percam, portanto, as próximas linhas...



Como disse anteriormente, as gerações vêm e passam, deixando uma marca indelével das suas qualidades e capacidades e da forma como estas contribuíram para a afirmação e consolidação do pro wrestling como modalidade e indústria de relevância à escala global. De Bruno Sammartino a Billy Graham, de Hulk Hogan e Roddy Piper a Bret Hart e Shawn Michaels, de Steve Austin, The Rock e Triple H a John Cena, eis os nomes maiores das mais diversas Eras e gerações que nortearam a história da companhia de Vince McMahon e, por consequência, do business. Mas não é apenas aos grandes drawers que devemos e pretendo limitar a reflexão que estou a fazer, eles foram de facto os nomes maiores da suas Eras, no entanto, as gerações são recordadas e lembradas pela sua coesão e qualidade como um todo, pela capacidade de proporcionar maior ou menor espectáculo e de criar maior ou menor entusiasmo em seu redor...em último caso, pelo modo e forma como conseguiram, ou não, revolucionar a modalidade e interpretar os desejos dos fãs às épocas em que estavam no activo. Neste sentido, e uma vez que as gerações e Eras dos anos 70, 80 e 90 já se encontram exaustivamente escalpelizadas, centremos o nosso foco na geração que marcou a primeira década do novo milénio e, inclusive, metade daquela em que vivemos, mas, sobretudo, no advento da geração NXT.

A primeira década do novo milénio foi um período marcado por diversos acontecimentos, de fundamental importância, que tiveram efeitos muito negativos na indústria. Recordo que foi no decorrer dos anos 2000 que as Monday Night Wars e a Attitude Era terminaram, como consequência do encerramento da WCW. Foi nos anos 2000 que um sem número de territórios e históricas promotoras fecharam portas e a WWE "institucionalizou" o seu monopólio, resultando esta situação numa ausência, quase total, de concorrência e alternativas as quais apenas a TNA, de certo modo, conseguiu fazer frente e amenizar os prejuízos. Por último, foi ainda no decorrer dos anos 2000 que o produto começou a ser condicionado pelo PG Rating e a qualidade das storylines e rivalidades, salvo raras excepções, começou a cair. Ora, se todos estes acontecimentos que estive a enumerar, aparentemente, nada dizem sobre o tema central do presente texto, deixem-me esclarecer-vos que eles se revelam fundamentais para compreender as dificuldades e problemas que estiveram na origem da formação e lançamento da geração liderada por John Cena. Em primeiro lugar, o encerramento da WCW liquidou, praticamente, a concorrência, deixando de haver pressão no sentido de apresentar o melhor dos conteúdos e, por isso, uma preocupação muito menor com a criação de storylines e angles memorávies. Em segundo lugar, ainda a respeito do encerramento da WCW, importa reconhecer que o roster com a WWE passou a contar, excessivo em número e qualidade, tornava difícil a afirmação de novas estrelas e, ainda mais complicada, a consolidação das mesmas. Em terceiro lugar, e na mesma linha de pensamento, o facto de terem praticamente deixado de existir territórios de considerável dimensão, abriu um gap profundo na formação de jovens talentos e na experiência que os mesmos necessitavam para não chegarem completamente "verdes" a uma main stream...e ficou provado que os territórios de desenvolvimento não conseguiram dar a resposta que deles se esperava. Por fim, a institucionalização do PG Rating impôs diversas limitações aos wrestlers no desenvolvimento da sua actividade, custando essa situação, acima de tudo, aos mais jovens e mais necessitados de deixar a sua marca e impacto. E foi assim que chegámos a 2006, ao início da Era onde predominava a geração liderada por John Cena.



Ora, como ficou demonstrado ao longo dos parágrafos anteriores, esta geração enfrentou, talvez, aquele que foi o período mais difícil da história da modalidade. Eles foram, praticamente, atirados aos lobos, sem grande preparação, sem a preocupação de lhes atribuir storylines e gimmicks com real potencial e esperando, que mesmo assim, conseguissem impor-se e ter resultados imediatos. Algo que, a meu ver, e de resto, comprovou-se ser impossível. Não me interpretem mal, de 2006 para cá, a WWE continuou a contar com enormes estrelas e talentos...continuou a contar com Triple H, Shawn Michaels e Undertaker e conseguiu manter Chris Jericho, Edge e Batista...mas estes foram e são nomes de uma outra geração, de uma outra época (à exepção de Batista que, apesar de ser ainda mais velho que Triple H, fez o seu debut tardiamente) que, felizmente, estiveram presentes para amenizar os problemas. Porque se avaliar-mos bem toda esta questão, verificamos que da geração do novo milénio, apenas podemos destacar John Cena, Randy Orton, CM Punk e, num patamar algo inferior, Sheamus, como aqueles que realmente conseguiram ter sucesso e impacto na WWE...no mid card, na tag team division, no low card e na Women's Division, foi um deserto total de aproveitamento. Porque, de facto, a falta de preparação dos novos talentos e o difícil contexto em que foram lançados raramente nos deixou acreditar que estivesse-mos perante grandes estrelas, a própria WWE não acreditava neles. E, assim, ao chegarmos a 2010, com algumas reformas forçadas e outras semi-reformas anunciadas de talentos chave, deparámo-nos com uma enorme falta de star power e, até, de qualidade no que ao roster e próprio produto diz respeito. Era tempo de mudar ou morrer...

E, felizmente, a WWE apercebeu-se dessa situação, mudou e criou as condições para que os novos talentos não tivessem de passar pelas mesmas provações que a geração anterior. Essa mudança materializou-se no NXT, especialmente, após a implementação da visão que Paul Levesque (Triple H) tinha para a prospecção e desenvolvimento de jovens talentos. No NXT, ao contrário do que acontecia nos anteriores territórios de desenvolvimento, o foco passou a estar em todas as vertentes e características fundamentais para que um wrestler tivesse sucesso quando fosse chamado ao plantel principal da companhia. Para além do aprimoramento das qualidades in-ring, começaram-se a trabalhar a fundo as mic skills (com entrevistas e promos), os gimmicks (ao nível da personalidade e da imagem) e as próprias storylines (aquelas com que determinado wrestler ou diva seriam integrados nos programas principais da empresa). Mas, ainda mais importante, foi a construção de um novo centro de treinos com qualidade de ponta que proporciona, aos novos talentos, condições ao seu desenvolvimento como nunca antes houve na história da indústria. Se, a este facto, juntarmos as gravações dos shows da NXT num ambiente muito mais profissional e semelhante ao dos RAWs e SmackDowns, compreendemos que tudo está a ser feito no sentido de tornar o programa de desenvolvimento de novos talentos da WWE num sucesso. Neste sentido, se olharmos, hoje, para o actual plantel da empresa de Vince McMahon, facilmente verificamos que toda esta aposta e preocupação da WWE com o futuro já está a dar frutos. Agora, ao contrário do que acontecia anteriormente, os novos talentos aparecem muito mais preparados, com gimmicks bem definidas, com uma imagem e personalidade que os distingue, com move sets e entrances bem diferenciados, com um plano e storyline que permite a sua consolidação e afirmação, etc. Daniel Bryan, Roman Reigns, Seth Rollins, Dean Ambrose, Bray Wyatt, Luke Harper e Eric Rowan, Antonio Cesaro e Bad News Barrett, main eventers e upper carders formados em pouco tempo, são a prova viva disso, a prova cabal de que o NXT é um sucesso e que, no futuro, irá continuar a prover muitas superstars de qualidade ao roster principal da WWE. Roster esse que, neste momento, já enche de entusiasmo e grandes expectativas um elevado número de fãs, especialmente, porque percebem as capacidades e potencial das novas estrelas.


