domingo, 31 de agosto de 2014
sábado, 30 de agosto de 2014
Moore's Wrestling Corner #6 - Entrevista com Nick Mondo
Boas, amigos da CWO nacional. Daqui vos
escreve uma vez mais o vosso amigo Moore, em mais uma edição do Moore’s
Wrestling Corner, sendo esta uma edição… “especial”.
Ora, suponho que todos conheçam a Combat
Zone Wrestling (CZW) e suponho que tenham a ideia de que a CZW é uma fed
essencialmente hardcore, quase a roçar o insano. Hoje em dia isso já não se
aplica, mas é verdade que nos tempos de John Zandig assim era. É desses tempos
que eu vos farei lembrar com esta entrevista. Nick Mondo foi o meu
entrevistado.
- 'Sick' Nick Mondo, de seu nome Matthew
Burns foi um pro wrestler norte-americano conhecido especialmente pelo seu
percurso na CZW enquanto deathmatch wrestler. Arame farpado, light tubes e um
corta relva manual fazem parte da lista de objetos com os quais Nick Mondo
contactou bem de perto (talvez de mais).
- É verdade que a sua carreira foi curta,
mas o legado que deixou foi enorme. Um documentário, de nome Unscarred foi
feito acerca da sua carreira e vida antes do wrestling. Atualmente, Nick Mondo
é realizador de cinema e diz-se feliz por fazer o que gosta. Nós lembramo-nos
dele como um dos mais sonantes nomes do deathmatch wrestling e como, talvez, o
nome que catapultou a CZW para a popularidade de que hoje dispõe.
Há ainda a referir que esta entrevista foi
conduzida por mim no final de Dezembro de 2013, via facebook. É também possível
que alguns já a tenham visto, quer no velho PWT, no FPW ou no Wrestling
Notícias.
Mauro: Bom, primeiro
que tudo, tenho que agradecer a tua disponibilidade para concederes esta
entrevista. A altura não podia vir mais em jeito, sendo que no passado dia 14
fizeste o teu regresso ao Cage of Death.
Nick: Não tens de
agradecer, o gosto é meu em dar a conhecer um pouco sobre a minha pessoa. E é
verdade sim, regressei no Cage of Death mas, tenho a dizer, apesar de sentir
falta dos ringues, apenas voltei por uma noite e foi pelo Rory (Rory Mondo
retirou-se no Cage of Death).
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1. Ora, para começar,
há uma pergunta obrigatória: lembras-te de quando começaste a sentir aquela
paixão pelo wrestling que te fez querer seguir uma carreira neste negócio?
Quando aconteceu isso?
Nick: Lembro-me sim,
tinha 15 anos (1995/96) e um amigo meu levou-me a um show da velhinha ECW. Na
altura não fazia ideia porque é que ele queria levar uma tampa de um barril,
uma assadeira ou qualquer outro item doméstico para um evento de wrestling.
Isto até entrar no show e ver como os wrestlers lutavam pelo meio do público e
usavam todo o tipo de objectos que nós, fãs, trazíamos de casa. O realismo da
ECW, bem como aquela atitude de durão “renegade”, bem como a qualidade do
wrestling proporcionado no geral foram factores que me despertaram interesse
para o pro wrestling na altura. Antes desse show, conhecia a WWF mas não tinha
qualquer interesse naquilo.
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2. Nessa altura, em
que eras apenas um fã, quais eram os teus ídolos na indústria, se podemos
dizer, aqueles pelos quais tu eras um “mark”?
Nick: Na ECW eu
gostava mesmo do Tommy Dreamer e dos Pitbulls (#1 e #2)… mas depois, com olhar
mais atento, reparei no Sabu, tudo mudou aí. Estava espantado, hipnotizado pelo
Sabu. Depois vi o Hayabusa. Esses dois apresentavam um estilo fantástico que eu
depois quis aprender e pôr em prática por mim próprio.
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3. No teu
documentário (Unscarred), dizes que costumavas praticar backyard wrestling, com
os teus amigos, chamando-lhe “Ninja Battles”. Vídeos das mesmas são também
mostradas no documentário. Num geral, pensas que o que fazias no teu quintal te
ajudou a tornares-te num pro wrestler, de alguma forma?
