WRESTLING SPAM TV

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Dias is That Damn Good #192 – "A Comunidade de Wrestling Online Nacional"

Boas Pessoal!



Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn Good", o espaço com mais história na nossa CWO ;)

A Comunidade de Wrestling Online (CWO) nacional é o espaço mais dinâmico, participado e produtor de conteúdos afectos ao pro wrestling no nosso país. Este é um espaço aberto à participação de todos, uma plataforma de eleição para os fãs e adeptos da modalidade portugueses, onde podem comentar, discutir e debater os mais variados assuntos e temas, encontrar artigos e reflexões acerca dos mais diversos fenómenos relacionados com a indústria e visualizar os seus múltiplos videos de programas, shows, ppvs e dvds. A CWO nacional é o nosso espaço, o local onde partilhamos informação e conhecimentos e onde vamos beber o saber de todos os que nela participam.

Disto isto, importa, contudo, compreender a evolução registada pela nossa CWO. Importa perceber de onde vimos, que caminhos traçámos e onde nos encontramos actualmente. Importa saber qual o papel que a CWO desempenhou na disseminação da modalidade no nosso país e qual o relevo da sua função nos dias que correm. Importa, ainda, descortinar qual a sua verdadeira função e verificar se ela tem correspondido a todo o potencial que se lhe reconhece. Importa, por último, reflectir sobre o papel desempenhado por todos os actores que dela participam, sejam eles blogues, escritores e produtores de conteúdos, seguidores que comentam e participam de discussões ou meros visitantes.

Neste sentido, é uma análise à nossa CWO que vos proponho fazer ao longo do presente texto. Não percam, por isso, as próximas linhas...



Devo confessar que apesar de assistir aos programas da WWE (e durante alguns anos aos da WCW) desde tenra idade, só descobri a nossa CWO por volta do ano 2006. À época, acabado de entrar na universidade, já levava uns bons anos enquanto fã e seguidor da modalidade, assim como de visitante e seguidor assíduo de alguns dirt sheets internacionais (especialmente os de maior renome). Contudo, não tinha qualquer conhecimento da existência de um espaço nacional onde os adeptos portugueses partilhavam as suas mais variadas considerações e publicavam os mais diversos conteúdos multimédia. Vivia-se, talvez, o período em solo nacional durante o qual o pro wrestling gozou de maior visibilidade e número de seguidores pois, passados largos anos (desde as transmissões na RTP1), a SIC Radical tinha começado a transmitir os RAWs e SmackDowns, da mesma forma que na Eurosport passava o TNA iMPACT. Quando descobri a CWO nacional, deparei-me com 4 grandes blogues (Galáxia Wrestling, Wrestling Notícias, XBooker e, ainda, o blogue do Salvador, futuro membro do projecto Wrestling Portugal) e um outro (Wrestling Fever) que tinha acabado de ser criado, estando, por essa razão, a dar os seus primeiros passos. No Galáxia Wrestling (à data o mais popular) escreviam bloggers como o Marcão e o Talionis (que impressionavam, acima de tudo, pelo conhecimento demonstrado e pela qualidade das reflexões que publicavam) e onde uma blogger com apelido Rute publicava os videos de todos os programas, ppvs e dvds afectos à modalidade. E neste ponto, queria abrir um parêntese para realçar e reforçar a importância que a Rute teve na nossa CWO, pois durante alguns anos os videos que ela religiosamente carregava e publicava foram o conteúdo mais escasso e mais procurado pela comunidade de wrestling online, inclusive, a nível internacional. Num outro blogue, o Wrestling Notícias, eram os nomes de Gandhy (seu administrador à época), Deadman e Wolve (actual administrador do blogue) que mais se destacavam. No mesmo sentido, devo realçar os papéis de Pedro "Axe" Machado enquanto administrador do XBooker e de Fundertaker enquanto seu redactor vocacionado para o "mundo" do puroresu. Por último, na plataforma sapo, tinhamos o blogue do Salvador que contava com muitos seguidores e visitantes.

Ora, foi neste contexto que decidi, também, participar da nossa CWO e contribuir com aquilo que lhe poderia emprestar. Nesse sentido, já em 2007, criei um blogue chamado Wrestling Spam e após alguns meses fui convidado a integrar o XBooker (blogue do qual, tempos mais tarde, me tornaria administrador). Como já havia referido, o ambiente em redor da modalidade no nosso país, nesta altura, era bastante entusiástico, sendo muitos os fãs (desde crianças a adolescentes, passando por outros já mais maduros) que procuravam comentar, dar a sua opinião, debater e discutir, escrever e publicar os seus textos e reflexões, etc. Vivia-se um ambiente bastante saudável e propício ao aparecimento e criação de diversos blogues...os redactores e membros/administradores de cada um procuravam inovador e ser criativos no sentido de apresentar os conteúdos mais variados e interessantes possíveis, tentavam escalpelizar a indústria ao máximo e dissiminá-la o mais possível, apresentavam multiplos top's, entrevistas, jogos, textos, biografias, etc. Era uma época de criação, de inovação, de originalidade e de profundo empenho por parte daqueles que participavam activamente na nossa CWO (chegaram a abrir-se concursos de cronistas, votações para premiar os melhores blogues, cronistas e biografos, etc). E este esforço não era em vão, os inúmeros seguidores e visitantes respeitavam-o e premiavam-o com os seus comentários (sempre críticos, quer no bom, quer no mau sentido), com as suas visitas ao blogue e a própria divulgação do mesmo. É um facto que nem tudo era um mar de rosas...havia certamente conteúdos menos bons e anónimos que demonstravam ódios de estimação por alguns jovens bloggers ainda "verdes", da mesma forma que outros criavam algumas intrigas e brigas idiotas (e aqui reconheço, talvez por falta de maturidade, deixando-me levar, acabei por tomar parte de um ou outro episódio perfeitamente escusado)...mas, a maior dificuldade que se encontrava estava precisamente naquilo que a constante evolução da tecnologia e das redes sociais hoje facilitam tremendamente...o acesso aos conteúdos multimédia. Na altura, recordo-me, não era nada fácil assistir a um RAW, SmackDown ou PPV por stream (elas estavam sempre a ir a baixo ou a parar), tinhamos de esperar longos períodos até que alguém conseguisse fazer download dos shows e depois os carregasse no sapo (porque consumia menos tráfego), enfim, um sem número de condicionalismos e limitações com as quais, quem começou a participar de à pouco tempo para cá na CWO, não teve, nem tem de lidar.




No entanto, e como não poderia deixar de ser, o esmorecimento do clima de euforia que se vivia em redor do pro wrestling, o esfriamento e desencanto de alguns fãs e seguidores, a própria estagnação e algum desinteresse do produto apresentado pela WWE e TNA, entre muitos outros factores, reflectiram-se negativamente na CWO Nacional. Consequentemente, muitos dos cronistas que dinamizavam a blogosfera foram abandonando, os blogues deixavam de produzir conteúdos e foram fechando ou fundindo-se no sentido de sobreviver, os visitantes e seguidores diminuíram consideralvelmente, assim como os comentários e a participação em debates e discussões...desenvolvimentos que tiveram como resultado final a sobrevivência de, apenas, dois das dezenas de blogues que há época se encontravam em actividade, o Wrestling Notícias e o Wrestling PT (resultante das fusões do Galáxia Wrestling, Wrestling Fever, Universo Wrestling e do blogue do Salvador). O próprio XBooker (do qual, recordo, era administrador) fundiu-se com o Wrestling Notícias e eu, por diversas ocasiões, vejo-me obrigado a ausentar-se e a deixar de poder dar o meu contributo pela falta de tempo livre que as novas obrigações e responsabilidades que o mercado de trabalho e a vida pós-universitária me exigem (como eu, muitos outros devem ter-se deparado com as mesmas limitações). Por consequência, também a nossa CWO estagnou e é um facto que nada do que hoje nos é apresentado como conteúdo diverge daquilo que já era feito por volta de 2007/2008. O fim de uma competição saudável entre blogues tem destes efeitos, deixou de haver aquele esforço por aumentar as visitas, deixou de haver uma verdadeira preocupação em diferenciar os conteúdos e inovar, deixaram de se publicar espaços e colunas originais que facilmente distinguiam uns blogues dos outros, etc. E toda esta situação, todo este contexto, acaba, evidentemente, por se reflectir, também, na forma mais fria, afastada e desinteressada com que os visitantes e seguidores destes mesmos blogues se manifestam e/ou participam dos mesmos. Deixem-me esclarecer, contudo, que isto não é uma crítica aos administradores (que claramente dão o seu melhor e muito fazem com os recursos que estão à sua disposição), é antes a constatação de factos, da realidade e de um contexto onde, apesar de termos à nossa disposição os melhores meios alguma vez existentes, nos faltam pessoas genuinamente interessadas em participar e ter voz na CWO.