E vocês, o que pensam do advento da geração NXT?!


Um Abraço!
Dias Ferreira


PS - Se puderem, deixem indicações e sugestões de temas e assuntos que gostariam que eu abordasse.

Dias is That Damn Good #185 – "Bocas Ordinárias (A Administração Dixie Carter)"

Boas Pessoal!



Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn Good", um dos espaços com mais história na nossa CWO ;)

Há uns anos, quando escrevia com regularidade na nossa comunidade de wrestling online, recorri a uma ideia e formato de texto (a que dei o nome de "Bocas Rápidas") em que abordava de um modo bastante resumido as mais diversas situações e acontecimentos de relevo a respeito da modalidade, mas também as promotoras, os seus wrestlers e as suas opções estratégicas e de negócio. Agora, aquilo que me preparo para vos apresentar, é uma pequena variação dessa mesma ideia e formato, mas com um enfoque muito superior na crítica severa e intransigente aos assuntos e notícias que me têm tirado do sério...daí que tenha optado pelo nome "Bocas Ordinárias".

Ora, como é a TNA e, mais concretamente, a administração de Dixie Carter que têm estado na ordem do dia, com os mais variados anúncios e "surpresas", será, compreensivelmente, sobre eles que, ao longo do presente espaço, me irei debruçar.

Não percam, portanto, as próximas linhas...



As Gravações do TNA Thurday Night iMPACT Wrestling

Se há coisa que prejudica e corrói a TNA, por dentro, é a forma como a promotora realiza e produz o seu programa semanal. Já sabemos que tentaram levá-lo para a "estrada" e financeiramente não foi comportável, mas isso até se compreende e desculpa, agora, passar a fazer gravações de quase todos os shows?! Por favor. Não é viável?! Claro que é, basta que para isso comecem a cobrar, pelo menos, uns 5 dólares de bilhete por cada iMPACT (para quem não sabe, assistir ao iMPACT é gratuíto). Transmitir o iMPACT em directo acarreta mais custos e investimento mas, por outro lado, trás mais e maiores ratings, torna as assistências e as plateias bastante mais vivas e interessadas (e, por isso, de maior qualidade) e, por último, dá ao programa e aos próprios wrestlers a possibilidade de proporcionar um show de qualidade muito superior (algo que as quatro horas de gravações e os segmentos soltos nunca permitirão). Continuar com as gravações do iMPACT Wrestling, mais que impedir o desenvolvimento e crescimento da promotora, é o caminho para ir morrendo aos bocados...e é bom que a Dixie Carter e quem a aconselha coloquem isso na cabeça o quanto antes.

Os Eventos Especiais e PPVs Gravados

Uma das coisas que mais comixão me tem feito na TNA, foi a opção da Administração de Dixie Carter em passar a fazer gravações dos eventos especiais e de alguns PPVs. Se pensarmos que, no pro wrestling, os diversos eventos valem mais consoante a sua actualidade e o facto de serem transmitidos em directo, compreendemos que, qualquer promotora, deve fazer um esforço por enquadrá-los na programação das suas storylines e, também, por transmiti-los em directo. Ora, para nosso espanto, Dixie Carter e os seus comparsas, não pensam assim...eles acham que faz sentido gravar eventos especiais onde os combates não têm qualquer ligação às main storylines da companhia e onde muitos dos wrestlers que neles competem nem sequer estão contratualmente ligados à empresa. Mais que isso, Dixie e os seus colegas, acreditam que é rentável gravar PPVs ao invés de os transmitir em directo, esquecendo-se que perdem, dessa forma, uma quantidade substâncial de compradores e, por consequência, dos buy rates. Os PPV's existem para expor o climax das rivalidades e storylines que decorrem nos shows semanais e os eventos especiais, quanto muito, devem acontecer como episódios especiais do show semanal...não compreender isso, não perceber que se está a perder dinheiro e teimar no mesmo erro, já não é apenas incompetência, é também burrice.

O Regresso do Ringue Hexagonal

Outra situação com a qual sempre embirrei e que me tira do sério ainda mais, agora, é a utilização do 6-Sided Ring. O Pro Wrestling nasceu nos EUA e trata, acima de tudo, de lutadores que contam a história de um combate encenado, com os seus corpos e os "instrumentos" que os rodeiam, dentro de um ringue (sendo que o ringue é também ele uma "ferramenta" fundamental dessa mesma história e encenação). Deste modo, alguma razão deve haver para que, desde a sua criação, todas as promotoras e companhias tenham optado pelo ringue quadrangular, alguma razão deve haver para que os wrestlers prefiram o ringue tradicional e critiquem o 6-sided ring. É clássico ringue quadrangular o que melhor se adapta às necessidades que os wrestlers têm nos combates de que participam, é o ringue clássico, quadrangular, que permite retirar o máximo proveito da psicologia de ringue, dos corners e dos turnbuckles...o ringue hexagonal existe apenas no México, mas o estilo lá praticado é completamente diferente, na Lucha-Libre é a spotfest que importa e pouco mais, será que é isso que a TNA quer para o seu produto?! Quererá a TNA perder de vez os verdadeiros combates de wrestling e os grandes ring workers em detrimento de spot monkeys saltitantes?! Enfim. Depois há ainda o caso da produção e filmagem, que perderá, considerávelmente, qualidade uma vez que o ringue hexagonal é maior e impede a captura de todos os ângulos e imagens que uma produção de wrestling de topo requer e exige. São, portanto, na minha opinião, entraves suficientemente importantes para invalidar uma ideia cujos seus defensores apenas validam pelo factor estético da diferença. Por outro lado, a forma como toda a situação foi tratada, deixando-a ao critério dos fãs (e no que respeita à TNA, ao pequeno núcleo duro de seguidores e simpatizantes) diz muito sobre a forma como a administração de Dixie Carter trata dos seus assuntos...com total negligência e falta de competência.



O TNA Bound For Glory 2014 no Japão

Esta estupidez e erro, então, são de bradar aos céus. Então a Dixie decide fazer o maior dos PPVs da companhia no Japão, onde as plateias têm uma resposta completamente diferente das ocidentais, com o fuso horário bastante diferente do norte-americano, numa arena com lotação para apenas duas mil pessoas (metade das que estiveram no Slammiversary) e, ainda por cima, no mesmo dia e na mesma cidade que a maior promotora japonesa realiza um dos seus ppvs?! É que isto já não é apenas estupidez, burrice e incompetência, isto é revelador de uma glossal falta de inteligência. A Dixie, definitivamente, não é só de wrestling que nada percebe, também de nos negócios é uma completa leiga. A realizar o Bound For Glory fora dos EUA, só havia um país a poder recebê-lo, o país onde a TNA tem mais fãs e seguidores, o país onde a TNA sempre conseguiu as suas melhores assistências e tem dos melhores números e buy rates...a Inglaterra. Há coisas tão óbvias e tão básicas que me deixam perplexo como não se entendem.

