quinta-feira, 14 de agosto de 2014
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
Dias is That Damn Good #201 – "O Hardcore Wrestling Style"
Boas Pessoal!
Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn
Good", o espaço com mais história na nossa CWO ;)
O Hardcore Wrestling Style conheceu a sua maior explosão
no início dos anos 90 do século passado, sob a égide da antiga ECW
de Paul Heyman. Pela brutalidade e espectacularidade proporcionada
pelo estilo e seus praticantes, rapidamente conseguiu reunir um sem
número de seguidores e fãs, tendo-se tornado, inquestionavelmente,
numa componente valiosa e altamente benéfica aos mais variados
conteúdos da modalidade, pelo menos, sempre que utilizada de uma
forma bem estruturada e lógica. Actualmente, continuam a ser
bastantes, ainda, os fãs e seguidores de pro wrestling que reclamam
uma maior aproximação a essa vertente tão bem sucedida e célebre
no passado...tendo, ao que parece, as suas preces sido ouvidas pela
administração da TNA que, como é possível verificar, tem
orientado a sua produção e conteúdos num sentido que os aproxima,
claramente, da saudosa (para alguns) ECW.
Neste sentido, porque acho que deve ser feita uma
clarificação quanto à validade e utilidade deste estilo e porque
acredito que esta situação pode proporcionar uma discussão e
debate de ideias bastante interessante, aquilo que me proponho
apresentar ao longo de presente texto será, precisamente, uma
avaliação/reflexão acerca do Hardcore Wrestling Style.
Não percam, por isso, as próximas linhas...
O Hardcore Wrestling Style teve a sua origem, se assim
podemos dizer, quando, no final dos anos 70 início dos anos 80,
algumas promotoras (distribuídas pelo território norte-americano)
começaram a introduzir uma série de gimmick matches (como os
brawling matches e os street fight matches, entre outros), que
ficariam conhecidos pela sua maior violência e brutalidade. Neste
período e estilo, em particular, haviam de se celebrizar wrestlers
como Freddie Blassie, Dory Funk Sr., Abdullah The Butcher, Jerry
Lawler, Terry Funk, Eddie Gilbert e/ou Bill Dundee, entre outros.
Contudo, o Hardcore Wrestling Style propriamente dito, como o
conhecemos hoje, só viria a aparecer verdadeiramente no decorrer dos
anos 90. Primeiro, sob influência de uma companhia japonesa
denominada Frontier Martial-Arts Wrestling e, pouco tempo depois,
através da ECW de Paul Heyman, promotora que levaria o estilo a um
maior número de fãs e seguidores da modalidade e que o tornaria
célebre. Mais anárquico e instável que qualquer outro estilo
praticado até então, sem quaisquer regras, brutal e violento,
espectacular...extreme seria, de facto, a expressão que melhor
caracterizava este novo estilo – o Hardcore Wrestling Style.
A Extreme Championship Wrestling (ECW) de Paul Heyman
que, como disse foi a promotora que mais disseminou e visibilidade
deu ao estilo, contou nas suas fileiras com inúmeros praticantes de
elevada qualidade como Chris Jericho, Chris Benoit, Eddie Guerrero,
Raven, os Dudley Boys, Rob Van Damn, entre outros. Wrestlers que não
só elevaram a qualidade do produto e dos conteúdos apresentados
pela companhia, como permitiram credibilizar e divulgar ao mais alto
nível o recém, mas já tão aclamado, hardcore wrestling style.
Contudo, por se focar maioritariamente numa vertente/componente da
modalidade em detrimento das restantes, a verdade é que a companhia
nunca conseguiu atingir uma dimensão e patamar ao nível "main
stream", tendo, por outro lado, assegurado um núcleo de fãs
mais restrito, mas bastante fiel. Por esta razão, muitos dos seus
melhores talentos e intérpretes haveriam de abandonar a empresa rumo
à WWE e/ou à WCW, onde, de facto, poderiam estabelecer-se como
grandes estrelas da indústria (o que, na realidade, se veio a
verificar em muitos dos casos). Ainda neste sentido e por
consequência, a promotora nunca conseguiu tornar-se estável do
ponto de vista financeiro, pois os patrocínios e acordos comerciais
e de televisão que necessitavam estavam, geralmente, vedados pelo
conteúdo demasiado agressivo e brutal que apresentavam. E essa
situação acabou por se reflectir, também, na própria qualidade da
produção que, sem financiamento para os equipamentos de ponta,
esteve sempre condicionada à criatividade e esforço daqueles que se
desdobravam em diversas tarefas para conseguir gravar e promover os
produtos oferecidos pela ECW. Com o encerramento da empresa de Paul
Heyman, seria a WWE a aproveitar alguns dos seus talentos e a dar uso
e continuidade ao seu estilo, embora de uma forma bastante mais
cuidada e pontual. Mais recentemente, é a TNA quem parece estar a
querer ressuscitar o hardcore wrestling style, utilizando-se, para
tal, de muitos dos nomes que ficaram célebres na extinta ECW.