Nick: Não, não mesmo.
Naquela altura eu acho que nem queria verdadeiramente ser wrestler. Acho que só
me queria divertir e passar o tempo com o pessoal. Talvez até tenha sido o
contrário e o backyard wrestling me tenha prejudicado. Quando treinas para ser
wrestler, se estiveres acostumado a lutar no teu quintal, há muitos hábitos que
tens de esquecer.
O BYW é divertido, sim, mas
quem quer ser pro wrestler deve estudar a anatomia e o movimento do corpo
humano. Eu diria: artes marciais, treino com pesos, cardio e até ballet (o
Lucky tHURTeen por exemplo estudou dança). Porque se souberes controlar o teu
corpo vais claramente parecer melhor no ringue. E quando achares que é tempo…
junta-te a uma escola de wrestling.
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4. Ainda no campo do
backyard wrestling, temos vários exemplos de pro wrestlers, agora famosos, que
começaram, justamente nos seus terrenos (CM Punk, The Hardy Boyz…). Esses
tiveram sucesso, ainda assim, lutar sem supervisão de alguém competente no
assunto é um risco e pode causar sérias lesões (ou pior). Há algum… conselho
que queiras dar quanto a isso?
Nick: Como eu digo, o
BYW é simplesmente para te divertires, mas quando toca a grandes riscos,
acredita, não vale a pena e vais-te ressentir desses riscos um dia. Quando eu
estava na fase final das tais “Ninja Battles”, eu estava cada vez mais a
aumentar o grau dos riscos que tomava. Estupidez, eu sei. Tanto que eu nem
queria mostrar a “footage” ao público. Percebo a adrenalina que sentes ao
tentar mostrar o que consegues fazer aos teus amigos, mas ninguém no negócio do
wrestling leva o backyard wrestling a sério. Estou a ser sincero: ninguém! E
aconselho quem queira treinar para ser wrestler a nunca mostrar a sua “footage”
de backyard wrestling. Não mostrem isso a promotores ou a treinadores. Não é
nada mais do que uma boa forma de perderem respeito na indústria e de até serem
vítimas de um shoot beating num ringue. Acreditem, já vi isso acontecer.
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5. Ainda no
Unscarred, disseste que foi um erro ter começado a competir em ‘ultraviolent
matches’. Ainda assim, foi esse tipo de wrestling que te tornou numa lenda, por
outro lado, encurtaram-te a carreira. Num geral, pensas que se não tivesses
optado por participar nesse tipo de combates terias tido uma carreira com mais
brilho?
Nick: Os meus planos
iniciais eram para ter uma carreira curta, de apenas 2 ou 3 anos. Portanto não,
não posso dizer que os deathmatches me tenham encurtado a carreira. Eu era um
mark na altura e achava que assim que terminasse o meu treino ia directamente
para a ECW. Infelizmente nunca lá trabalhei até porque a promoção, como
sabemos, faliu quando eu comecei a ter alguma importância no mundo do
wrestling.
É um erro construíres o teu
nome enquanto wrestler violento se não queres continuar nesse tipo de wrestling,
mas chegou ao ponto em que eu estava farto de ter de parar por lesões, porém,
eu continuava a receber bookings em deathmatches, era o que os fãs queriam. Mas
num geral sim, a minha carreira não foi encurtada. O meu plano sempre foi ter
uma carreira de apenas alguns anos, divertir-me no cenário indy (se
considerarmos a ECW uma indy) e depois sair do wrestling. Hoje sou um tipo
saudável e se quisesse voltar ao wrestling voltava. Mas não é essa a minha
vontade.
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6. Uma questão
simples e fundamental: achas que era viável sacrificares o teu corpo em
ultraviolent matches pelo dinheiro que ganhavas?
Nick: Pelo dinheiro?