É, então, acima de tudo, por essa razão que vos escrevo, é por causa desta situação que escolhi a CWO Nacional como tema central da reflexão que agora vos apresento. E é por considerar este assunto importante que sinto o dever de o abordar. Neste sentido, deixem-me que vos desafie enquanto seguidores e visitantes dos mais diversos blogues e da nossa CWO a ser mais interventivos, a participar mais, a tomar parte de discussões e de debates, a ler mais e fazer mais comentários, a ser mais críticos...desafio-vos a procurar, também, expor os vossos textos e reflexões, a dar a vossa opinião sobre aquilo que mais gostam e/ou mais irrita no pro wrestling, a colocar as vossas questões e a fazer a vossas sugestões...a criarem, se for necessário, os vossos próprios blogues ou plataformas que vos permitam ter uma voz mais activa na CWO nacional. Desafio-vos a ser criativos, originais, inovadores e a ajudarem a nossa comunidade a recuperar a dinamização e excitação com que vivia outrora. Mas, se o fizerem, quando o fizerem, não o façam por obrigação...façam-o quando tiveram algo novo e interessante para apresentar, façam-o com prazer e entusiasmo, façam-o enquanto fãs que compreensivelmente têm uma visão muito própria e, por isso, diferente dos demais. Mas façam-o.


E vocês, o que pensam da CWO Nacional?! Estão dispostos a ser mais interventivos e a aumentar a vossa participação?! Querem ou não ter voz na nossa CWO?! Vão ou não responder ao desafio que vos lancei?!


Um Abraço,
Dias Ferreira


PS: Não se esqueçam de indicar temas e assuntos que gostariam de me ver abordar!


Dias is That Damn Good #191 – "O Que Nos Dizem os Ratings?!"

Boas Pessoal!



Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn Good", o espaço com mais história na nossa CWO ;)

O Pro Wrestling, ao longo da sua história, foi uma indústria que em muito beneficiou do mercado televisivo para se consolidar como fenómeno de massas à escala global. Foi, aliás, a revolução no sistema tele-cabo que proporcionou o gigantesco boom a que se assistiu nos anos 80 e que, já nos anos 90 com os shows ao vivo e em directo, permitiu ultrapassar todas as barreiras possíveis e imagináveis. Consequentemente, os números e ratings obtidos pelos programas das maiores promotoras da modalidade em prime-time (maiores que quaisquer outros shows transmitidos à mesma hora), transformaram o próprio business num dos mais rentáveis para as cadeias de televisão que os transmitiam...conquistando, dessa forma, inúmeros patrocínios e uma preponderância inquestionável ao nível dos conteúdos que qualquer estação de televisão gostaria de poder oferecer aos seus telespectadores.

A realidade actual é, contudo, outra. Os conteúdos e produtos mudaram, os públicos-alvo também, assim como a própria sociedade e as expectativas que a mesma tem no que se refere à produção televisiva. Ora, como não poderia deixar de ser, essa situação afectou o Pro Wrestling e a importância que o mesmo representa, enquanto conteúdo, para as diferentes cadeias e estações de televisão. Neste sentido, os ratings ajudam-nos a compreender um pouco as diferenças que encontramos, sobretudo, dos anos 90 para os dias que correm e permitem-nos, ainda, perceber qual a posição e importância emanada pela modalidade na sociedade global da alta tecnologia e das redes sociais em que vivemos. E esta será a temática do texto que hoje vos escrevo, onde procurarei, através da análise dos ratings, fazer uma pequena reflexão sobre as indicações que os mesmos nos têm vindo a dar.

Não percam, por isso, as próximas linhas...



Os anos 80 têm um significado especial para o Pro Wrestling pois foi no decorrer destes que a modalidade e a indústria conheceram a sua primeira gigantesca explosão. Esta foi a década de Hulk Hogan, Randy Savage, Roddy Piper, Ultimate Warrior e Jake Roberts, entre muitos outros, na WWE e de Ric Flair com os Four Horsemen, Dusty Rhodes, Road Warriors, Magnum TA, Lex Luger e Sting, e outros, na NWA/WCW. Mas foram, acima de tudo, os anos em que os serviços de televisão por cabo revolucionaram por completo o mercado televisivo norte-americano. E esta revolução teve como grandes precursores a TBS de Ted Turner (que transmitia os eventos da Jim Crocket Promotions – NWA) e a USA Network (que, por sua vez, transmitia os espectáculos da WWE). Pela primeira vez na história dos EUA, duas estações de televisão conseguiam cobrir por completo o território do país e levar a casa dos seus habitantes e telespectadores os seus conteúdos. Ora, foi desta forma que o Pro Wrestling (que até então tinha, apenas, uma dimensão regional e estatal) passou a ter uma dimensão, visibilidade e mediatismo nacionais, tornando-se num fenómeno de popularidade em pouco tempo e conquistando milhões de adeptos e seguidores. Por consequência, os wrestlers que, agora, apareciam nas televisões de todos os norte-americanos tornaram-se cada vez mais famosos, as arenas começaram a ficar lotadas e o merschandising vendia-se a um ritmo record. Assistia-mos, então, ao primeiro grande boom da modalidade e ao reconhecimento da fundamental importância que a televisão passava a deter no desenvolvimento das promotoras e da indústria.

Já nos anos 90, depois de um período em que o ambiente e entusiasmo em redor do Pro Wrestling havia esmorecido, a televisão viria a dar, de novo, provas da preponderância que havia conquistado no seio do business. Situação essa que se verificou quando, em 1993, a WWE criou o WWE Monday Night RAW, um dos primeiros talk-shows, com registo semanal e gravado ao vivo. Mais tarde, seria a vez da WCW apresentar um programa no mesmos moldes, o WCW Monday Nitro. Ora, este fenómeno originou toda uma nova situação, desde logo pela regularidade da programação, mas também, e sobretudo, porque a partir daquele momento, os conteúdos das duas maiores promotoras da modalidade passariam a competir em prime-time uns com os outros, mas também com os restantes conteúdos apresentados pelas mais diversas estações de televisão. E neste ponto, os ratings e a capacidade de aglomerar patrocínios e verbas, passaram a ter capital importância no desenvolvimento de todo este processo. Consequentemente, a partir desta altura, as companhias de Pro Wrestling tiveram de se aplicar e dar o seu melhor no que concerne aos seus conteúdos e produtos, pois só assim conseguiriam conquistar e agarrar os fãs, competir uma com a outra e, mais importante que tudo o resto, fazer frente à restante programação e conteúdos oferecidos pelos distintos canais televisivos. Foi, portanto, este o contexto que nos levou aos maior desenvolvimento jamais assistido na modalidade e à obtenção de números e ratings que nunca se julgaram ser possíveis de alcançar. Foi este o estádio que nos trouxe à modernização e realismo da nWo na WCW e ao anarquismo e super-entretenimento da Attitude Era na WWE.



A actualidade, no entanto, vive-se num contexto completamente diferente. O encerramento da WCW e a sua aquisição por Vince McMahon destruiu quase por completo a concorrência e, no que ao pro wrestling diz respeito, instaurou um poderoso monopólio da WWE. Sem concorrência directa, a empresa tem facilitado, deixou de inovar e de apresentar conteúdos verdadeiramente criativos e interessantes, contribuíndo em grande medida para a estagnação do business e para a perda gradual de adeptos e seguidores a que se vem assistindo ao longo da última década. Consequentemente, os números baixaram e os ratings caíram consideravelmente, situação que retirou e retira ao Pro Wrestling enquanto conteúdo a importância fundamental que outrora detinha. No mesmo sentido, todo um novo conjunto de programas e formas de entretenimento foram conquistando o seu espaço e, concorrendo com a WWE, têm-lhe vindo a ganhar terreno. Neste ponto, é a UFC, enquanto grande promotora de Mixex Martial Arts, quem mais estragos tem produzido, aglomerando uma vasta legião de fãs por todo o mundo e expandindo a sua indústria de uma forma exponencial. A UFC ganhou muito terreno à WWE e os seus ratings têm obtido valores consideravelmente elevados, situação que se compreende pelo facto de, enquanto desporto e modalidade de combate puro e duro, os seus combates e confrontos serem reais. Ora, como me parece óbvio, quando se deixa de apostar na inovação e na criatividade no que às storylines diz respeito e se passa a exercer o foco nos combates e em rivalidades à volta dos títulos, não se pode querer ao mesmo tempo ser capaz de competir com uma companhia que produz o mesmo tipo de conteúdo mas com um carácter verdadeiro e real.