Ora depois de uma pequena visita à história do
hardcore wrestling style, importa reflectir de forma crítica acerca
do mesmo. E é neste ponto que começam as minhas discordâncias com
aquilo que foi celebrizado pela ECW e com o que a TNA procura, agora,
retomar. Desde a sua génese que o pro wrestling se encontra em
constante evolução e, por isso, é natural que novas formas de
entretenimento, novos conteúdos, novas formas de produção e novos
estilos vão aparecendo e transformando-se em componentes/vertentes
que tornam a própria modalidade em algo com um alcance mais vasto,
mas também mais completo. Deste modo, devemos olhar para o hardcore
wrestling style não como algo solto ou como um fim em si mesmo, mas
sim como um item que completa e deve ser completado através de uma
articulação com outros componentes. Ou seja, o hardcore wrestling
style não deve ser a razão para algo, mas sim surgir em razão de
algo. Na minha opinião, são as storylines, o storytelling e as
rivalidades que devem estipular e/ou definir o tipo de combates que
os wrestlers em confronto terão, por isso, os gimmick matches
deverão surgir, tão só e apenas, em função do momento que as
feuds estão a atravessar. Ora, neste sentido, o hardcore wrestling
style (que só é produzido em gimmick matches) não pode aparecer à
partida como parte integrante de qualquer angle, ele só pode e deve
aparecer se a história e a própria rivalidade trilharem um caminho
que justifique o seu aparecimento e utilização. Assim, e se
olharmos para os conteúdos apresentados pela antiga ECW e para
aqueles que a TNA produz actualmente, verificamos que essa situação
para além de não ser compreendida, não está a ser respeitada o
que, a meu ver, é um tremendo erro, uma vez que subverte os
principais fundamentos do pro wrestling.
Por outro lado, e não sendo respeitados estes desígnios
e princípios, são a própria qualidade e atractividade do hardcore
wrestling style que saem altamente prejudicadas com toda esta
situação. E saem prejudicadas, em primeiro lugar, porque deixa de
haver uma verdadeira história para contar durante o combate e a
psicologia de ringue é completamente negligenciada. Em segundo
lugar, porque a banalização do estilo vai-lhe retirando aos poucos
o impacto e espectacularidade que o torna tão atractivo. Em terceiro
lugar, porque o hardcore wrestling style tende a diluir as
características diferenciadoras de cada wrestler. Em quarto lugar,
porque a utilização abusiva deste estilo não ajuda a educar as
plateias e também não lhes desperta o interesse para os pontos
fulcrais do combate, estando os fãs mais focados nos spots que se
vão sucedendo uns após os outros. Em quinto lugar, porque quando
uma empresa foca o seu produto maioritariamente ou quase
exclusivamente neste estilo as coisas tornam-se demasiado repetitivas
e perde-se capacidade para diferenciar os múltiplos combates e
wrestlers. Em sexto lugar, porque a diferença de tratamento que é
dada aos restantes estilos e componentes da modalidade, não permitem
alargar o número de fãs e seguidores, ficando as companhias reféns
de pequenos núcleos quase fanáticos de adeptos, etc. Portanto, todo
um conjunto de situações que nos ajudam a perceber como não deve
ser utilizado este estilo, inclusive, para o próprio bem dos seus
fãs, praticantes e promotoras. Num outro sentido, o modo (leia-se
gimmick matches) como terminaram as rivalidades entre Triple H e
Batista, entre John Cena e JBL, entre JBL e Eddie Guerrero, entre
Edge e Mick Foley, entre muitas outras, são um óptimo exemplo de
como uma storyline bem conduzida pode levar ao aparecimento do
hardcore wrestling style na forma que melhor o rentabiliza e maior
espectacularidade lhe confere. Mostram e comprovam, mais uma vez e
acima de tudo, que o hardcore wrestling style não deve, nem pode,
ser encarado como um produto final, mas sim como parte complementar
do pro wrestling.
E
voces, o que pensam do Hardcore Wrestling Style?! Como julgam que
deve ser feita a sua utilização?!
Um Abraço,
Dias Ferreira
PS:
Não se esqueçam de indicar mais temas e assuntos que gostassem de
ver ser tratados neste espaço.
Podem
acompanhar-me, também, em:
ou
WS TV | WWE Main Event - 12 de Agosto de 2014 (VIDEOS)
Nesta edição do WWE Main Event, os actuais WWE Tag Team Champions, The Usos (Jimmy & Jey Uso), irão lançar um desafio aberto pelos seus WWE Tag Team Championships a todas as equipas na empresa num. Também estipulado para o show, está um combate entre Seth Rollins e Kofi Kingston...
Parte Integral - http://pwtalk.net/cgi-bin/protect.cgi?File=5jRqyUVsp.html
WWE DVDs | Ladies and Gentlemen, My Name is Paul Heyman (2014)
Alinhamento do Documentário
- Survivor
- Photographer
- Promoter
- Manager
- Memphis
- AWA
- WCW
- ECW
- Team Mentality
- Rebels
- Commentator
- Writer
- OVW
- New ECW
- Businessman
- Father
- Return to WWE
- Embracing the Moment
terça-feira, 12 de agosto de 2014
WS TV | WWE Monday Night RAW - 11 de Agosto de 2014 (VIDEOS)
O Monday Night RAW desta semana é o último antes do PPV SummerSlam e já está confirmada a celebração do aniversário de Hulk Hogan com a presença de diversas estrelas do passado na mesma. Brock Lesnar, também, estará presente no show para uma última troca de palavras com John Cena antes do PPV. O foco vai, ainda, para o combate entre Randy Orton e Sheamus...
PRE-SHOW - http://www.firedrive.com/file/E2DD741BB574BB55
PARTE 1 - http://www.firedrive.com/file/BA10B2467C27C0E7
PARTE 2 - http://www.firedrive.com/file/9849A722010F5A29
PARTE 3 - http://www.firedrive.com/file/9EB23C1E948D8E25
BACKSTAGE PASS - http://www.firedrive.com/file/3B2445865949B8AA
Moore's Wrestling Corner - Apresentação geral
Boas, caros colegas da CWO nacional, daqui vos escreve Mauro Delca, conhecido no mundo da internet por Moore. Pois bem, talvez já me tenham visto noutras paragens e pela primeira vez estou a escrever aqui no Wrestling Spam.