Claro que não. Eu não cheguei a receber 300$ (dólares) pelos três combates que
fiz no Tournament Of Death II. Para mim nunca foi pelo dinheiro, nem acho
correto aleijares-te pelo dinheiro, eu fazia-o pelo divertimento e pela
adrenalina, e foi quando deixou de ter piada que eu saí… quer dizer, não deixou
de ter piada, não deixou de ser divertido, o wrestling é sempre divertido mas
quando os problemas que causa começam a ser mais que os aspectos positivos, aí
é tempo de sair do negócio. Foi o meu caso. Muito sacrifício para pouco ganho e
não falo só de dentro do ringue, fora também. Personalidades da treta com que
tens que lidar, muito tempo de viagem, problemas financeiros… todos os
wrestlers nas indies sabem do que falo.
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7. Falando da tua
estreia num ringue, foi em 1999. Estavas, de alguma forma nervoso, o que
sentias antes de entrar no ringue?
Nick: Nervos, sem
dúvida claro. Para ser sincero, sempre tive um certo nervosismo antes de passar
pela cortina a caminho do ringue. Participei em cerca de 150 ou 200 combates e
desde o primeiro ao último senti sempre o mesmo. Até mesmo no dia 14 quando
regressei para o final do Cage of Death. Mas ao longo da minha vida aprendi que
a coragem não é a ausência de medo, é sim a habilidade de o enfrentar.
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8. Um combate que
certamente te lembras e que esta entrevista sem ele não era a mesma coisa. Falo
de um No-Rope Barbed Wire Match em 2001: Nick Mondo vs. Nick Gage. O combate
era ao ar livre e chovia a potes, não estavam de forma alguma reunidas as condições
para a prática de wrestling. Como te sentias ao ir para aquele combate com o
ringue e todos os objectos encharcados?
Nick: Não minto,
estava lixado. A meteorologia dava mau tempo para esse dia mas o Zandig
insistiu em não cancelar o show. A chuva começou mesmo antes do meu combate e
afetou a forma da colocação do arame farpado. Resultado: as cordas de arame
estavam fracas e partiram à primeira oportunidade. O Gage e eu tivemos de
cancelar uma série de spots que havíamos planeado antes. Lembro-me bem: antes
do combate o Gage olha para mim e diz-me: “eu já nem quero fazer isto…”, eu
pensava o mesmo. Ainda assim o combate acabou por ser memorável. Não foi o
planeado mas tanto eu como o Nick estávamos contentes com o resultado final.
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9. Possivelmente o
momento de que nos lembramos logo quanto o teu nome é falado: aquele spot com o
corta-relva no ToD I. No Unscarred classificas esse momento como o mais
doloroso que enfrentaste enquanto wrestler. Esse spot ainda te dá arrepios?
Nick: Só o som de um
corta relva a ligar chega para me arrepiar. Há que lembrar que eu estava
coberto de sal antes de o Wifebeater usar o corta relva. Depois do pinfall
lembro-me de o sal me estar a queimar os cortes todos que tinha, era impossível
de aguentar a dor, lembro-me de serrar os dentes e de o Rob Hartog (árbitro do
combate) me ter perguntado: “dói?”. E eu só conseguia abanar a cabeça como que
a dizer que sim.
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10. Tournament of
Death II: os últimos três combates da tua carreira (tirando o regresso no Cage
of Death XV) aconteceram nesse dia e no segundo tiveste um bump inacreditável
contra o Zandig. O que é que sentiste quando caíste de cima de um prédio para
cima de mesas e de light tubes, sem esquecer que na realidade aterraste mais no
chão, que era gravilha…?
Nick: Estava KO,
inconsciente mesmo por breves segundos e quando voltei a acordar não me
conseguia mexer e depois percebi que o Zandig estava em cima de mim a
pressionar o meu ombro contra vidro partido. Demorou mais ou menos um minuto
para a minha visão, audição, movimento e fala voltar ao normal e lembro-me de
ter dito ao Zandig: “podes sair de cima de mim?”, o Zandig não é pequeno e
estava a aleijar-me. Quando me tentei levantar, aí foi quando eu pensei pela
primeira vez que era tempo de acabar a minha carreira. Parecia que tinha
partido metade dos meus ossos. Foi um risco estúpido e tenho sorte de não estar
numa cadeira de rodas depois disso.