E, de facto, é isso que a WWE necessita compreender. Precisa perceber que é nas pequenas grandes coisas que tornam o pro wrestling diferente dos desportos de combate (o sports entertainment das grandes histórias e rivalidades) que a companhia pode fazer a diferença, marcar a sua posição e voltar a conquistar terreno e seguidores. Por outro lado, os ratings também nos mostram que é necessário olhar os novos conteúdos apresentados pelos mais diversos canais de televisão e verificar quais aqueles que mais telespectadores "prendem", quais aqueles que a sociedade global em que vivemos privilegia, quais aqueles em que grande parte da população mais se revê. Só isso permitirá fazer uma reciclagem do produto no sentido de substituir o obsoleto pelo novo e refrescante. É um facto que temos, sobretudo nos últimos tempos, assistido a um rejuvenescimento das caras que a WWE semanalmente nos apresenta e que esses novos talentos conseguem diferenciar-se mais facilmente, apresentam características e personalidades bem distintas e que a sua qualidade e potencial são superiores. Contudo, pergunto-me que grande história (que não trate exclusivamente de wrestling) está a ser contada nos RAWs e SmackDowns?! Que angles permitem diferenciar os vários RAWs e SmackDowns produzidos pela WWE?! O que tem acontecido nos diferentes programas e shows que os tenha tornado dignos de registo e memoráveis?! À pergunta o que aconteceu no RAW ou SmackDown de há três semanas, alguém consegue responder?! Alguma coisa ficou na memória por ter valido realmente a pena assistir?! Enfim, um conjunto de questões que devem preocupar a WWE e às quais a companhia necessita responder urgentemente no sentido de melhorar e de se aperfeiçoar....no sentido de dar a volta à actual situação e colocar o pro wrestling, como antes, numa posição de relevo e de fundamental importância para os canais de televisão. Só dessa forma a indústria e o business poderão voltar a crescer, a aumentar o seu número de fãs e seguidores e, acima de tudo, a constituir uma alternativa credível aos restantes conteúdos e programação televisiva.


E a vocês, o que vos dizem os ratings?! Qual julgam ser a sua verdadeira importância?!


Um Abraço,
Dias Ferreira


PS: Não se esqueçam de indicar mais temas e assuntos que gostariam de ver ser abordados nesta coluna.


Dias is That Damn Good #190 – "Dave Meltzer e os Dirt Sheets"

Boas Pessoal!



Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn Good", o espaço com mais história na nossa CWO ;)

Com a explosão do Pro Wrestling enquanto indústria e negócio de entretenimento e a sua transformação num fenómeno de massas à escala global, o aparecimento de diversos jornais, revistas e blogues, cujo tema se centra nos mais variados aspectos da modalidade, deu-se de forma bastante natural e quase incontrolável. Por consequência, muitos daqueles que estavam à frente das administrações e/ou redacções desses mesmos "dirt sheets" de maior repercussão (de entre os quais podemos destacar, claramente, Dave Meltzer), ganharam alguma visibilidade e notoriedade, passando as sua palavras e escritos a exercer uma clara influência perante muitos fãs, inúmeros wrestlers e, inclusive, alguns promotores.

Neste sentido, se a existência deste tipo de "órgãos de comunicação" afectos ao Pro Wrestling são de salutar e assumem um papel importante na difusão do próprio business, por outro lado, o modo completamente desregulamentado como funcionam e o facto de não terem de prestar contas e/ou provas do que afirmam a ninguém, leva muitas vezes à criação de situações e ambientes menos positivos e pouco esclarecedores em redor da modalidade. A este respeito colocam-se então várias questões: Qual o papel e influência dos "Dirt Sheets"?! Quais as responsabilidades dos "Dirt Sheets" para com o Pro Wrestling e os seus actores?! Que alterações ao nível dos conteúdos e produto são forçadas pelos "Dirt Sheets?! De que forma os "Dirt Sheets" moldam e transformam o pensamento e relacionamento dos fãs para com a indústria?! Enfim...um vasto conjunto de interrogações às quais, ao longo do presente texto, procurarei dar resposta.

Não percam, portanto, as próximas linhas...



Como acontece com qualquer fenómeno de massas ou actividade que exerça um grande fascínio sobre uma vasta quantidade de gentes, os "órgãos de comunicação" que se criam em seu redor nascem não só pelo entusiasmo que esses eventos geram nos seus adeptos e seguidores, e pela necessidade que os mesmos sentem de dar a conhecer as suas reflexões e comentários, mas, também, pela exigência de manter informadas as pessoas que os assistem e que procuram de forma incessante mais e maior conhecimento acerca de algo que, de facto, as maravilha. Por outro lado, se é verdade que estes "órgão de comunicação" apenas nascem devido à dimensão e mediatismo que determinados fenómenos atingem, não é menos verossímel que eles dão uma contribuição fundamental para que as actividades em que se focam possam atingir públicos maiores e mais amplos. Ora, neste caso, o Pro Wrestling não foge à regra. Enquanto indústria de Sports Entertainment e business que cresceu exponencialmente ao longo dos anos até atingir uma dimensão global, a modalidade também deu origem ao aparecimento dos seus próprios órgãos de comunicação que, por sua vez, muito contribuíram para o seu desenvolvimento e disseminação. Neste sentido, os "Dirt Sheets" (nome utilizado no vocabulário do Pro Wrestling para classificar os seus órgãos de comunicação) passaram a desempenhar um papel e função importantíssimos para a modalidade, informando de uma forma mais regular e menos encapotada os seus seguidores, espectadores e adeptos, e divulgando os mais diversos eventos, programas e ppvs das suas promotoras. Por consequência, os "Dirt Sheets" pelo seu alcance, proximidade e facilidade de acesso junto dos fãs, começaram a deter uma tremenda influência na indústria, especialmente, no seio de grande parte dos seus adeptos e seguidores mas, também, junto de muitos wrestlers, todos eles, claramente, condicionados pelo tipo de informações e reflexões neles contidos.

Por outro lado, as novas tecnologias, a internet e as redes sociais favoreceram a abertura deste tipo de actividade a qualquer pessoa, deixando de importar o conhecimento ou formação que a mesma possui e o modo mais ou menos profissional com que expõe os seus conteúdos. Deste modo, a generalização dos "Dirt Sheets" levou a uma desregulamentação total da sua actividade. Aos jornalistas, embora muitos não o cumpram, ainda se faz uma exigência e pressão no sentido de respeitarem o seu código deontológico, no entanto, com a disseminação de "dirt sheets" que se verificou, tornou-se impossível condicionar ou limitar quaisquer conteúdos apresentados, ficando o maior ou menor respeito para com as promotoras e seus workers ao critério do maior ou menor bom senso da parte de quem escreve e publica. Neste sentido, a indústria deparou-se com um sem número de novos problemas e desafios causados pelos "dirt sheets" com fenómenos como os spoilers, as fugas de informação, os ataques cerrados a determinados wrestlers, wokers e/ou promotores, o incitamento a guerras entre determinadas personalidades do business, o doutrinamento de uma visão única acerca do que é e deve ser o Pro Wrestling, entre muitos outros. Problemas e desafios esses que obrigaram as promotoras a alterar substancialmente os seus conteúdos e produto e que tornaram bastante mais difícil a criação e construção de um espectáculo que vá de encontro às expectativas dos fãs. E, neste ponto, os "Dirt Sheet" desempenham um papel bastante nefasto e perverso ao substituir as suas verdadeiras funções e responsabilidades de informar e divulgar a modalidade, pela fabricação de informação e a tentativa de gerar buzz e controvérsia a todo o custo, apenas para aumentar as vendas, os números de seguidores e visitas e os patrocínios, deturpando a real vocação da sua actividade e transformando-a num negócio onde apenas o "lucro" importa...e aqui, infelizmente, não são diferentes de nenhum outro órgão de comunicação associado aos mais variados desportos, dos quais os jornais desportivos portugueses são um excelente exemplo na forma como mentem e inventam com o propósito de aumentar as vendas.