Pois bem, sem grandes rodeios, não estou aqui hoje para vos falar de nenhum tema em particular, isso fica para as próximas edições. Estou aqui simplesmente para fazer uma pequena apresentação sobre com o que podem ou não contar nas linhas que vou escrever.
Quem me conhece das tais outras paragens sabe que sou um apreciador de wrestling independente, do mais fanático que a CWO portuguesa poderá ter. Como tal vão-me ver futuramente a falar da Ring Of Honor, maior companhia independente dos Estados Unidos, que apresenta talento jovem de excelente qualidade, com o toque de profissionalismo que mais nenhuma indy tem.
Vão-me ver também a falar da Pro Wrestling Guerrilla, talvez a minha companhia de eleição no que toca a entretenimento. Entretenimento esse que é feito unica e exclusivamente dentro do ringue. É raro ver uma promo ou um segmento na PWG. Muito espaço para high-flying, muito espaço para technical wrestling e uma atmosfera excelente são "features" desta promoção.
Combat Zone Wrestling: vou falar desta empresa que provavelmente quase todos já ouviram falar (provavelmente mal) e pretendo desmistificar a típica mis-concepção de que a CZW é puro e simplesmente deathmatch wrestling e os seus workers são apenas brigões de rua. Isto é falso e provavelmente a CZW até será dos meus primeiros temas a abordar.
Também poderei falar ocasionalmente de outras promoções independentes. Muito possivelmente falar-vos-ei de PROGRESS Wrestling, esta sim, completamente desconhecida em Portugal. Trata-se de outra das minhas escolhas de eleição. Vê-se muito bom pro-wrestling nesta federação em crescendo do Reino Unido. Uma companhia completamente híbrida, um mix de estilos que agrada a qualquer fã que lhe ponha os olhos. Imaginem wrestling técnico bem ao modo inglês, com um gosto de high-flying e brawling. Também os angles são alguns e de qualidade considerável, sendo que uma boa parte deles apela ao humorismo que funciona muito bem com o público vibrante desta empresa.
Também hei-de falar da terra do sol nascente, tendo começado recentemente a seguir a New Japan Pro Wrestling, maior federação do Japão e segunda maior de todo o globo. O estilo puroresu na sua excelência. Wrestling técnico, com uma build normalmente lenta em cada combate, é a chave do sucesso desta companhia que recentemente tem ganho mais notoriedade aos olhos do indy fan mais simples graças à sua parceria com a ROH.
Falando das chamadas "big leagues" americanas, claro que não poderiam ser deixadas de parte. Também hei de falar da WWE e da TNA, se bem que, de facto, a minha preferência tenderá a cair sobre o wrestling menos mainstream, digamos.
Para além de artigos, é possível que surjam reviews de eventos ou de combates soltos neste espaço, bem como uma ou outra entrevista a personalidades do mundo do wrestling.
Posto isto, feitas apresentações, tudo o que posso desejar a quem tenciona seguir este espaço é que gostem do que vou aqui escrever.
Um abraço,
Mauro Salgueiro Delca
sábado, 9 de agosto de 2014
Dias is That Damn Good #200 – "Self-Interview"
Boas Pessoal!
Sejam bem vindos a mais um "Dias is That Damn
Good", o espaço com mais história na nossa CWO ;)
O texto que agora vos escrevo marca a 200ª edição do
meu espaço de reflexão na comunidade de wrestling online nacional.
Trata-se de uma coluna que criei corria o ano de 2007 e na qual tenho
aproveitado para dissertar e reflectir acerca dos mais variados temas
e assuntos de interesse a respeito da modalidade. 200 edições em 7
anos que englobam, portanto, diferentes fases da minha vida (desde a
entrada para a universidade, passando pela vida pós-universitária e
pela entrada no mercado de trabalho e respectivas responsabilidades
que essa situação acarreta), fases de menor e de maior maturidade,
mas que reflectem, também, o crescimento, os conhecimentos e as
experiências que vamos adquirindo com o passar do tempo.
Será, por isso, razoável e fácil compreender que as minhas
opiniões e formas de ver os diversos acontecimentos e situações
possam ter sofrido algumas transformações...mas faz tudo parte de
um processo natural, afinal de contas, estamos sempre a aprender.
Desta forma, e por se tratar de um número redondo
(julgo até um marco na nossa blogosfera), decidi enveredar por algo
diferente com a 200ª edição do "Dias is That Damn Good".
Decidi-me por fazer uma auto-entrevista (self-interview, como refere
o sub-título), em que tentarei retratar de forma fiel não só
aquilo que penso sobre o meu papel enquanto blogger e membro da CWO,
mas também acerca da própria CWO e procurarei, especialmente, dar a
minha opinião a respeito do Pro Wrestling e toda a indústria e
business que o envolve.
Não percam, portanto, as próximas linhas...
Como
te chamas, que idade tens, qual a tua formação académica (se
tiveres), o que tens feito e o que fazes actualmente a nível
profissional?
Francisco. O meu nome é Francisco e o apelido Dias
Ferreira. Pelo que podem perceber, escolhi o apelido como assinatura.
Tenho 26 anos e sou licenciado em Relações Internacionais pela
Universidade do Minho. Frequentei, ainda, uma pós-graduação em
Gestão de Recursos Humanos no ISEG, faltando-me duas cadeiras para a
terminar (um dia hei-de terminá-la =P). Quando conclui o meu
percurso académico fiz um estágio profissional durante um ano numa
organização de desenvolvimento regional, onde estava responsável
por fazer candidaturas a projectos comunitários e assegurar a gestão
dos mesmos. Actualmente, estou a trabalhar numa empresa no ramo das
telecomunicações, a Somitel.