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11. Porém, fizeste
mais um combate, ganhaste o torneio e retiraste-te, deixando para trás um
legado na CZW sem nunca teres ganho o título maior da companhia. Sentes-te
feliz pelo sucesso que alcançaste?
Nick: Falei sobre
isso com o Thumbtack Jack há tempo. Estou feliz com o legado que deixei, porém
não consigo sair do mundo do wrestling inteiramente satisfeito. É por isso que
muita gente um dia recua na sua palavra e volta a lutar. Mas para mim foi
importante sair no topo. Não queria que os fãs dissessem: “epá, lembras-te do
Mondo no seu pico de forma?”. Portanto foi muito bom eu ter saído no meu pico
de forma, porque assim lembram-se de mim melhor do que eu era na altura. Se
sinto falta desses tempos? Claro que sim, mas foi bom eu ter saído na melhor
forma que atingi. Estou grato por não ter nenhuma lesão maior no meu corpo e
pelos fãs se lembrarem de mim ao fim de 10 anos. É muito fixe isso.
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12. Dia 14 de
Dezembro voltaste à CZW ajudando o Lucky a vencer o Cage of Death para a sua
equipa no teu regresso de uma só noite. Após o combate, o Rory 'Little' Mondo também se
retirou e muitos não acreditavam na sua reforma (incluindo eu) mas o Rory
confirmou isso nas redes sociais. Num período breve, achas que ele pode
voltar?
Nick: Muita gente
regressa após voltar é certo, mas eu surpreendia-me imenso se o Rory voltasse.
Ele vai para a universidade trabalhar como professor de wrestling amador e tem
outros planos para a sua vida, tal como eu. Por isso, acho que nunca mais o vamos ver no ringue outra vez.
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13. Ao longo da tua
carreira tiveste, logicamente, muitos oponentes. Se podemos por as coisas nestes
termos, com quem mais gostaste de trabalhar?
Nick: Se tivesse
mesmo de escolher alguém, tenho de dizer: Trent Acid (R.I.P.). Adorávamos
trabalhar um com o outro e ele ensinou-me mais do que qualquer outro adversário
que eu tive. Nunca lutei contra ninguém tão rápido e ágil como ele e ele tinha
um sentido de orientação excelente, era muito bom a controlar um público e
sabia como fazer tudo parecer espectacular sem aleijar verdadeiramente um
adversário.
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14. Desde que saíste
a full time do mundo do wrestling, em 2003, muita coisa mudou na CZW. Quem são
os nomes que pensas que irão ter muito sucesso num futuro próximo como parte da
empresa?
Nick: A CZW está
cheia de talento actualmente, com muitos jovens lutadores que certamente têm
capacidade para ter um futuro brilhante, mas sou um enorme fã do Drew Gulak,
ele é muito bom e prevejo um grande futuro para o miúdo.
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15. E não podia
acabar esta entrevista sem falar do teu presente enquanto realizador. Até agora
tem sido uma experiência positiva? Tens algum projecto a apresentar em breve?
Nick: Finalmente tive
algumas boas oportunidades nos últimos três anos na minha carreira enquanto
realizador. Trabalhar enquanto realizador é a coisa que mais gosto de fazer na
vida e estou excitado em continuar a seguir esta carreira. Presentemente, estou
a trabalhar numa longa metragem sobre a Yakuza (máfia japonesa). É até agora o
projecto que mais me agradou e estou ansioso por terminá-lo e poder mostrá-lo
ao mundo.
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Mauro: Finalmente,
tenho de te agradecer novamente pela entrevista e desejar-te boa sorte na tua
vida profissional, bem como na tua vida pessoal. Muito obrigado.
Nick: O prazer foi
meu e tenho de agradecer o interesse acerca da minha carreira e da minha vida.
Obrigado.
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Bom, terminada a
entrevista, não posso mentir quando digo que esta foi, até agora, das minhas
cinco entrevistas aquela que mais gosto me deu fazer. Tenho ainda de salientar
que o Nick pareceu-me ser um tipo espectacular, sempre muito atencioso para com
os fãs e chegou até a partilhar no seu facebook pessoal a entrevista. Deixo
aqui o link:
Sem mais assunto me despeço
com um abraço,
Mauro Salgueiro Delca.