Assim, e como não poderia deixar de acontecer, alguns "dirt sheets" e seus administradores e/ou redactores foram ganhando uma maior visibilidade, face aos números de seguidores que ao longo dos tempos conseguiram "amealhar". Neste sentido, o Wrestling Observer e o Pro Wrestling Illustrated são, de longe, aqueles que mais mediatismo e crescimento conseguiram averbar, sendo que o administrador do primeiro, Dave Meltzer, conseguiu para si um claro destaque em relação aos demais. Porém, se por um lado o Pro Wrestling Illustrated desempenha o seu papel e função enquanto órgão de comunicação afecto ao Pro Wrestling de uma maneira bastante correcta para com a indústria e os seus simpatizantes (produzindo um conteúdo que, em grande medida, vai de encontro aos adeptos "smark" e "mark"), por outro lado, o Wrestling Observer de Dave Meltzer, como grande "smart" que arroga ser, assume uma postura completamente diferente, para pior (na minha opinião). Meltzer e o seu "dirt sheet" são o "Guru" dos chamados "smarks", apresentando como conteúdos uma visão e interpretação da modalidade e do sports entertainment que deixa muito a desejar e que, por vezes, não encontra qualquer explicação para as "teses" que defende. Como já devem ter percebido (e não tenho qualquer problema em reconhecê-lo) sou um grande crítico de Meltzer e do seu trabalho. Ora, isso acontece, em grande medida, não só pelo facto de Meltzer ser alguém que gosta de demonstrar conhecimentos e ligações ao mundo do pro wrestling que, de facto, não tem ou que, mesmo tendo, têm muito menor relevância, mas também por ser um daqueles pseudo-jornalistas que gostam de fabricar noticias e de criar alguma controvérsia com situações mesquinhas, apenas para aumentar a sua visibilidade e notoriedade. Por outro lado, e como já tive oportunidade de referir é alguém cuja visão acerca da modalidade me levante sérias reservas. Tomemos por exemplo as suas classificações para melhor wrestler, melhor promotora, melhores combates, etc. Como é possível que ele muito raramente escolha para o prémio de melhor wrestler aquele que está mais over, que vende mais merschandising e que enche mais arenas?! Como é possível que alguma promotora possa ser classificada de melhor que a WWE quando, na verdade, no que ao sports entertainment diz respeito, ainda que a companhia de Vince McMahon apresente um produto algo enfadonho e repetitivo, nenhuma outra lhe consegue fazer cócegas?! Como é aceitável que, grande parte das vezes, escolha para melhores combates muitos dos que ocorrem no circuito independente, onde a psicologia de ringue é praticamente inexistente e cujo draw do próprio match é altamente residual?! Enfim, pequenos exemplos que demonstram como Meltzer não compreende, verdadeiramente, o que é o Pro Wrestling e o Sports Entertainment...que não percebe que estamos perante um espectáculo de entretenimento onde o atleticismo tem fundamental preponderância, mas não num desporto de combate, com lutas reais e títulos obtidos pela superioridade físico-atlética dos competidores. E o pior é que este tipo influencia muitos adeptos e, infelizmente, muitos wrestlers da nova geração (como os Generation Me/Young Buks, Christopher Daniels e Kazarian, Davey Richars e Eddie Edwards, Jay Lethal, entre muitos outros) e alguns promotores (como, especialmente, Dixie Carter).

Conclusões

Tal como acontece com os restantes órgãos de comunicação afectos a determinado fenómeno, foi o crescimento e dimensão global do Pro Wrestling enquanto enquanto actividade de massas que proporcionou a criação e aparecimento dos seus próprios órgãos de comunicação, conhecidos por "Dirt Sheets". Por outro lado, os "Dirt Sheets" foram fundamentais para o desenvolvimento e ulterior crescimento da modalidade, através da constante e regular informação que passava aos fãs e seguidores do business e, também, pela proximidade e facilidade de acesso junto dos mesmos. Em contrapartida, a generalização e disseminação dos "dirt sheets" permitiu que qualquer um pudesse expor as suas opiniões e fazer-se ouvir "mundo fora", contribuindo para uma completa desregulamentação desta actividade cujo maior ou menor profissionalismo e maior ou menor respeito para com a própria indústria e seus trabalhadores ficou ao critério de cada um e do seu bom senso ou falta dele. Esta situação não só criou constrangimentos às promotoras que se viram obrigadas a alterar os seus conteúdos e produto, para fazer face aos novos problemas e desafios causados pelos "Dirt Sheets". Mas transformou, também, em grande medida, muitos dos órgãos de comunicação afectos ao pro wrestling numa espécie de negócio onde tudo é permitido (desde a fabricação de notícias ao fomento de intrigas) desde que assegure mais vendas, seguidores, visitas, patrocínios e lucro...por substituição ao verdadeiro papel de promoção da modalidade e prestação de informação e esclarecimentos pelo qual qualquer órgão de comunicação deste meio se deveria reger. Por último, e tirando proveito desta situação, alguns "dirt sheets" e seus administradores e/ou redactores conseguiram alcançar alguma visibilidade e notoriedade, de entre os quais podemos destacar mais claramente o Wrestling Observer de Dave Meltzer. Personalidade essa cuja visão sobre a modalidade deixa muito a desejar e cujas teses são, maioritariamente, inexplicáveis e injustificáveis...desde logo, por exemplo, se pegarmos na forma como classifica os melhores wrestlers, as melhores promotoras e/ou os melhores combates. Situação essa que se torna ainda mais perversa quando influencia uma vasta quantidade de seguidores e adeptos da modalidade, muitos wrestlers e, até, alguns promotores. Por contraponto ao "trabalho" desenvolvido por Dave Meltzer, temos o Pro Wrestling Illustrated que, não só faz uma análise e interpretação correcta do que é verdadeiramente o pro wrestling e em que consiste o sports entertainment, como procura, informando e esclarecendo, produzir conteúdos que vão de encontro às aspirações dos mais diversos fãs, sejam eles "smarks" ou "marks"...sem que, no entanto, deixe de respeitar, sempre, a modalidade e os seus praticantes.


E VOCÊS, O QUE PENSAM DE DAVE MELTZER E DOS DIRT SHEETS?!

Um Abraço!
Dias Ferreira



PS: Não se esqueçam de indicar assuntos e temas que gostariam de ver ser abordados no espaço "Dias is That Damn Good".

Dias is That Damn Good #189 – "Qual a Importância dos Títulos no Pro Wrestling?!"

 Boas Pessoal!


 Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn Good", o espaço com mais história na nossa CWO ;)

Em qualquer desporto os títulos assumem o papel fundamental de classificar aqueles que os possuem como sendo os melhores naquilo que fazem. Nos desportos de combate, essa mesma situação não foge à regra, os títulos qualificam aqueles que produzem um melhor desempenho nas mais diversas categorias das mais variadas modalidades. Mas quando chegamos a uma indústria como o Pro Wrestling, cujo conteúdo se centra no "Sports Entertainment", o caso muda de figura...

Qual a credibilidade de um título num processo de resultados combinados?! Qual a importância de um título num business de entretenimento?! O que têm a ganhar os wrestlers que possuem os títulos?! Que papel e/ou funções desempenham verdadeiramente os títulos?! Um sem número de questões às quais, ao longo do presente texto, procurarei dar resposta.

Não percam, portanto, as próximas linhas...



No desporto em geral e nas suas mais variadas expressões e modalidades em particular, os títulos definem aqueles que se destacam como os seus melhores praticantes. Eles permitem que os adeptos e espectadores consigam compreender facilmente que o melhor entre os melhores é o campeão, o homem e/ou mulher que porta o título. Mas estes desportos tratam de uma competição bastante séria, credível, real e regulamentada e os títulos são os prémios entregues aos que apresentam uma performance do ponto de vista atlético-competitivo superior à dos demais. Nestas competições e modalidades desportivas, o entretenimento não tem qualquer influencia na forma como se desenrolam os acontecimentos, estejamos a falar de jogos, de corridas, de concursos e/ou de combates. Aqui, sabe-se, o melhor vence e recebe o título, ponto final. Por outro lado, quando falamos de Pro Wrestling e, por consequência, de "Sports Entertainment", sabemos, à priori, que os resultados são combinados, sabemos que os vencedores são escolhidos por quem dirige as promotoras da indústria e sabemos, ainda, que esses títulos estão nas mãos daqueles que, pelas mais variadas razões, em determinado momento, melhor representam os interessas das companhias. Neste sentido, procurar fazer uma analogia entre os portadores de títulos no pro wrestling e os detentores de títulos nas restantes modalidades é errado. E é errado porque não se podem fazer comparações entre variáveis tão distintas e com objectivos tão diferentes...o resultado seria sempre algo injusto, algo carente de seriedade e de credibilidade.

Dito isto, importa perceber, ainda, que os campeões no pro wrestling não serão, nunca, aqueles que melhor desempenho apresentam dentro dos ringues, mas sim aqueles que mais e melhor apoio recebem das plateias, aqueles que mais e melhores apupos geram no público, aqueles que mais merschandising vendem e arenas enchem, aqueles que mais seguidores e fãs possuem, em suma, aqueles que mais lucros dão a ganhar às empresas a que pertencem. No entanto, como é óbvio, a combinação perfeita, para definir o melhor dos campeões, passará pelos wrestlers que conseguem conjugar uma excelente in-ring performance às restantes vertentes. Por consequência e em contraste com o que acontece nos restantes desportos, no pro wrestling, os títulos não "fazem" ninguém, muito pelo contrário, é a actuação e performance dos lutadores que os possuem que, por sua vez, dará ou não credibilidade aos títulos. Desta forma, verificamos que quanto melhor for o wrestler (nas suas mais diversas características, qualidades e capacidades) e quanto melhor for o booking que o mesmo recebe por parte das equipas criativas, maior será a credibilidade e importância que o título que ele possui terá perante os adeptos, fãs e seguidores da modalidade. Este é um paradigma fundamental para compreender a utilização e funcionalidade dos títulos e, acima de tudo, para perceber o porquê de, nos mais variados momentos, os títulos estarem nas mãos do wrestler x ou y.