Ora,
então, feitas as apresentações, diz-me quando começaste a ver
"ressling" e de que forma o conseguiste e/ou foste
acompanhando?
Na verdade, comecei desde muito novo, era ainda criança,
por volta de 1994/95 (tinha, portanto, 6 ou 7 anos). Tive o primeiro
contacto com a modalidade através do programa "Wrestling
Challenge" da WWE que era, à época, transmitido pela RTP1 e
que contava com os comentários do falecido Tarzan Taborda. Depois,
salvo erro, o programa deixou de ser transmitido em finais de 1995 e,
a partir de então, até voltar a ser transmitido em Portugal pela
Sic Radical, costumava ver pelos canais da parabólica de um amigo.
Nesses canais, uns em ingleses e outros alemães (nestes últimos não
percebia patavina do que se dizia lol), consegui acompanhar também a
WCW no seu período de maior visibilidade e mediatismo e,
consequentemente, as Monday Night Wars. Após o encerramento da WCW,
continuei a seguir a programação da WWE, tendo ainda, a partir de
2005/6 começado a acompanhar a TNA (primeiro através da Eurosport
e, posteriormente, dos videos na net). Quando tomei conhecimento da
CWO nacional, comecei a acompanhar também, embora de forma menos
consequente, algumas promotoras do circuito independente
norte-americano (especialmente a Ring Of Honor). Devo confessar,
ainda, que durante a minha infância seguia, também, religiosamente,
os desenhos animados da WWE (não me recordo em que canal passavam),
tendo-me tornado rapidamente num fã de Roddy Piper que era o mau da
fita lol.
E
consegues dizer-nos o que te chamou e/ou prendeu a atenção no
primeiro contacto com o Pro Wrestling?
Bem, como já tive oportunidade de referir, era ainda
bastante miúdo quando assisti pela primeira vez a um programa de
wrestling, contudo, acredito que tenha sido, acima de tudo, o facto
de se enfrentarem tipos enormes, cheios de músculos, com personagens
completamente fora do comum e bastante cartonizadas e as histórias
que mais me chamaram a atenção...parecia um espectáculo de
desenhos animados que tinham ganho vida. Penso ter sido isso, como
aconteceu certamente com as crianças da altura, que captou a minha
atenção. No entanto, como é óbvio, com o passar do tempo as
minhas preferências e expectativas alteraram-se...as razões que me
mantiveram ligado à modalidade e um seguidor da mesma foram mudando
com a idade, a maturidade e, acima de tudo, com a quantidade de
conhecimentos que ia adquirindo à medida que ia assistindo a mais e
mais programas e eventos. Confesso, no entanto, que grande parte dos
conteúdos apresentados pela WWE e pela WCW durante as Monday Night
Wars (na minha opinião o período mais rico, mais criativo e de
maior qualidade na história da indústria) só os compreendi
verdadeiramente anos mais tarde quando tive oportunidade de rever os
diversos videos dos RAWs, SmackDown, Nitros e Thunders dessa época
(um tipo na infância não percebe, nem compreende o alcance de muita
coisa lol).
Referes-te
às Monday Night Wars de forma bastante elogiosa, porque eleges esse
período como o melhor na história da modalidade? Os anos 80 também
foram interessantíssimos e cheios de entusiasmo, foi aliás no
decorrer dos mesmos que o wrestling teve o seu primeiro grande boom,
não consideras essa época ao mesmo nível do período que marcou a
rivalidade entre a WWE e a WCW?!
A resposta a essa questão irá variar sempre de pessoa
para pessoa, consoante os seus gostos e preferências, por isso, será
sempre bastante subjectiva. O que posso dizer, no entanto, é que o
realismo, a originalidade, a criatividade, a espectacularidade e a
imprevisibilidade que marcaram as Monday Night Wars transformaram os
conteúdos apresentados durante essa época em algo que correspondia
quase por completo às minhas expectativas enquanto fã da
modalidade. O público-alvo nesse tempo eram os jovens adolescentes e
uma faixa etária que dificilmente ia para lá dos 40 anos, estava
bastante bem definido e as promotoras sabiam o que o seu público
queria ver, sabiam retratar nas suas storylines e angles a sociedade
em que viviam, por isso, era normal que os fãs, revendo-se nos
conteúdos, gostassem de acompanhar os acontecimentos. Por outro
lado, não quero deixar de reconhecer qualidade e importância ao que
foi feito e produzido durante os anos 80, porque houve excelentes
histórias, um fantástico storytelling e wrestlers com
personalidades extraordinárias...o problema é que cresci e vivi num
mundo e sociedade com valores e expectativas diferentes daqueles que
marcaram a década de 80 e, por essa razão, nunca me consegui rever
totalmente nos conteúdos apresentados durante esse período. Por
outro lado, o facto de haver uma verdadeira competição e
concorrência nos anos 90 obrigou a que as companhias e os seus
wrestlers se superassem semana após semana e isso foi bastante
benéfico para o business e para nós, fãs. Por último, é preciso
recordar que nunca como nos anos 90 o pro wrestling conseguiu obter
números, ratings e influência tão elevados na sua história. E
estes factos, pesam como é óbvio na minha decisão.
E
durante esse período, preferias os conteúdos da WWE ou os da WCW?