A Falta de Estratégia na TNA

A falta de estratégia por parte de quem dirige a TNA é outro fenómeno gritante. A companhia passa a vida a mudar de rumo, a traçar novos planos apenas para os largar alguns meses mais tarde...e assim, não há empresa, nem negócio e/ou produto que se safe. Não se pode, nem é admissível, que continuem a mudar os planos do dia para a noite...a TNA tem, de forma rápida e urgente, de traçar uma estratégia e um plano e apostar nele de forma séria e consequente. As coisas necessitam de tempo para dar frutos e resultados e é necessário pensar a médio-longo prazo...quem espera resultados imediatos, a curto-prazo, e continua a mudar o foco constantemente, não vai conseguir, de certeza, nada de bom, nada de produtivo, acima de tudo, nada de rentável.

Conclusões

Estes são, de facto, os cinco aspectos que mais me escandalizam e tiram do sério quando falamos da TNA. E eles são, também, a prova viva de que quem está a gerir a companhia não tem a menor capacidade, competência e conhecimento para o fazer. O problema só se resolve de duas formas...ou a Dixie Carter reconhece que realmente não percebe nada de wrestling e do mundo dos negócios afecto a esta indústria e se rodeia de gente sabedora que a possa ajudar...ou terá de aparecer alguém realmente interessado na companhia e na modalidade que queira investir, adquirir a TNA e dar à empresa o rumo de que ele precisa urgentemente. Como não acredito que a administração da Dixie Carter seja "reciclável", ficarei à espera que alguém, de alguma forma, possa comprar a companhia e dotá-la do que ela necessita. Por último, é preciso não esquecer que a margem de erro na TNA é muito pequena...a WWE é enorme e pode errar a seu belo prazer, até porque não tem quem lhe faça concorrência...mas a TNA é pequena e vive mergulhada em problemas de viabilidade financeiro-económica. Quem me dera que a TNA atinasse e encontrasse o caminho do crescimento, do desenvolvimento e do sucesso, como fã de wrestling há 20 anos, não poderia desejar outra coisa.

E vocês, quais os aspectos que mais vos irritam na gestão da TNA?!


Um Abraço!

Dias Ferreira

Dias is That Damn Good #184 – "Análise SWOT - O Fim da WCW"

Boas Pessoal!



Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn Good", um dos espaços mais antigos da nossa CWO ;)

Há uns anos atrás, quando era um membro em regime "full-time" da comunidade de wrestling nacional e estava à frente do XBooker, escrevi uma série de textos em que aplicava o modelo da Análise SWOT às mais diversas situações que as promotoras e a própria modalidade, naquele momento, enfrentavam. Para quem não sabe, o termo SWOT significa Strenghts, Weaknesses, Opportunities and Threats...ou seja, trata acima de tudo de uma análise aos pontos fortes, aos pontos fracos, às oportunidades e às ameaças que decorrem de determinada situação e/ou acontecimento.

Ora, aquilo que hoje me proponho abordar será, através de uma Análise SWOT, toda a situação que envolveu o final da WCW e as consequências, quer para o produto, quer para a indústria do Pro Wrestling, que daí advieram.

Não percam, portanto, as próximas linhas...



Comece-mos, primeiro, por aqueles que identifico como sendo os principais Pontos Fortes e Oportunidades geradas com a aquisição da WCW por parte de Vince McMahon...

Pontos Fortes e Oportunidades:

  • Storyline de Enorme Potencial

Se pensarmos naquilo que foi a história dos anos 90, no que toca ao Pro Wrestling, não podemos deixar de nos referir às Monday Night Wars e ao conflito entre a WWE e a WCW como o acontecimento mais relevante e de maior importância no que a esta indústria diz respeito. O embate entre as duas promotoras de maior dimensão trouxe grandes benefícios, quer para os fãs, quer para os wrestlers, quer para o produto apresentado, quer, acima de tudo, para o próprio business. De facto, os conteúdos tornaram-se cada vez mais reais e credíveis, respondendo aos anseios de uma sociedade que tinha mudado e evoluído, procurando, consequentemente, novas formas de entretenimento mais modernas e adequadas à época e momento que se vivia. Ora, neste contexto, o kayfabe foi perdendo alguma da sua relevância e a concorrência entre as duas grandes companhias traduzia-se, também, na tensão latente entre as administrações e lutadores de ambos os lados da barricada...e essa situação passou claramente para o produto e programação que eram apresentados aos fãs. Desta forma, tudo aquilo que acontecia na realidade, de uma maneira ou de outra, acabava por se tornar num conteúdo de elevado potencial a explorar nos RAWs e nos Nitros. Neste sentido, percebemos que aquando da aquisição da WCW por parte de Vince McMahon, as sementes para a construção de uma storyline memorável estavam definitivamente lançadas. De facto, a possibilidade de trazer para a programação toda a rivalidade entre os intervenientes das Monday Night Wars e colocá-la num só show e ppv's era algo tremendo e conseguiria agarrar à televisão e modalidade, não apenas os seus fãs e mais fiéis seguidores, mas também uma larga camada de espectadores e telespectadores casuais que, certamente, quereriam saber como terminaria todo o processo que levou ao encerramento da WCW. Por outro lado, penso que também todos gostariam de saber como seriam recebidos de volta os grandes talentos como Hulk Hogan, Kevin Nash e Scott Hall (fundadores da nWo) e quais as reácções de Vince McMahon e Eric Bischoff nos segmentos em que se enfrentariam e trocariam palavras. Portanto, esta situação constituiu um ponto bastante forte e uma oportunidade única para criar, talvez, a storyline das storylines. Haveria, pelo menos, materia para 2 anos ao mais alto nível, com elevados níveis de interesse e ratings que bateriam records...isto, se as coisas fossem realmente bem feitas, o que, como sabemos, não aconteceu.

  • Dream Matches:

Outra situação que a aquisição da WCW permitia seria a inclusão no roster da WWE de wrestlers de enormíssima qualidade e de uma elevadíssima popularidade. O star power da companhia de Vince McMahon poderia crescer significativamente e este teria às suas ordens o melhor plantel algum vez existente na história da modalidade. Ora, como consequência dessa situação, nada menos seria de esquerar que a construção de storylines, rivalidades e combates lendários...entre estrelas da modalidade que, pelas suas carreiras e pertença a uma ou outra promotora, nunca tinham cruzado os seus caminhos. E é aqui, neste ponto, que entram os Dream Matches...aqueles combates que até à derrocada da WCW ninguém acreditava poderem vir a acontecer, mas que, uma vez possíveis, pagariam tudo o que pudessem para os poder ver. Não nos podemos esquecer que o Pro Wrestling também vive muito de momentos especias, de acontecimentos épicos e, neste sentido, os Dream Matches assumem esse mesmo papel e função. Como sabemos, de realmente épico, apenas assistimos ao The Rock vs. Hulk Hogan, no entanto, essa foi uma contingência do booking e das más decisões que se tomaram...porque, uma coisa é certa, a capacidade e potencial, na altura, para construir uma série de Dream Matches e momentos épicos e inesquecíveis, era tremenda.



Passemos, agora, aos Pontos Fracos e Ameaças fundamentais que se criaram com o fim da WCW...