Pelas razões que mencionei anteriormente, também se torna perceptível que uma rivalidade ou confronto que decorra tendo por base, tão só e apenas, a disputa de um título, pouco interesse gerará em seu redor e poucas consequências práticas rentabilizará para os lutadores em causa e própria promotora. Porque disputar um título pelo próprio título é algo que se faz nos restantes desportos, onde o resultado é imprevisível e o vencedor tem mérito na obtenção do prémio final...ora no pro wrestling o importante é construir uma história em redor da disputa do título e, com ela, aglutinar o interesse e entusiasmo dos fãs. Só dessa forma a disputa do título será relevante e os lutadores intervenientes ganharão alguma coisa com o combate em si...mais, só dessa forma o título terá mais e maior significado. Esta é uma situação transversal a todos os campeões, a todas as disputas de títulos, a todos os títulos. Por outro lado, e sabendo que no pro wrestling os títulos assumem uma dupla-função e papel (a de, também, estratificarem as várias divisões dos planteis e rosters das mais variadas companhias) verificamos que em redor do título mundial estarão os main eventers, que em volta dos títulos de televisão, intercontinental e/ou dos EUA estarão os mid carders, que na disputa pelos tag team titles estará a divisão de equipas, que no embate pelo título feminino estarão as lutadoras e, em alguns casos, que haverá ainda títulos para uma divisão de wrestlers mais pequenos e leves. Ora esta situação e estratificação pelos títulos, ajuda-nos a perceber um pouco melhor o alinhamento dos combates e cards dos mais diversos eventos e, por consequência, a compreender um pouco melhor quais os títulos e wrestlers que, para determinada empresa, têm mais e maior importância. Saltando, contudo, à vista de todos que os títulos mais preponderantes e os wrestlers que os disputam estão sempre protegidos pelas melhores storylines e feuds que decorrem nessa mesma promotora.

Conclusões

Ao contrário do que acontece nos restantes desportos, e em particular nos de combate, no Pro Wrestling como modalidade de Sports Entertainment os títulos não são conquistados ou disputados num combate e/ou confronto verdadeiro e real, são, antes de mais, entregues aos wrestlers que, em determinado momento, melhor servem os interesses das promotoras a que pertencem, mediante um resultado combinado à priori. Consequentemente, os campeões portadores de títulos não são, geralmente, aqueles que melhor desempenho apresentam dentro do ringue, mas sim aqueles que mais fãs e seguidores possuem e que mais lucros permitem assegurar às suas empresas. Assim, os títulos ajudam a classificar e a qualificar o talento que, em determinado momento, se revela mais importante e fundamental para a promtora, mas a credibilidade do título em si só encontra significado na qualidade da performance do wrestler que o carrega. No mesmo sentido, a disputa e combate por um título será mais relevante consoante a qualidade e profundidade da construção da história e rivalidade que o envolve. Por outro lado, os títulos assumem uma dupla-função, tarefa e papel. Não só o de classificar o melhor talento da companhia no que ao Sports Entertainment diz respeito, mas também o de estratificar os planteis das mais variadas empresas no sentido de definir quais os seus main eventers e mid carders e quais as suas divisões (equipas, feminina, pesos-leves, etc.). Por fim, esta situação verifica-se na marcação dos mais variados cards, onde os wrestlers e disputas de títulos aparecerão numa ordem de gradual importância para as mais diversas companhias. Portanto, podemos concluir que os títulos no Pro Wrestling, mais do que o resultado de uma conquista, são, sobretudo, um prémio e o reconhecimento da importância que determinado wrestler tem quer para a promotora a que pertence, quer para os fãs e seguidores da modalidade, quer para a própria indústria e business.


E vocês, o que têm a dizer sobre a importância dos títulos no Pro Wrestling?!

Um Abraço!
Dias Ferreira


PS: Não se esqueçam de indicar assuntos, temas e matérias que gostariam ver ser tratadas neste espaço.

Dias is That Damn Good #188 – "O Main Stream Wrestling e o Indy Wrestling"

Boas Pessoal!


Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn Good", a coluna com mais história na nossa CWO ;)

No Pro Wrestling, normalmente, qualificam-se e classificam-se as mais variadas promotoras tendo por base a sua dimensão estrutural e organizacional, mas também, tendo em conta a quantidade dos seus seguidores e número de fãs. É neste sentido que as expressões "main stream" e "indy" surgem, respectivamente, como forma de caracterizar as promotoras de maior dimensão e visibilidade e aquelas cujo tamanho diminuto faz com que sejam seguidas por pequenos grupos de adeptos.

Contudo, esta distinção, actualmente, já não se faz, nem pode fazer, apenas no que respeita à dimensão das mais variadas companhias. Pois o produto apresentado pelas empresas começou, de há uns anos a esta parte, a assumir-se como uma peça fundamental deste puzzle, desta problemática. Deste modo, o "main stream wrestling" e o "indy wrestling" embora tenham como objectivo final o entretimento dos fãs e das plateias, denotam grandes diferenças entre si, especialmente, na forma como pretendem chegar ao público e entretê-lo.

Ora, será, então, nesta dicotomia entre "main streams" e "indy promotions" e entre "main stream wrestling" e "indy wrestling" que centrarei o tema do texto que agora vos escrevo, procurando não só enumerar as diferenças entre ambos, mas também descontruir a ideia que assume os dois conceitos como indispensáveis às companhias que os utilizam.

Não percam, portanto, as próximas linhas...


Como julgo ser do conhecimento geral, o Pro Wrestling não é uma modalidade ou desporto de combate puro e duro. É, antes de mais, uma forma de arte e de entretenimento onde os wrestlers (seus actores e peças fundamentais) encenam as mais variadas histórias, rivalidades e combates, dentro de um ringue ou fora dele, utilizando-se das ferramentas que a natureza lhes concedeu, os seus corpos. Mas é, ao mesmo tempo, uma prática e modalidade que exige dos seus praticantes uma capacidade atlética ao mais alto nível...e, talvez por isso, a melhor forma de o classificar seja através da expressão "Sports Entertainment". Neste sentido, compreende-se que é impossível na criação de um espectáculo deste género descuidar quer o aspecto físico e atlético, quer o aspecto que respeita à encenação e entretenimento que o constituem. Logo, indispensável a qualquer evento de Pro Wrestling são os combates, assim como a qualidade e o realismo dos mesmos. Por outro lado, é fundamental o desenvolvimento da história, da rivalidade e da construção do próprio combate. E o "Sports Entertainment" significa isso mesmo, representa a dicotomia entre a construção de uma série de acontecimentos e situações (que, mais do que levarem à marcação de um combate, têm por objectivo interessar e entusiasmar as pessoas a ver determinado confronto) que levam à realização de combates (que, por seu lado, devem ser o resultado da história e rivalidade que esteve na sua génese). Assim, e tendo por base as considerações que teci anteriormente, se tomar-mos os exemplos da WWE e da TNA como main streams e da ROH como indy, compreede-mos que o conceito de Pro Wrestling está sugeito a diferentes interpretações, mas verificamos, sobretudo, que essas interpretações serão mais distintas ainda entre promotoras main stream e promotoras indy. Por consequência, esta diferença agudiza-se e extrema-se naquilo que é a conceptualização de conteúdos e do produto que os diferentes tipos de companhias apresentam.