ROH PPVs | ROH Field of Honor 2014
CARD
ROH champion Michael Elgin vs. AJ Styles vs. Adam Cole vs. Jay Briscoe
* ROH TV champion Jay Lethal vs. Matt Taven in a steel cage
* ROH Tag Team champions reDRagon vs. Christopher Daniels & Frankie Kazarian
* Cedric Alexander vs. ACH
* Mark Briscoe vs Takaaki Watanabe
* Silas Young vs. Tommaso Ciampa
* Rocky Romero vs. Michael Bennett with Maria Kanellis
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
WS TV | WWE Friday Night SmackDown - 28 de Agosto de 2014 (VIDEOS)
O WWE Friday Night Smackdown desta semana apresenta como destaque principal o embate entre duas estrelas de futuro da WWE, Roman Reigns e Bray Wyatt. O programa volta a contar, também, com um confronto de gigantes entre Big Show e Mark Henry e Luke Harper e Erick Rowan. Atenção, ainda, para novos combates entre Rusev e Jack Swagger e Emma vs. Paige...
Parte 1 - http://www.firedrive.com/file/90141BF3070D5105
Parte 2 - http://www.firedrive.com/file/458C5C4EFB0F9E2F
Dias is That Damn Good #207 – "A Ascensão de EC3"
Boas Pessoal!
Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn
Good", o espaço com mais história na nossa CWO ;)
No pro wrestling a procura e busca pela next big thing,
pela next breakout superstar, pelo novo talento que possa assumir-se
como a grande figura de uma promotora e o seu grande drawer, é e
deve ser uma constante. Contudo, o processo que leva à descoberta de
um wrestler com as potencialidades e capacidades necessárias ao
desempenho desse papel e a sua posterior "construção"
constituem uma das tarefas mais difíceis e complexas no que à
modalidade diz respeito. Prova disso, é o facto de a TNA, em doze
anos de existência, nunca ter conseguido "criar" a sua
grande estrela e/ou a sua grande cara...no fundo, a sua própria
marca.
No entanto, nunca antes como agora, a companhia de Dixie
Carter teve a oportunidade que um jovem talento (mal aproveitado na
WWE), a este respeito, lhe está a conceder. Nunca, como agora, a
empresa de Orlando teve ao seu dispor um wrestler com as qualidades
e características que EC3 evidencia e que, a meu ver, permitem o
depositar de enormes esperanças no seu build up como o primeiro
grande nome e drawer com o selo TNA. Ora, por esta razão, como não
poderia deixar de ser, o artigo que agora vos escrevo versará,
precisamente, na ascensão de Ethan Carter.
Não percam, por isso, as próximas linhas...
Michael Hutter, verdadeiro nome de Ethan Carter III
(EC3), é um jovem wrestler de 31 anos nascido no Estado
norte-americano do Ohio. Hutter fez o seu debut no professional
wrestling corria o ano de 2002 e como a grande maioria dos seus
colegas de profissão fê-lo no circuito independente dos EUA, onde
actuaria e "venderia" as suas performences durante quatro
anos. Já em 2006 teria a oportunidade de realizar um tryout match
para a WWE no seu programa Heat, onde enfrentaria e saíria derrotado
por Viscera e Charlie Haas. Muito provavelmente o seu desempenho
agradou aos oficias e agentes da empresa de Vince McMahon
responsáveis por avaliar o combate uma vez que lhe ofereceram um
contrato de desenvolvimento. Ora, depois de aceite essa proposta e
assinado o dito contrato, Hutter seria enviado para a Ohio Valley
Wrestling (na altura território de desenvolvimento da WWE), onde
faria a sua estreia em finais de Março de 2007 sob o ring-name de
Mike Hutter. Nesta sua passagem pela OVW teve a oportunidade de
rivalizar e combater com Mike Mondo e Nick Nemeth (Dolph Ziggler)
dos, então, Spirit Squad e, ainda, com Mike Kruel, Vladimir Kozlov e
Boris Alexiev (Santino Marella), entre outros. Depois Michael
deixaria de competir na OVW e entraria num hiatus no que respeita à
WWE, voltando a participar em shows de algumas pequenas promotoras do
circuito independente norte-americano. Voltaria, contudo, já em 2009
à programação da WWE no seu novo território de desenvolvimento, a
Florida Championship Wrestling, mais uma vez, sob o nome de Mike
Hutter. Já na FCW, depois algumas feuds e matches de maior
relevância contra Drew McIntyre e DJ Gabriel, alteraria o seu
ring-name para Derrick Bateman. Continuaria, posteriormente, mais um
sem número de confrontos (contra Richie Steamboat, Joe Hennig, Skip
Sheffield – Ryback, Mason Ryan, Leo Kruger – Adam Rosa, Johnny
Curtis – Fandango, entre muitos outros), competindo pela última
vez antes de ser chamado ao roster principal da companhia contra Wes
Briscoe e Xavier Woods.