Pontos Fracos e Ameaças:

  • A Ausência de Concorrência:

Se houve acontecimento marcante que teve na sua génese o fim das Monday Night Wars e o encerramento da WCW, foi a total aniquilação da concorrência. Uns meses antes, tinha fechado a ECW, pelo que restavam apenas 3 ou 4 territórios independentes que, com o passar do tempo, também encerrariam ou tornar-se-iam territórios de desenvolvimento da WWE. Deixando de existir um alternativa à empresa de Vince McMahon aqueles que mais sofreram com essa situação, de forma directa, foram os próprios wrestlers e restantes workers para quem um falhanço na única main stream que restava resultaria, inevitavelmente, na penuria em que se encontrava o circuito independente norte-americano (à data) ou na emigração (aparecendo o México e o Japão como países preferênciais). Por outro lado, o facto de não haver concorrência relaxou o processo criativo na WWE e, uma vez que não precisavam mais preocupar-se com um produto concorrente, estagnaram quase por completo. Neste caso, quem mais sofreu, de forma indirecta, acabaram por ser os fãs, uma vez que o produto perdeu qualidade e interesse de uma forma bastante substâncial. No entanto, e embora tenha havido algum recrudescimento no business (com o crescimento da TNA e o desenvolvimento da ROH), a verdade é que até hoje ainda não apareceu (e acredito que a aparecer será preciso esperar-mos muito tempo) uma promotora que se constituísse numa verdadeira alternativa à WWE...até porque do ponto de vista dimensional e organizacional, da capacidade financeira e da popularidade estão todas a léguas...infelizmente.

  • A Monopolização da Indústria:

Um outro fenómeno que ocorreu com o "fechar de portas" da WCW, foi a monopolização quase por completo da indústria e do business por parte da WWE. De facto, com o final das Monday Night Wars e a vitória esclarecedora da empresa de Vince McMahon (isto para não falar na super-estrutura com que a companhia ficou), tornou-se bastante claro que seria impossível a qualquer cadeia de televisão que apostasse numa promotora da modalidade querer que ela pudesse tornar-se competitiva num curto-médio prazo. Por esta razão, entre outras, as cadeias de televisão não quiseram arriscar e, elas próprias, fechando o mercado televisivo, criaram diversas dificuldades às pequenas promotoras independentes que procuravam dar os primeiros passos e ganhar uma maior visibilidade (neste aspecto, o exemplo da TNA é sintomático). Mas esta monopolização do business assumiu e ainda hoje assume aspectos bem mais perversos como o clima e ambiente de muito menor vigor, apoio e aceitação que se vive em redor da mesma. Por outro lado, não esqueçamos que há bem pouco tempo a WWE ameaçou retirar de todas as suas "tours" as arenas que aceitassem realizar eventos da TNA. O monopólio, seja qual for a área em que se edifica, tende a ter destas coisas, tende a sufocar e a colocar um garrote em todas as organizações que possam constituir-se uma ameaça à sua completa dominação...ora, isto é mau para o business, é mau para os fãs e é péssimo para os wrestlers e restantes workers da indústria.


Conclusões:

Quando procuramos chegar a uma conclusão a respeito deste assunto, acredito que, se por um lado podemos avaliar os pontos fracos e as ameaças como uma consequência perfeitamente natural de um processo onde as alternativas e concorrência são eliminadas e tudo se centra num grande monopólio...por outro prisma, não devemos avaliar os pontos fortes e as oportunidades que a queda da WCW gerou apenas pela forma como ela foi gerida ou aproveitada pela WWE, até porque como ficou demonstrado, os pontos fortes e as oportunidades poderiam ter dado origem a algo tremendo. Contudo, eu gosto de pensar a longo prazo e, quando assim é, colocamos sempre em cima da mesa qual a opção que nos permite, no futuro, retirar mais e maior rentabilidade, mais e maior benefícios. E, neste caso em concreto, não acredito que a "riqueza" criada com um bom aproveitamento dos pontos fortes e das oportunidades que a compra da WCW gerou fosse suficientemente duradora. O monopólio e a ausência de alternativa e/ou concorrência sufocou e abafa o negócio, quase o matou e vai destruindo a cada ano que passa mais um bocado. Assim sendo, por mais que eu gostasse de ter assistido à storyline das storylines (que também acabou por não se verificar) e por mais que quisesse ter visto uma série de Dream Matches (que também não se tornaram realidade), não trocaria uma indústria competitiva, com pelo menos uma promotora que fosse uma verdadeira alternativa à WWE, por esses meus desejos.


E vocês, quais pensam ter sido os principais pontos fortes e fracos originados pelo fim da WCW?! De que forma pensam que essa situação influênciou a modalidade e a indústria?!


Um Abraço!

Dias Ferreira

Dias is That Damn Good #183 – "Make Your Own Wrestling Company"

 Boas Pessoal!



Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn Good", um dos espaços com maior história na CWO ;)

Acredito que todos, ou quase todos, os fãs de wrestling já se perguntaram sobre como seria a sua promotora se tivessem possibilidade de a criar. Pois, bem, a proposta que, hoje, vos faço, passa pela edificação e construção da vossa própria companhia de Pro Wrestling.

Em seguida, deixarei, como exemplo, aquilo que, na minha opinião e dando largas à minha imaginação, gostaria que fosse a minha empresa. Quanto a vocês, espero que critiquem as minhas opções e que, sendo criativos e inovadores, apresentam as vossas propostas para a criação da vossa própria promotora.

Não percam, portanto, as próximas linhas...



Promotora:

    - World Wrestling Association (WWA)

World Wrestling Association (WWA), não só porque o nome fica no ouvido e é fácil de pronunciar, mas também porque dá uma dimensão mais séria e organizacional da própria modalidade...afinal de contas, para todos os efeitos, falar-se-ia sempre da Associação Mundial de Wrestling.

Escola:

  • WWA Academy

Funcionaria como um centro de treinos e de desenvolvimento de novos talentos e wrestlers, com vista à sua posterior integração no plantel principal da companhia. Por outro lado, procurar-se-ia, também, uma série de acordos com polos universitários no sentido de garantir estágios e até emprego a jovens licenciados nas mais diversas áreas de utilidade à empresa como o marketing e publicidade, a gestão, a informática, a produção, etc...contemplando, desta forma, também o importante papel de responsabilidade social que, na minha opinião, qualquer companhia deve exercer.

Indústria:

  • Professional Wrestling
  • Sports Entertainment

Show:

  • WWA Tuesday Night Rampage

A escolha do nome Rampage explica-se pela necessidade de encontrar uma expressão que fosse forte e ficassse no ouvido, mas também que se identificasse com o próprio conteúdo do programa (excitação, tumulto, revolta, acção, etc). A terça-feira aparece como dia para a transmissão do show semanal para conseguir explorar o espaço livre entre as transmissões do WWE Monday Night RAW, do TNA Thursday Night iMPACT Wrestling e do WWE Friday Night SmackDown. Por último, o programa deveria iniciar-se em finais de Novembro, inícios de Dezembro para dar tempo ao build up e promoção do PPV WWA Wrestlemadness.

PPV's:

A opção por 6 PPVs explica-se, sobretudo, pela necessidade de dar o tempo suficiente para que, nos shows semanais (WWA Tuesday Night Rampage), se fizesse um build up e promoção consistente e coerente dos mesmos. Da mesma forma e, sabendo de ante mão, que o modelo PPV actual está muito desgastado, a realização de apenas 6 ppv's por ano, parece-me, permitir a sua rentabilização ao máximo.