Confesso que sempre fui um seguidor muito fiel da WWE,
mesmo quando esta apresentava conteúdos mais fracos e de menor
qualidade. É preciso reconhecer que ninguém produz com a mesma
qualidade que a empresa de Vince McMahon e que ninguém consegue
fazer com o mesmo sucesso as coisas que ele se propõe realizar. Por
essa razão, e desde que continue a seguir essa matriz, a WWE, muito
provavelmente, será sempre a melhor promotora do ramo. Agora, isso não invalida que tenha assistido com grande prazer à
programação da WCW, especialmente quando se iniciou o
angle/storyline dos outsiders e dos nWo (e neste ponto, reconheço,
apesar da WWE ter o Shawn Michaels na melhor fase da sua carreira e
personagem, a WCW apresentava um produto bastante melhor...só que,
quando a WWE despertou e começou a adaptar o seu conteúdo com a
Attitude Era, nunca mais deu hipóteses à concorrência). Portanto,
pelas mais diversas razões, muitas delas completamente subjectivas,
sempre me identifiquei mais com a programação da WWE.
Como
encaraste o posterior encerramento da WCW e que principais
consequências julgas esse acontecimento ter provocado no business?
Foi muito mau. Foi mau para os wrestlers, foi mau para
os restantes workers, foi mau para a indústria, foi péssimo para o
business e foi, especialmente, mau para os fãs. Como já tive
oportunidade de escrever em outras edições do "Dias is That
Damn Good", o fim da concorrência e a implementação de um
monopólio da WWE prejudicou e feriu gravemente a modalidade. Os
wrestlers e restantes workers deixaram de ter uma verdadeira
alternativa para prosseguir com real sucesso as suas carreiras, a
falta de competição e de pressão amoleceu a WWE e o seu conteúdo
tornou-se bastante mais enfadonho e menos interessante e a própria
indústria, como é normal, ressentiu-se dessa situação, com a
perda de seguidores e o declínio dos números, ratings e influência
de que a modalidade, actualmente, goza no mercado televisivo e na própria sociedade norte-americana.
E
como olhas para a TNA, não a vês como uma possível alternativa à
WWE e uma organização importante para o crescimento da indústria?
Pessoalmente acredito que a TNA tem excelentes talentos
e enormes capacidades para continuar a crescer e a afirmar-se cada
vez mais como uma promotora "main stream". Agora, também é
óbvio que ainda não é esse o seu actual status e que,
infelizmente, a sua administração já demonstrou por diversas
ocasiões não estar à altura das potencialidades da própria
promotora. Reconheço e saúdo o esforço e dedicação de todos
quantos estão envolvidos na companhia, mas é claro de mais que ela
necessita de um rumo e estratégia correctos e que lhes dê
tranquilidade do ponto de vista financeiro para se concentrarem de um
modo mais profundo na produção e rentabilização dos seus eventos,
programas, produtos e wrestlers. Eu assisto aos programas e shows da
TNA e gosto de o fazer, eu gosto de wrestling e, por isso, procuro
ver a maior quantidade de conteúdos possíveis a respeito da
modalidade, agora, isso não me leva a reconhecer, por enquanto, à
TNA capacidade para se constituir uma alternativa à WWE...porque não
tem o seu tamanho, não tem as suas capacidades e, acima de tudo, não
tem o seu "know how". E o problema, como disse
anteriotmente, parece-me estar, precisamente na forma como os donos da
companhia a vêem, porque na ânsia de se mostrar diferentes da WWE,
acabam muitas vezes por retomar receitas antigas como acontecesse
actualmente onde há uma clara inclinação para o modelo/matriz ECW.
Não me interpretem mal, eu não acho que a TNA deva ser ou querer
ser igual à WWE, agora, penso que deve ambicionar a sua grandeza,
dimensão, visibilidade e capacidade. A TNA deve almejar
constituir-se uma "main stream" e, sinceramente,
infelizmente penso eu, não me parece que seja isso que a sua
administração queira ou esteja a planear.
Já
deu para perceber que tens, portanto, algumas reservas face ao
produto que nos é oferecido actualmente pelas duas maiores
promotoras da indústria, não é verdade?
Não sei se reservas é a expressão mais indicada,
porque continuo a seguir com gosto os programas da WWE e da TNA. Eu
diria antes que lamento o facto de tanto uma companhia como outra
estarem bastante longe de utilizar e rentabilizar todo o potencial
que têm. Nós olhamos para a WWE e tirando uma ou outra história no
main event, percebemos que os restantes wrestlers estão no card a
defrontar-se apenas pelo combate em si, sem qualquer razão que o
justifique ou história que ajude a construir esses mesmos confrontos
e, na minha opinião, isso não tem desculpa. Depois, tão depressa
nos oferecem um show de grande qualidade, como nos apresentam três
ou quatro de seguida que não acrescentam nada de novo e que, na
verdade, até custam seguir pelo elevado número de horas (na minha
opinião o RAW deveria regressar imediatamente às duas horas). Por
outro lado, a TNA com as suas constantes mudanças de rumo e de
estratégia, também não nos deixa seguir um fio condutor das suas
histórias, nem perceber a quem verdadeiramente eles querem dar um
push e elevar. E esta recente aproximação, ainda que ao de leve,
para com o modelo/matriz da antiga ECW também não me agrada muito.
Mas pronto, a verdade é que as coisas, em ambas as companhias já
estiveram piores...actualmente há jovens talentos de grande
potencial e qualidade nos planteis das duas, o que nos permite encarar
o futuro, pelo menos, com alguma esperança. Esperança é, também,
o que tenho relativamente à capacidade da TNA para conseguir renovar
o seu contrato de tv com a Spike ou para encontrar uma nova estação
de televisão que passe os seus programas.
Disseste
anteriormente que seguias, embora de forma menos consequente e
profunda, o circuito independente norte-americano...tens alguma
consideração a tecer sobre o mesmo e as mais diversas promotoras
que o constituem?
Confesso que o sigo mais no sentido de descobrir novos
talentos e/ou movimentos que vão aparecendo e uma ou outra história
que acabo por considerar mais interessante. Devo dizer, no entanto,
que não oferecem conteúdos e/ou uma produção que me agrade ou
satisfaça verdadeiramente...não aprecio muito as suas storylines e
storytelling, nem o seu in-ring style bastante vocacionado para o
highflying wrestling, mas pronto, é uma questão de preferências.