As empresas main stream do business (WWE e TNA) por estarem implementadas no mercado televisivo e de ppvs e por terem uma base de fãs e seguidores de maior dimensão e mais estável, acabam por ter uma posição mais facilitada na resolução desta problemática. De uma maneira ou de outra, com melhor ou menor qualidade, com maior ou menor grau de sucesso, compreendem e consequem aplicar o conceito de Pro Wrestling tal como o descrevi. De facto, quer a WWE, quer a TNA, preocupam-se em construir histórias, rivalidades e personagens, assim como segmentos e entrevistas, que ajudam a preparar e a construir os combates. Acima de tudo, utilizam-se e recorrem ao entretenimento como forma de influenciar o público e de fazer com que este queira ver determinado confronto ao ponto de estar disposto a pagar para que tal aconteça. Por outro lado, estas companhias main stream não colocam de parte o aspecto mais atlético e desportivo da equação...elas preocupam-se com a realização de combates que vão de encontro às expectativas dos fãs, preocupam-se com as capacidades in-ring dos intervenientes no sentido de poderem proporcionar o melhor dos espectáculos, mas também e sobretudo com a qualidade desses mesmos combates e dos momentos especiais, memoráveis, inesquecíveis e/ou épicos que deles possam decorrer. Ainda a este respeito, importa relembrar que os confrontos não são reais ou verdadeiros e que, por essa razão, se os wrestlers envolvidos, no decorrer dos combates, não interpretarem os sinais das plateias e tentarem envolve-las, se não derem vida às suas próprias personagens, e se não enquadrarem as storylines e feuds que os levaram a enfrentar-se, então esse pro wrestling match terá sempre uma qualidade muito menor que aquele que à partida se lhe podia reconhecer.


As promotoras indy, de entre as quais a ROH surge como figura de proa e se assume como o expoente máximo das mesmas, enfrentam outro tipo de problemas no que toca à resolução deste fenómeno. Ao contrário das main streams, o seu grupo de fãs e seguidores é algo diminuto e residual e, por outro lado, o seu mediatismo e visibilidade está fortemente constrangido e condicionado pelo facto de não terem a abertura do mercado televisivo e pelos elevados custos que acarreta entrar no mercado ppv (isto apesar da ROH, ao contrários das restantes indy promotions, já possuir um programa semanal de 50 minutos na pequena estação de televisão que a detém e de, há bem pouco tempo, se ter estreado no mercado ppv tradicional – anteriormente utilizava o formato ippv). Neste sentido, impõem-se às companhias indy obsctáculos como a necessidade de interessar e entusiasmar os fãs, sem que se verifiquem grandes possibilidades de dar a conhecer à priori os seus wrestlers e talentos e, acima de tudo, de educar as plateias e os telespectadores relativamente ao seu produto. Assim, o modo que estas indys encontraram para dar a volta à situação, passou por se diferenciarem grandemente das main streams no que respeita aos conteúdos e formatos que apresentam nos seus shows e espectáculos. Desta forma, e assumindo-se como companhias de Pro Wrestling que produzem única e exclusivamente Pro Wrestling, rejeitaram quase por completo a ideia de "Sports Entertainment" e começaram a dar uma substancial importância ao que acontecia in-ring, em detrimento do aspecto entretenimento. Ora, esta situação levou a que nos combates dos circuitos independentes, os wrestlers colocassem de parte itens fundamentais como os seus gimmicks e as histórias e rivalidades que deveriam ser a razão da realização desses mesmos matches. Como consequência dessa situação, os combates passaram a travar-se a alta velocidade e a estar repletos de spots em detrimento da psicologia de ringue e os próprios cards dos espectáculos passaram a ter confrontos marcados muitas vezes sem grandes razões ou causas que os justificassem, com a excepção da disputa de títulos. Adensaram-se, assim, as diferenças entre o main stream wrestling e o indy wrestling...entre aqueles que recorrem ao Sports Entertainment e aqueles que, de certa forma, o rejeitam.

Conclusões

Fazer uma distinção entre qual dos dois estilos e/ou modelos (se o main stream wrestling, se o indy wrestling) é mais interessante, mais apelativo, mais entusiasmante e tem melhor qualidade, será sempre uma questão subjectiva e ela estará sempre condicionada por aquilo que são as nossas preferências relativamente aos conteúdos a que gostamos de assistir. No entanto, se as main streams ao regerem-se pelas "leis" do sports entertainment e ao levarem a cabo a sua aplicação estão, na minha opinião, a respeitar o Pro Wrestling como ele deve ser compreendido e têm denotado um enorme sucesso com essa opção. Por outro lado, as indy promotions ao centrarem os seus conteúdos e produto num formato que penaliza substancialmente o entretenimento, não só negligenciam uma parte fundamental daquilo em que consiste o Pro Wrestling, como inviabilizam o aspecto que torna a modalidade e a indústria diferente dos restantes desportos de combate e isso só as penaliza a elas próprias (até porque, se alguém quiser ver apenas combates, preferirá sempre fazê-lo quando eles são reais e verdadeiros...preferirá sempre, por exemplo, os eventos de MMA). Mas o pior de tudo é o facto dos promotores de indy wrestling não compreenderem que arrogando-se de verdadeiros defensores do pro wrestling, estão de facto a negligenciá-lo e a amputá-lo e que isso, não só se revela prejudicial para os jovens wrestlers (que acabam por revelar mais dificuldades na adaptação ao produto das main streams, onde realmente podem fazer dinheiro e ter sucesso), para o business e indústria, mas, acima de tudo, para as próprias promotoras indy que ficam consignadas a um pequeno núcleo de seguidores, sem capacidade para aglutinar novos públicos e se vêem, por consequência, impossibilitadas de crescer e de fazer bons contratos com patrocinadores e grandes cadeias de televisão. E aqui, levanta-se a questão, qual a empresa que, no perfeito juízo da sua administração, não pretende crescer...


E vocês, o que pensam das diferenças entre o "main stream wrestling" e o "indy wrestling"?! Qual o estilo que preferem?!


Um Abraço!
Dias Ferreira


PS: Não se esqueçam de indicar temas e assuntos que gostassem que eu abordasse em próximas edições deste espaço.

Dias is That Damn Good #187 – "Quem Matou a WCW?!"

Boas Pessoal!



Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn Good", a coluna com mais história na nossa CWO ;)

Se há coisa que, enquanto fã de Pro Wrestling, procuro fazer é obter o máximo de conhecimento e saber a respeito da indústria e seus praticantes. Neste sentido, acreditem quando vos digo que perco horas e horas a fio, não só a ver os shows semanais e ppvs das mais diversas promotoras, mas também a visionar os dvds, os documentários e as shoot-interviews, assim como a ouvir os mais variados podcasts e a ler os mais diversos blogues. Desta forma, se há algo que posso testemunhar de comum entre todos estes programas e que os liga, é o facto de haver sempre, ou quase sempre, uma pergunta que se continua a fazer, com mais frequência que as restantes, que é, invariavelmente, a questão do encerramento da WCW e do responsável ou responsáveis por esse acontecimento.

Normalmente, respondendo a esta problemática, surgem sempre quatro grandes nomes...o de Vince McMahon, o de Eric Bischoff, o de Vince Russo e o da AOL. Ora, será, desta forma, na procura de reflectir sobre o papel que cada um dos actores anteriormente mencionados desenvolveu e que responsabilidade teve no encerramento da WCW que irei focar o presente texto...tentanto, ainda, numa conclusão, apresentar e nomear aquele que acredito ter sido o verdadeiro responsável pela morte da companhia.

Não percam, portanto, as próximas linhas...



  • Vince McMahon

Nos finais dos anos 70 e no decorrer dos anos 80 Vince McMahon comprou um sem número de guerras. Na tentativa de dotar a sua WWE de uma exposição à escala global e de a tornar numa main stream da indústria, o, ainda jovem, empresário sufocou e garroteou, quase por completo, as várias promotoras que, à época, estavam distribuídas pelos mais diversos territórios, sendo que cada uma delas dominava aquele em que actuava. Consequentemente, Vince McMahon foi adquirindo promotora a promotora e conquistando território a território, até haver quase só a WWE e a Jim Crockett Promotions. Ao que parecia, a guerra teria terminado por ali. Na mesma altura, a WWE crescia a olhos vistos e a modalidade, acompanhando-a, entrava num boom incrível, alcançando um mediatismo e um sem número de fãs e seguidores até então nunca antes registado. Por seu turno, a Jim Crockett Promotions, depois de 3 ou 4 anos ao melhor nível, tentou dar um salto dimensional (fazer algo semelhante à WWE), no entanto, devido a problemas de viabilidade financeira, esse salto falhou e a companhia enfrentou problemas de tal forma graves, que teve de ser vendida. E é aqui que se inicia ou se reínicia a guerra entre promotoras, pois a Jim Crockett Promotions, que passaria a chamar-se World Championship Wrestling (WCW), foi adquirida por Ted Turner o dono da gigantesca cadeia de televisões TBS e CNN. Por má gestão, os primeiros anos da WCW não foram de grande relevância e a companhia nem alternativa conseguia ser relativamente à WWE, contudo, quando em meados de 1993 a empresa tornou Eric Bischoff seu Vice-Presidente, tudo iria mudar. A WCW iniciava uma guerra total com a WWE, recrutando todos os grandes nomes da empresa de Vince McMahon e apresentando um produto bastante mais inovador, refrescante e apelativo. A WWE foi-se abaixo e a WCW estava no topo. Ora, essa situação obrigou Vince McMahon a mudar, a preparar-se e a entrar, mais uma vez, numa guerra...assim foi, a WWE lançou a Attitude Era e, de uma maneira ou de outra, deu a volta por cima, superou a sua rival e, num golpe de misericórdia, adquiriu-a a um preço ridiculamente insignificante. Vince McMahon fez o que qualquer um, na sua posição faria, defendeu-se. Se depois esteve bem ao adquirir a sua única rival, acredito que a grande maioria, na sua posição, tivesse feito o mesmo...mas a história e a actualidade vieram comprovar que foi um erro, um erro para a qualidade do produto, um erro para os wrestlers, um erro para a WWE e, acima de tudo, um erro para o business e seus fãs.