  • Janeiro – WWA Wrestlemadness

Seria o primeiro PPV do ano e o mais importante para a promotora. Aconteceria todos os anos em Janeiro e funcionaria para a WWA como a Wrestlemania funciona para a WWE. O seu nome (Wrestlemadness) pretende exprimir, acima de tudo, o momento maior de loucura, paixão e obsessão em redor da companhia e da modalidade.

  • Março – WWA Retaliation

Sendo o segundo PPV do ano, funcionaria, acima de tudo, para concluir as feuds, rivalidades e storylines ainda decorrentes do ppv anterior...o nome Retaliation compreende-se neste mesmo sentido, no de vingar e de acertar as contas dos acontecimentos ocorridos no WWA Wrestlemadness.

  • Maio – WWA Uprising

Constituir-se-ia, acima de tudo, como um ppv de transição...concluidas as rivalidades no WWA Retaliation, o WWA Uprising serviria, em grande medida, para consolidar as novas rivalidades e combates que se tinham originado. Por outro lado, seria, também, um pré-build up do WWE SummerBrawl.

  • Julho – WWA SummerBrawl

Tornar-se-ia o PPV do Verão e, por isso, teria de conter sempre um card forte. Serviria, portanto, não só para concluir as rivalidades e histórias que o WWA Uprising tinha consolidado, mas também para abrir caminho a um novo ciclo de feuds e storylines.

  • Setembro – WWA Battlefield

O WWA Battlefield seria o único ppv temático da WWA e consistiria, em grande medida, em 3 combates. O embate pelo WWA World Heavyweight Championship, o confronto pelo WWA Women's Championship e o Battlefield Match (uma espécie de Royal Rumble disputada dentro de um Hell in a Cell, onde os wrestlers seriam eliminados por pinfall e/ou submission)...tal como na Royal Rumble, o vencedor do Battlefield Match assegurava um lugar no main event do WWA Wrestlemadness e a consequente oportunidade de lutar pelo título principal da companhia. A escolha do nome Battlefield explica-se pelo seu próprio significado e pelo facto de retratar aquilo em que este gimmick match realmente consiste, num campo de batalha.

  • Novembro – WWA Collision

Sendo o último ppv do ano, o WWA Collision, serviria, acima de tudo, para consolidar, preparar e alanvacar as rivalidades rumo ao WWA Wrestlemadness...daí que o seu nome seja Collision, no sentido de lançar esse grande embate, essa enorme colisão que culminaria no maior dos ppvs da empresa.

Títulos:

  • WWA World Heavyweight Championship > Seria o título a disputar pelos main eventers da companhia e, por isso, o mais importante.
  • WWA Television Championship > Seria um título intermédio, de transição, e serviria, acima de tudo, para a estruturação do roster nas suas mais variadas divisões...neste caso, o mid card e o upper card.
  • WWA World Tag Team Championship > Tornar-se-ia no título a disputar e a conquistar na divisão de equipas da promotora.
  • WWA Cruiserweight Championship > Assumiria, sobretudo, a função de objectivo maior a conquistar pelos wrestlers mais pequenos, mais leves, que fazem mais acrobacias, etc. Teria, portanto, um papel muito semelhante aos antigos WCW e WWE Cruiserweight Championship.
  • WWA Women's Championship > Como o próprio nome indica, seria o título a disputar na divisão feminina da empresa pelas suas lutadoras.

Booking e Storylines:

  • General Manager/Figura de Autoridade

Existiria, certamente, um...mas o seu envolvimento e personagem, assim como o seu estatuto heel ou babyface, estariam sempre dependentes do desenvolvimento das mais diversas storylines e da importância que uma figura de autoridade poderia desempenhar nas mesmas.

  • Na Mesa de Comentários

A clássica dupla de play-by-play e color announcer, que não só ajudasse a construir e a contar a história dos combates, mas que fizesse o mesmo em relação aos próprios wrestlers, rivalidades e storylines.

  • No Main Event

A minha opção passaria por escolher dois wrestlers jovens, com uma elevada margem de progressão e evidente potencial, que seguissem dois caminhos opostos...

O primeiro, à sua volta, criaria uma pequena stable (com mais dois elementos) e, enquanto heel, consolidar-se-ia como o maior e mais importante nome da companhia (no fundo, assumiria um papel muito semelhante aos que Ric Flair e Triple H desempenharam nos Four Horseman e Evolution, respectivamente). O objectivo passaria por lhe entregar o título e um "reinado" de 1 ano, durante o qual só obteria vitórias. Para alimentar este "reinado" e "winning streak", entraria em rivalidades e combates com os melhores (e mais populares) wrestlers que o circuito independente tem para oferecer...assim como com as lendas, ainda capacitadas, que o orçamento da companhia pudesse suportar.

O segundo, seria lançado como um "bad ass" babyface-tweener...um wrestler que também obteria uma "winning streak" de um ano, ao longo da qual iria ganhando um crescente apoio do público e popularidade, ao mesmo tempo que consolidava a sua credibilidade e estatuto (receberia algo muito semelhante a uma mistura do push de Steve Austin na WWE e de Goldberg na WCW). Venceria o Battlefield Match no WWA Battlefield e, dessa forma, assegurava um lugar no main event do WWA Wrestlemadness, no qual iria competir frente ao lutador do "primeiro" caso.

Desta forma, no WWA Wrestlemadness, encontrar-se-iam, pela primeira vez, dois wrestlers imbatíveis, com percursos completamente opostos (mas que se tocavam no facto de nunca terem sido derrotados) e cujo build up do seu combate se iniciou praticamente um ano antes de acontecer.

  • No Mid Card

Aqui não existiria uma storyline de fundo, mas sim o confronto entre diferentes wrestlers com as mais diversas personagens e gimmicks, tendo em vista a própria consolidação e desenvolvimento destes talentos do "meio da tabela"...entre alguns desses gimmicks poderemos realçar, por exemplo:

O aperecimento de um lutador com a personagem do famoso playboy, aquele tipo que consegue ser bom a fazer as mais variadas coisas, mas que é altamente convencido, arrogante e irritante e que "saca" uma data de raparigas. Contudo, este personagem não seria igual aos clássicos "playboys" apresentados ao longo da história da modalidade...ele teria de ser, claramente, mais sério e credível, mas também mais intenso e rancoroso, vingativo e perverso. É o típico gimmick que permite a criação de feuds e rivalidades que tenham por base o facto de se ter metido com a namorada/mulher alheia...ou ainda, o típico personagem que permitem explorar um "angle" em que o machismo e a violência doméstica apareçam como temas centrais.

Ou, o lançamento de um outro personagem que, tocando num tema fracturante da sociedade e polémico (criando, certamente, imenso "buzz") assumiria o papel de um wrestler homossexual estigmatizado e a lutar para que os seus direitos, oportunidades e dignidade fossem tratadas com o respeito que qualquer ser humano merece. Trata-se de um personagem com potencial para abordar as mais diversas histórias como, por exemplo, o facto de ser perseguido e hostilizado pelos restantes colegas de profissão (wrestlers neste caso)...ou a possibilidade de ser constantemente alvo do preconceito homofóbico de uma figura de autoridade (um general manager ou director) que o ameaça, persegue e impede de progredir na carreira...entre muitas outras situações.