Apesar de tudo, conseguimos encontrar por lá jovens talentos de
grande qualidade e potencial e é, em grande medida, por essa razão,
que não deixo de acompanhar minimamente o que se vai fazendo,
especialmente na ROH.
E
as promotoras de Lucha-Libre mexicanas e/ou as companhias de puroresu
japoneses, não te dizem nada?
Pois, de facto também não me dizem muito.
Relativamente à lucha-libre, julgo ser do conhecimento público o
facto de não gostar minimamente do highflying wrestling, pela falta
de psicologia de ringue e pela total incapacidade de contar histórias
dentro do ringue que esse estilo advoga. Por isso, nunca senti grande
interesse, entusiasmo ou necessidade de acompanhar a lucha-libre. Num
outro sentido, reconheço a grande capacidade e qualidade do puroresu
dentro do ringue, no entanto, para mim pro wrestling é sinónimo de
"sports entertainment" e, por isso, a parte do
entretenimento é fundamental, algo a que o estilo japonês não
atribuiu relevante importância...e sem storylines e/ou rivalidades
profundas e bem contadas, também acabo por me afastar um pouco desse
estilo.
Para
terminar esta fase da entrevista...Consegues dizer-nos quais foram,
então, os wrestlers que mais te marcaram e que mais apreciaste ao
longo de todos estes anos como fã?
Definitivamente o Triple H. Para mim o Triple H é o
melhor wrestler de sempre e eu reconheço que sempre que falo ou vejo
qualquer coisa de que ele toma parte, me transformo imediatamente num
enorme mark (lol). Por outro lado, sempre gostei de tipos como o Ric
Flair e o Roddy Piper, assim como de todos aqueles que constituíram
o famoso grupo de backstage "The Kliq". Como podes
perceber, portanto, sempre fui um fã de heel guys...
Passemos
agora para a CWO e a Blogosfera nacional, conta-nos, como foi o teu
primeiro contacto com ela?
Apesar de já seguir a modalidade há bastante tempo e
desde muito novo, a verdade é que só comecei a acompanhar os
desenvolvimentos a partir dos sites das promotoras e dos dirt sheets,
para aí, a partir de 2001 ou 2002. Contudo, a principio, limitei-me
a consultar apenas o que se ia escrevendo e publicando a nível
internacional, não tinha qualquer noção da existência em Portugal
de sites, blogues e fóruns que tratassem de pro wrestling. Foi,
portanto, com grande surpresa que, já em 2006, descobri o Galáxia
Wrestling através de um link dos videos da Rute (única bloguer que
à época carregava os videos dos mais diversos shows, ppvs e dvds).
Depois tentei explorar e pesquisar para ver se havia mais alguma
plataforma nacional do género e então deparei-me com uma boa
quantidade de blogues, de entre os quais, posso destacar o Wrestling
Notícias, o XBooker, o Wrestling Fever e o fórum SWWE.
Na
altura, o que te chamou mais à atenção?
Bem, desde logo, o facto de ao final de tantos anos ter
encontrado finalmente um espaço nacional que se centrava na
modalidade. Depois, havia, de facto, muita gente a escrever e a
partilhar os seus conhecimentos e reflexões com grande qualidade,
lembro-me, facilmente, do Marcão e do Talionis no Galáxia
Wrestling, do Wolve, do Gandhy, do Deadman e do Manjinmortal no
Wrestling Notícias, do Pedro "Axe" Machado e do
Fundertaker no XBooker, enfim, havia mesmo muita qualidade nas
diversas colunas e espaços que eram publicados. E, por outro lado,
era tudo uma novidade, aparecia tudo como novo, como a primeira vez
que se estava a fazer...era bastante interessante.
Tornaste-te,
depois, um membro activo da CWO e da Blogosfera nacional, sei que
criaste o teu próprio blogue (Wrestling Spam), consegues
explicar-nos todo esse processo?
De facto, depois de alguns meses a acompanhar de perto a
blogosfera nacional e os seus maiores nomes e conteúdos, pensei que
também devia aproveitar para partilhar os conhecimentos que havia
adquirido, colocar as minhas questões e reflexões, trocar ideias
com o pessoal que estava activo na área, etc. Para além disso, como
referi anteriormente, não deixava de ser um desafio interessante e
novo, pelo que me senti realmente tentado e entusiasmado para assumir
uma postura de maior participação. Relativamente ao Wrestling Spam,
decidi criá-lo, porque não me senti no direito de me propor a
qualquer blogue da altura sem ter escrito, apresentado o que quer que
fosse ou dado provas de alguma coisa...portanto, achei que a melhor
forma, seria criar o meu próprio blogue e, depois, certamente, as
coisas iriam acontecer com naturalidade. O nome "Spam" que
escolhi para o blogue está, obviamente, relacionado com a nossa
função enquanto dirt sheets de disseminar e divulgar a modalidade o
mais possível (e também com o facto de fazer bastante spam dos seus
conteúdos no antigo MSN, confesso lol).
Embora
já não haja publicações novas há bastante tempo, a verdade é
que o Wrestling Spam continua aberto para consulta de quem o quiser
visitar, certo?
Não, o Wrestling Spam que podem consultar agora é um
blogue pessoal que criei para colocar (quase em forma de arquivo)
todos os textos que vou escrevendo, está um pouco desactualizado
porque ainda não carreguei os que publiquei mais recentemente, mas,
mais dia, menos dia, hei-de acertar as coisas. O Wrestling Spam
antigo, o original, passado algum tempo depois de o ter criado,
contou com a participação de outros jovens que estavam a escrever
pela primeira vez na blogosfera e, infelizmente, abri a administração
a dois ou três desses membros que, posteriormente, o viriam a apagar
sem o meu conhecimento e/ou consentimento...ainda hoje não sei quem
o fez, mas pronto, são coisas que acontecem.