Como todos estão recordados, em 2010 a WWE decidiu dar
por finalizada a transmissão da sua terceira brand ECW,
substituindo-a por uma espécie de reality show, em que juntava
"pros" e "rookies", a que deu o nome de NXT. Ora,
foi no decorrer da terceira temporada desta nova série de tv shows
que Derrick Bateman foi anunciado como participante da quarta
temporada e que teria como "Pro" Daniel Bryan. Apesar do
bom desempenho, Hutter não seria escolhido como vencedor dessa
temporada, contudo, seria repescado para a 5ª e última temporada da
série com o tema Redemption, cujo conceito assentava em dar uma nova
oportunidade aos wrestlers participantes edições anteriores que,
apesar de não terem conseguido sagrar-se vencedores, tinham
conseguido destacar-se. Bateman voltaria a não conseguir triunfar,
no entanto, porque essa temporada foi bastante mais longa que as
restantes, teve a oportunidade de desenvolver algumas rivalidades, de
entre as quais, podemos destacar a que primeiro o juntos e depois
opôs a Maxime (sem qualquer réstia de dúvidas, a melhor
performence que produziu enquanto este contratualmente ligado à
WWE). Depois, seguir-se-iam mais alguns combates e participações no
NXT e na SmackDown, até ver, em 2013, o seu contrato revogado pela
WWE e, desta forma, cessar uma ligação de 6 anos. No final e
fazendo as contas, facilmente, compreendemos que a passagem de
Michael Hutter pela WWE não foi feliz e/ou bem sucedida de todo e
estou em crer que as coisas aconteceram assim, especialmente, por
causa da própria empresa que nunca apostou verdadeiramente no jovem
wrestler. De qualquer modo, esse período não pode, nem deve, ser
visto como tempo perdido, porque permitiu uma aprendizagem e
consolidação das capacidades básicas de que um talento necessita
e, acima de tudo, preparou-o para actuar perante grandes públicos,
preparou-o para o "main stream wrestling".
Após sair da WWE, Hutter competiria, ainda, durante um
período bastante curto, de novo, no circuito independente, contudo,
rapidamente chamaria a atenção da TNA que lhe apresentou um
contrato e verdadeira oportunidade de mostrar as suas qualidades.