  • Eric Bischoff

Eric Bischoff foi um génio, um visionário a quem muito devemos e podemos agradecer o facto da modalidade se ter tornado num fenómeno à escala mundial e ter atingido máximos históricos no que aos números, simpatizantes, seguidores e fãs diz respeito. Eric revolucionou e transformou a indústria por completo, tornando-a num business muito mais profissional, moderno, inovador e criativo e, também, por isso, bastante mais interessante e apelativo. A sua estratégia agressiva para com o mercado e a WWE, permitiu o desenvolvimento de storylines, rivalidades e momentos inesquecíveis, épicos e conseguiu transformar uma WCW, constantemente envolta de problemas e adormecida, numa main stream completamente dominadora, que arrasava a sua concorrência. No entanto, nem tudo são rosas e, como é normal, Bischoff também cometeu inúmeros erros...desde logo, na forma como elaborou os mais variados contratos das grandes estrelas e talentos da empresa e pelo modo como não conseguiu adaptar os produtos e conteúdos da WCW à resposta dada pela WWE com a Attitude Era. Contudo, julgo que não pode ser responsabilizado por uma série de acontecimento de fundamental importância no desfecho do processo que levou ao encerramento da WCW. É preciso recordar que a meio do ano de 1999, quando Eric Bischoff foi destituído da vice-presidencia da companhia e demitido, a empresa ainda apresentava números e lucros bastante elevados, encontrando-se, também, apesar de tudo, muito próxima daqueles que eram apresentados pela WWE. Quando, mais tarde, foi convidado a regressar à WCW e o aceitou, agora numa posição meramente ligada ao processo criativo, teve de partilhar as suas funções com Vince Russo, o que tinha tudo para não dar certo, uma vez que ambos tinham uma visão e estratégia para a modalidade completamente distinta. Na altura, a companhia já se encontrava bastante desgastada e inundada de problemas, sendo muito dificil ou praticamente impossível dar um contributo maior que aquele que Bischoff deu. Num último acto, quando se sabia que a detendora da WCW queria vender a companhia, Eric ainda procurou, com parceiros, a aquisição da empresa e fê-lo saber junto dos seus donos, tendo apresentado uma proposta com valores substancialemnte superiores áqueles pelos quais a promotora viria a ser vendida. Contudo, o facto da AOL Time Warner se recusar a manter os shows da WCW na programação dos seus canais deitou por terra todo e qualquer acordo com Eric Bischoff, o que se compreende, afinal de contas, qual era o valor da WCW sem a possibilidade de transmitir os seus eventos e shows num mercado televisivo de grande dimensão?! Podemos, portanto, dizer que apesar dos erros cometidos, a responsabilidade de Eric Bischoff no desmantelamento da WCW é bastante diminuta e que, em última análise, ele foi o único que ainda a tentou lutar pela sua subsistência, comprar e salvar.



  • Vince Russo

Vince Russo foi o génio por detrás da Attitude Era e, por consequência, pela revolução no produto da WWE e pela resposta dada à ofensiva da WCW. Foi ele quem, em conjunto com Vince McMahon e o seu colega Ed Ferrara, construíram os momentos mais memoráveis da Attitude Era, bem como os personagens, gimmicks, angles, segmentos, rivalidades e storylines que decorreram em grande parte da mesma. O seu produto, fortemente marcado pelo crash tv, pelas conotações sexuais e por uma maior abordagem de temas polémicos e fraturantes da sociedade norte-americana, foi revolucionário e, por isso, também ele tem uma forte responsabilidade no crescimento e desenvolvimento da modalidade, no substancial aumento de qualidade do business e, consequentemente, no período de maior fertilidade e entusiamo vivido em redor da indústria. Vince Russo chegou à WCW a meio de 1999, como o próprio reconhece, em completo burn out, para susbstituir Eric Bischoff. Nesta altura, se por um lado as expectativas eram tremendas em redor da sua contratação e o produto ainda tinha capacidade e qualidade para dar a volta à expiral negativa em que a WCW tinha mergulhado, por outro, não só o desgaste que Russo e Ferrara traziam de longos anos na WWE como todos os problemas no seio da companhia (originados, sobretudo, a partir da fusão entre a AOL e a Time Warner), impediram que se tivesse desenvolvido um trabalho de sucesso. Desta forma, Vince Russo enfrentou diversos problemas no backstage, proporcionados especialmente pelos maus hábitos de "politicagem" que se tinham desenvolvido no interior da empresa, pela total ausência de liderança e de uma voz de comando a quem assacar responsabilidades e ordens, e acabou por se incompatibilizar com as duas maiores estrelas da WCW, Hulk Hogan e Goldberg. Consequentemente, com o seu percurso abalado, viria a ser afastado da companhia, não que, sem antes, apesar de tudo, o ratings do WCW Nitro e do WCW Thunder tenham crescido à volta de um ponto. Mais tarde, e como já foi referido, voltaria com Eric Bischoff, mas nessa altura, já nada havia a fazer, esperando-se, apenas, saber quem seria o futuro dono da WCW e que novo rumo e futuro este lhe iria dar. Desta forma, conseguimos compreender que, apesar de esgotado e de ter criado alguns problemas de backstage evitáveis, Vince Russo nunca teve uma real oportunidade de alterar o rumo dos acontecimentos e que, apesar de tudo, ainda tentou...talvez se ao nível das suas estruturas as coisas se tivessem acertado e quem dirigisse apostasse numa estratégia de médio/longo prazo as coisas podiam ter dado certo, afinal de contas, com Russo ao leme, em poucos mais de 3/4 meses, os ratings acabaram por subir de forma algo considerável.

  • A AOL

Para quem não sabe, a AOL entrou neste processo, quando se iniciou a sua fusão com a Time Warner (detentora da WCW). Quando a unificação das suas empresas ficou celada, Ted Turner (o grande adepto e defensor do Pro Wrestling e, por consequência, da WCW) perdeu muito do seu poder e relevância, tendo-se afastado gradualmente. No mesmo sentido, os novos directores e executivos da AOL (agora AOL Time Warner) começaram a delinear as suas primeiras estratégias e planos, ficando desde a primeira hora claro que o wrestling não seria nunca uma prioridade para a companhia e que esta estaria interessada em desfazer-se dele. Ora, foi na sequência de todo este processo que Eric Bischoff entrou numa série de desentendimentos e discussões com os responsáveis da AOL, situação essa que lhe custou o cargo que desempenhava e o próprio emprego. Da mesma forma, foi a negligência da AOL para com a WCW que permitiu o clima de anarquia que se vivia nos processos de tomada de decisão e que, por sua vez, impossibilitaram Vince Russo de trilhar o caminho que tinha traçado para o ressurgimento em força da WCW. Quando já era público e sabido que a AOL iria vender a WCW, foram também os seus administrações que impediram que as negociações com Eric Bischoff e a Fusion chegassem a bom porto, negando-lhes a possibilidade de transmitir nos seus canais o WCW Nitro e o WCW Thunder. Por último, e tendo rejeitado uma proposta de Bischoff que rondava os 6,5 milhões de dólares, foi a AOL quem decidiu vender a WCW a Vince McMahon por um preço bastante abaixo da proposta de Bischoff e infinitamente inferior ao real valor da companhia (à volta de 2/3 milhões de dólares).

Conclusões

Na minha opinião, e pelo que pude explicar ao longo das linhas anteriores, de uma forma ou de outra, os quatro nomes envolvidos acabaram por ter influência no processo que levou ao fechar de portas da WCW. Contudo, também podemos concluir que as responsabilidades de Vince McMahon, Eric Bischoff e Vince Russo são bastante diminutas e que, muito dificilmente, podem ser constituídos como principais e verdadeiras causas e razão para o desfecho a que se assistiu. Por outro lado, acredito que o papel e a postura que a AOL adoptou, desde o início, para com a WCW, a negligência e desdem com que a tratou e o facto de se querer desfazer por completo de qualquer ligação à indústria do Pro Wrestling, assume-se como a razão fundamental para a queda da main stream, a sua venda a Vince McMahon e consequente encerramento.