E
o XBooker, porque decidis-te integra-lo quando já tinhas um blogue e
como aconteceu a teu ingresso nesse novo projecto?
O XBooker era um dos maiores blogues da altura, tinha
imensas visitas e comentários, e, acima de tudo, uma equipa de
redactores que eu admirava. Era, portanto, um espaço com muito maior
visibilidade e com muito mais feedback que o blogue "caseirinho"
que eu tinha criado. O meu ingresso no XBooker deu-se após o convite
de um dos seus administradores à época, o Diogo "Shocker"
Morgado, convite esse que rapidamente aceitei após acordarmos quais
seriam as minhas tarefas e aquilo que, da parte deles, me era
exigido.
Mas,
em pouco tempo, tornaste-te administrador do XBooker, não foi?
Sim. Infelizmente muito do pessoal que lá escrevia
quando entrei para o blogue, passado pouco tempo, abandonou a
blogosfera e/ou parou de escrever e de fazer publicações deixando
as coisas numa situação algo complicada. O Pedro "Axe"
Machado (fundador e administrador principal) convidou-me depois para
integrar a administração e, à medida que ele se foi afastando ou
tendo cada vez menos disponibilidade para gerir o XBooker, eu fui
ficando responsável pelas coisas. Apesar de termos enfrentado
períodos de alguma dificuldade, a verdade é que conseguimos dar
sempre a volta por cima e apresentar bons conteúdos. Conseguimos, ao
longo do tempo, formar sempre boas equipas de redactores e membros do
blogue.
No
entanto, o XBooker também viria a encerrar. Que situação levou ao
fim do blogue?
Para o bem ou para mal, os blogues vivem muito da
disponibilidade que os seus administradores principais ou
administrador de maior responsabilidade têm. O XBooker não fugia a
essa regra, apesar das boas equipas que sempre o constituíram, sem
um administrador que tratasse do dia à dia do blogue, da sua agenda,
das publicações e dos seus membros, dificilmente conseguiria
continuar. Ora, como o fim do período universitário e a entrada no
mercado de trabalho exigiu da minha parte uma disponibilidade e
responsabilidade muito maiores, deixei de ter o tempo que desejava e
que era necessário para continuar a gerir o XBooker. Por outro lado,
não consegui encontrar ninguém realmente interessado e motivado
para ficar a cargo da administração e, como não queria encerrar
totalmente o blogue, fiz uma proposta ao Wrestling Notícias para
fundirmos as nossas equipas e continuarmos a trabalhar, dentro do
possível, no blogue deles. Portanto, oficialmente, o XBooker nunca
encerrou (e se quiserem podem aceder ao blogue e consultar tudo o que
lá foi publicado), na verdade, o XB continuou a viver dentro do
Wrestling Notícias (embora, actualmente, seja eu o único membro do
XB que continua em actividade).
Mas
tu também já não escreves com a regularidade de outrora...
Pois. É como referi anteriormente, as responsabilidades
e disponibilidade, agora, são outras. Quando tenho tempo e consigo
encontrar temas e assuntos que julgo interessantes, vou escrevendo e
publicando novos textos e reflexões. Sempre que isso não for
possível, serei forçado a ausentar-me por algum tempo (alguns
maiores que outros, como realmente tem acontecido). Em todo o caso,
de há 2 meses para cá tenho vindo a conseguir escrever com muita
regularidade, não posso garantir que as coisas continuem assim, mas
enquanto o conseguir fazer, podem contar com o meu contributo.
Recentemente
escreveste sobre a actual situação da CWO Nacional. Olhando para
trás, sentes saudades da vivacidade que ela emanava?
Sim. Foi de facto um período muito vivo. Uma época de
enorme esforço por parte dos membros dos diversos sites, blogues e
fóruns e uma altura de grande participação daqueles que, não
escrevendo ou publicando nada, visitavam e seguiam as mais diversas
plataformas. Sei que vivia-mos um período diferente em que o pro
wrestling atravessava um grande boom no nosso país e também que
esse clima e ambiente arrefeceu bastante...no entanto, continuo a
acreditar que, se as pessoas que diariamente seguem os blogues, os
sites e participam de fóruns, tiverem disponíveis para aumentar o
seu grau de intervenção nas discussões, nos debates e/ou nos
comentários, até mesmo, se quiserem começar a expor as suas ideias
e a partilhar os seus conhecimentos, a situação pode alterar-se
para melhor. É preciso é haver vontade, interesse, motivação e
uma verdadeira disponibilidade da parte desses visitantes e
seguidores.
Por
falar em visitantes e seguidores, é um facto que há muita
mesquinhês nos comentários de alguns anónimos, da mesma forma que
as "guerras" entre os fãs da WWE e os adeptos da TNA
também costumam inundar muitos posts. Como encaras essas situações?
Se quiserem podem encarar isto como uma crítica e, no
fundo não deixará de o ser, mas a verdade é que grande parte do
pessoal que frequenta a CWO e a blogosfera, em particular, é ainda
muito novo, algo imaturo e, por vezes, demasiado infantil.
Pessoalmente, recebo as críticas com grande prazer, se elas forem
verdadeiramente fundamentadas e aparecerem como resultado de um
debate de ideias e de opiniões perfeitamente natural e saudável.