Neste capítulo, devo confessar que a TNA trabalhou o personagem e
construção de EC3 (ring-name que passaria a utilizar) com a
qualidade e afinco com que, talvez, nunca tenha dispensado a outro
wrestler. Confesso que não gostei do facto dele se ter estreado num
squash match no Bound For Glory 2013 contra um local wrestler
(primeiro porque no maior ppv de uma companhia não deve haver lugar
para este tipo de angles e depois, sobretudo, porque foi tudo tão
bem preparado que o debut merecia uma vitória sobre um lutador que
pudesse proporcionar um push e credibilidade mais favoráveis), mas
penso que foi genial o facto de o apresentarem como sobrinho da dona
da empresa, Dixie Carter (na altura, e até à pouco tempo, talvez, a
personagem heel de maior importância no iMPACT Wrestling). No mesmo
sentido, penso que foi também muito inteligente e importante o
booking que lhe têm atribuído, permitindo-lhe, sempre, estar em
competição e rivalizar com os nomes de maior projecção e mais
consagrados da companhia. Foi assim com Sting, que lhe proporcionou
uma atenção e cuidado fundamentais para se estabelecer como um
wrestler a ter em conta e para o colocar numa posição cimeira do
card (sobretudo, se tivermos em conta, que foi, na storyline, o
combate contra EC3 que colocou Sting fora da TNA). Tal como também
foi fundamental para a sua consolidação, crescimento e
credibilização a rivalidade que desenvolveu com Kurt Angle e que,
inclusive, lhe deu a benece, na storyline, de ser o responsável pela
lesão do Olimpic Gold Medalist. Da mesma forma e de um modo
consequente, seguiu-se uma feud com Bully Ray (depois de Sting, na
altura, e Kurt Angle, indiscutivelmente, o maior nome da TNA), que
colocou o jovem Hutter numa tipologia de combates e troca de promos
mais intensa e violenta e que, felizmente para EC3, lhe permitiu
mostrar um lado novo e diferente daquele a que as pessoas estavam
habituadas ou poderiam esperar, demonstrando, uma vez mais, o rápido
crescimento que ele registou e o facto de ser realmente multifacetado
no que às suas qualidades, performences e interpretações diz
respeito. Actualmente, prepara-se, ao que parece, uma rivalidade com
Rhino, certamente, uma outra etapa e obstáculo que ajudará a
cimentar EC3, ainda mais, como o talento da TNA que mais qualidades e
potencial evidencia para se tornar na sua primeira grande
super-estrela.
Se, em jeito de conclusão, nos perguntar-mos o que tem
afinal EC3 que o torna tão especial ou o porquê de lhe antever um
futuro tão promissor, responderei, facilmente, em poucos
apontamentos. Michael Hutter tem uma imagem genial, pode não ser
muito alto, mas o seu aspecto físico é brutal, ele tem um corpo
trabalhado músculo a músculo e, quer se queira, quer não, à
partida esse facto causa logo uma impressão diferente nas plateias e
telespectadores, conferindo-lhe credibilidade à força e voracidade
dos seus movimentos. Depois, Hutter possui, também, um carisma que é
inegável e todos conseguimos verificar que a sua presença chama a
atenção de uma forma bastante natural, sem que ele necessite de se
esforçar para isso...e carisma é algo que não se ensina, ou nasce
com as pessoas, ou nada feito. Num outro aspecto, temos de relevar as
suas qualidades com o microfone, pois sempre que é chamado a
realizar uma promo, a dar uma entrevista e/ou a participar de um
segmento de backstage, fá-lo com grande distinção e sucesso. No
mesmo sentido, as suas expressões faciais e corporal são geniais e
essa componente é fundamental a qualquer wrestler que tenha de mexer
com as emoções do público (quer na arena, quer na tv) e que
procure contar uma história. Por outro lado, o seu gimmick e
personagem caem-lhe como uma luva e ele tem desempenhado e
interpretado o seu papel de uma forma brilhante, melhorando, ainda,
cada vez que se apresenta na televisão num registo semanal. Pode-se,
dizer, contudo, que é no ringue que as suas capacidades ainda
necessitam evoluir, no entanto, os seus 31 anos e as provas que já
deu da velocidade supersónica com que consegue apreender e aprender,
fazem-me acreditar que rapidamente desenvolverá essas skills, tendo,
inclusive, 12/13 anos ao mais alto nível para o conseguir. Ora, por
todas estas razões e contextos, e se a TNA lhe continuar a atribuir
um booking inteligente, estou em crer, como já referi, que estaremos
perante o maior talento alguma vez "produzido" pela
companhia nos seus, já, 12 anos de existência.
E
vocês, como olham para EC3?! Julgam-no capaz de ser a primeira
grande cara e drawer com o selo TNA!?
Um Abraço,
Dias Ferreira
PS:
Não se esqueçam de indicar mais temas e assuntos que gostassem de
ver ser tratados neste espaço.
Podem
acompanhar-me, também, em:
ou

