  • Na Divisão de Equipas

Aqui, apostaria, sobretudo, num "angle" que envolvesse a criação de duas grandes tag teams antagónicas. Mais uma vez, escolhendo um tema bastante controverso e que, apesar de tudo, ainda vai corroendo vastos sectores da sociedade, procuraria explorar dois grupos, facções e/ou equipas que fossem a antítese uma da outa e que se degladiassem entre si, tendo por base o racismo (contra os negros) e o combate ao mesmo. Desta forma, apareceriam duas tag teams com as seguintes características:

Uma primeira (com 3 elementos), recriaria, acima de tudo, aqueles tipos brutos, completamente conservadores, quase lunáticos e altamente preconceituosos. Muito à imagem e semelhança dos chamados "Rednecks" e poderia ser, esse mesmo, o nome da equipa (The Rednecks). Ora esta equipa de sulistas, adepta do Klu Klux Klan faria o seu debut atacando um wrestler local negro (algo que repetiriam ao longo das semanas e programas seguintes), argumentando que queriam um WWA branca, "limpa", sem negros.

Por sua vez, apareceria uma outra equipa, formada por wrestlers negros que se lhes oporia. Tudo começaria com um dos 3 membros que comporiam esta tag team a ser completamente assaltado e brutalizado no seu debut...no entanto, na semana seguinte, enquanto os "Rednecks" emboscavam um outro wrestler local negro, esse mesmo elemento que tinha sido assaltado na semana anterior, apareceria na plateia, cativando a sua atenção e permitindo a fuga do wrestler local...uma semana mais tarde, a situação repetia-se, mas agora o wrestler negro apareceria no screen afirmando que iria vingar-se e destruir um por um. Na semana seguinte, em 3 segmentos de backstage diferentes, cada um dos elementos dos "Rednecks" apareceriam inanimados e completamente ensanguentados. Ora, no programa seguinte, enquanto o wrestler (negro), no ringue, se vangloriava de ter completado a sua vingança, os "Redneck" apareceriam no stage e cercavam-o...aparecendo nesta altura, para fazer o save, os restantes 2 elementos do grupo "negro" que, se iriam assumir como "The Panthers" (numa clara alusão aos Black Panthers).

Ora, com estes gimmicks bem definidos e a história lançada, dava para fazer uma programação de mais uns quantos meses, sendo que as variações poderiam ser imensas. Desde logo, poderiamos assistir a um face turn dos "Rednecks" que deixariam de ser racistas e passariam a ser uma daquelas minorias que se vê altamente satirizadas e desrespeitadas...por outro lado, os "Panthers" fazendo um heel turn, poderiam deixar de lado a questão do combate contra o racismo e pela dignidade, começando a centrar a sua actuação na causa da supremacia negra...entre muitas outras histórias que se poderiam criar. O importante passa mesmo por criar gimmicks com elevado potencial e que dão uma margem de manobra bastante elevada quanto à sua utilização. Pelo meio, como é óbvio, estaria a disputa pelo WWA World Tag Team Championship.

  • Na Divisão Cruiserweight

Não sei se conhecem, se recordam e/ou se estão familiarizados com um angle que a TNA criou há uns anos atrás com as "Paparazzi Protuctions". Ora este angle consistia em pegar em lutadores jovens, da X-Division, como Jay Lethal, Chris Sabin, Alex Shelley, Shark Boy, entre outros, e coloca-los a interpretar personagens como Steve Austin, Ric Flair, Randy Savage, etc. Na minha opinião aquilo poderia ter sido tremendamente interessante se aproveitado e rantabilizado da melhor forma.

Ora, o que eu faria, para lançar esta cruiserweight division passaria muito por algo semelhante. Podem dizer que isto seria anular os wrestlers envolvidos, mas trata-se precisamente do contrário...qualquer um que procure recriar e emitar grandes lendas, as suas "cactch phrases", os seus movimentos, "entrances" e "taunts" consegue desde logo despertar para si uma enorme atenção e o objectivo seria mesmo esse...ainda que depois, quando o angle estivesse completamente esgotado, esses lutadores viessem a assumir as suas prórpias personagens e gimmicks.

Mas pensem bem na possibilidade de recriar os "dream matches" que nunca aconteceram ou de, inclusive, satirizar as grandes lendas, entre muitas outras situações. Na minha opinião seria não só uma homenagem a todos essas lendas, mas também uma enorme "vénia" ao entertenimento ver jovens wrestlers a assumir as personagens de Hulk Hogan, de The Rock, de Steve Austin, de Triple H, de Goldberg, de Shawn Michaels, de Sting, de Scott Hall e Kevin Nash, de Ric Flair...até de John Cena, entre outros. Seria, certamente, uma situação que despertaria um enorme interesse e entusiasmo dos fãs e a sua constante atenção.

  • Na Divisão Feminina

Aqui a história centrar-se-ia em duas lutadoras amigas, heel, que acreditavam ser a únicas com qualidade e direito a poder lutar e ter combates nos mais variados eventos da companhia. Pretendiam, portanto, não só ter e controlar toda a divisão feminina só para elas, como ser as suas únicas integrantes e impedir qualquer uma de lhe poder aderir.

Desta forma, durante algumas semanas, cada vez que uma lutadora independente procurava fazer o seu debut, seria assaltada, violentada e brutalizada ao ponto de desistir, logo naquele momento, de entrar para a WWA. E isto continuava a acontecer até que uma lutadora realmente resistia e ripostava, criando-se uma rivalidade entre ela e as outras duas que terminaria no WWA Wrestlemadness com a vitória da babyface (uma vez o que o show seria criado e iria para o ar em finais de Novembro, inícios de Dezembro, havia o tempo suficiente para construir todo este angle, interessante, por forma a estar tudo pronto em Janeiro aquando da realização do maior ppv da promotora). Mais tarde, certamente, outras lutadoras seriam adicionadas à divisão, com novas feuds e rivalidades, mas esta seria, na minha opinião, a melhor forma de lançar a divisão de equipas e a luta pelo WWA Women's Championship.

E vocês, o que pensam da minha promotora e do seu booking?! Que criticas lhe apontam?! O que fariam diferente?! Como seria a vossa promotora?!

Um Abraço!
Dias Ferreira

Dias is That Damn Good #182 – "O Estranho Caso de Damien Sandow"

Boas Pessoal!



Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn Good", umas das colunas com mais história na nossa CWO ;)

Ao longo dos anos, conseguimos identificar uma série de wrestlers como, na nossa opinião, não estando a ser utilizados da melhor forma ou, pelo menos, não estando a ser explorado todo o seu potencial. Comumente, chamamos-lhes lutadores "underrated". Se esta situação é, na grande maioria dos casos, encarada com naturalidade até porque sempre se verificou e irá continuar a verificar (todos temos as nossas opções e os bookers e promotores não fogem à regra), a verdade é que há casos tão gritantes de uma sub-rentabilização de determinados talentos que se torna incompreensível e inaceitável a má utilização e o péssimo booking de que os mesmos são alvo.

O caso Damien Sandow é, a meu ver, uma dessas situações, um exemplo de como a companhia negligenciou um dos seus talentos com maior qualidade e potencial. Neste sentido, e fazendo jus ao subtítulo do presente texto, aquilo que, hoje, me leva a escrever-vos é, precisamente, o modo e maneira como a WWE tem vindo a tratar Sandow, complementando a análise deste "problema" com uma reflexão, também, centrada na forma como se foi desenvolvendo o seu personagem e posição no card da empresa.