Agora, quando determinadas anónimos partem para o insulto gratuíto,
para o mal dizer e bota abaixo, enfim, não dou qualquer valor a
essas situações...nunca deixarei de responder, porque é mais forte
do que eu dar resposta, mas o valor que dou à situação será
sempre mínimo ou nulo. Por outro lado, a guerra entre os fãs da WWE
e da TNA também me aborrece de sobremaneira. É reveladora da tal
imaturidade que referi, mas também de uma grande intolerância para
com as preferências dos outros. Mais que tudo, revela uma grande
falta de conhecimento e de compreensão acerca da própria modalidade
e seus conteúdos, mas pronto, também é um pouco o reflexo dos
valores da generalidade dos jovens de hoje, para quem é muito mais
fácil dizer ou escrever o que calha, sem pensar muito, sem procurar
conhecer e informar-se acerca dos assuntos, etc. Nós não podemos
obrigar ninguém a mudar, mas numa situação perfeita, qualquer fã
da modalidade deveria estudar a sua história, assistir aos seus mais
diversos programas, ppvs e dvds, ouvir os wrestlers e demais
intervenientes da indústria...e então só depois formar a sua
opinião. Mas as coisas são como são...
Muito
bem...e relativamente aos colegas/companheiros da blogosfera,
fizeste algumas amizades?
Bem, eu não lhe chamaria amizade porque é um termo um
bocado forte de mais para descrever relações entre pessoas que nunca
se viram. Contudo, julgo que ao cabo deste 7 anos acabei por
encontrar e "conviver" online com algumas pessoas
interessantes e de que fiquei mais próximo. Especialmente de alguns
dos membros que formaram as equipas do XBooker. Outros há que, não
tendo convivido da mesma forma com eles ou partilhado e trocado
opiniões, não deixo de respeitar e admirar pelo trabalho que
fizeram e pela importância do mesmo na nossa comunidade.
E
quem são e/ou foram esses nomes que mais admiras e respeitas?
Não quero ser injusto e, por isso, se me esquecer de
alguém, peço que me desculpem. Como disse, a princípio admirei
bastante os trabalhos do Marcão e do Talionis, assim como o da Rute.
Depois, quando passei a intervir directamente na CWO, tive
oportunidade de contactar e trocar ideias com mais pessoas, de
conhecer de uma forma mais profunda as publicações e os bloggers
que as faziam...sempre admirei o pessoal do Wrestling Noticias,
especialmente o Gandhy, o Wolve, o Deadman e o Manjinmortal. Depois,
há também aquele pessoal com que trabalhei no XBooker e com quem
gostei de partilhar tarefas de blogue e um sem número de conversas e
discussões, pessoas como Pedro "Axe" Machado, o
Fundertaker (talvez aquele de quem tenha ficado mais próximo, na
altura) e o próprio Hunter. Actualmente, do pessoal que foi
aparecendo, gosto imenso do trabalho do João Basílio com o seus
SmarkDown e Battle Royal. Muitos outros houve que respeitei e
admirei, mas julgo ser este o core e núcleo duro de entre os que,
de uma forma ou de outra, me "marcaram" mais.
Para
terminar-nos a entrevista, deixa-me perguntar-te, ao cabo de 200
edições do teu espaço, o que te motiva ainda a escrever e a
partilhar as tuas reflexões?
Em primeiro lugar e como não poderia deixar de ser, é,
acima de tudo, o gosto pela modalidade, pela indústria e por grande
parte de tudo aquilo que a envolve. Depois, temos de reconhecer que
no nosso país o pro wrestling não é algo com muitos adeptos ou que
esteja enraízado na nossa cultura e isso torna bastante difícil
encontrar alguém com quem possamos trocar ideias e/ou opiniões
sobre os mais diversos assuntos e temas que giram em redor do
business. Com os meus amigos posso falar de futebol e outros
desportos, posso falar de música, posso falar de cinema e literatura, posso falar de política, posso
falar de trabalho, posso falar de "gajas" (lol), enfim,
posso falar das mais variadas situações da minha vida, mas não
posso falar de wrestling porque não tenho ninguém suficientemente
próximo que goste ou acompanhe a modalidade. A CWO, embora seja uma
comunidade online e pequena, repleta de estranhos, não deixa de ser
um espaço onde posso debater e discutir sobre a modalidade, onde
posso trocar conhecimentos e informação, onde posso ensinar e
aprender, etc. Portanto, a minha participação na CWO complementa a
necessidade que tenho de falar sobre wrestling. O facto de escrever e
publicar os meus textos e reflexões representa, portanto, apenas, o
modo mais estruturado e organizado que encontrei de participar e
intervir na nossa pequena comunidade.
Por último, alguma mensagem que queiras deixar para quem nos le e visita?
Sim. Um pouco no sentido daquilo que escrevi e publiquei acerca da comunidade de wrestling online nacional. Apelar a uma maior participação e intervenção dos nossos visitantes e seguidores, incentiva-los a tornarem-se, também eles, bloggers, cronistas e-ou editores de espaços, etc. Mas gostava de apelar, ainda, para que procurassem continuar a acompanhar a modalidade e os conteúdos apresentados pelas mais diversas promotoras para que, quando tiverem de formar e expressar uma opinião, tenham realmente conhecimento de causa no que toca aos assuntos que abordam...também, para serem mais e melhor conhecedores da indústria e da história do business. E, por último, gostava de deixar um repto para que continuem a visitar o Wrestling Notícias e para que visitem também o Wrestling Spam.
E
vocês, o que vos faz ser fãs de Pro Wrestling?!
Um Abraço,
Dias Ferreira
PS:
Não se esqueçam de indicar assuntos e temas que gostariam de ver
ser aqui abordados.
Podem acompanhar-me, também, em:
