E vocês, quem julgam ter "assassinado" a WCW?!


Um Abraço!

Dias Ferreira


PS - Se puderem, deixem indicações e sugestões de temas que gostariam que eu abordasse.

Dias is That Damn Good #186 – "A Geração NXT"

Boas Pessoal!



Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn Good", a coluna com mais história na nossa CWO ;)

No Pro Wrestling, como acontece nos mais variados quadrantes socio-profissionais da nossa sociedade, as gerações vêm e passam, criando diversas expectativas com o seu advento e deixando um legado para posteriormente avaliarmos.

Neste sentido, e porque é a geração NXT que, agora, começa a conquistar o seu espaço e a afirmar-se na WWE (a maior de todas as promotoras da indústria), será sobre ela que recairá a análise que me proponho realizar ao longo do texto que, agora, vos apresento.

Não percam, portanto, as próximas linhas...



Como disse anteriormente, as gerações vêm e passam, deixando uma marca indelével das suas qualidades e capacidades e da forma como estas contribuíram para a afirmação e consolidação do pro wrestling como modalidade e indústria de relevância à escala global. De Bruno Sammartino a Billy Graham, de Hulk Hogan e Roddy Piper a Bret Hart e Shawn Michaels, de Steve Austin, The Rock e Triple H a John Cena, eis os nomes maiores das mais diversas Eras e gerações que nortearam a história da companhia de Vince McMahon e, por consequência, do business. Mas não é apenas aos grandes drawers que devemos e pretendo limitar a reflexão que estou a fazer, eles foram de facto os nomes maiores da suas Eras, no entanto, as gerações são recordadas e lembradas pela sua coesão e qualidade como um todo, pela capacidade de proporcionar maior ou menor espectáculo e de criar maior ou menor entusiasmo em seu redor...em último caso, pelo modo e forma como conseguiram, ou não, revolucionar a modalidade e interpretar os desejos dos fãs às épocas em que estavam no activo. Neste sentido, e uma vez que as gerações e Eras dos anos 70, 80 e 90 já se encontram exaustivamente escalpelizadas, centremos o nosso foco na geração que marcou a primeira década do novo milénio e, inclusive, metade daquela em que vivemos, mas, sobretudo, no advento da geração NXT.

A primeira década do novo milénio foi um período marcado por diversos acontecimentos, de fundamental importância, que tiveram efeitos muito negativos na indústria. Recordo que foi no decorrer dos anos 2000 que as Monday Night Wars e a Attitude Era terminaram, como consequência do encerramento da WCW. Foi nos anos 2000 que um sem número de territórios e históricas promotoras fecharam portas e a WWE "institucionalizou" o seu monopólio, resultando esta situação numa ausência, quase total, de concorrência e alternativas as quais apenas a TNA, de certo modo, conseguiu fazer frente e amenizar os prejuízos. Por último, foi ainda no decorrer dos anos 2000 que o produto começou a ser condicionado pelo PG Rating e a qualidade das storylines e rivalidades, salvo raras excepções, começou a cair. Ora, se todos estes acontecimentos que estive a enumerar, aparentemente, nada dizem sobre o tema central do presente texto, deixem-me esclarecer-vos que eles se revelam fundamentais para compreender as dificuldades e problemas que estiveram na origem da formação e lançamento da geração liderada por John Cena. Em primeiro lugar, o encerramento da WCW liquidou, praticamente, a concorrência, deixando de haver pressão no sentido de apresentar o melhor dos conteúdos e, por isso, uma preocupação muito menor com a criação de storylines e angles memorávies. Em segundo lugar, ainda a respeito do encerramento da WCW, importa reconhecer que o roster com a WWE passou a contar, excessivo em número e qualidade, tornava difícil a afirmação de novas estrelas e, ainda mais complicada, a consolidação das mesmas. Em terceiro lugar, e na mesma linha de pensamento, o facto de terem praticamente deixado de existir territórios de considerável dimensão, abriu um gap profundo na formação de jovens talentos e na experiência que os mesmos necessitavam para não chegarem completamente "verdes" a uma main stream...e ficou provado que os territórios de desenvolvimento não conseguiram dar a resposta que deles se esperava. Por fim, a institucionalização do PG Rating impôs diversas limitações aos wrestlers no desenvolvimento da sua actividade, custando essa situação, acima de tudo, aos mais jovens e mais necessitados de deixar a sua marca e impacto. E foi assim que chegámos a 2006, ao início da Era onde predominava a geração liderada por John Cena.



Ora, como ficou demonstrado ao longo dos parágrafos anteriores, esta geração enfrentou, talvez, aquele que foi o período mais difícil da história da modalidade. Eles foram, praticamente, atirados aos lobos, sem grande preparação, sem a preocupação de lhes atribuir storylines e gimmicks com real potencial e esperando, que mesmo assim, conseguissem impor-se e ter resultados imediatos. Algo que, a meu ver, e de resto, comprovou-se ser impossível. Não me interpretem mal, de 2006 para cá, a WWE continuou a contar com enormes estrelas e talentos...continuou a contar com Triple H, Shawn Michaels e Undertaker e conseguiu manter Chris Jericho, Edge e Batista...mas estes foram e são nomes de uma outra geração, de uma outra época (à exepção de Batista que, apesar de ser ainda mais velho que Triple H, fez o seu debut tardiamente) que, felizmente, estiveram presentes para amenizar os problemas. Porque se avaliar-mos bem toda esta questão, verificamos que da geração do novo milénio, apenas podemos destacar John Cena, Randy Orton, CM Punk e, num patamar algo inferior, Sheamus, como aqueles que realmente conseguiram ter sucesso e impacto na WWE...no mid card, na tag team division, no low card e na Women's Division, foi um deserto total de aproveitamento. Porque, de facto, a falta de preparação dos novos talentos e o difícil contexto em que foram lançados raramente nos deixou acreditar que estivesse-mos perante grandes estrelas, a própria WWE não acreditava neles. E, assim, ao chegarmos a 2010, com algumas reformas forçadas e outras semi-reformas anunciadas de talentos chave, deparámo-nos com uma enorme falta de star power e, até, de qualidade no que ao roster e próprio produto diz respeito. Era tempo de mudar ou morrer...

E, felizmente, a WWE apercebeu-se dessa situação, mudou e criou as condições para que os novos talentos não tivessem de passar pelas mesmas provações que a geração anterior. Essa mudança materializou-se no NXT, especialmente, após a implementação da visão que Paul Levesque (Triple H) tinha para a prospecção e desenvolvimento de jovens talentos. No NXT, ao contrário do que acontecia nos anteriores territórios de desenvolvimento, o foco passou a estar em todas as vertentes e características fundamentais para que um wrestler tivesse sucesso quando fosse chamado ao plantel principal da companhia. Para além do aprimoramento das qualidades in-ring, começaram-se a trabalhar a fundo as mic skills (com entrevistas e promos), os gimmicks (ao nível da personalidade e da imagem) e as próprias storylines (aquelas com que determinado wrestler ou diva seriam integrados nos programas principais da empresa). Mas, ainda mais importante, foi a construção de um novo centro de treinos com qualidade de ponta que proporciona, aos novos talentos, condições ao seu desenvolvimento como nunca antes houve na história da indústria. Se, a este facto, juntarmos as gravações dos shows da NXT num ambiente muito mais profissional e semelhante ao dos RAWs e SmackDowns, compreendemos que tudo está a ser feito no sentido de tornar o programa de desenvolvimento de novos talentos da WWE num sucesso. Neste sentido, se olharmos, hoje, para o actual plantel da empresa de Vince McMahon, facilmente verificamos que toda esta aposta e preocupação da WWE com o futuro já está a dar frutos. Agora, ao contrário do que acontecia anteriormente, os novos talentos aparecem muito mais preparados, com gimmicks bem definidas, com uma imagem e personalidade que os distingue, com move sets e entrances bem diferenciados, com um plano e storyline que permite a sua consolidação e afirmação, etc. Daniel Bryan, Roman Reigns, Seth Rollins, Dean Ambrose, Bray Wyatt, Luke Harper e Eric Rowan, Antonio Cesaro e Bad News Barrett, main eventers e upper carders formados em pouco tempo, são a prova viva disso, a prova cabal de que o NXT é um sucesso e que, no futuro, irá continuar a prover muitas superstars de qualidade ao roster principal da WWE. Roster esse que, neste momento, já enche de entusiasmo e grandes expectativas um elevado número de fãs, especialmente, porque percebem as capacidades e potencial das novas estrelas.


E vocês, o que pensam do advento da geração NXT?!


Um Abraço!
Dias Ferreira


PS - Se puderem, deixem indicações e sugestões de temas e assuntos que gostariam que eu abordasse.

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