Não percam, portanto, as próximas linhas...



Quando falamos de lutadores mal aproveitados ou os classificamos de "underrated" significa, acima de tudo, que lhes reconhecemos qualidade, capacidade e potencial para desenvolver um trabalho de maior importância que aquele que estão a desempenhar. Significa, ainda e também, que compreendemos a sua utilidade para a promotora a que pertencem como sendo de uma relevância substancialmente superior àquela que a própria promotora lhe reconhece. São exemplos deste "fenómeno" aqueles wrestlers que andam perdidos no low card das companhias, servindo como jobbers ou participando, tão só e apenas, de pequenos segmentos de humor cuja importância mais não é que a de responder à necessidade de aliviar um pouco a seriedade e densidade de alguns programas, shows e ppv's. Mas podem, e devem, ser considerados exemplos desta situação também aqueles lutadores que embora tratados de uma forma séria e credível se encontram completamente estagnados no mid card das promotoras e aos quais reconhecemos valor para algo mais. Contudo, e assumindo um papel fundamental em toda esta discussão, importa também denotar quais são as características essenciais a um wrestler para que tenha futuro e potencial para chegar ao topo. Da mesma forma, é fundamental saber se aquilo que nos leva a gostar mais ou menos de um lutador e a sentir que ele está a ser bem ou mal rentabilizado corresponde a essas mesmas características indispensáveis a qualquer um que sonhe tornar-se num main eventer ou "top dog" da modalidade.

Neste sentido e balizando esses mesmas características para facilitar a nossa análise e reflexão, julgo ser aceite por todos que a questão da imagem, do carisma, do gimmick/personagem, das mic skills e in-ring skills e da capacidade para se proteger das lesões são os factores fulcrais em todo este processo. No entanto, não é de somenos importância a questão da lealdade e confiança que se assegura junto da companhia a que se pertence. Neste caso, posso até dar um exemplo recente bastante prático e fácil de compreender...quem esteve atento ao circuito independente nos últimos anos conhece, certamente, a equipa Kings of Wrestling formada por Chris Hero (Kassius Ohno na WWE) e Claudio Castagnoli (Antonio Cesaro na WWE) e também sabe que o primeiro era o lutador mais talentoso e com maior potencial da tag team. Contudo, e tendo ambos chegado à WWE praticamente na mesma altura, verificamos que o sucesso de um é inversamente proporcional ao sucesso do outro...e isso aconteceu por uma questão de confiança. Como se sabe, o Antonio Cesaro foi sempre fazendo aquilo que a empresa lhe pedia e a verdade é que tem a sua carreira completamente lançada. Por sua vez, o Chris Hero desleixou-se, recebeu vários avisos para tratar da sua imagem (corpo e forma física) e nunca lhes deu ouvidos...acabou por ver o seu contrato terminado.



Voltando ao tema central do presente texto...importa relembrar que Damien Sandow foi treinado por Killer Kowalski (o mesmo que treinou Triple H) e se há coisa que os alunos de Kowalski evidenciam de uma forma claríssima é a sua psicologia de ringue. De facto, os wrestlers treinados pelo velho Killer têm uma compreensão muito própria e especial dos combates em que estão inseridos, conseguindo transportar para os mesmos não só o seu próprio personagem, mas também as rivalidades e storylines de que tomam parte. Conseguem, ainda, envolver com a sua expressividade facial e corporal as plateias de uma forma bastante emocional e sabem, como poucos, ler e interpretar o que o público quer e aquilo que mexe com os fãs. Ora, no que toca a Damien Sandow, também ele conseguiu "herdar" todos estes ensinamentos e conhecimentos e incorpora-los nas suas ring-skills, parecendo-me óbvio que o demonstra de forma clara nos seus combates. Para além disso, é um lutador que se protege muito bem, que raramente se lesiona, e que nunca vi "botchar", sabendo, ainda, "vender" muito bem os seus adversários. Por outro lado, a imagem e porte físico de Damien correspondem claramente aos padrões clássicos da WWE e esse é um ponto que joga a seu favor. Tal como também está a seu favor, o facto de ser alguém que apresenta uma excelente capacidade comunicacional (e, por isso, umas óptimas mic skills), um carisma bastante natural e, acima de tudo, uma enorme aptência para gerar reacções nas plateias...podem adorá-lo ou odiá-lo, mas não se lhe conseguem ficar indiferente e essa é uma qualidade indispensável a qualquer "top guy". Por último, chegamos àqueles que são, na minha opinião, os seus maiores pontos fracos, sendo que, muito provavelmente, nenhum é de responsabilidade própria...o gimmick e o booking de que tem sido alvo.

Recordo que Damien Sandow regressou à WWE com um novo nome e personagem, completamente distintos daqueles que havia interpretado na sua primeira passagem pela companhia. Fez o seu debut como "The Intellectual Savior of Masses", um gimmick que, apesar do seu curto potencial, tinha tudo para gerar o "heat" necessário a um jovem heel que se estava a lançar. Sandow percorreu o seu caminho, primeiro com uma "winning streak", depois com combates mais sólidos e alguns segmentos de maior relevância, consolidou o seu estatuto e posição no card...mais tarde haveria de conquistar o Money in The Bank Ladder Match e atingir um momento fulcral para o definitivo lançamento (rumo ao topo). O ponto mais alto foi quando fez o "cash in" em John Cena num Monday Night RAW e a verdade é que para além das condições estarem reunidas para que ele conquistasse o título (seria algo inesperado e refrescante naquela altura) à época Sandow estava extremamente over. Infelizmente a WWE decidiu-se por outro caminho e rumo...John Cena apesar de muito combalido conseguiu reter o título e descredibilizar um jovem talento em ascendência clara e, a partir daí, foi sempre a descer. Ao invés de catalizar o bom momento de que Damien gozava para lhe alterar o gimmick para algo mais sério e intenso, algo com mais potencial...a booking deixou-o cair por completo. Desde então, Sandow não tem mais um personagem, limita-se a imitar algumas vedetas, a participar de alguns segmentos de humor e a servir de jobber da companhia. Ora, se isto não foi uma péssima decisão, então, realmente, não devo "petiscar" mesmo nada da coisa. Certo é que Damien Sandow vai fazer 32 anos neste Verão e está a chegar o momento para que lhe atribuam um "push" verdadeiramente consistente e coerente, está a chegar a altura de confiarem e acreditarem nele porque não o fazer é um erro tremento e um desperdício de talento como há muito não se via.

E vocês, o que pensam de Damien Sandow e da forma como a WWE o está a utilizar?!

Um Abraço,
Dias Ferreira


Dias is That Damn Good #181 – "Estereótipos e Controvérsia"

Boas Pessoal!



Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn Good", uma das colunas com mais história na nossa CWO ;)

No Pro Wrestling, para além do atleticismo e da capacidade atlética dos seus intervenientes, entre outras, a questão dos Gimmicks/Personagens, das Storylines e das Rivalidades sempre assumiram um papel chave e preponderante. De facto, são estas características que, em grande medida, nos aproximam ou afastam de determinado wrestler, são elas que nos fazem querer ver o confronto entre dois ou mais lutadores, em última análise, são elas que devem moldar os combates e, por consequência, todo o espectáculo que enquadra a própria modalidade. Neste sentido, podemos dizer que as temáticas que estão na génese de qualquer gimmick, storyline e/ou rivalidade assumem determinante e fundamental importância.

Dito isto, aquilo que vos proponho ao longo do presente texto será, portanto, uma reflexão e abordagem sobre os assuntos e matérias que, de uma maneira ou de outra, poderiam refrescar o produto que as diversas promotoras de Pro Wrestling, hoje, nos oferecem. Procurarei, ainda, de forma mais superficial, enquadrar nesta mesma análise os temas que na actualidade e num passado recente estão na génese das mais diversas feuds, personagens e histórias.

Não percam, por isso, as próximas linhas...



Como referi, na introdução ao presente texto, não basta aos wrestlers serem capazes de montar um combate repleto de acrobacias e grandes spots para que ele seja realmente bom, da mesma forma que essa situação nunca chegará para convencer os fãs e espectadores de ocasião a querer ver o embate entre ambos. É o personagem que desempenham e a história que os envolve que, de uma maneira ou de outra, desperta o interesse do público e os leva a querer comprar bilhetes e/ou PPVs para poder assistir a determinado combate. Do mesmo modo que, é a forma como se desenvolve a história da rivalidade entre os lutadores que condiciona e limita (ou pelo menos deveria ser assim) a construção desse mesmo combate. Relembro que o Pro Wrestling não trata de proporcionar uma luta verdadeira entre reais adversários, trata sim de montar um espectáculo encenado onde os wrestlers contam uma história com o seu corpo dentro do ringue (ou fora dele, se for esse o caso). Desta forma, compreende-se que, para além do carisma, das mic skills e da capacidade atlética de cada um, a personagem escolhida pelo lutador e as histórias em que este se vê envolvido assumirão um papel determinante na reacção que este, por sua vez, conseguirá gerar nas plateias, no público, nos espectadores, nos fãs. E o maior ou menor poder de atracção de um combate reflectirá, sempre, este paradigma.

Por outro lado, a história da modalidade mostra-nos que as temáticas presentes nas diversas storylines e rivalidades (o mesmo vale para os gimmicks) dotam as mesmas de mais e maior impacto consoante for o seu grau de realismo e actualidade no que respeita ao ambiente e sociedade em que se vive. Ora, com isto, o que realmente pretendo dizer é que se os gimmicks escolhidos para moldar determinado wrestler não reflectem um estereótipo característico da época e sociedade em que vivemos, muito dificilmente esse mesmo lutador conseguirá gerar fortes reacções nos fãs e retirar grande proveito do personagem que interpreta. O mesmo serve para as Storylines e Rivalidades...se estas não tocarem em temas polémicos, controversos e fracturantes da sociedade em que se vive, o seu potencial será sempre, irremediavelmente, menor. Para melhor compreender-mos esta situação, basta verificar-mos que o produto que era tido por genial nos anos 70 já não se adequava aos anos 80 e que, por sua vez, o modelo implementado nos anos 80 deixou de fazer sentido nos anos 90. Mais concretamente, percebemos que os gimmicks e histórias cartoonizadas da WWE dos anos 80 não conseguiram colher grande apoio e entusiamo nos anos 90, daí que a empresa tenha sentido necessidade de mudar e adoptar a famosa Attitude Era. Na WCW sucedeu exactamente o mesmo, teve de haver uma actualização de conteúdos, deixando de parte as rivalidades e histórias que tanto sucesso tiveram nos anos 80, para que a promotora conseguisse voltar a crescer e a atingir o desejado sucesso.



Hoje, contudo, ao olharmos para os wrestlers e storylines das duas maiores promotoras da modalidade, percebemos que há uma grande negligência no que respeita a esta situação. De facto, os conteúdos e temáticas escolhidos, salvo raras excepções, na formação de gimmicks e rivalidades estão de tal forma desfazados da sociedade em que vivemos e dos valores que ela advoga, que a estagnação e o retrocesso (relativamente ao ambiente que envolve a modalidade) têm vindo a dominar flagrantemente o produto dos últimos 10 anos. É muito raro encontrar storylines que não se centrem apenas no wrestling em si e que não negligenciem as problemáticas do mundo que nos rodeia...os confrontos são quase todos originados pela disputa de títulos ou resultantes de vinganças decorrentes dos embates na luta pelos mesmos, tornando-se tremendamente repetitivos e enfadonhos...impendindo, consequentemente, que os fãs os vejam como algo novo e que têm obrigatoriamente de assistir. Recentemente, numa entrevista, Christopher Daniels dizia que não compreendia como a TNA podia ter optado pelos "Broman's" ao invés da equipa que ele formava com Kazarian, uma vez que ele e o seu parceiro eram muito melhores wrestlers. Ora, estas palavras de Daniels denotam uma outra realidade, a de que são os próprios wrestlers da nova geração (da geração pós-Monday Night Wars) que não compreendem o fenómeno que tenho vindo a abordar ao longo do texto. A TNA optou pelos "Broman's" e fê-lo muito bem...de facto, no ringue, não são tão bons como os "Bad Influence", no entanto, eles retratam um estereótipo da sociedade actual, eles têm um gimmick na qual os fãs e jovens de hoje se revêm e, por mais estúpidos e/ou odiosos que possam parecer, como heels desempenham o seu papel com enorme brilhantismo...já para não dizer que as suas in-ring skills não são nada más. E eu, mesmo não conhecendo os números, aposto que os "Broman's" conseguem bons ratings para a TNA, certamente, melhores ratings que aqueles que os "Bad Influence" alguma vez conseguiram.

Ainda assim, parece que o único estereótipo e controvérsia que as promotoras nunca deixaram de lado e de procurar explorar, foi o do trabalhador a quem o patrão faz constantemente a vida negra e que se vê recorrentemente ameaçado pelo mesmo. E a verdade é que esta é uma controversia/polémica que será sempre actual e comum a qualquer sociedade, uma situação que dará proveitos mesmo quando utilizada 1, 2 e 3 vezes...veja-se o caso de Daniel Bryan, como exemplo, se não foi semelhante ao de John Cena e anteriormente ao de Steve Austin. Certo é que, em ambas as situações, o sucesso foi sempre tremendo. Mas, na minha opinião, não chega, é muito curto. É necessário estudar bem a sociedade global em que vivemos e descortinar quais os seus grandes problemas, quais os seus temas mais fracturantes, quais as matérias que criam maior polémica e controvérsia...até porque, como diz Eric Bischoff no seu livro, "Controversy Creates Cash", mas também "Buzz", pavilhões lotados, toneladas de vendas de merschandising e um ambiente em redor da modalidade muito mais entusiástico e saudável. E mesmo que não consigam encontrar algo de verdadeiramente inovador, existe sempre a possibilidade de nos agarrar-mos aos velhos esterótipos e preconceitos universais, aqueles que dificilmente não estarão presentes e marcados nas mais diversas sociedades...o racismo (especialmente contra os negros), a homossexualidade, a violência doméstico-relacional machista, as minorias étcnicas, aos grupos mais satirizados de determinada região/estado (como os Rednecks do Texas), entre muitos outros. Mas é bom que entendam esta situação rápido e que façam algo para mudar o actual rumo dos acontecimentos porque o produto está chato e enfadonho como tudo e, acima de tudo, porque o "business" está num "coma" profundo.


E vocês, quais os temas facturantes (estereótipos e controversias) que gostariam de ver tratados nos gimmicks, feuds e storylines?!


Um Abraço!
Dias Ferreira



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